Perguntas e respostas sobre a Santa Ceia

Alimento do Espírito: “… o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha”. (1 Coríntios 11.23-26)
Foi assim que Jesus nos convidou para um banquete que começou há mais de dois mil anos e continuará a ser celebrado até o dia em que só compete a Ele saber. Cerimônia instituída como um memorial de sua paixão e morte, a Ceia do Senhor é um momento de reverência e humildade, precedido por arrependimento e confissão de pecados. É, portanto, uma cerimônia solene, que a Igreja participa em atitude de oração. Mas não é uma cerimônia triste, pelo contrário! A Ceia do Senhor é também comunhão, sinal do amor de Cristo por nós e do amor que os cristãos e cristãs têm uns pelos outros.
Conheça um pouco mais sobre este sacramento, com base no Ritual da Igreja Metodista, na Carta Pastoral sobre os Sacramentos e na consultoria do pastor Ronan Boechat, coordenador do Conselho Editorial do Jornal Avante e do Ministério Regional de Missões e Evangelização da Primeira Região Eclesiástica da Igreja Metodista.
Sei que devo ir à Mesa do Senhor apenas quando estou com minha consciência tranqüila diante de Deus. Mas estou enfrentando uma fase difícil com meu filho. Muitas vezes durante a semana eu brigo com ele e, quando o pastor faz o convite não me sinto no direito de tomar a Ceia.
De fato, a Ceia deve ser tomada apenas após arrependimento e confissão de pecados. O apóstolo Paulo já dizia: “… aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice; pois o que come e bebe, sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si” (1 Co 11.27-29). Contudo, é necessário ressaltar um importante aspecto: a ceia não exclui os pecadores arrependidos. Somos seres humanos e cometemos falhas mesmo quando não desejamos, uma experiência que o apóstolo Paulo também vivenciou: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Romanos 7.19). Por isso é que um importante momento da liturgia da Ceia do Senhor é a confissão dos pecados e a proclamação do perdão. Se o pecado nos acusa, o sangue de Jesus nos regenera: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; ele é a propiciação pelos nossos pecados…” (1 Jo 2.1-2).
Assim, antes de ir à Mesa da comunhão, busque a reconciliação com familiares, amigos (as), irmãos(as) da Igreja. Se isso não for possível naquele momento, presencialmente, faça as pazes, em oração, com os seus irmãos(ãs) e consigo mesmo(a) perante o Senhor. Afinal, se você, por seus próprios méritos, esperasse ter o “direito” de se aproximar da Mesa do Senhor, você jamais o faria, pois nunca seríamos capazes de chegar a Deus completamente isentos(as) de pecado; só o fazemos pela misericórdia divina. Por isso, a Ceia do Senhor não é um “direito” nosso: ela é tão somente um sinal da graça de Deus e ação de graças da Igreja pela morte e ressurreição de Jesus. Aceite essa dádiva com gratidão e humildade.
Não sou metodista, mas quando visito parentes metodistas em outra cidade costumo freqüentar os cultos. Eu posso tomar a Ceia na Igreja Metodista?
Nós metodistas entendemos que a Ceia é do Senhor Jesus e não da Igreja Metodista. Assim sendo, todas as pessoas batizadas em qualquer comunidade cristã em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, que estejam emcomunhão com suas igrejas e que a consciência não lhe acusar a existência de pecado não confessado, são bem vindas a participar da Ceia do Senhor na Igreja Metodista. Onde quer que a Ceia seja celebrada, Jesus está presente.A Ceia além de celebrar a vitória de Jesus sobre a morte, de afirmar a nossa fé em sua segunda vinda, é também o nosso testemunho de que nós cristãos somos um povo de um só Senhor. Um único e mesmo Salvador é também Senhor das denominações e seus pastores(as) e de seus ritos.
Assim, em nenhuma hipótese a celebração da Ceia do Senhor deve ser feita a portas fechadas, tampouco negada a qualquer visitante, seja qual for a origem cristã dele ou dela. Nós, metodistas, afirmamos que a Mesa é do Senhor da Igreja. Sendo assim, todos aqueles(as) que crerem em Jesus e estiverem arrependidos(a) de seus pecados estarão aptos(as) a participar da Mesa do Senhor.
A Carta Pastoral sobre os Sacramentos nos lembra que a Ceia do Senhor é um memorial da celebração da ceia da Páscoa que Jesus realizou com os discípulos (Lc 22.14-23). Na celebração da Páscoa judaica, o que iniciava o ritual era uma pergunta feita por uma criança: “… que ritual é este?” (Êxodo 12.25-27). Assim, era celebrada a Páscoa, família por família, recordando a libertação do jugo do Faraó. Ninguém era excluído, pelo contrário, se a família era pequena, devia convidar os vizinhos (Êx. 12.3-5). A experiência da Ceia do Senhor é, portanto, o momento em que obedecemos a ordem de Jesus de repetirmos a refeição da última Ceia de Páscoa num encontro de comunhão, amizade e inclusão.
Uma irmã de nossa Igreja está em pecado mas continua participando da celebração da Ceia. Está correto isto?
A Palavra de Deus afirma: “todo homem e mulher são pecadores e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23; Rm 6:12). Ela nos aponta o caminho: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1Jo 1:9).
Participamos da Ceia não porque sejamos bons, mas confiados na multidão das misericórdias e no mérito exclusivo do nome do Senhor Jesus. Por isso a necessidade da confissão e quebrantamento antes da participação: “sou pecador(a)”. Mas se não há arrependimento e mudança de atitude verdadeiros, não há perdão divino, pois o perdão é conseqüência da confissão. E o texto bíblico alerta: “aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si (2Co 5:27-29). O texto bíblico não diz que nós devemos ficar examinando uns aos outros, mas cada um deve examinar a si mesmo.
O livro do Ritual da Igreja Metodista é bem claro: o pastor ou pastora metodista não poderá negar a ceia do Senhor a qualquer pessoa que se aproximar da Mesa da Comunhão. A mesa é do Senhor, é Ele quem convida. Por isso, o pastor ou a pastora metodista, ou qualquer órgão da Igreja, também não poderá suspender da Ceia do Senhor qualquer membro da Igreja, a não ser através de processo disciplinar, como orientam os Cânones.
Voltemos à comparação com a Ceia da Páscoa judaica. No judaísmo dos tempos de Jesus, as exclusões eram freqüentes: eram considerados impuros os doentes, mulheres no período de menstruação, samaritanos, gentios e pessoas que exerciam certas profissões marginalizadas, como os cambistas e os curtidores, e até mesmo quem apenas tocava em qualquer impuro. Mas a Ceia instituída por Jesus trouxe a novidade da inclusão: dela podiam participar pessoas dos segmentos menos nobres da sociedade judaica, como eram os próprios discípulos. O momento da Ceia do Senhor tornou-se um espaço de todos que celebravam e criam em Jesus como Senhor e Salvador. Não havia ninguém para classificar quem era puro ou impuro, o critério de inclusão era pessoal, conforme instruiu o apóstolo Paulo: “cada um examine-se a si mesmo”.
Mas, e se sabemos que há um irmão ou irmã vivendo deliberadamente em pecado? Então, devemos seguir o procedimento que Jesus nos ensinou em Mateus 18:15-17: “se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.Se ele não te ouvir, diz o texto bíblico, volte a buscar o diálogo levando um ou duas testemunhas e, se ainda, assim, o conflito não se resolver, busque a ajuda da congregação. E ore sempre pelos seus irmãos e irmãs.
Não acho certo que crianças tomem a Ceia. Elas ainda não entendem o sacrifício de Jesus, nem o significado dos símbolos e não têm reverência.
A Ceia do Senhor é uma refeição comunitária que celebra uma aliança com Deus. Você deixaria seu filho sem comer até que ele pudesse compreender a importância do alimento para a sua vida? Não, você o alimenta. Ele não sabe distinguir carboidrato de proteína, mas intui que o alimento é vital para sua sobrevivência e, mais ainda: ele pode sentir que este alimento está sendo oferecido com amor. Com o passar do tempo, ele aprenderá sobre a importância de cada nutriente. Contudo, a primeira lição ele já aprendeu: o filho sabe que é alimentado porque seus pais o amam. Ao redor da Mesa do Senhor, a criança também se sente acolhida pela comunidade de fé. No exemplo de Cristo que deu sua vida, e no exemplo da comunidade com quem ela partilha o pão, a criança aprende o significado do amor. Antes que compreendam o significado, as crianças aprendem pela vivência. Aprendem a falar ouvindo os pais falando. Aprendem gestos, vendo como os adultos gesticulam. Aprendem o que é comunhão pelo testemunho da Igreja.
O pastor metodista norte-americano Zachary C. Beasly, no texto Preparando as crianças para a comunhão (publicado no caderno Nós e a Criança, produzido pelo Departamento de Crianças da I Região Eclesiástica) diz o seguinte:“Por menor que seja a criança, e por menor que seja sua capacidade de compreensão, o pastor/a ou responsáveis devem afirmar à criança quando ela for participar da Mesa do Senhor que “você está participando da Ceia do Senhor porque Deus ama muito a você e sua família”.
A reverência é algo que adultos precisam praticar e que as crianças precisam aprender. Como na prática da circuncisão no Antigo Testamento, eram os pais (responsáveis legais e espirituais da criança) que deviam ter a fé em Deus, optar por participar da Aliança com Deus e buscar entender Sua vontade. A Bíblia diz: “educa a criança no caminho em que deve andar” (Pv 22:6). Ou seja: nós “lançamos a semente” e a regamos, mas quem dá o crescimento é Deus (1 Co 3:6-7).
No caso de crianças cujas famílias não participam da Igreja e/ou não são famílias cristãs o Pr. Zachary C. Beasly sugere que algumas famílias da Igreja sejam orientadas a “adotar” estas crianças durante a celebração da Ceia do Senhor “para irem juntos até ao altar e participar deste meio de graça tão importante”. Afinal, a Igreja tem de assumir a responsabilidade pelo cuidado das crianças que fazem parte da comunidade da fé. Se Deus coloca as crianças no meio do povo de Deus, da família da fé, do rebanho do Senhor, a Igreja tem de amar, acolher, cuidar, educar.
Meu marido está de cama e não está participando dos cultos de Santa Ceia. Posso levar a Ceia para ele tomar em casa?
Peça ao pastor ou pastora que leve à Ceia até o seu marido. A ministração da Ceia do Senhor nos lares só poderá ser realizada com a presença do pastor, ou pastora, a quem cabe consagrar os elementos para a celebração. Além da presença do pastor(a) que vai visitar e cuidar da ovelha ferida em casa ou num hospital, é importante comer o pão e beber do cálice da Ceia do Senhor num ambiente de culto, ou seja a leitura bíblica, as orações e também a confissão de pecados. Segundo a Pastoral sobre os Sacramentos, escrita pelos nossos Bispos, em casos excepcionais, quando não for possível ao pastor ou pastora, leigos e leigas podem levar a Santa Ceia aos doentes e idosos que não possam ir ao templo, desde que os elementos da Ceia sejam consagrados pelo(a) ministro.
Já participei de celebração que usava outros elementos além de pão e vinho, como leite e frutas. Há algum problema nisso? A própria Igreja Metodista não usa vinho, mas suco de uva.
A ceia do Senhor instituída por Jesus tem dois elementos constitutivos: pão e vinho. São o trigo e a uva pisados e moídos, tal como aconteceu com o Senhor Jesus ao ser pisado e moído (assassinado) na Cruz do Calvário. Não devemos mudar esses símbolos biblicamente definidos e universalmente reconhecidos.
Eventualmente pastores(as) e igrejas celebram a ceia judaica, muito particularmente no período próximo da celebração da Páscoa, com todos aqueles elementos, entre os quais as plantas amargas, o mel, etc… Não há pecado em celebrar a ceia judaica, mas é preciso discernimento e bom senso, não substituir a ceia instituída por Jesus pela celebração da ceia da antiga Aliança e nem inventar moda de ficar adicionando outros elementos à Ceia que tire a sua mensagem simples, clara e espiritual.
É verdade que os cristãos num momento da história substituíram o vinho pelo suco de uva, eliminando o álcool da Ceia. Não podiam combater o vício e cuidar solidariamente dos dependentes químicos (alcoólicos) oferecendo bebida alcoólica no altar o Senhor, ainda que em pequenas doses. Para quem não sofre essa dependência talvez não faça diferença nem sentido, mas para o alcoólico faz toda diferença: evitar o primeiro gole. E no mais, o suco de uva, que ainda chamamos de vinho, continua sendo o produto da uva amassada e pisada. O pão também não é o mesmo: alguns usam pão caseiro, outros pão industrializado, outros pão sem fermento… mas o trigo e a uva estão na Ceia do Senhor.
Com que freqüência a Igreja deve celebrar a Santa Ceia?
A Ceia do Senhor no princípio era celebrada todos os domingos como uma espécie de “aniversário” da morte e ressurreição de Jesus. O nosso culto dominical como o conhecemos hoje nasceu a partir da celebração da Ceia do Senhor. Por isso na maior parte das igrejas há a mesa da comunhão bem no meio do altar. É como se toda a congregação estivesse reunida ao redor da mesa da Ceia, do Senhor Jesus. E pela fé Jesus está na cabeceira dessa Mesa, como anfitrião supremo.
Mas houve uma época em que não havia pastores e missionários para atender dominicalmente a todas as igrejas e congregações, de modo que os pastores tornaram-se itinerantes, viajando continuamente de um lugar ao outro para atender as muitas e longínquas congregações. A Ceia era celebrada só quandoo pastor estava presente na Congregação, e não mais dominicalmente. Via de regra a Ceia ficou sendo celebrada uma vez por mês, mas há igrejas que a celebração é quinzenal e em outras poucas a celebração é dominical. Os Cânones, o livro com as leis, orientações e principais documentos da Igreja Metodista, dizem que a Ceia pode ser ministrada, “a juízo do pastor e do Concílio Local, com a freqüência que, em conjunto, determinarem, visando sempre à edificação espiritual da Igreja” (p.64). A Carta Pastoral sobre Sacramentos orienta que a Ceia do Senhor seja realizada pelo menos uma vez por mês. “Em nenhuma hipótese a comunidade de fé abandonará a experiência profunda da participação da Mesa do Senhor”.
Já vi leigos e até crianças distribuindo os elementos da Ceia. Este trabalho não caberia a um ministro?
Cabe ao ministro o ritual da consagração dos elementos da Ceia. Mas, no contexto de Dons e Ministérios, o pastor ou pastora deverá convidar membros leigos e leigas para ajudar na ministração dos elementos, ou seja, na distribuição do pão suco de uva. Tais convites devem ser feitos com antecedência, tendo-se o cuidado de escolher entre os membros de comprovada idoneidade cristã, preferencialmente de ambos os sexos.
(FONTE: Site da Igreja Metodista WWW.metodista.org.br )

Perguntas e respostas sobre a Santa CeiaGilmar Costas Rampinelli

Alimento do Espírito: “… o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha”. (1 Coríntios 11.23-26)
Foi assim que Jesus nos convidou para um banquete que começou há mais de dois mil anos e continuará a ser celebrado até o dia em que só compete a Ele saber. Cerimônia instituída como um memorial de sua paixão e morte, a Ceia do Senhor é um momento de reverência e humildade, precedido por arrependimento e confissão de pecados. É, portanto, uma cerimônia solene, que a Igreja participa em atitude de oração. Mas não é uma cerimônia triste, pelo contrário! A Ceia do Senhor é também comunhão, sinal do amor de Cristo por nós e do amor que os cristãos e cristãs têm uns pelos outros.
Conheça um pouco mais sobre este sacramento, com base no Ritual da Igreja Metodista, na Carta Pastoral sobre os Sacramentos e na consultoria do pastor Ronan Boechat, coordenador do Conselho Editorial do Jornal Avante e do Ministério Regional de Missões e Evangelização da Primeira Região Eclesiástica da Igreja Metodista.
Sei que devo ir à Mesa do Senhor apenas quando estou com minha consciência tranqüila diante de Deus. Mas estou enfrentando uma fase difícil com meu filho. Muitas vezes durante a semana eu brigo com ele e, quando o pastor faz o convite não me sinto no direito de tomar a Ceia.
De fato, a Ceia deve ser tomada apenas após arrependimento e confissão de pecados. O apóstolo Paulo já dizia: “… aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice; pois o que come e bebe, sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si” (1 Co 11.27-29). Contudo, é necessário ressaltar um importante aspecto: a ceia não exclui os pecadores arrependidos. Somos seres humanos e cometemos falhas mesmo quando não desejamos, uma experiência que o apóstolo Paulo também vivenciou: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Romanos 7.19). Por isso é que um importante momento da liturgia da Ceia do Senhor é a confissão dos pecados e a proclamação do perdão. Se o pecado nos acusa, o sangue de Jesus nos regenera: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; ele é a propiciação pelos nossos pecados…” (1 Jo 2.1-2).
Assim, antes de ir à Mesa da comunhão, busque a reconciliação com familiares, amigos (as), irmãos(as) da Igreja. Se isso não for possível naquele momento, presencialmente, faça as pazes, em oração, com os seus irmãos(ãs) e consigo mesmo(a) perante o Senhor. Afinal, se você, por seus próprios méritos, esperasse ter o “direito” de se aproximar da Mesa do Senhor, você jamais o faria, pois nunca seríamos capazes de chegar a Deus completamente isentos(as) de pecado; só o fazemos pela misericórdia divina. Por isso, a Ceia do Senhor não é um “direito” nosso: ela é tão somente um sinal da graça de Deus e ação de graças da Igreja pela morte e ressurreição de Jesus. Aceite essa dádiva com gratidão e humildade.
Não sou metodista, mas quando visito parentes metodistas em outra cidade costumo freqüentar os cultos. Eu posso tomar a Ceia na Igreja Metodista?
Nós metodistas entendemos que a Ceia é do Senhor Jesus e não da Igreja Metodista. Assim sendo, todas as pessoas batizadas em qualquer comunidade cristã em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, que estejam emcomunhão com suas igrejas e que a consciência não lhe acusar a existência de pecado não confessado, são bem vindas a participar da Ceia do Senhor na Igreja Metodista. Onde quer que a Ceia seja celebrada, Jesus está presente.A Ceia além de celebrar a vitória de Jesus sobre a morte, de afirmar a nossa fé em sua segunda vinda, é também o nosso testemunho de que nós cristãos somos um povo de um só Senhor. Um único e mesmo Salvador é também Senhor das denominações e seus pastores(as) e de seus ritos.
Assim, em nenhuma hipótese a celebração da Ceia do Senhor deve ser feita a portas fechadas, tampouco negada a qualquer visitante, seja qual for a origem cristã dele ou dela. Nós, metodistas, afirmamos que a Mesa é do Senhor da Igreja. Sendo assim, todos aqueles(as) que crerem em Jesus e estiverem arrependidos(a) de seus pecados estarão aptos(as) a participar da Mesa do Senhor.
A Carta Pastoral sobre os Sacramentos nos lembra que a Ceia do Senhor é um memorial da celebração da ceia da Páscoa que Jesus realizou com os discípulos (Lc 22.14-23). Na celebração da Páscoa judaica, o que iniciava o ritual era uma pergunta feita por uma criança: “… que ritual é este?” (Êxodo 12.25-27). Assim, era celebrada a Páscoa, família por família, recordando a libertação do jugo do Faraó. Ninguém era excluído, pelo contrário, se a família era pequena, devia convidar os vizinhos (Êx. 12.3-5). A experiência da Ceia do Senhor é, portanto, o momento em que obedecemos a ordem de Jesus de repetirmos a refeição da última Ceia de Páscoa num encontro de comunhão, amizade e inclusão.
Uma irmã de nossa Igreja está em pecado mas continua participando da celebração da Ceia. Está correto isto?
A Palavra de Deus afirma: “todo homem e mulher são pecadores e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23; Rm 6:12). Ela nos aponta o caminho: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1Jo 1:9).
Participamos da Ceia não porque sejamos bons, mas confiados na multidão das misericórdias e no mérito exclusivo do nome do Senhor Jesus. Por isso a necessidade da confissão e quebrantamento antes da participação: “sou pecador(a)”. Mas se não há arrependimento e mudança de atitude verdadeiros, não há perdão divino, pois o perdão é conseqüência da confissão. E o texto bíblico alerta: “aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si (2Co 5:27-29). O texto bíblico não diz que nós devemos ficar examinando uns aos outros, mas cada um deve examinar a si mesmo.
O livro do Ritual da Igreja Metodista é bem claro: o pastor ou pastora metodista não poderá negar a ceia do Senhor a qualquer pessoa que se aproximar da Mesa da Comunhão. A mesa é do Senhor, é Ele quem convida. Por isso, o pastor ou a pastora metodista, ou qualquer órgão da Igreja, também não poderá suspender da Ceia do Senhor qualquer membro da Igreja, a não ser através de processo disciplinar, como orientam os Cânones.
Voltemos à comparação com a Ceia da Páscoa judaica. No judaísmo dos tempos de Jesus, as exclusões eram freqüentes: eram considerados impuros os doentes, mulheres no período de menstruação, samaritanos, gentios e pessoas que exerciam certas profissões marginalizadas, como os cambistas e os curtidores, e até mesmo quem apenas tocava em qualquer impuro. Mas a Ceia instituída por Jesus trouxe a novidade da inclusão: dela podiam participar pessoas dos segmentos menos nobres da sociedade judaica, como eram os próprios discípulos. O momento da Ceia do Senhor tornou-se um espaço de todos que celebravam e criam em Jesus como Senhor e Salvador. Não havia ninguém para classificar quem era puro ou impuro, o critério de inclusão era pessoal, conforme instruiu o apóstolo Paulo: “cada um examine-se a si mesmo”.
Mas, e se sabemos que há um irmão ou irmã vivendo deliberadamente em pecado? Então, devemos seguir o procedimento que Jesus nos ensinou em Mateus 18:15-17: “se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.Se ele não te ouvir, diz o texto bíblico, volte a buscar o diálogo levando um ou duas testemunhas e, se ainda, assim, o conflito não se resolver, busque a ajuda da congregação. E ore sempre pelos seus irmãos e irmãs.
Não acho certo que crianças tomem a Ceia. Elas ainda não entendem o sacrifício de Jesus, nem o significado dos símbolos e não têm reverência.
A Ceia do Senhor é uma refeição comunitária que celebra uma aliança com Deus. Você deixaria seu filho sem comer até que ele pudesse compreender a importância do alimento para a sua vida? Não, você o alimenta. Ele não sabe distinguir carboidrato de proteína, mas intui que o alimento é vital para sua sobrevivência e, mais ainda: ele pode sentir que este alimento está sendo oferecido com amor. Com o passar do tempo, ele aprenderá sobre a importância de cada nutriente. Contudo, a primeira lição ele já aprendeu: o filho sabe que é alimentado porque seus pais o amam. Ao redor da Mesa do Senhor, a criança também se sente acolhida pela comunidade de fé. No exemplo de Cristo que deu sua vida, e no exemplo da comunidade com quem ela partilha o pão, a criança aprende o significado do amor. Antes que compreendam o significado, as crianças aprendem pela vivência. Aprendem a falar ouvindo os pais falando. Aprendem gestos, vendo como os adultos gesticulam. Aprendem o que é comunhão pelo testemunho da Igreja.
O pastor metodista norte-americano Zachary C. Beasly, no texto Preparando as crianças para a comunhão (publicado no caderno Nós e a Criança, produzido pelo Departamento de Crianças da I Região Eclesiástica) diz o seguinte:“Por menor que seja a criança, e por menor que seja sua capacidade de compreensão, o pastor/a ou responsáveis devem afirmar à criança quando ela for participar da Mesa do Senhor que “você está participando da Ceia do Senhor porque Deus ama muito a você e sua família”.
A reverência é algo que adultos precisam praticar e que as crianças precisam aprender. Como na prática da circuncisão no Antigo Testamento, eram os pais (responsáveis legais e espirituais da criança) que deviam ter a fé em Deus, optar por participar da Aliança com Deus e buscar entender Sua vontade. A Bíblia diz: “educa a criança no caminho em que deve andar” (Pv 22:6). Ou seja: nós “lançamos a semente” e a regamos, mas quem dá o crescimento é Deus (1 Co 3:6-7).
No caso de crianças cujas famílias não participam da Igreja e/ou não são famílias cristãs o Pr. Zachary C. Beasly sugere que algumas famílias da Igreja sejam orientadas a “adotar” estas crianças durante a celebração da Ceia do Senhor “para irem juntos até ao altar e participar deste meio de graça tão importante”. Afinal, a Igreja tem de assumir a responsabilidade pelo cuidado das crianças que fazem parte da comunidade da fé. Se Deus coloca as crianças no meio do povo de Deus, da família da fé, do rebanho do Senhor, a Igreja tem de amar, acolher, cuidar, educar.
Meu marido está de cama e não está participando dos cultos de Santa Ceia. Posso levar a Ceia para ele tomar em casa?
Peça ao pastor ou pastora que leve à Ceia até o seu marido. A ministração da Ceia do Senhor nos lares só poderá ser realizada com a presença do pastor, ou pastora, a quem cabe consagrar os elementos para a celebração. Além da presença do pastor(a) que vai visitar e cuidar da ovelha ferida em casa ou num hospital, é importante comer o pão e beber do cálice da Ceia do Senhor num ambiente de culto, ou seja a leitura bíblica, as orações e também a confissão de pecados. Segundo a Pastoral sobre os Sacramentos, escrita pelos nossos Bispos, em casos excepcionais, quando não for possível ao pastor ou pastora, leigos e leigas podem levar a Santa Ceia aos doentes e idosos que não possam ir ao templo, desde que os elementos da Ceia sejam consagrados pelo(a) ministro.
Já participei de celebração que usava outros elementos além de pão e vinho, como leite e frutas. Há algum problema nisso? A própria Igreja Metodista não usa vinho, mas suco de uva.
A ceia do Senhor instituída por Jesus tem dois elementos constitutivos: pão e vinho. São o trigo e a uva pisados e moídos, tal como aconteceu com o Senhor Jesus ao ser pisado e moído (assassinado) na Cruz do Calvário. Não devemos mudar esses símbolos biblicamente definidos e universalmente reconhecidos.
Eventualmente pastores(as) e igrejas celebram a ceia judaica, muito particularmente no período próximo da celebração da Páscoa, com todos aqueles elementos, entre os quais as plantas amargas, o mel, etc… Não há pecado em celebrar a ceia judaica, mas é preciso discernimento e bom senso, não substituir a ceia instituída por Jesus pela celebração da ceia da antiga Aliança e nem inventar moda de ficar adicionando outros elementos à Ceia que tire a sua mensagem simples, clara e espiritual.
É verdade que os cristãos num momento da história substituíram o vinho pelo suco de uva, eliminando o álcool da Ceia. Não podiam combater o vício e cuidar solidariamente dos dependentes químicos (alcoólicos) oferecendo bebida alcoólica no altar o Senhor, ainda que em pequenas doses. Para quem não sofre essa dependência talvez não faça diferença nem sentido, mas para o alcoólico faz toda diferença: evitar o primeiro gole. E no mais, o suco de uva, que ainda chamamos de vinho, continua sendo o produto da uva amassada e pisada. O pão também não é o mesmo: alguns usam pão caseiro, outros pão industrializado, outros pão sem fermento… mas o trigo e a uva estão na Ceia do Senhor.
Com que freqüência a Igreja deve celebrar a Santa Ceia?
A Ceia do Senhor no princípio era celebrada todos os domingos como uma espécie de “aniversário” da morte e ressurreição de Jesus. O nosso culto dominical como o conhecemos hoje nasceu a partir da celebração da Ceia do Senhor. Por isso na maior parte das igrejas há a mesa da comunhão bem no meio do altar. É como se toda a congregação estivesse reunida ao redor da mesa da Ceia, do Senhor Jesus. E pela fé Jesus está na cabeceira dessa Mesa, como anfitrião supremo.
Mas houve uma época em que não havia pastores e missionários para atender dominicalmente a todas as igrejas e congregações, de modo que os pastores tornaram-se itinerantes, viajando continuamente de um lugar ao outro para atender as muitas e longínquas congregações. A Ceia era celebrada só quandoo pastor estava presente na Congregação, e não mais dominicalmente. Via de regra a Ceia ficou sendo celebrada uma vez por mês, mas há igrejas que a celebração é quinzenal e em outras poucas a celebração é dominical. Os Cânones, o livro com as leis, orientações e principais documentos da Igreja Metodista, dizem que a Ceia pode ser ministrada, “a juízo do pastor e do Concílio Local, com a freqüência que, em conjunto, determinarem, visando sempre à edificação espiritual da Igreja” (p.64). A Carta Pastoral sobre Sacramentos orienta que a Ceia do Senhor seja realizada pelo menos uma vez por mês. “Em nenhuma hipótese a comunidade de fé abandonará a experiência profunda da participação da Mesa do Senhor”.
Já vi leigos e até crianças distribuindo os elementos da Ceia. Este trabalho não caberia a um ministro?
Cabe ao ministro o ritual da consagração dos elementos da Ceia. Mas, no contexto de Dons e Ministérios, o pastor ou pastora deverá convidar membros leigos e leigas para ajudar na ministração dos elementos, ou seja, na distribuição do pão suco de uva. Tais convites devem ser feitos com antecedência, tendo-se o cuidado de escolher entre os membros de comprovada idoneidade cristã, preferencialmente de ambos os sexos.
(FONTE: Site da Igreja Metodista WWW.metodista.org.br )

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