Dr. Paul Tournier, famoso conselheiro Suíço, disse: Não há sofrimento pior e mais prejudicial do que o sentimento de culpa. Para algumas pessoas a maior dificuldade é o presente, para outras é o medo do futuro, mas outras acham que o pior inimigo é o passado; porque o passado pode transformar o presente em um inferno. Enquanto a ansiedade é o medo do futuro, daquilo que esta para vir; o sentimento de culpa é o medo do passado. E foi esse medo do passado que perturbou a vida de Jacó. Ele havia mentido e enganado para obter o direito de primogenitura e a benção de seu pai. Em Gênesis 32 Jacó está esperando às margens do ribeiro de Jaboque e, enfrentando a possibilidade de encontrar o seu irmão Esaú no dia seguinte. No passado ele havia enganado a Esaú; agora tinha que estar com ele frente a frente. Esse perigo de encontrar o irmão e o medo do passado o assombrava, havia perdido o sono e a paz de sua alma. O sentimento de culpa é uma emoção triste, que produz desconforto e ansiedade. É possível que tenhamos tido problema com alguém, e agora estamos andando em sua direção ou temos que andar em frente à sua casa…isso causa um mal estar terrível. Quem nunca experimentou isso? Então vem aquele sentimento de culpa. O que devemos fazer diante disso? Algumas pessoas acham fácil negar que haja esse sentimento, fazem de conta que nada existe. Outros tentam esconder o problema dizendo que outras pessoas vivem ainda pior. E outros fazem como Jacó: fogem para outro lugar, para outra região, para outra Igreja (Adão e Eva fugiram e esconderam-se entre as árvores do jardim; Moisés fugiu para o deserto; Jacó fugiu para a terra de seu tio Labão). Ainda alguns tentam se livrar do problema jogando a culpa em cima de outras pessoas. Nenhum desses caminhos é correto e nem ajudam a resolver o problema. Encontramos no texto lido sugestões práticas que podem ser úteis para resolver o grave problema do sentimento de culpa.

I- Precisamos ter coragem para reconhecer nossas limitações

“Quando este viu que não prevalecia contra ele, tocou-lhe a juntura da coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, enquanto lutava com ele” v. 25. Observamos que Jacó era um lutador, mas a luta não lhe proporcionou a paz. O sentimento de culpa, de algo que fez no passado, havia lhe tirado a paz e ele tentava readiquirí-la lutando com as próprias forças. E o anjo lhe deslocou a coxa, e ficou completamente arrasado. Só quando as suas forças naturais foram paralisadas é que ele percebeu que precisava da ajuda de alguém para conseguir paz. Quantas vezes ficamos sofrendo por causa de um sentimento de culpa e lutamos, dias e meses e até anos para nos libertar do problema e não conseguimos. Tentamos justificar nossas atitudes e nossa grosseria dizendo a nós mesmos que a culpa não é nossa, jogamos a culpa nos outros, lutamos de todas as formas e não conseguimos ficar em paz. Outros tentam fugir da realidade, ficando em casa e dizendo a si mesmos que não precisam estar todos os dias na Igreja, ou mudam de Igreja, pensando que com isso podem resolver suas diferenças, seus traumas, mas a situação fica cada dia pior, o sentimento de culpa continua. Foi esta também a experiência de Jacó. Fugiu para Padã – Harã. Mas quando foi tocado pelo anjo e que sua coxa foi deslocada, e que não podia mais andar e nem lutar, ele reconheceu que precisava de ajuda. Para resolver nossos problemas de sentimento de culpa precisamos ter coragem para reconhecer nossas limitações. Não podemos resolver sozinhos. Precisamos da ajuda de Deus, pois só Ele conhece nossa estrutura e pode nos ajudar. Porque tanta luta sem nada conseguir, quando podemos contar com o Deus todo poderoso para nos ajudar.

II- Precisamos decidir não sair do lugar da benção sem a benção

“E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares” v. 26. Enquanto Jacó lutava com o anjo, as suas forças físicas se esgotaram, ele foi quebrado, amassado. Tudo o que ele podia fazer agora era agüentar firme, agarrado nas pernas do anjo até que a benção lhe fosse concedida. Ele tinha interesse em resolver seu problema e esperou agarrado no anjo até ser curado. O sentimento de culpa é um problema sério. Se você contaminou o dia com uma palavra ou com um ato indelicado, exponha-o diante de Deus e busque o perdão. Se alguém foi indelicado com você, não fique sofrendo. Exponha-o diante de Deus. Se o seu trabalho o deixou cansado e esgotado e sua mente perturbada exponha tudo diante de Deus até que sua presença transmita a você a paz de que tanto necessita. Não podemos sair do lugar da benção sem a benção. Precisamos ficar na presença de Deus até que o problema seja solucionado. Perdão é uma linda palavra, mas também é uma palavra de alto custo. O sentimento de culpa vem por falta de perdoar ou de ser perdoado. Precisamos aprender a perdoar aos que nos ofendem e a pedir perdão a quem ofendemos. Quando entendemos esse principio do evangelho, aprendemos a resolver o problema do sentimento de culpa. A lição que aprendemos com Jacó é: Não sair da presença de Deus sem a benção. Precisamos permanecer em oração até que as feridas sejam saradas. Não podemos e nem devemos sair da presença de Deus enquanto tivermos qualquer sentimento que perturbe nossa alma, tirando-nos a paz. Não podemos deixar de orar enquanto houver qualquer sinal de ódio ou mágoa em nosso ser.

III- A pessoa que está buscando a cura precisa reconhecer sua verdadeira condição

“Perguntou-lhes pois o anjo: Qual é o teu nome? E ele respondeu: Jacó” v.27. O nome, na cultura hebraica era dado com um significado. Esaú e Jacó eram gêmeos e brigavam no ventre materno pela primogenitura. Esaú foi o primeiro a nascer e Jacó veio agarrado em seu pé. Jacó significa usurpador, enganador. Esse foi o nome que deram ao menino. O nome tinha a ver com a personalidade. O anjo lhe perguntou o nome, não porque não soubesse, mas para que ao pronunciá-lo pudesse lembrar de seu significado e assim estaria confessando seu pecado. Era como se estivesse dizendo: Sou eu mesmo, o enganador, eu enganei meu irmão e meu pai e isso tem me maltratado até hoje. Temos que aprender uma coisa: O verdadeiro perdão nunca se manifesta sem o reconhecimento da presença do pecado e da necessidade de seu perdão. Um dos maiores problemas da atualidade é o reconhecimento do pecado. O que é pecado? Isso não é pecado, todo mundo faz! E como membros do corpo de Cristo, precisamos reconhecer nossos erros. Pecado é andar em ambientes contrários à vida cristã; pecado é deixar a vida devocional para segundo plano; pecado é não cumprir com o pacto que fizemos quando nos tornamos membros da Igreja; pecado é deixar de ser fiel ao Senhor no testemunho e nos dízimos e ofertas alçadas; pecado é abandonar a Congregação. São coisas que tiram nossa paz. Não podemos fugir da realidade que vivemos, mas reconhecer nossa verdadeira condição diante de Deus, quer tudo sabe, mas que pergunta pelo nosso nome. Quem é você? Como te chamas? Quantos vivem atormentados em suas próprias consciências! Não conseguem dormir, não sentem paz na alma, completamente vazios, sem vigor, desanimados. A exortação de Deus continua a mesma: “Lembra-te de onde caíste”. Se queremos a cura para o sentimento de culpa, precisamos reconhecer nossas culpas, porque é através desse reconhecimento que obteremos o perdão. O reconhecimento do pecado é algo urgente. E as vezes somos enquadrados em zona de risco, porque achamos que o que fazemos não é pecado, e não pedimos perdão. Para o pecado só há uma saída: reconhecimento e arrependimento, mediante a esta atitude há perdão completo, eficaz. “O sangue de Jesus seu filho nos purifica de todo pecado”. O reconhecimento é urgente! Como portador de uma enfermidade você pode morrer se não reconhecer que está doente. Mas quando você reconhece, procura um médico, ele passa um remédio e você fica curado. Mas há pessoas que reconhecem tarde demais. A Bíblia diz que eu e você somos pecadores, ainda cometemos pecados, agora é urgente a necessidade de arrependimento. Se erramos contra alguém, devemos reconhecer e pedir perdão. Se pecamos contra a Igreja, precisamos reconhecer e pedir perdão. Se pecamos contra Deus, precisamos reconhecer e pedir perdão. Só o perdão trás a cura.

IV- Precisamos estar dispostos a receber a evidencia de uma consciência curada

“Não te chamarás mais Jacó, mas Israel” V. 28. A mudança aconteceu, foi uma mudança de caráter. E como evidencia dessa mudança seu nome foi mudado. “Te chamarás Israel”. Quantos Jacós estão vivendo dentro da Igreja de Jesus, com terríveis fraquezas de caráter, tentando viver a vida cristã de acordo com o padrão do mundo. Mas o desafio é aceitar o novo nascimento operado pelo Espírito Santo. “E assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram e eis que tudo se fez novo”. Não podemos entender alguém que segue a Cristo sem as evidências de uma vida transformada. Jacó era filho de crente, mas precisava ter a sua própria experiência com o Deus de seus pais. O Deus de Abraão e o Deus de Isaque. Só depois dessa experiência de perdão experimentada por Jacó que Deus pode ser chamado também de Deus de Jacó. Agora Jacó estava pronto para encontrar-se com seu irmão Esaú. “Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abençoou-o, e lançando-se sobre o seu pescoço, beijou-o; e choraram” v.33. Esaú deve ter dito: Jacó meu irmão! Mas ele disse: Eu não me chamo Jacó, meu nome é Israel. Jacó morreu. Aquele Jacó que te enganou, morreu. Meu nome é Israel. Jacó tinha um novo nome, novo caráter, um novo poder e uma nova comunhão. Deus tem a cura. Essa cura acontece quando somos sinceros em nossa confissão, e arrependimento genuíno. Há pessoas que pedem perdão mas não com arrependimento. Há pessoas que gostam de fazer o que fazem. A cura vem quando Deus vê a sinceridade de nossa parte. Não adianta confessar com os lábios, pois Deus sabe o que vai no mais íntimo de cada coração. Você entende o que estou dizendo? Nós podemos confessar, pedir perdão e levantar de nossa oração da mesma forma que começamos. Sabe por quê? Porque não há desejo, interesse de mudança. A falta de paz continua. O que fazer então? Há necessidade de arrependimento. Isso pode acontecer de forma natural, mas as vezes só acontece quando somos esmagados por Deus. Jacó só se rendeu quando Deus quebrou sua perna e ele não podia mais andar. Nem mais podia fugir de Esaú se esse viesse com vingança. Sansão só se rendeu quando Deus furou seus dois olhos e como um animal acorrentado rodava o moinho dos filisteus. Davi só depois de perder seus filhos. Nabucodonozor depois de perder seu trono e assim por diante. MAS a evidência da cura vem de Deus e não do homem e sempre mediante o arrependimento.

Conclusão

Deus sempre tem um novo dia para nós. Ele deseja que vivamos bem. Por isso tem a solução para os nossos problemas. Basta aprendermos a lição: Primeiro – precisamos ter coragem para reconhecer nossas limitações. Segundo – Não podemos sair do lugar da benção sem a benção. Terceiro – devemos reconhecer nossa verdadeira condição. Quarto – precisamos estar dispostos a receber a cura divina.

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