Introdução:

1. Quer queiramos ou não estamos envolvidos numa batalha espiritual como servos de Deus e promotores de seu reino aqui na terra. Falando desta batalha na terra, Jesus advertiu a seus discípulos sobre todas as barreiras e dificuldades que seriam encontradas, “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas”, Mt 10.16. Duas coisas podemos destacar aqui com incrementos desta batalha:

a. Somos enviados “como ovelhas para o meio dos lobos”, o que mostra a desigualdade em termos humanos de nossa luta, e por esta razão precisamos depender exclusivamente de Deus e não de nossos esforços e capacidades.

b. Devemos agir com estrema sabedoria, pois fomos aconselhados a ser “prudentes como as serpentes” e “inofensivos ou simples como as pombas”. Possuir a prudência da serpente é ter os olhos bem abertos diante das situações, com sagacidade e inteligência e simplicidade com as pombas, que significa possuirmos pureza de alma em nossa busca a Deus e em nosso relacionamento com nossos irmãos.

2. O texto que lemos no começo mostra o povo de Deus tendo que enfrentar uma grande batalha com os amalequitas, durante a sua caminhada em demanda à terra de Canaã. Os amalequitas se construíram aqui num grande empecilho na trajetória do povo de Deus rumo à terra prometida, a tal ponto de mais adiante Deus mandar que Saul os exterminasse de uma forma definitiva, I Sm 15.2-3, “2 Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel; como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito. 3 Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos”.

3. Diante da ameaça dos inimigos, Moisés ordena uma batalha, passando algumas recomendações importantes ao seu General de Exército, para que a vitória fosse certa. “VEJAMOS NESTA NOITE ALGUNS PASSOS IMPORTANTES QUE PRECISAMOS DAR PARA SER VITORIOSOS NUMA BATALHA ESPIRITUAL”:

I – ESCOLHER COM SABEDORIA OS GUERREIROS, “Escolhe-nos homens…”.

1. Torna-se claro que nesta batalha não pode ser alistado qualquer crente. Embora a princípio, muitos queiram engajar-se, na medida em que o tempo passa, acabam enfrentando problemas que os impedem de continuar. Alguns pontos precisamos destacar aqui quando estamos considerando pessoas desqualificadas:

a. Não devem ser arregimentados os medrosos. Soldado medroso se constitui um problema, pois além de possuir medo, acaba contagiando também os outros pelo mesmo sintoma:

Nm 13.31-33, “31 Porém, os homens que com ele subiram disseram: Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós. 32 E infamaram a terra que tinham espiado, dizendo aos filhos de Israel: A terra, pela qual passamos a espiá-la, é terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. 33 Também vimos ali gigantes, filhos de Enaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos”.

b. Não devem ser arregimentados os embaraçados, 1 Tm 2.3-4, “3 Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. 4 Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”.

2. Temos um exemplo de como devem ser escolhidos os soldados para uma batalha decisiva em Jz 7.3-6, “3 Agora, pois, apregoa aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for medroso e tímido, volte, e retire-se apressadamente das montanhas de Gileade. Então voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram. 4 E disse o Senhor a Gideão: Ainda há muito povo; faze-os descer às águas, e ali os provarei; e será que, daquele de que eu te disser: Este irá contigo, esse contigo irá; porém de todo aquele, de que eu te disser: Este não irá contigo, esse não irá. 5 E fez descer o povo às águas. Então o Senhor disse a Gideão: Qualquer que lamber as águas com a sua língua, como as lambe o cão, esse porás à parte; como também a todo aquele que se abaixar de joelhos a beber. 6 E foi o número dos que lamberam, levando a mão à boca, trezentos homens; e todo o restante do povo se abaixou de joelhos a beber as águas”. São destacados aqui como inconvenientes os soldados de uma batalha que são:

a. Medrosos,

b. Tímidos,

c. Os que gostam de “facilidades”.

3. Para sermos vitoriosos numa batalha espiritual é necessário estabelecermos um processo de escolha entre aqueles que se propõem a batalhar.

II – NOS COLOCAMOS EM POSIÇÃO DE OFENSIVA, “…e sai contra Amaleque”.

1. Uma verdadeira batalha se ganha, não quando o exército se coloca na defensiva, mas quando ele é treinado para fazer incursões ofensivas em território inimigo. Quem fica esperando o inimigo para apenas se defender não chegará a lugar algum numa guerra.

2. Um dos maiores generais que o mundo já conheceu foi Alexandre, o grande, pois com apenas trinta três anos de idade, já tinha conquistado praticamente o mundo de sua época, implantando a cultura grega, que até hoje influencia muitos povos. É difícil uma língua falada no mundo de hoje, que não tenha recebido influência grega, e isto graças a Alexandre, o grande que foi tremendamente ofensivo em suas batalhas e conquistas.

3. Como povo de Deus, devemos nos conscientizar que estamos inseridos numa batalha, onde as hostes satânicas procuram nos devorar, 1 Pe 5.8, “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”. Se não tomarmos nossa posição, e conquistar mais espaço, certamente acabamos por perder até mesmo os espaços conquistados.

4. Vamos ver alguns textos na palavra de Deus nos quais podemos nos basear para sermos ofensivos numa batalha espiritual:

a. 1 Ts 2.2, “Mas, mesmo depois de termos antes padecido, e sido agravados em Filipos, como sabeis, tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de Deus com grande combate”. Paulo nos informa que foi “ousado para pregar o Evangelho entre os tessalônicos, combatendo com grande combate”. A ousadia é um dos aspectos de uma guerra agressiva, ofensiva. Devemos ser ofensivos, não para machucar nossos irmãos de fé mas para guerrearmos contra Satanás e seus demônios.

b. 1 Tm 4.10, “Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis”. Paulo fala aqui de “trabalho na obra” e “lutas”, que somente podem nos fazer vitoriosos se agirmos com garra, com determinação.

5. Numa batalha espiritual, precisamos nos conscientizar de que nossa vitória só virá, guando nos dispomos a ser “agressivos”, “ousados”, “ofensivos”, contra os poderes do diabo. Porém com os nossos irmãos e até mesmo com os nossos inimigos, devemos ser amáveis e estar dispostos a conceder o perdão.

III – ESTARMOS DEBAIXO DE AUTORIDADE, “E fez Josué como Moisés lhe dissera, pelejando contra Amaleque”.

1. Devemos notar pelo texto da Palavra de Deus que Josué não saiu para a guerra utilizando seus próprios métodos, mas manteve sua submissão ao comando de Moisés, que era o líder do povo de Deus naquele tempo. Ele reconhecia a autoridade de Moisés, como homem de Deus e agiu de conformidade com suas palavras.

2. Um dos maiores problemas em muitos que se dizem crentes, é que são insubmissos à autoridade, querendo ganhar batalhas espirituais, sem estarem debaixo do comando de Deus, através dos servos levantados por ele. Este foi o grande problema de Saul,

1 Sm 13.8-14 “8 E esperou Saul sete dias, até ao tempo que Samuel determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se dispersava dele. 9 Então disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto, e ofertas pacíficas. E ofereceu o holocausto. 10 E sucedeu que, acabando ele de oferecer o holocausto, eis que Samuel chegou; e Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar. 11 Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, 12 Eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda à face do Senhor não orei; e constrangi-me, e ofereci holocausto. 13 Então disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou; porque agora o Senhor teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; 14 Porém agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado o Senhor para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o Senhor, que seja capitão sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou”.

2. Em Êx 24.13, temos algo que a Palavra de Deus descreve em relação a Josué: “E levantou-se Moisés com Josué seu servidor; e subiu Moisés ao monte de Deus”. Note a frase que aparece neste versículo “Josué, seu servidor”. Esta frase nos mostra o quanto Josué estava debaixo de autoridade. A palavra “servidor”, nos traz a idéia de “um indivíduo que serve”, “um criado”, “Alguém se que coloca cortesmente à disposição de outro”. Em outras palavras, José estava debaixo da autoridade de Moisés.

3. Olhando para a Palavra de Deus podemos ver em muitos textos o conceito de autoridade:

a. Êx 22.28, “A Deus não amaldiçoarás, e o príncipe dentre o teu povo não maldirás”. Deus aqui está dizendo ao seu povo que respeite os líderes que são colocados sobre eles. A expressão “não maldirás”, significa literalmente não “não falarás mal”. Ao contrário de falar mal das autoridades instituídas por Deus, devemos orar por elas,1 Tm 2.1-3, “1 Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; 2 Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; 3 Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador”.

b. At 23.1-5, “1 E, pondo Paulo os olhos no conselho, disse: Homens irmãos, até ao dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência. 2 Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que o ferissem na boca. 3 Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada; tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir? 4 E os que ali estavam disseram: Injurias o sumo sacerdote de Deus? 5 E Paulo disse: Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo”. Quando Paulo percebeu que tinha ofendido o sumo sacerdote, imediatamente pediu escusas, citando o texto bíblico que ordena o respeito e obediência as autoridades.

c. Tt 3.1, “Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda a boa obra”. Os termos “principados” e “potestades”, em uma outra versão são traduzidos por “os que governam” e ” autoridades”. Paulo é claro em sua instrução a Tito: “Ensine aos filhos de Deus que se sujeitem aos governantes e autoridades, e lhes obedeçam”. Somente assim estariam preparados para a “boa obra”.

4. Como filhos de Deus, devemos aprender a prestar obediência e submissão àqueles que governam sobre nós.

IV – TER CONVICÇÃO DE QUE DEUS ESTÁ NESTA GUERRA E LUTA A NOSSO FAVOR, “…e a vara de Deus estará na minha mão”.

1. Jamais Moisés ousaria enviar Josué para a guerra, se não estivesse convicto de que Deus estaria no comando da batalha. Esta condição é imprescindível para nós que somos servos de Deus. Em qualquer situação de luta, batalha, confronto, necessitamos da presença de Deus de uma forma real à nossa frente.

2. Quando Moisés disse: “…a vara de Deus estará na minha mão”, estava automaticamente dizendo “Deus está conosco”, e vencerá por nós os nossos inimigos.

a. A “vara” fora o instrumento dado por Deus para que Moisés, mostrasse a Faraó, e conseqüente ao seu povo, o poder de Deus e a certeza de sua presença com ele, quando fosse pedir a Faraó que deixasse o povo de Israel ir, Êx 4.1-5, “1 Então respondeu Moisés, e disse: Mas eis que não me crerão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te apareceu. 2 E o Senhor disse-lhe: Que é isso na tua mão? E ele disse: Uma vara. 3 E ele disse: Lança-a na terra. Ele a lançou na terra, e tornou-se em cobra; e Moisés fugia dela. 4 Então disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão e pega-lhe pela cauda. E estendeu sua mão, e pegou-lhe pela cauda, e tornou-se em vara na sua mão; 5 Para que creiam que te apareceu o Senhor Deus de seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó”.

b. Esta vara fora usada em muitas ocasiões para mostrar esta presença e manifestação de Deus. Veja duas passagens:

- Êx 14.15-16, “15 Então disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. 16 E tu, levanta a tua vara, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco”.

- Nm 20.8-9, 11, “8 Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. 9 Então Moisés tomou a vara de diante do Senhor, como lhe tinha ordenado. 11 Então Moisés levantou a sua mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu muita água; e bebeu a congregação e os seus animais”.

3. Deus precisa estar presente em nossas batalhas espirituais, caso contrário o inimigo nos esmagará. Vejam o exemplo do apóstolo Paulo em duas passagens da Escritura:

a. 2 Tm 3.11, “Perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio, e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou”. Aqui Paulo faz menção de uma tremenda batalha que travou com Satanás e seus aliados quando evangelizava nestas cidades, ao ponto de ser apedrejado em Listra. Porém afirmou com certeza de que o Senhor é quem o havia livrado de todas estas investidas do diabo e seus aliados.

b. 2 Tm 4.16-18, “16 Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado. 17 Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão. 18 E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém”. Paulo estava preso e sendo julgado pelas autoridades romanas. Durante o seu julgamento reclama que esteve sozinho, desamparado pelos próprios irmãos de Igreja. Porém Alguém estava presente e o livrara da “boca do leão”. Este alguém era Deus!

4. Deus sempre está presente em nossas batalhas espirituais. Aprendamos a vê-lo pela fé, e saiamos contra nossos inimigos que sucumbirão diante de nós! Esta era a certeza de Davi, Sl 20.7, “Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus”.

Conclusão:

1. Qual é o tipo de batalha que você, como filho de Deus está enfrentando?

2. É preciso que você tenha convicção de que em qualquer batalha na vida espiritual, os nossos inimigos não são carnais, mas “hostes espirituais”, comandadas pelo diabo. Por esta razão não devemos investir contra pessoas, mas contra o que está por detrás das pessoas.

3. Para sermos vitoriosos em nossas batalhas espirituais precisamos:

a. Nos colocar na ofensiva.

b. Estar debaixo de autoridade.

c. Estar cientes de que quem está à frente em nossas batalhas é o Senhor, e estas batalhas somente serão ganhas, quando confiarmos em seu comando.

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