Introdução:
Continuando, as nossas reflexões no livro de Jonas, estaremos meditando, baseado no texto que foi lido, no chamado de Deus a Jonas. Duas palavras se destacam no livro de Jonas. O seu nome e o de Nínive. Quando se fala de Nínive, nos lembramos de Jonas. Quando se fala de Jonas, nos lembramos de Nínive.

Creio, que este texto nos ajuda a compreender algumas das características do chamado de Deus ao seu mensageiro. A insistência de Deus no seu chamado a Jonas, a individuação de Deus ao chamar Jonas e não em lançar um edital de convocação a quem interessar possa e a especificade de Deus quando chama alguém para uma missão que ele dá. Vejamo-las uma por uma dessas características.



1. O Chamado de Deus é insistente.
Veio a Palavra do Senhor, segunda vez, a Jonas…

Se eu fosse Deus quando Ele mandou Jonas ir a Nínive e ele tomou um navio para ir para Társis eu teria desistido dele, pois eu não ia dar uma missão a uma pessoa desobediente. Se eu fosse Deus, quando veio a tempestade sobre o barco e Jonas estava dormindo no fundo do barco eu teria desistido dele porque eu não ia querer uma pessoa tão insensível. Se eu fosse Deus, quando a sorte caiu sobre Jonas e ele preferiu se lançado ao mar eu teria desistido dele, pois eu não daria uma missão a uma pessoa tão obstinada no erro. Quando, finalmente, Jonas, foi lançado ao mar, se eu fosse Deus, eu o teria deixado morrer no mar. Afinal de contas, a decisão foi dele. E mesmo depois de o ter resgatado eu o teria devolvido a sua cidade e não o teria enviado a Nínive.

Mas eu não sou Deus e é por isso que as Escritura dizem, “que os caminhos de Deus não são os nossos caminhos, nem os seus pensamentos os nossos pensamentos”. Is. 55.8.

Ele é insistente no seu chamado.



2. O Chamado de Deus é pessoal.

Uma das coisas mais fascinantes da Bíblia é que ela é acima de tudo um livro que fala de um Deus que se relaciona diretamente e pessoalmente com os seus escolhidos. Deus é o Deus de Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés, Josué, Samuel, Davi, Pedro, Paulo, João, Jonas…

As relações com Deus se dão de forma pessoal. Deus não nos vê como um número nas estatísticas celestiais. Embora Apocalipse descreva a multidão dos eleitos como de tal dimensão que não se podia enumerar. Cada um deles tem um nome, um rosto uma história da qual nenhum detalhe é esquecido por Deus.

Deus se lembra do dia, da hora, do minuto e dos segundos quando você nasceu. Deus se lembra do momento em que você chorou ao nascer. Deus se lembra do sorriso de sua mãe ao vê-lo. Deus se lembra do dia em que você deu os seus primeiros passos. Deus se lembra de quando nasceu o seu primeiro dente. Deus se lembra do seu primeiro aniversário e de todos os demais. Deus se lembra de todas as vezes que você chorou. Deus se lembra de todas as vezes que você se viu aflito. Deus se lembra de quando você teve catapora. Deus se lembra de quando você se machucou jogando bola. Deus se lembra de quando você ganhou a sua primeira boneca e da sua alegria ao recebe-la.

Deus se lembra de todas essas coisas, não apenas porque Ele é um Deus onisciente, não apenas porque Ele é eterno, mas, porque para Ele você é especial, porque Ele te ama, porque Ele te escolheu, porque cada detalhe da sua vida é importante para Ele.

É por essa razão que há um livro que é escrito para contar a história de um profeta, desobediente, insensível, egoísta no que diz respeito à salvação, mas, que é escolhido por Deus e o seu nome é registrado para memória permanente.

O Deus do universo, de todas as estrelas, de todos os anjos dos céus, da multidão incontável do Apocalipse, é o Deus de Jonas.

Ele chamou a Jonas e é Jonas que deve ir.



3. O Chamado de Deus é específico.

Não existe acaso nem dispersão no chamado de Deus. O chamado de Deus é dotado de especificidade tanto no que diz respeito ao alvo, quanto ao conteúdo.

a) Quanto ao seu alvo. Nínive.
Deus mandou Jonas ir para Nínive. O Alvo de Deus era Nínive. Jonas não tinha a opção de escolher nenhuma outra cidade da Assíria. Nenhuma outra cidade, mesmo que fosse mais pervertida, violenta, pecadora do que Nínive. O Chamado de Jonas era para Nínive e para Nínive tão somente. Se Jonas percorresse toda a Assíria e levasse nesse percurso todos os anos de sua vida e nessa empreitada convertesse todas as cidades visitadas, ele não teria agradado a Deus. Deus queria Jonas. Deus queria Nínive. Deus queria Jonas pregando em Nínive.

b) Quanto ao seu conteúdo. A mensagem que eu te digo.
Deus queria Jonas. Deus queria Nínive. Deus queria Jonas em Nínive. Deus queria Jonas em Nínive pregando o que Ele mandou.

Mesmo que, no primeiro momento que Deus mandou Jonas ir para Nínive e ele fosse; mesmo que Jonas tivesse imediatamente pregado em Nínive assim que chegou, se ele não tivesse pregado o que Deus mandou, teria sido tão desobediente quanto se não tivesse ido.

Deus mandou Jonas pregar em Nínive uma mensagem específica. Jonas não tinha a opção de mudar a mensagem. Jonas não tinha a opção de adaptar a mensagem. Jonas não tinha a opção de moldar a mensagem. Jonas tinha a obrigação de entregar a mensagem que recebeu de Deus.

Para mim, a grande tragédia da igreja, hoje, é que a mensagem que Deus entregou a sua igreja está distorcida. Hoje, pregamos uma mensagem em que se fala de bênção, mas não se fala de cruz. Hoje, pregamos uma mensagem em que se fala de salvação, mas não se fala de arrependimento. Hoje, pregamos uma mensagem em que se fala das inúmeras vantagens de ser crente, mas, varremos para debaixo do tapete ou escondemos atrás da porta a responsabilidade do discipulado. Hoje, pregamos um Cristo carente da aceitação dos homens e não a homens perdidos, pecadores, que carecem da graça de Deus.

Então, eu levanto uma pergunta neste momento: será que desta maneira estamos agradando a Deus?

Nós não temos que pregar uma mensagem. Nós temos que pregar a mensagem.

Isto é tão sério que Paulo ao escrever aos gálatas dissertando acerca do Evangelho da Graça disse o seguinte: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.

Será que já não cremos que o Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê?

Será que precisamos embalar a mensagem do evangelho da cruz de tal sorte que ela não expresse o chamado radical de Deus ao homem para se arrepender e abandonar o pecado?

Por mais sucesso que Jonas viesse a ter nas ruas de Nínive em sua pregação. Ele continuaria aos olhos de Deus sendo rebelde, obstinado e desobediente se não pregasse a mensagem que Deus lhe Deus: chamar os ninivitas ao arrependimento.

Eu fico imaginando os pregadores de hoje no lugar de Jonas tendo que dizer para os ninivitas: ou vocês se arrependem ou Deus destrói esta cidade.

Os ninivitas eram arrogantes, presunçosos e confiantes da força do império assírio e da grandeza de sua cidade.

É provável que alguns poderiam dizer assim: se você vier para a campanha dos quarenta dias você será abençoado. Se você colocar uma brasa na fogueira das doze brasas você será curado. Mas Nínive não precisava de bênção nem de cura, Nínive precisava de arrependimento. Nínive precisava varrer das suas ruas a violência, das suas vidas a iniqüidade, da sua religião a idolatria, do seu coração o pecado.

A mensagem da cruz é loucura para os que se perdem… A nossa obrigação não é pregar mensagens que agrade aos homens, mas que agrade a Deus.



Conclusão:
Eu gostaria de concluir com algumas afirmações e desafios para sua vida:
1. Deus não desistiu de você, o chamado que ele lhe fez permanece. Eu não sei quantas vezes ele lhe chamou. Se uma vez, duas vezes, três vezes ou cem vezes. Mas ele vai continuar insistindo com você. E a ordem de Deus para você é: não fuja mais, obedeça hoje!

2. Deus não vai chamar outro para o lugar que é seu. Ele escolheu você. Sim, Ele conhece os seus defeitos, suas fraquezas, suas deficiências, mas quando ele lhe chamou ele já sabia de tudo isso e mesmo assim Ele decidiu lhe chamar. O escolhido foi você. Ele acredita em você. Ele lhe criou, lhe sustentou e vai lhe capacitar. Creia, neste momento, Deus está pronunciando o seu nome e mais uma vez a palavra do Senhor vem a você como veio a Jonas.

3. O Chamado de Deus não é para qualquer lugar. Quando ele lhe chamou, lhe deu o endereço de onde você deve cumprir sua missão. Não adianta tentar agradar a Deus fazendo o que Ele mandou no lugar aonde Ele não lhe mandou. O seu chamado é transcultural, então vá. O seu chamado é para o sertão, então vá. O seu chamado é aqui, então fique.

O melhor lugar para se estar é no centro da vontade de Deus.

O Chamado de Deus não é para qualquer coisa. Também, não adianta ir para onde Deus mandou, fazendo aquilo que Ele não mandou. À Igreja foi dada uma mensagem; substituí-la, altera-la, suprimi-la ou aumenta-la é ser desobediente a Deus e desonesto com os homens.

Não vá para onde você gosta, mas para onde Deus lhe mandou.

Não pregue o que lhe agrada ou agrada aos homens, mas o que Deus determinou.

Rev. Kléber Nobre de Queiroz – Pastor da 1a Igreja Presbiteriana Independente de Natal
Email: kleber.nobre@ipib.org

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