A oração do pecador

“O publicano, porém, estando de pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo:
Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Luc 18:13).

Jesus deu a parábola em Lucas 18: 9-14, a um grupo de pessoas que se autodeterminavam ser justos. Ele comparou as ações do fariseu, que se autodenominava justo, com as do publicano, o qual representa um pecador. No versículo 13, o publicano, ou pecador, orou, “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!”, e como resultado, foi justificado ou salvo de seus pecados.

Em muitas círculos, esta oração é conhecida como “oração do pecador”, e passou a ser um meio pelo qual alguém é salvo, quando se ora esta oração. Muitos fazem declarações, tais como, “Nós tínhamos 42 orando a oração do pecador Domingo passado”, e se referem à aqueles como salvos, por terem orado a “oração do pecador”. Eles se referem à “oração do pecador”, como que atendendo os requerimentos de Romanos 10:13, “invocar o nome do Senhor”. A oração não salva, Jesus salva! Ó, você pode ter estado orando quando foi salvo, mas não foi a oração que o salvou, foi uma obra de Deus, pois a salvação é de Deus.

Este publicano foi um Judeu, um que cresceu em um lar Judaico, onde o costume de oferecer sacrifícios era familiar, e sendo assim, tinha conhecimento das razões pelas quais estes sacrifícios eram oferecidos. Portanto, ele usou a palavra misericórdia, a qual no Grego é uma palavra relativa à palavra traduzida “propiciação”, em Romanos 3:25. Este versículo diz que “Ao qual [Jesus] Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue.” A expressão “propôs” significa ser observado, ou ser exposto ao público. A palavra “propiciação” é traduzida “propiciatório”, em Hebreus 9:5, e significa que Jesus foi a realização da propiciação do Velho Testamento. O que está envolvido nisto? Sacrifício, substituto, e aspersão do sangue.

No Velho Testamento, uma vez ao ano havia o dia da expiação. Neste dia, haveriam dois bodes apresentados à porta do tabernáculo ao sumo sacerdote. Lançariam sorte sobre os bodes para determinar qual deles seria uma oferta pelos pecados ou sacrifício, e o outro seria um substituto, chamado de bode emissário. O sumo sacerdote deveria então fazer o sacrifício, seguindo os procedimentos apropriados, e levar o sangue dentro do véu, ao santuário, e aspergir o sangue sobre o propiciatório sete vezes. Então, ele pegaria o bode emissário, colocaria ambas as mãos sobre a sua cabeça, e confessaria todas as iniquidades (pecados) dos filhos de Israel. Uma vez que isto estivesse dado por terminado, o bode emissário seria enviado ao deserto, á terra solitária, onde seria devorado por animais selvagens, para que nunca mais retornasse ao arraial novamente (Lev 16:1-28).

Uma vez que isto fosse terminado e aceito por Deus, os pecados do povo estariam cobertos por mais um ano. Esta prática foi seguida ano após ano, até o aparecimento de Jesus, e João anunciou em João 1:29, “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” Ele era para ser, e foi, a realização destas práticas do Velho Testamento, quando Deus o propôs para a propiciação. Isto fala de Jesus como nosso Sacrifício, Substituto (bode emissário), e Propiciatório.

No sacrifício, foi um cordeiro inocente que morreu pela culpa. Jesus foi inocente. Ele não tinha pecados. Ele foi sacrificado para mim, o culpado. I Pedro 3:18, “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos.”

Jesus também foi meu substituto (bode emissário), quando Ele tomou meu lugar na cruz. Ele o fez voluntariamente, pois ele disse, “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Luc. 23:34). Então Deus permitiu que o meu pecado, e o vosso, fossem postos sobre o imaculado Filho de Deus, cumprindo assim a simbologia do bode emissário. Naquela situação, Ele exclamou, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes?” (Mat. 27:46). Aquilo foi o clamor do meu pecado. Na cruz, Deus o “propôs”, exposto ao público, ao terrível sofrimento da cruz enquanto Jesus se tornou meu sacrifício, meu substituto.

Enquanto dependurado na cruz, Jesus, através de um milagre de Deus que não posso entender nem explicar, pagou uma eternidade de sofrimentos no inferno por mim. Quando Ele disse, “Tenho sede” (João 19:28), foi a mesma sede que o homem rico sentiu no inferno. Quando Ele disse, “Está consumado” (João 19:30), meus pecados já foram pagos. Finalmente, Ele morreu, e levaram o seu corpo e o enterraram em um túmulo emprestado. Lá Ele foi escondido dos homens, realizando assim o símbolo, do bode emissário deixado em terra solitária para nunca ser visto novamente.

Após três dias e três noites, Jesus foi ressuscitado e ascendeu ao Pai. Lá, no santuário do céu, dentro do véu, Jesus aspergiu seu próprio sangue sobre um propiciatório não feito por mãos e sentou-se ao lado direito do Pai, significando que o Pai aceitou o perfeito sacrifício pelo pecado. Isaías 53:11 fala do Pai sendo satisfeito, “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito”. O que haveria de ser um julgamento, é agora um propiciatório.

O compositor que escreveu a música “Um Dia”, resume isto muito bem: “Vivo, me amou; morrendo, me salvou; sepultado, levou consigo meus pecados para longe; ressurgido, me justificou gratuitamente para sempre…” Este coro revela Jesus como nosso sacrifício, substituto, e que Ele aspergiu Seu sangue sobre o propiciatório.

Não é suficiente que isto foi feito, isto deve ser apropriado para cada indivíduo, e isto é feito pela fé em Seu sangue. (Romanos 3:25) Esta fé é mais que uma crença intelectual, tida pelos demônios (Tiago 2:19). Deve ser crido de coração, e para isso deve haver uma obra do Espírito Santo neste indivíduo. É imperativo que o Espírito Santo faça a abençoada obra da tristeza segundo Deus, convicção, arrependimento e fé num indivíduo, antes que este possa invocar o nome do Senhor. I Cor. 12:3 diz, “Ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo”.

Portanto, quando o publicano clamou, “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!”, ele entendeu que Jesus foi seu sacrifício, substituto e propiciatório. Ele concluiu isto pois foi criado em um lar onde lhe ensinaram algumas coisas sobre a verdade, e um dia o Espírito Santo alvejou seu coração, e ele se expressou pelo exercício da fé de seu coração em Seu sangue, e ele foi salvo.

Agora, rotular isto de “oração do pecador”, é como limitar Deus em uma caixa, e estereotipar todas as experiências de salvação em um pacote. Deus é um Deus de originalidade. Cada experiência de salvação de um homem é diferente, pois é pessoal, ainda que a experiência de cada contenha os mesmos ingredientes.

Você pode ter orado esta oração e ter sido salvo, mas não foi porque você orou. Foi porque o Espírito Santo fez uma obra em você. O problema de hoje é que muitos estão usando de uma estratégia, e pedindo aos homens para orarem a “oração do pecador”, então eles marcam pontos nos seus currículos, dizendo terem ganho “tantos” ao Senhor, quando na verdade, tudo o que fizeram foi fazer os seus discípulos “duas vezes mais filhos do inferno” (Mateus 23:15). Você pergunta, Por quê? Porquê muitos que repetem esta oração não têm nenhuma idéia do que “misericórdia” significa. Eles não entendem que Jesus é seu sacrifício, substituto e propiciatório, e eles não o saberão, até que o Espírito Santo tenha feito Sua obra Sagrada, nos seus corações.

Nós devemos sempre estar ciente de que nós estamos compactuando com as almas dos homens. Nós não somos Deus. Só porque alguém ora, “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” não significa que estão salvos. Portanto, nós não temos nenhum direito de informá-los que foram salvos. Só porque eles confessaram de boca, não significa que creram de coração.

Para mim, gostaria somente de deixar com que o Espírito Santo fizesse Sua obra, e assim Deus receberá a glória, que é como deveria ser. Pela Sua graça eu plantarei e regarei. I Coríntios 3:7 diz, “Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.”

Minha oração é, “Pai, ajude-me a ser fiel para plantar e regar e observe o Senhor dar o crescimento. Amem.”

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