Violinista e a dona onça

Conta-se que havia um violinista cuja competência em sua arte era inigualável. Certa vez, decidido a enfrentar novos desafios, propôs a si mesmo entrar em uma selva habitada por animais ferozes. Sua crença no poder de sua música assegurava-lhe que encantaria os animais, tocando-lhes seus corações e despertando o que de bom e melhor havia dentro de cada um deles.

As pessoas tentaram dissuadi-lo mas não conseguiram. E lá foi o violinista embrenhar-se no mato armado apenas de seu violino, sua arte e sua fé!

Estava no meio da floresta quando o leão o farejou. A fera ao farejar sua presa, veio correndo, correndo, correndo e quando ia desferir o bote fatal, ouviu o som que emanava do violino e encantado pela maestria do artista, aninhou-se ao lado dele para saborear as melodiosas notas musicais liberadas pelo violinista através de seu instrumento de trabalho.

Pouco depois, o tigre também farejou a refeição em potencial, também veio correndo, correndo, correndo e quando ia abocanhar sua presa, foi seduzido pelo som emitido pelo violino e também colocou-se ao lado do leão para contemplar a performance do violinista.

E assim sucessivamente, cada animal que avistava ou farejava o homem e seu violino, aproximava-se decidido a devorá-lo mas quando envolvido pelo som que tocava suas almas, apaziguavam seus ânimos superando os próprios instintos e acomodavam-se juntos aos outros para apreciar o show encantador apresentado pelo violinista.

E assim ia… até que a dona onça também passou por perto, também farejou o violinista e também veio correndo, correndo, correndo… passou por cima dos outros animais e… CRAU! Devorou o violinista e o violino, não sobrando absolutamente nada dos dois!

Os animais ficaram chocados com tamanha atrocidade e então o leão que era o rei daquela região mandou a hiena, sua porta-voz, tomar satisfações com a dona onça por seu ato impensado.

E a hiena indagou em alta voz em tom de repreensão:

– Dona onça.. dona onça.. Como pôde? Será que tamanha música não foi capaz de sensibilizá-la?

E a dona onça sem nada entender sobre o que acontecia ao seu redor, arregalou os olhos, colocou a pata em forma de concha próximo à orelha e exclamou:

– Ahn? Ahn? o que minha filha? Fala mais alto..!!!

Dona Onça era totalmente SURDA!!!

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