Deixa mais este ano

Introdução:

O que temos como parábola no texto de Lucas 13.6-9 é um senhor que já em seu terceiro ano consecutivo vêm querendo desfrutar do fruto de uma figueira, mas que tem sido decepcionado.

Jesus havia contado essa parábola para criticar os líderes religiosos de sua época que não estavam produzindo frutos de um caráter realmente convertido ao Senhor Deus. A estes Jesus assevera que: caso não produzissem frutos seriam arrancados em breve.

Quero nesta noite de virada de ano, destacar algumas lições dessa parábola, aplicando-as à realidade de cada pessoa que aqui está porque deseja receber de Deus um estímulo para receber o ano 2000.

1. Jesus se frustra quando percebe uma pessoa infrutífera.(v.6,7)

Aquela figueira estava estrategicamente bem colocada. Diz-nos o verso um que ela estava plantada na vinha. Ora, tal figueira estava em condições muito mais avançadas em produzir bons frutos do que àquela que porventura estivesse plantada no deserto. Mas o resultado que temos é nulo em termos de resultado.

E o dono da figueira ia procurar fruto nela ano após ano com o coração cheio de expectativas. E imaginem como o seu coração se frustrara mais uma vez.

Ele ainda dá um veredicto radical de sua figueira: a chama de inútil. Repare no verso 7: “para que ocupa ela a terra inutilmente?”

Não é diferente conosco quando Jesus vai até nós para sondar quais os nossos frutos e frustrado percebe que não temos frutos algum.

Somos tentados, creio a imaginar que os frutos que Jesus espera de nós estão todos associados ao nosso fazer. Qual não é a nossa surpresa, quando descobrimos que muitos dos frutos que deveríamos produzir estão ligados ao nosso ser.

São os frutos do nosso: a. Testemunho cristão. O modo como nos posicionamos na sociedade em que vivemos. Como somos vistos pelos nossos próximos. B. Vida devocional saudável. Nossa devoção particular é fator importante no nosso crescimento cristão. C. Amor à igreja. O modo como nos envolvemos nos projetos da nossa igreja local. Lembre-se ela é “a menina dos olhos de Deus”.

Jesus certa feita estava indo para Jerusalém e presenciou uma figueira. Desejoso de saborear os figos, foi de encontro à ela. E qual não foi a sua surpresa quando encontrou uma linda figueira mas com folhas somente.

Infelizmente são muitas as pessoas que vivem em uma grande e enganosa aparência. Fingem a si mesmas que estão bem. Mas não estão produzindo frutos do testemunho, da vida devocional sarada e do amor à igreja local.

Você não pode deixar de produzir tais frutos porque eles são essenciais para alguém que deseja prevalecer diante das dificuldades da vida.

Você precisa ter em mente que ter folhas somente, pode impressionar à distância, mas na proximidade o que faz “encher os olhos” são os frutos.

2. Ainda há quem interceda pelos crentes infrutíferos. (v. 8)

O servo desse senhor se apiedou da figueira infrutífera e rogou:

“Senhor, deixa este ano, até que eu cave em derredor, e coloque estrume…”

O pedido insistente desse bom servo pode ser melhor compreendido se traduzirmos o “deixa este ano” por “perdoe este ano”.

É bom sabermos que ainda temos “bons servos” a interceder por nós ainda hoje. Quantas vezes nós mesmos já estávamos nos sentindo como que derrotados e de repente Deus coloca em nosso caminho pessoas para servirem como nossos ajudadores.

Este “deixa este ano” persiste. Mas não pode ser considerado um fim em si mesmo a ponto de não querermos mudar. A nos acostumarmos com a ajuda. Como se dizia antigamente “o costume do cachimbo faz com que a boca fique torta.”

Eu creio que este “deixa este ano” tem a ver com:

a. Ainda temos jeito.

Ninguém é irrecuperável no reino de Deus. Temos tratado de muita gente esmagada, mas que Deus tem sido o restaurador de alma e corações triturados.

b. Há limite para nossa recuperação.

Repare comigo que o servo fez questão de destacar: “deixa este ano”. Não se trata de uma ajuda infinita, tirando da figueira a responsabilidade dela em produzir frutos. Foi tão somente uma nova oportunidade.

Um dos fatos tristes desse ano foi sem dúvida a queda moral do Pr. Caio Fábio. Eu estava indo para Goiânia na época do carnaval e encontrei o Pr. Caio no Aeroporto Santos Dumont. Eu tinha informações do escândalo do famoso “dossiê Caiman”, um documento que fora cair nas mãos do pastor e que depois nenhum político quis assumir o conhecimento desse documento que continha segundo consta, comprovações de contas do nosso presidente e outros líderes do PSDB nas ilhas Caimans, num “paraíso fiscal”. O encontrei e sorridente fui falar com ele, o percebi bastante abatido. E procurei animar dizendo que eu acreditava em sua recuperação de prestígio. E até disse mais: argumentei que isto tudo tinha um lado positivo, ao menos parte do povo evangélico que o idolatrava, ia vê- lo como ser humano. Qual não foi a minha surpresa quando fiquei sabendo ainda em Goiânia que Caio havia traído sua esposa. Meses depois li na revista Vinde, as “verdadeiras confissões do pastor” e destaco algo de sua fala porque eu acredito que ela ilustra perfeitamente este ponto que fala sobre “a nova oportunidade” que Deus dá aos infrutíferos: “Minha Bíblia não se tornou menos Bíblia porque me tornei menos eu. E a verdade que eu prego nos livros não se tornou menos verdade porque fui incoerente com ela, pelo contrário, para mim se tornou mais verdade e mais livre ainda porque se voltou contra mim, e me tratou com imparcialidade.”

Esse fato deve lhe chamar a atenção também para a verdade que eu quero enfatizar ao seu coração: Esse deixar mais este ano, representa para um tratamento de Deus no interior do maldoso coração humano.

Diz nos respeito, porque como humanos somos tendentes ao erro 24 horas por dia. Por isso se não contarmos com a graça de Deus estamos perdidos. O servo dessa parábola simboliza a “graça teimosa” de Deus que ainda insiste em investir em nós.

3. Ainda, o juízo de Deus sobre as pessoas infrutíferas não é incoerente com a misericórdia divina. (v. 9)

O fato do servo adiantar que após um ano, caso aquela figueira não produzisse fruto algum ela deveria ser arrancada não é incoerente com o amor que ele havia demonstrado por ela no verso anterior.

A justiça de Deus, segundo um professor meu do Seminário é “o amor de Deus em ação”. Deus não pode se compactuar com a vivência de uma vida cristã mesquinha e apagada.

Tudo seria feito para que a figueira frutificasse. Foi cavado no redor, para dar maior espaço às suas raízes. Foi colocado adubo para fertilizá-la. E tudo mais, caso não frutificasse não haveria outra solução a não ser o corte radical.

Todos nós, repito, recebemos muito de Deus neste ano que passou. Agora, não produzimos fruto foi por negligência nossa.

a. O juízo de Deus é conforme à sua natureza.

Não há uma mancha de injustiça em Deus. Ele é totalmente justo. De modo que ele não pode conviver com o erro. “Ele ama o pecador, mas detesta o pecado.”

b. O juízo de Deus será de acordo com a posição do homem.

Caso estejamos em posição de frutificação, repito no testemunho, na vida devocional e no amor à igreja. Deus nos manterá. Afinal de contas, ele conta conosco. Mas se não, seremos arrancados.

Há muitos crentes que poderiam estar melhor do que estão. São a semelhança da história que vou contar aos irmãos.

Um certo homem andava na floresta e percebeu um ovo caído no chão. Pensando ser ovo de galinha do mato, colocou no próximo ninho que encontrou. Só que era ovo de águia. O resultado foi que a águia foi criada à vida inteira como galinha. Um certo dia ela viu uma linda águia voando no céu e comentou com a sua companheira- galinha: “Nossa, que ave bonita é aquela?” Sua parceira lhe respondeu secamente: “É uma águia. Você nunca será como ela. Agora, vamos ao lixo para colher nosso alimento.”

Percebam que há muitos crentes que estão infelizmente se deliciando com a vida apagada de uma galinha do mato, enquanto poderiam estar voando nas alturas como uma águia.

A misericórdia de Deus deve incentivar você a ser valoroso na prestação de um serviço amoroso ao Senhor Deus. Vivendo antes de tudo, uma vida vitoriosa e vibrante!

Deus quer lidar com você como águia. Porque assim se colocando diante de Deus, ele terá prazer em sua vida.

Conclusão:

Procurei mostrar aos irmãos em tese que Jesus se frusta quando percebe pessoas infrutíferas. Ele é como esse senhor da parábola que ano após ano tem no coração uma expectativa de que caminharemos vitoriosamente. Mas muitas vezes, o decepcionamos com a nossa vida sem a produção dos frutos do testemunho, da devoção cristã e do amor à igreja local.

Mas graças a Deus, ainda existem os intercessores. Aqueles que rogam aos céus: “deixa este ano ainda”. Estes são elementos trazidos por Deus para nos tratar.

E ainda, o juízo de Deus não anula a misericórdia divina. Pois somos águias e somos limitados apenas pelos céus. E não galinhas do mato que se contentam com o lixo de cada dia.

Rompa o ano 2000 com o coração encharcado desse desejo: produzir mais frutos neste novo ano.

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