O velhinho que morreu feliz

Neste sermão vamos aprender sobre o velhinho que morreu feliz.

Texto: Gênesis 25.7-8

 

O envelhecimento da população

O envelhecimento da população é um fenômeno mundial, segundo especialistas, em decorrência da queda de mortalidade, de grandes conquistas do conhecimento médico, da urbanização adequada das cidades, da melhoria nutricional, da elevação dos níveis de higiene pessoal e dos avanços tecnológicos. Todos esses fatores começaram a ocorrer no final da década de 40 e início dos anos 50.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em menos de uma década a população idosa no Brasil será maior que a população com idade até 14 anos. Em 2055 a participação de idosos na sociedade será maior que a de jovens com idade até 29 anos.

A Organização Mundial de Saúde definiu como idoso um limite de 65 anos ou mais de idade para os indivíduos de países desenvolvidos e 60 anos ou mais para indivíduos de países subdesenvolvidos. No Brasil, a idade legal do idoso é igual ou superior a 60 anos.

Envelhecer é um processo natural que marca uma etapa da vida de todos nós e caracteriza-se por mudanças físicas, psicológicas e sociais. É uma fase em que, refletindo sobre os anos vividos, o idoso conclui que alcançou muitos objetivos, conquistou muitas coisas e foi grandemente abençoado, mas também sofreu muitas perdas, das quais se destacam como alguns dos aspectos mais afetados os seguintes: a saúde, a força, a memória, os amigos, as pessoas amadas, a independência e o espaço na sociedade. Tudo isso é muito doloroso. Só sabe bem quem está passando por isso, não é mesmo?

 

Quer ver uma coisa?

Atrelado ao envelhecimento, a sociedade passa por grandes modificações. A tecnologia avança, os meios de comunicação bombardeiam com fatos e dados, a vida é cada vez mais agitada, as transformações culturais (dos hábitos e dos costumes) são velozes, o tempo para se processar as mudanças é cada vez menor e as condições econômicas são mais difíceis, principalmente à medida que as pessoas vivem mais e dependem mais de acompanhamento médico e compra de medicação, por exemplo. Isso tudo exige uma capacidade de adaptação e uma quantidade de dinheiro que o idoso nem sempre possui, fazendo com que essas pessoas enfrentem diversos problemas sociais e emocionais que o afetam como um todo, inclusive espiritualmente.

A qualidade de vida, o bem-estar e o envelhecimento saudável requerem uma compreensão mais abrangente e adequada de um conjunto de fatores que compõem o dia a dia do idoso — por exemplo: a situação social, os aspectos psicossociais, a importância da família, as relações interpessoais, dentre outros. Isso nós deixamos aos especialistas do assunto. Nosso objetivo hoje é focar no envelhecimento sob a ótica da fé, buscando aprender como alguém, à exemplo de Abraão, poderá morrer “em boa velhice, depois de uma vida longa e feliz”.

As responsabilidades dos idosos

Antes de mergulharmos na cena memorável de hoje — a história de fé de Abraão, o velhinho que morreu feliz, entendo que seria importante destacar algumas das responsabilidades dos idosos.

Cada posição e cada etapa da vida traz suas próprias responsabilidades especiais. A infância tem os seus deveres, tais como a obediência aos pais, a humildade e a disposição para receber o ensinamento. Um marido e sua esposa têm seus deveres. Os homens e mulheres adultos têm seus deveres; aos homens e mulheres adultos é requerido que sejam bênção no mundo, não simplesmente vivam para si próprios, mas sirvam e abençoem.

Desse mesmo modo, portanto, a velhice também tem as suas responsabilidades. Mencionarei apenas algumas delas, baseando-me nas grandes tentações que essa fase da vida oferece: 1 o idoso deve empenhar-se para ser paciente e gentil; 2 deve tentar ser alegre e atencioso para com os outros; 3 deve estar sempre em oração e na leitura da Palavra de Deus (buscando crescer na graça e no conhecimento do Senhor); 4 deve desprender-se desse mundo e estar disposto a deixá-lo; 5 deve manter uma conversação edificante celestial; e 6 buscar dar bons exemplo aos outros (fé, esperança e amor — serviço, discipulado, cuidado mútuo, etc.).

Essas são algumas das responsabilidades concernentes aos idosos. Irmãos e irmãs, não as negligencie; esforcem-se para cumpri-las. Elas serão para a sua própria felicidade e para o bem de outros. Assim você desfrutará daquilo que o salmista escreveu sobre a velhice:

Sl 92.14-15 | 14 Mesmo na velhice produzirão frutos; continuarão verdejantes e cheios de vida. 15 Anunciarão: “O SENHOR é justo! Ele é minha rocha; nele não há injustiça”.

Você acha que não consegue? Observe como a oração do salmista, já idoso!, poderá te encorajar a seguir e agir com fé, esperança e amor:

Salmo 71 | 1 Em ti, SENHOR, me refugio; não permitas que eu seja envergonhado. […] 5 Só tu, Senhor, és minha esperança; confio em ti, SENHOR, desde a infância. 6 Sim, de ti dependo desde meu nascimento; cuidas de mim desde o ventre de minha mãe. Sempre te louvarei! 7 Minha vida é exemplo para muitos, pois tens sido minha força e meu refúgio. 8 Por isso, não deixo de te louvar; o dia todo declaro tua glória. 9 Não me rejeites agora, em minha velhice; não me abandones quando me faltam as forças.

[…] 14 Eu, porém, continuarei a esperar em ti e te louvarei cada vez mais. 15 Falarei a todos de tua justiça; o dia todo, anunciarei tua salvação, embora não seja habilidoso com as palavras. […] 17 Ó Deus, desde a infância me tens ensinado, e até hoje anuncio tuas maravilhas. 18 Não me abandones, ó Deus, agora que estou velho, de cabelos brancos. Deixe-me proclamar tua força a esta nova geração, teu poder a todos que vierem depois de mim. […] 20 Permitiste que eu passasse por muito sofrimento, mas ainda restaurarás minha vida e me farás subir das profundezas da terra. 21 Tu me darás ainda mais honra e voltarás a me confortar. 22 Então te louvarei com instrumento de cordas, pois és fiel às tuas promessas, ó meu Deus. Cantarei louvores a ti com a harpa, ó Santo de Israel. 23 Darei gritos de alegria e cantarei louvores a ti, pois tu me resgataste. 24 Anunciarei, o dia todo, teus feitos de justiça, pois foram envergonhados e humilhados todos que tentaram me prejudicar.

Esse sim era um velhinho idoso e feliz. Qual foi o seu segredo? Entregou-se com fé aos cuidados de Deus, empregou-se com esperança no serviço à nova geração e viveu amando até o final de seus dias.

O velhinho que morreu feliz

Feitas essas considerações, vejamos a nossa cena memorável de hoje.

Estamos todos no velório de Abraão. No caixão está o patriarca da fé, quando, de repente, uma voz do céu quebra aquele silêncio solene e nos diz:

Gn 25.7-8 | 7 Abraão viveu 175 anos 8 e morreu em boa velhice, depois de uma vida longa e feliz.

Abraão é o velhinho que morreu feliz. Apesar de todas as dificuldade, dos grandes desafios, das enormes perdas, dos incontáveis dissabores, enfim, apesar das lutas da vida, Abraão não azedou nem morreu amargo e infeliz. A Bíblia diz que ele, aos 175 anos, “morreu em boa velhice, depois de uma vida longa e feliz”. Qual foi o seu segredo?

A galeria dos heróis da fé, em Hebreus 11, nos revela o segredo do velhinho que morreu feliz — o segredo foi sua fé na graça futura de Deus. Abra lá… Hebreus 11.8-19. Nessa passagem nós encontramos cinco dicas para quem deseja envelhecer e morrer feliz.

Veja:

1 — O velhinho que morreu feliz viveu como um peregrino de fé

Hb 11.8 | Pela fé, Abraão obedeceu quando foi chamado para ir à outra terra que ele receberia como herança. Ele partiu sem saber para onde ia.

Como um peregrino de fé, Abraão abriu mão de sua zona de conforto, sua terra, seus amigos, seus negócios, sua fé pagã… tudo. Ele partiu sem saber para onde ia!

2 — O velhinho que morreu feliz exerceu paciência com fé

Hb 11.9-10 | 9 E, mesmo quando chegou à terra que lhe havia sido prometida, viveu ali pela fé, pois era como estrangeiro, morando em tendas. Assim também fizeram Isaque e Jacó, que herdaram a mesma promessa. 10 Abraão esperava confiantemente pela cidade de alicerces eternos, planejada e construída por Deus.

Paciência ao ser tratado como estrangeiro; ao viver mudando de tenda em tenda (tendas eram moradas provisórias); paciência ao ver que filhos e netos ainda eram peregrinos sem morada fixa; paciência para esperar com fé pela morada celestial permanente.

3 — O velhinho que morreu feliz experimentou o poder da fé

Hb 11.11-12 | 11 Pela fé, até mesmo Sara, embora estéril e idosa, pôde ter um filho. Ela creu que Deus era fiel para cumprir sua promessa. 12 E, assim, uma nação inteira veio desse homem velho e sem vigor, uma nação numerosa como as estrelas do céu e incontável como a areia da praia.

“Fé é poder. Fé vê o invisível, ouve o inaudível, toca o intangível e realiza o impossível.”, afirmou John MacArthur Jr., ao escrever sobre esse texto de Hebreus. Vive e morre feliz quem, assim como disse William Carey, intenta grandes coisas para Deus, pois eles experimentarão grandes coisas de Deus.

4 — O velhinho que morreu feliz enxergou pela perspectiva da fé

Hb 11.13-16 | 11 Todos eles morreram na fé e, embora não tenham recebido todas as coisas que lhes foram prometidas, as avistaram de longe e de bom grado as aceitaram. Reconheceram que eram estrangeiros [refugiados] e peregrinos neste mundo. 14 Evidentemente, quem fala desse modo espera ter sua própria pátria. 15 Se quisessem, poderiam ter voltado à terra de onde saíram, 16 mas buscavam uma pátria superior, um lar celestial. Por isso Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles, pois lhes preparou uma cidade.

Nem Abraão, Isaque ou Jacó, nenhum deles possuiu a terra prometida. De fato, foi apenas 500 anos depois da morte de Jacó que Israel começou a possuir a terra prometida.

A vitória que Deus nos garante é a entrada triunfante na Jerusalém celestial. Paulo diz assim: “Tenho certeza de que aquele que começou a boa obra em vocês irá completá-la até o dia em que Cristo Jesus voltar.” (Fl 1.6).

5 — O velhinho que morreu feliz deu provas de fé

Hb 11.17-19 | 11 Pela fé, Abraão, ao ser posto à prova, ofereceu Isaque como sacrifício. Abraão, que havia recebido as promessas, estava disposto a sacrificar seu único filho, 18 embora Deus lhe tivesse dito: “Isaque é o filho de quem depende sua descendência”. 19 Concluiu que, se Isaque morresse, Deus tinha poder para trazê-lo de volta à vida. E, em certo sentido, recebeu seu filho de volta dos mortos.

Feliz é quem consegue desfrutar o que Deus nos dá, estando pronto a abrir mão de tudo, sempre que Deus solicitar. Ou, como melhor colocou Jim Elliot em seu diário: “Não é tolo aquele que abre mão do que não pode reter para ganhar o que não pode perder”. Ele estava fazendo alusão ao um texto de Lucas, que diz assim:

Lc 16.9 | usem a riqueza deste mundo para fazer amigos. Assim, quando suas posses se extinguirem, eles os receberão num lar eterno.

Deus nos deu a vida e nós entregamo-la a ele certos de que, conforme afirmou Jesus, “se [alguém] tentar se apegar à sua vida, a perderá. Mas, se abrir mão de sua vida por minha causa, a encontrará” (Mt 16.25). Abraão deus provas de fé e morreu velhinho e feliz.

O velhinho que morreu feliz

A velhice torna-se muito difícil para quem não aprende envelhecer. Na cena memorável de hoje nós vimos que Abraão morreu velhinho e feliz. Tudo por que ele viveu como um peregrino de fé, exerceu paciência com fé, experimentou o poder da fé, enxergou pela perspectiva da fé e deu provas de fé. E você, como tem vivido?

Abraão vivia pela fé na graça futura de Deus. Eis mais um texto que comprova:

Rm 4.18-19 | 18 Mesmo quando não havia motivo para ter esperança, Abraão a manteve, crendo [esperando contra a esperança, creu] que se tornaria o pai de muitas nações. Pois Deus lhe tinha dito: “Esse é o número de descendentes que você terá!”. 19 E sua fé não se enfraqueceu, embora ele soubesse que, aos cem anos, seu corpo, bem como o ventre de Sara, já não tinham vigor.

Ou seja:

Discipline-se para ouvir a Deus: “vir após mim, tomar a cruz, negar a si mesmo, seguir-me”.
Disponha-se a crer nas promessas de Deus: ler, memorizar, meditar.
Direcione-se pela Palavra de Deus: colocar-se sob o ensino da Palavra (evangelho: Deus, eu, Cristo, resposta).
Quem assim envelhece, morre velhinho e feliz. Essa é a lição que o velhinho que morreu feliz nos ensina.

Autor: Pr. Leandro Peixoto

Visite: http://www.ejesus.com.br

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Sobre Antonio C. Barro

É professor da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina. Formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos.

É o criador e editor do blog cristão: www.coisado.com.br

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