Ler ainda 2:4

I.C.T.: O apóstolo Paulo contrasta a sabedoria dos homens com a de Deus e, neste contexto, apresenta características da gloriosa tarefa de pregar o Evangelho.
Obj.Geral.: Devocional
Obj.Específico.: Esclarecer os estudantes de homilética acerca dos princípios que fazem da pregação a tarefa principal de um pastor.
TESE: Há pregação quando um servo de Deus, movido pelo Seu Espírito, anuncia a Cristo como Senhor e único Redentor, levando os ouvintes a tomarem uma de duas possíveis decisões: crer ou escandalizar-se.
F.S.: Expositiva

Introdução:

Recentemente li um artigo sobre o Ministério da Pregação onde o autor, Paulo R. B. Anglaba, professor de Grego e Hermenêutica, sugere algumas razões para o declínio da pregação nos dias atuais. Uma delas, que penso ser a principal, é a própria concepção moderda de pregação.

Hoje a pregação é, muitas vezes, encarada como atividade meramente humana e pouco relevante, cuja eficácia depende fundamentalmente das habilidades naturais ou capacidade do pregador.

No texto bíblico lido encontramos características que bem distinguem a verdadeira pregação bíblica. Aproveitando as próprias palavras do apóstolo, intitulo este sermão “A Loucura da Pregação”. Espero com esta reflexão que os alunos de Homilética se convençam de que pregar é a principal tarefa para a qual um pastor é chamado e se consagem a dedicar o melhor de seus esforços em cumprir bem esta gloriosa incumbência.

Há verdadeira pregação bíblica quando:

1º) O PREGADOR SE CONSTITUI NUM ARAUTO DE DEUS (v. 21)

Aprouve a Deus salvar o homem pela loucura da pregação. A palavra “pregação” usada pelo apóstolo neste texto deriva do termo grego keryx, “arauto”. A pregação é o exercício do trabalho do arauto do Rei do Universo!

Em que consiste o trabalho de um arauto? Consiste em tornar conhecida a vontade do seu Senhor, em anunciar Suas Palavras, em proclamar em voz alta Suas Sentenças.

Em 2:4 o apóstolo Paulo testifica que sua proclamação não se constituía de “palavras persuasivas de sabedoria” e nem em “sabedoria de homens”. A verdadeira pregação é nada mais do que a proclamação da vontade de Deus aos homens. Assim, o pregador é alguém sempre preocupado em saber o que Deus quer fazê-lo transmitir.

ilustração: Sei de um grande pregador cujo primeiro passo antes de preparar seus sermões é se dirigir ao local onde costuma orar, munido da Bíblia e de um bloco de notas. Ali ele presta culto ao Senhor, ora e ouve o Senhor. Ele testifica que muitas vezes inicia sem nenhuma idéia do que irá pregar, mas que sai já consciente do que o Senhor quer falar ao Seu povo.

aplicação: Se Deus o chamou para desempenhar o ministério da pregação, então entenda que seu trabalho nada mais é do que ser arauto de Deus. Tenha sempre ouvidos para ouvir os recados do Senhor e a boca sempre pronta a proferir Sua Palavra.

transição: Esta é a primeira característica da verdadeira pregação: proferida por um arauto. Mas o texto bíblico ainda nos ajuda a entender uma segunda verdade.

2º) O PREGADOR É CAPACITADO PELO ESPÍRITO DE DEUS (2:4)

Neste texto o apóstolo Paulo resume sua pregação em “demonstração do Espírito e de poder”. Isto nos obriga a reconhecer que a eficiência neste ministério só é possível com a capacitação do próprio Espírito Santo. Foi por isso que Jesus recomendou que seus discípulos não saíssem de Jerusalém até que do alto fossem revestidos do poder do Espírito (Lucas 24:49 ficai na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder).

ilustração: Charles Spurgeon foi um dos maiores pregadores de todos os tempos. Ainda hoje somos inspirados por seus sermões e livros. Ele ensinava que a busca do auxílio do Espírito Santo é fundamental à pregação eficiente pelas seguintes razões: é o Espírito quem nos dá sabedoria, que é a arte de usarmos acertadamente o que conhecemos; o Espírito é a “brasa viva tirada do altar” que toca os nossos lábios; é o Espírito o óleo que unge; é o Espírito que faz a pregação traspassar os corações dos homens; é o Espírito que nos leva à oração; é o Espírito que nos leva à santidade; é o Espírito que nos dá discernimento.

aplicação: Como ministro da “loucura da pregação” você precisa deixar-se sempre encher pelo Espírito (cf. Efésios 5:18). Entenda que um pregador que confie tão somente em suas habilidades para exercer seu ministério está fadado ao fracasso. Fundamental para você, arauto de Deus, é a dependência do Seu Espírito.

transição: Já vimos que a verdadeira pregação requer que o pregador se constitua num “arauto de Deus”, um porta-voz da Sua Palavra. Também, que este arauto seja conduzido e capacitado, pelo Espírito Santo. Há ainda um terceiro fator a reconhecer na verdadeira pregação:

3º) A PREGAÇÃO SEMPRE SERÁ CRISTOCÊNTRICA (v. 23)

Os judeus querem sinais. Os gregos buscam sabedoria. Nós, porém, pregamos a Cristo crucificado! Essencialmente à pregação é o anúncio da crucificação de Cristo: sua causa e suas consequências. É com esta missão que o Senhor nos fez pregadores: anunciar a vitória de Jesus sobre a morte, o cumprimento de um plano traçado desde antes da criação, que resultou no estabelecimento da Igreja, e é o único meio para o homem ter sua alma salva da perdição.

Cristo, sua pessoa e sua obra, é o centro. Nunca o pregador. Todo louvor, toda glória, toda honra, a Cristo. É isto que o apóstolo Paulo faz em seu ministério. Por mais louco que isto possa parecer, toda a razão da existência humana passa pela cruz de Cristo.

A verdadeira pregação será sempre pronunciada por um “embaixador de Cristo” que, dirigido pelo Espírito de Cristo, conclamará seus ouvintes a servirem a Cristo.

ilustração: Sobre o que Pedro pregou no dia de Pentecostes? Sobre a morte e ressurreição de Cristo! (Atos 2:23 e 24). E no templo? Em Atos 3:15, Pedro prega: “matastes o Autor da vida…”. E diante do Sinédrio, em Atos 4? Pedro testemunhou do Nazareno, a quem os judeus crucificaram (4:10). E assim por diante, percebemos que todos os sermões proferidos pelos pregadores do NT são centrados na morte e ressurreição de Cristo.

aplicação: Como aspirante ao ministério da pregação, tenha em mente que seu trabalho será o de servir a Cristo. Ele é a razão de tudo. Ainda que judeus queiram sinais e gregos, sabedoria, nossa Missão é anunciar Cristo: Sua Pessoa e Sua Obra. Tenha em mira ser o arauto da vitória, do poder e da glória de Cristo.

transição: Desta forma, já vimos que a “loucura da pregação” constitui-se no trabalho de um arauto, capacitado pelo Espírito Santo e cujo objetivo central é anunciar a Cristo. Vejamos agora um último aspecto, justamente o resultado desta pregação.

4º) A PREGAÇÃO SEMPRE PROVOCA UMA RESPOSTA DO OUVINTE (vs. 23 e 24)

Duas reações devem ser esperadas quando se prega a Cristo crucificado: incredulidade por parte daqueles que se escandalizam (escândalo para os judeus, e loucura para os gregos) e fé (para os que são chamados). A verdadeira pregação não permite indiferença. Para os incrédulos, a mensagem da Cruz é loucura. Para os crédulos, “o poder de Deus e sabedoria de Deus” (v. 24).

Foi isto que o idoso Simeão profetizou, conforme Lucas 2:15, ao dizer a Maria: “Eis que este é posto para queda e para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição”.

ilustração: Em Atos 17 temos o resumo feito por Lucas do sermão que o apóstolo pregou no Areópago, em Atenas, na Grécia. Paulo se deparou com uma assistência curiosa, porém inóspita. No v. 18, lemos: “ora, alguns filósofos epirireus e estóicos, disputavam com ele. Uns diziam: que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece ser pregador de deuses estranhos; pois anunciava a boa nova de Jesus e a ressurreição.” O assunto, ressurreição de Cristo e a ressurreição de todo que nEle crê provocou escárnios em muitos dos ouvintes (v. 32). Entretanto, houve quem cresse: “Todavia, alguns homens aderiram a ele, e creram, entre os quais Dionísio, o areopagita, e uma mulher por nome Dâmaris, e com eles outros” (v. 34).

aplicação: É este o resultado que você deverá esperar da pregação dirigida pelo Espírito e centrada na Pessoa de Cristo. Muitos se escandalizarão. Porém, graças a Deus, outros crerão e neles se manifestará o poder regenerador de Deus. E eis aí o privilégio do pregador, ser instrumento de Deus para que através da “loucura da pregação” vidas sejam beneficiadas pelo Seu poder.

CONCLUSÃO:
Se Deus o chamou a ser um pregador, sinta-se honrado, privilegiado. Mas dê à pregação seu devido valor. Consagre-se a ser um verdadeiro arauto de Deus. Entenda que a pregação eficiente só é possível se inspirada pelo Espírito Santo de Deus – recorra à Ele constantemente. Cristo precisa ser o centro da sua vida e, por conseguinte, da sua pregação. Entenda que é para isto que Deus o chamou, para anunciar a Pessoa e a Obra de Cristo. Fazendo assim, espere pelos resultados. Perceberá que a “loucura da pregação” continua sendo o poder de Deus para salvar os que crêem.

APELO:
Agora eu quero convidar a vir até a frente todos os alunos que sentem o chamado para o ministério da pregação. Quero orar por vocês, por suas vidas e pelo trabalho que desenvolverão. Se você deseja ser tão somente um arauto, capacitado pelo Espírito, tendo Cristo como a razão da sua vida e pregação, venha aqui à frente e irei orar por sua vida.

BIBLIOGRAFIA:
ANGLADA, Paulo R. B. Vox Dei: A Teologia Reformada da Pregação. Fides Reformata, vol IV, 1999, p. 145-168.
RIENECKER, Fritz e ROGERS, Cleon. Chave Linguística do N. T. Grego. Vida Nova.
SPURGEON, Charles H. Lições aos Meus Alunos. vol. 1 p. 4-22

www.ejesus.com.br
www.ilustrar.com.br – ilustre seu sermao.

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