No capítulo 6 da carta aos Efésios, o apóstolo Paulo, a partir de verso 10, a título de concluir sua epístola, revela as características de uma luta que acontece atrás dos acontecimentos corriqueiros da vida.

(10) Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. (11) Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; (12) porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.

(13) Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. (14) Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. (15) Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; (16) embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. (17) Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; (18) com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos (19) e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, (20) pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo. (Efésios 6:10-20 RA)

Essa luta acontece em uma dimensão espiritual que não é visível aos olhos humanos. Dela participam forças espirituais poderosíssimas que assumiram posições opostas sobre a seguinte pergunta: vale a pena confiar em Deus? Ele é digno da minha confiança?

O Motivo da Luta

Há milênios atrás esses poderes espirituais rebeldes (criados pelo próprio Deus – o dualismo que considera uma luta eterna entre o bem e mal não encontra espaço na Bíblia), que decidiram não confiar na bondade de Deus, carimbaram seu passaporte para uma eternidade distante do criador. O destino deles é uma existência sem propósito.

A vida encontra seu propósito naquele que é o seu autor. Longe do autor da vida, viver torna-se uma agonia sem fim e morrer a perpetuação dessa agonia. É por isso que hoje se vive uma crise sem precedentes onde uma parcela cada vez maior da população sofre com distúrbios mentais e emocionais. O Autor da vida foi banido da vida, por isso a vida vem perdendo o seu sentido.

Ao decidirem não confiar no caráter do Autor da vida, essas forças espirituais (o apóstolo Paulo as chama de principados, potestades, dominadores do mundo das sombras e forças espirituais da maldade) selaram para si mesmas uma eternidade cheia de um vazio existencial; porque não há nada que satisfaça, que dê sentido final à existência se estamos longe do Autor da vida.

Quando você decide viver a vida dando as costas para Deus, resolve que o Autor da vida e a sua Palavra não são dignos de confiança e parte para viver de acordo com os seus pensamentos, sentimentos e motivações algumas coisas acontecem: (1) a vida perde gradativamente o seu propósito, (2) você está associando o seu destino eterno ao destino daquelas forças espirituais rebeldes e (3) sendo usado como exemplo vivo de acusação contra o caráter de Deus.

Por isso, a grande luta travada na dimensão espiritual é em torno da resposta de cada ser humano à mesma pergunta: vale pena confiar em Deus? Ele é digno da minha confiança?

A Vitória de Cristo

A pergunta é intrigante. É possível ou não viver uma vida marcada pela confiança plena em Deus? É possível ou não experimentar o amor de Deus em um mundo corroído pelo egoísmo e pela crueldade?

Quem já viveu um pouco mais na vida e testemunhou a maldade do coração humano, que aflora em cada pequena atitude é tentado a responder NÃO. A resposta tem fundamento prático e encontra respaldo na Bíblia.

(10) como está escrito: Não há justo, nem um sequer, (11) não há quem entenda, não há quem busque a Deus; (12) todos se extraviaram, a uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. (13) A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, (14) a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; (15) são os seus pés velozes para derramar sangue, (16) nos seus caminhos, há destruição e miséria; (17) desconheceram o caminho da paz. (18) Não há temor de Deus diante de seus olhos. (Romanos 3:10 -18 – RA)

O que dizer dessa afirmação do apóstolo Paulo? Têm razão os principados e potestades que acusam a Deus de injusto? Se o homem não tem em si mesmo os recursos para alcançar por esforço próprio uma vida marcada pela confiança plena em Deus, o que fazer?

É preciso olhar para a cruz de Cristo!

O filho de Deus submeteu-se às limitações humanas (Fl. 2:6-8) e como homem viveu uma vida de plena confiança no Pai (Hb. 4:15). Por isso obedeceu até o fim e entregou sua própria vida.

A Bíblia diz que principados e potestades foram expostos à vergonha na cruz do calvário. Porque ali se consumou a obra de Cristo. Ali foi definitivamente provado que é possível ser novamente amigo de Deus. Não através da nossa força ou habilidade, mas por meio da vida e da morte de Cristo. Para nós, que estávamos de costas para Ele, mortos em nossos delitos e pecados, Deus providenciou um escape através de Cristo Jesus.

A vida de Jesus, vivida em plena confiança em Deus, sua morte injusta e sua ressurreição pelo poder de Deus podem ser aplicados a sua vida. Essa possibilidade é um presente de Deus para você. Não há mérito em ninguém para recebê-lo. Mas há um jeito certo de receber esse presente: pela fé.

Quando você decide confiar em Deus e pela fé aceita que a vida, morte e ressurreição de Cristo sejam aplicadas a sua vida, são quebradas as ligações com essas forças espirituais rebeldes. O seu destino eterno, que estava ligado ao destino delas, passa a ficar ligado ao destino eterno de Cristo Jesus.

Por causa disso é que ninguém está fora dessa luta. Todos fazemos parte, porque é um luta que acontece dentro de nós.

As Batalhas na Luta

O apóstolo Paulo afirma que essa luta é espiritual. Mas, nos capítulos anteriores da sua carta, ele deixa claro que as batalhas dessa luta acontecem nos fatos corriqueiros de um dia comum e ensolarado.

A luta é na igreja, na família, no trabalho, na escola, nas festas de aniversário, ao ser assaltado na porta de casa e na saída com os amigos; a luta é ao navegar na Internet, na conversa com uma vizinha e ao negociar qualquer coisa; a luta acontece na perda de um ente querido, na alegria de emprego novo, ao abastecer o carro e em frente a TV. É em cada simples momento da vida que nossa confiança em Deus precisa ser experimentada.

A ARMADURA DE DEUS

Como nós vimos no primeiro dia desse assunto, quando Paulo escreveu a carta aos irmãos de Éfeso ele estava preso, provavelmente vigiado por soldados romanos. E foi da armadura usada por aqueles soldados que ele retirou uma ilustração para explicar são os recursos que Deus colocou a nossa disposição para nos defendermos dos ataques do inimigo.

13) Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. (14) Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. (15) Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; (16) embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. (17) Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; (18) com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos

As peças da armadura são essas: um cinturão, uma couraça, sandálias, um escudo, um capacete e uma espada. A partir de hoje vamos aprender com a Palavra de Deus sobre cada peça dessa maravilhosa armadura que Ele nos Deus. (1) A que se destina cada peça? (2) Como deve ser usada para proteger? (3) É possível usá-las no dia-a-dia?

Sua Atitude

Antes de começarmos a ver cada peça da armadura, vamos pensar um pouco sobre nossa atitude em relação a ela. Esse é um ponto importante porque sua atitude em relação à armadura de Deus é que vai definir a eficácia dela em sua vida.

Efésios 6:13

…tomai toda a armadura de Deus (RA)

…usem cada peça da armadura de Deus (BV).

Usem

Nenhum soldado sairia para a guerra sem seus equipamentos. Não é sensato. Mais que isso é quase um suicídio. Por mais sofisticadas e poderosas que sejam as armas à disposição dele, não valem nada se não forem usadas.

Lembre-se que você está em uma luta. Por isso não guarde sua armadura no armário de casa. Guardada ela não vai lhe proteger. Não existem palavras mágicas ou frases de efeito que substituam o uso da armadura. Não adianta evocar o poder da armadura ou determinar que ninguém tem o direito de lhe tocar. É preciso usar a armadura. Não adianta esbravejar contra o inimigo, xingá-lo ou amaldiçoá-lo, tem que usar a armadura.

Se você encontrar, no meio de uma guerra, um soldado sem a sua armadura observe com cuidado (principalmente se for você mesmo o soldado): (1) É possível que ele seja um recruta e precise ser ensinado sobre a existência da armadura; (2) É possível ainda que ele não tenha sido bem treinado e precise ser melhor orientado sobre como usá-la (3) ou mesmo, que seja um soldado antigo e arrogante, que esqueceu porque estava lutando, perdeu o gosto pela vida e gasta seus dias falando mal da comida e do desconforto do campo de batalha. Não há alternativa. Ou usamos a armadura ou seremos mortalmente feridos na batalha.

Toda

Mas não resolve usar só algumas peças da armadura e deixar outras de lado: Imagine ir para uma batalha levar o escudo e esquecer o capacete; ou usar o calçado, mas esquecer a espada.

Deus preparou uma armadura completa. Cada peça tem a sua utilidade e todas são imprescindíveis. Um soldado bem treinado não se deixa enganar pelas histórias mentirosas de que a armadura é pesada ou de que algumas peças se tornaram antiquadas. Ele sabe que a proteção só é completa quando toda a armadura é usada.

O Cinturão da Verdade

A luta

A primeira peça da armadura é um cinturão. Pode parecer estranho que a primeira peça da armadura de Deus para a luta espiritual seja um cinto, não?

Mas o cinturão era uma peça indispensável para o soldado romano. Preso em volta da cintura, o cinto servia para ajustar a armadura em volta do corpo, permitindo que o soldado se movimentasse com mais agilidade. Além disso, era usado para sustentar a adaga e a espada. O cinturão era uma peça estratégica. Ele era responsável pela estrutura e sustentação de toda a armadura.

O apóstolo Paulo afirma que na luta espiritual em que estamos envolvidos é preciso estar cingido com o cinturão da verdade. É preciso que haja algo capaz de sustentar o restante da armadura. Esse algo é a verdade!

Vivemos dias em que a verdade tem perdido espaço no coração e na alma do homem. Tudo é relativo e a verdade é uma questão de ponto de vista, de ângulo de visão.

O vazio deixado pela expulsão da verdade tem provocado uma destruição dos relacionamentos, das pessoas e da própria vida. Se a verdade não existe, tudo o mais se torna uma questão de gosto próprio e cada um tem o direito de viver sua verdade particular.

Jesus fez uma das afirmações mais ousadas da história. Ele disse: “Eu sou a verdade” (Jo.14:6). A verdade não só existe, mas ela tornou-se viva no filho de Deus.

Jesus, a verdade feita gente, ao orar pelos seus discípulos, e por nós, pediu a Deus que fôssemos santificados na verdade (Jo. 14:17) e orando ao Pai disse: a tua palavra é a verdade.

Jesus é a verdade e a sua palavra é a verdade. Por isso, para usar a armadura de Deus precisamos estar envolvidos pela verdade. A Palavra de Deus precisa ser a sustentação da nossa vida. A pessoa de Jesus, o seu caráter, precisa ser a base de nossas atitudes. É preciso enxergar a vida pelos olhos de Cristo e apropriar-se dessa visão como sendo a sua própria.

Quando a sua vida estiver estruturada na verdade, você vai se tornar mais ágil para as batalhas, porque a verdade vai lhe dar segurança.

Ninguém que tenha no mínimo uma idéia das implicações eternas dessa luta, como nós temos visto aqui, pode abrir mão da verdade e ainda assim se dizer sensato. Não abra mão de Jesus ou da Sua Palavra. O preço de abandoná-lo e ver, mais cedo ou mais tarde, que a vida perdeu o sentido e você é um náufrago em um mar de insegurança e medo.

As batalhas

Mas é claro que ao falar do cinturão da verdade, Paulo não perdeu de vista que o inimigo de Deus nessa luta espiritual, Satanás, foi chamado pelo próprio Jesus como o pai da mentira (Jo. 8:44).

Por isso, a aplicação é imediata: quem se cinge da verdade, quem se deixa envolver por Jesus e sua Palavra, deve viver uma vida de verdade, em oposição ao pai da mentira. Essas são as batalhas do dia-a-dia que todos enfrentamos.

· Você atende ao telefone e o outro pede para que você diga que ele não está (uma mentira branca, como se diz por aí);

· O estágio na empresa é para jovens carentes, mas o empregado arranja uma vaga para o sobrinho com uma pequena mentira;

· A aposentaria era para filhas solteiras, por isso ela nunca teve uma certidão de casamento e arrastou uma mentira por toda a vida;

· O aluno não estudou, mas tirou dez na prova. Um pedaço de papel no bolso da calça ajudou na mentira;

· A esposa mente ao marido sobre a qualidade da vida sexual do casal porque tem medo da reação dele;

· O marido navega madrugada a dentro em sites pornográficos, mas jura de pés juntos que estava fazendo pesquisas para o trabalho;

· Na igreja, um irmão se sentiu ferido com a atitude de outro, mas mente domingo após domingo com um sorriso no rosto e a paz do Senhor;

· O patrão não paga um salário justo e explica mentindo sobre a situação da empresa;

· O empregado faz de conta de trabalha e mente para quem lhe paga um salário pra trabalhar;

· A filha saiu com o namorado, mas mente aos pais com medo do que eles vão dizer;

· Homens públicos, que deveriam ocupar-se com a boa administração dos recursos da comunidade, mentem dizendo fazer o que nunca fizeram.

É nessas batalhas que somos chamados a ser vitoriosos. É quando ganhamos essas batalhas que principados e potestades são humilhados e a luta espiritual e vencida. Porque só é possível vencê-las se a nossa confiança estiver depositada na bondade de Deus demonstrada em Jesus.

A mentira produz medo e insegurança. Ela é uma bomba relógio que mais cedo ou mais tarde vai explodir e ferir muita gente. Mas você não precisa esperar até que ela venha a explodir. Você pode desarma essa bomba confessando e pedindo perdão. Não é fácil, mas é o único caminho para desarmar a bomba da mentira.

Sua primeira confissão deve ser a Deus, porque ele foi o primeiro a ser ofendido por sua mentira. Depois, você precisa pedir sabedoria a Deus para o tempo e o modo de confessar sua mentira às pessoas envolvidas. O desafio pode parecer intransponível, mas é digno da nossa vocação. Está à altura do tudo o que Cristo fez por nós na cruz.

A mentira aprisiona, mas a verdade liberta. Jesus disse “conhecereis a verdade e Ela vos libertará” (Jo. 8:32) e ainda “Se o filho vos libertar, sereis realmente livres” (Jo. 8:36).

Cinja-se da verdade! E declare diante de principados e potestades que a sua vida pertence àquele que é a verdade! Jesus.

Cinja-se da verdade! E experimente a segurança que há em Jesus.

Cinja-se da verdade! Aí você vai estar pronto para usar as demais peças da armadura de Deus.
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18 Junho 2006
A luta e as Batalhas – Introdução Parte 2
Postado por Aristarco Coelho às 11:42 PM

Introdução

Domingo passado vimos que a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse, descreve com naturalidade a existência de uma dimensão espiritual na qual é travada uma luta permanente entre seres espirituais leais ao Criador, que O honram e adoram, e um outro grupo de seres rebeldes a Ele. O ponto de disputa dessa luta é o relacionamento entre a criação e o Criador.

As forças rebeldes ao Senhor têm apostado por milênios que não vale a pena amar, servir e adorar ao Senhor. Eles têm trabalhado arduamente para convencer a humanidade de que Deus e seus valores devem ser desprezados.

As forças leais ao Senhor têm demonstrado, a partir de sua lealdade, que o Deus Eterno e seu filho Jesus Cristo são dignos de todo amor, serviço e adoração. Enquanto isso, elas assistem aos servos de Deus em suas necessidades e lutam a favor do Reino de Deus nessa dimensão espiritual.

Essa é uma realidade sobrenatural, mas a Bíblia não faz disso um mistério. (1) Daniel foi orientado por um mensageiro do Senhor; (2) o servo de Eliseu enxergou um exército de anjos que não estava vendo; (3) Jó foi atormentado por Satanás; (4) Maria foi avisada sobre a concepção de Jesus por um anjo; (5) Adão e Eva foram provocados ao pecado por Lúcifer; (6) Jesus foi tentado pelo Diabo e, após vencer as tentações, servido por anjos; (7) em seu ministério, Ele também expulsou e repreendeu inúmeros demônios; (8) Também o apóstolo Paulo enfrentou a interferência dessas forças espirituais em seu ministério de pregação do evangelho.

Homens e mulheres do passado, tementes a Deus, não ousaram viver suas vidas sem considerar essa realidade espiritual! Por que nós faríamos isso?

Pelo contrário esses homens e mulheres do passado, servos do Senhor, consideraram a realidade das lutas espirituais e buscaram no Senhor as armas para essa luta.

Entendendo o Dualismo

Antes de prosseguirmos em nosso tema, é preciso deixar claro que há um grande engano que tem invadido as igrejas.

Quando o tema é essa outra dimensão onde são travadas lutas tremendas, por seres poderosíssimos, muitos crentes desenvolvem a idéia de essa é uma luta eterna entre o Bem e o Mal. Uma disputa entre forças iguais que se opõem e querem se destruir. De um lado Deus e seus exércitos, do outro Lúcifer e seus demônios. Acredite: esse não é um conceito bíblico!

O dualismo faz parte das crenças do Zoroastrismo, religião iraniana cujo principal profeta foi Zarathustra. Ele viveu cerca de cinco séculos antes de Cristo e considerava o mundo como uma luta eterna entre Ahura Mazda (o senhor sábio) e Angra Mainyu (o espírito do mal). Segundo o zoroastrismo o Bem e Mal vieram à existência, ao mesmo tempo, em um passado distante. Ele conclamava as pessoas a ficarem ao lado de Ahura Mazda nessa luta e viverem suas vidas de acordo com a máxima “bons pensamentos, boas obras, boas ações”.

O dualismo também faz parte das crenças do Maniqueísmo, religião que teve seu auge no século III e foi fundada por Mani a partir de elementos persas, cristãos e budistas. Segundo o Maniqueísmo, a luz e as trevas, o bem e o mal, no princípio eram igualmente co-eternas e independentes. Mas o ataque do príncipe das trevas precipitou a queda dos primeiros seres humanos. Isso resultou no aprisionamento da Luz, um pedaço do Pai das Luzes, dentro dos homens, que serão salvos mediante a gnose ou conhecimento, que consistia em rigorosas disciplinas espirituais.

Quando você ouvir idéias como essas, que falam da igualdade de poder e autoridade entre o Bem e o Mal; de uma luta eterna entre as forças do Bem e do Mal; de energias positivas e negativas se contrapondo, de Yin e Yang, acredite: essas são idéias estranhas à bíblia!

Quem é o Deus da Bíblia

O Deus da Bíblia é Senhor sobre tudo que existe. Nada nem ninguém o precedeu ou pode a Ele ser comparado. Ele é o criador de todas as forças espirituais que existem no universo. Somos criaturas dele: homens e anjos, principados autoridades e poderes, rebeldes ou leais, todos foram criados por Ele e estão debaixo da autoridade do seu filho Jesus.

(15) Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; (16) pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. (17) Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. (Colossenses 1:15 -17 – RA)

(5) Porque, ainda que há também alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores, (6) todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele. (I Coríntios 8:5- 6 – RA)

… para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos (19) e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; (20) o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, (21) acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. (Efésios 1:18b – 20 – RA)

Satanás e seus anjos são seres morais, responsáveis por seus atos. E embora retenham ainda poderes inerentes a sua condição angelical, não passam de criaturas do Deus Eterno e atual debaixo da autoridade de Deus.

Por isso, nenhum ataque pode ser desferido contra os filhos de Deus sem a sua permissão. (Jó 1:6-12);

Nenhuma tentação será maior que a capacidade do crente de suportá-la (I Cor. 10:13).

Cada movimento no universo acontece sob a permissão e o controle de Deus. Ele é Senhor e soberano sobre tudo e todos. No cristianismo bíblico não há lugar para dualismos!

A Situação da Humanidade

Agora que esclarecemos alguns dos termos dessa luta, é preciso compreender a sua situação nessa batalha. Eu preciso que você preste bastante atenção!

A Bíblia nos revela que fomos criados por Deus com a capacidade de decidir e a responsabilidade de arcar com as conseqüências de nossas decisões.

Por isso, ao criar o primeiro casal, Deus lhes deu orientações sobre qual era a Sua vontade para eles e as conseqüências que resultariam se eles decidissem não viver como haviam sido orientados. Tudo muito simples.

O primeiro casal exerceu sua capacidade de decidir, mas decidiu mal. Satanás planou no coração dele dúvidas a respeito do caráter de Deus (É Deus realmente bom e suas orientações sobre a vida o melhor para nós?).

Assaltados pela dúvida, eles poderiam ter corrido para os braços do Senhor e indagado, inquirido, investigado até que seus corações encontrassem paz. Mas preferiram alimentar seus próprios medos.

Deus não tem receio nem aborrecimento de lidar com nossas dúvidas, anseios e inquietações. Pelo contrário, Ele se alegra em ensinar, em esclarecer, em trazer paz. Mas para isso é preciso correr para os braços Dele, e não para longe como fizeram Adão e Eva.

Desde Adão e Eva, por toda a história da humanidade, temos sido rebeldes fugitivos. Jogamos fora amizade de Deus, quebramos o relacionamento de confiança e amor que Ele pretendia desenvolver conosco. Com nossas atitudes e acusações contra o se caráter, temos nos tornado inimigos Dele.

O Senhor é fonte da vida. Foi ele quem criou a existência, a vida vem Dele. Por isso, longe Dele só há morte. Veja como a Bíblia descreve essa situação de rebeldia:

(1)… Estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, (2) nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; (3) entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. (Efésios 2:1b – 3 – RA)

Mas onde tudo isso se encaixa em nosso tema?

Meus irmãos e irmãs, todo aquele que permanece longe de Deus; que não confia na perfeita bondade de Deus; que vive com um fugitivo correndo para longe da presença Dele; que age com um rebelde acusador; que decide viver, apática ou ofensivamente, rebelado contra a soberania de Deus, está ligando sua vida às forças espirituais rebeldes ao Senhor e associando o seu futuro eterno ao futuro deles.

Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. (Mateus 25:41 – RA)

Não é da vontade de Deus que homens e mulheres, criados com tanto carinho à sua imagem e semelhança tenham o mesmo destino daqueles que se rebelaram contra a Sua autoridade. Mas, esse seria o destino de todos nós.

Por isso a vinda de Jesus! Com sua vida reta, seu testemunho de amor a Deus e à criação de Deus, sua morte injusta e sua ressurreição, Jesus declarou a vitória de Deus sobre os principados e potestades rebeldes.

Jesus demonstrou que é possível a um ser humano, limitado, vivendo em um mundo cheio de pecado, CONHECER, CONFIAR E OBEDECER a Deus.

A tese mentirosa de Lúcifer, de que é impossível amar a Deus, servi-lo e, de coração limpo, confiar nele foi pregada na cruz, expondo ao ridículo principados e potestades: Cristo, Filho de Deus, foi vitorioso!

A partir de então, a justiça que emana da vida, morte e ressurreição de Cristo pode ser aplicada à sua vida. Assim, mesmo sendo um pecador rebelde, Deus pode lhe tratar como um filho, porque Jesus pagou o preço pela sua rebeldia. Isso acontece quando você por sua vontade, entrega o controle da sua vida a Deus e aceita a Jesus como seu Senhor e Salvador.

(13) E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; (14) tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; (15) e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz. (Colossenses 2:13 – 15 – RA)

Quando alguém, pela fé, aceita a soberania de Deus sobre sua vida, são desfeitas suas ligações com as forças espirituais rebeldes. Você é transportado do reino das trevas para o reino do Filho de Deus. Os poderes espirituais que antes podiam reclamar algum direito sobre sua vida, são obrigados a reconhecer que você agora é um filho de Deus pelo poder do Espírito Santo.

A Bíblia é clara. Ninguém pode ficar fora dessa luta. Não há campo neutro. Só há duas posições.

(1) Aqueles que colocaram sua confiança em Deus e entregaram a Jesus o controle de suas vidas, crendo na eficácia da morte de Cristo para reconciliá-los com Deus.

· Seu destino final é mudado. As acusações são retiradas e ele passou da morte para a vida. (Rom. 8:1)

· Eles estão seguros nas mãos de Jesus, nenhum força espiritual poderá ameaçar essa segurança (Jo. 10:28)

· Como eles amam ao Senhor e atenderam ao seu chamado ao arrependimento, todas as coisas contribuem para o seu bem. (Rom. 8:28)

· Sua vitória final está garantida. Eles são mais que vencedores. Não porque sejam fortes, mas porque o poder de Cristo irá completar neles a obra de aperfeiçoamento de suas vidas. (Rom. 8:37)

(2) A outra posição é daqueles que permanecem em uma atitude de rebeldia; acham-se capazes de cuidarem de si mesmos; decidem afastar-se de Deus e o tratam com descaso e descrença, requerendo para si mesmos o mesmo destino preparado para o maior dos rebeldes e seus anjos: uma eternidade sem propósito e sem sentido para existir.

Qual a sua situação?

O Senhor já providenciou tudo o que era necessário para que você tome a decisão de confiar nele. Mas essa decisão é sua. Você vai carregar consigo por toda a eternidade as conseqüências dessa decisão. Pare um momento e avalie sua vida. Em que posição você se encontra hoje?

Se você um dia entregou o controle de sua vida a Jesus e confiou nele como seu Salvador, quero deixar um texto para sua reflexão durante a semana:

Eu lhes suplico – eu, um prisioneiro aqui na cadeia por estar servindo ao Senhor – que vivam e comportem-se de maneira digna daqueles que foram escolhidos para receber bênçãos tão maravilhosas como estas. Sejam humildes e amáveis. Sejam pacientes uns com os outros, tendo tolerância pelas faltas uns dos outros por causa do amor entre vocês. Procurem sempre ser juntamente guiados pelo Espírito Santo, e assim vivam em paz uns com ou outros. (Efésios 4:1-3 – BV)

Mas se você reconhece que tem se mantido em uma posição de rebeldia (às vezes passiva, às vezes ostensiva) contra a autoridade de Deus em sua vida. Não tem confiança na bondade de Deus e resiste à vontade soberana Dele, eu quero lhe dar a oportunidade de mudar sua posição agora.

Arrependa-se do seu pecado, mude a direção da sua vida. Pela fé, confie em quem o Senhor diz ser e aceito o sacrifício de Jesus na Cruz como eficaz para lhe reconciliar com Deus.

www.ideiadereflexao.blogspot.com

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