A nossa jornada na terra enquanto não chega o céu

O Salmo 84 retrata uma peregrinação do povo ao templo. Esta era uma parte importante da vida do povo de Deus no Antigo Testamento. Conforme a procissão ia passando por vilas e lugarejos, o povo ia se ajuntando formando uma grande coluna de gente que alegremente cantavam na expectativa de chegar ao templo.

Essa porção começa com a expressão bem conhecida: Bem-aventurado. Essa porção explica quem a pessoa feliz, abençoada. Duas características dessa pessoa podem ser destacadas de acordo com o texto.

1. É a pessoa que tem prazer em estar com o povo de Deus para juntos adorarem ao Criador.

A referência aos “que habitam em tua casa” se refere em primeiro lugar aos sacerdotes e levitas (os que tinham como serviço a musica).

Mas também pode se referir aos que costumeiramente frequentavam o templo, como por exemplo: Ana e Simeão descritos em livro de Lucas quando por ocasião da visita dos pais de Jesus ao templo.

A pergunta a se fazer aqui é: Por que essas pessoas são abençoadas, felizes? Por que estar no templo torna alguém feliz?

  1. Ela é feliz porque separa um tempo especial para reconhecer a importância de Deus em sua vida, sua jornada diária.
  2. Ela é feliz porque separa um tempo especial para em associação com outras pessoas que também estão reconhecendo Deus em suas vidas louvarem a Deus por tudo o que ele é e faz por elas.

– Spurgeon, pregador britânico, disse: “A comunhão é a mãe da adoração”.
– Spurgeon disse ainda: “Aqueles que andam longe de Deus falham em adorá-lo, mas aqueles que nele habitam estão sempre exaltando seu nome”.

Creio que esse é um tema importante por duas razões:

  1. Mostra a importância da comunhão na igreja, principalmente nos dias de hoje quando a igreja está sendo colocada de lado pelos cristãos.
  2. Retrata a importância missionária da igreja presente num mundo quando todos voltam-se para si mesmos e não reconhecem Deus como o Criador de suas vidas.

2. É a pessoa que continua caminhando com Deus e com o povo de Deus mesmo em meio aos problemas da vida.

Nesse momento o tema uma guinada e passa a falar de todos os peregrinos. Faço aqui quatro observações sobre essas pessoas:

  • Dependem de Deus para serem fortalecidas durante a jornada terrena.

Elas dependem de Deus para caminhar e caminham desejando ter um encontro com Deus. Os caminhos aplanados são os caminhos de Deus. Essas duas coisas motivam o peregrino.

Spurgeon: “Nem a oração, nem o louvor, nem o ouvir da Palavra serão agradáveis ou recompensadores para as pessoas cujos corações estão em outros lugares”.

João Calvino: “…nada é mais injurioso ao ser humano do que confiar no seu próprio entendimento”.

  • Fazem das dificuldades oportunidades de bênçãos.

Quem está peregrinando por este mundo já sabe que mesmo andando fortalecidos por Deus e nos caminhos de Deus encontrarão as pedras e os espinhos que trarão dores e sofrimentos.

Os peregrinos descritos no Salmo tinham que passar por um lugar chamado Vale de Baca. Recebe várias denominações: Vale das Lamentações, Vale de Lágrimas, Vale das Bálsameiras e Vale Árido. O termo Baca significa choro, lágrima. Em Baca o solo era árido e em algumas áreas pedregoso, por sua extensão os peregrinos eram obrigados a cavarem poços para obtenção de água, caso contrário nem as pessoas nem os animais suportariam.

A pergunta: o que faz o peregrino diante das dificuldades?

– Lamenta, esbraveja, calunia, ira-se contra Deus e contra a igreja, abandona?

– O peregrino de Deus fazia desse vale uma bênção. Para si e para os outros deixando os poços com águas prontos para os que viessem mais atrás.

Note que os peregrinos cavavam os poços, mas a chuva era dada por Deus. Aprendemos que Deus está com o seu povo nos vales áridos que a vida proporciona.

  • Caminham juntos até que todos cheguem ao destino final.

Quantos mais caminhavam mais esperança tinham de chegar.

O texto indica a amizade e o companheirismo. Um ajuda o outro. Um apoia o outro.

Note que cada um deles terminou a peregrinação: “cada um deles aparece diante de Deus”. Ninguém se perdeu e ninguém foi abandonado.

Ninguém caminha sozinho por mais introvertido, tímido ou retraído que venha a ser. Nós precisamos uns dos outros. A igreja não pode se dar ao luxo de deixar para trás o que cometeram erros, foram infelizes em algumas escolhas, pecaram em outras. Se assim o fizermos perderemos a credibilidade.

Conclusão:

Enquanto Deus nos conservar a vida temos que caminhar por muitas estradas e muitas delas não serão agradáveis. Todavia, estamos rodeados pelo povo de Deus e abençoados por Deus.

Quero desafiar você a pensar agora em alguém em cuja vida você poderia fazer diferença e realizar alguma ação em relação a ela.

Oremos.

Antonio Carlos Barro

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