Na parábola Jesus conta que o Reino do Céu é como um rei que desejava acertar contas com seus servos. Trouxeram um servo que lhe devia um valor muito alto, mas não tinha condição de pagar, então o senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e tudo que ele possuísse fossem vendidos para pagar a dívida.
O servo prostrou-se diante do senhor e implorou: “Tenha paciência comigo que eu lhe pagarei”. O senhor daquele servo teve compaixão dele e cancelou sua dívida, e o deixou ir. Saindo, aquele servo encontrou um de seus conservos que lhe devia cem denários, ou seja, um valor muito pequeno. O servo agarrou-o e espancou-o dizendo, “Pague-me!” O conservo ajoelhou-se diante dele e disse: “tenha paciência comigo que eu lhe pagarei.” Mas ele não quis, e mandou prender-lhe até que pagasse a dívida. Quando o senhor daquele servo ficou sabendo o que havia acontecido, chamou-o e disse: “Servo mau! Cancelei suas dívidas, você deveria ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você”. Irado, o senhor o entregou aos torturadores até que pagasse tudo o que devia.
Assim também lhes fará meu Pai celestial se vocês não perdoarem de coração o seu irmão.
Explicação da parábola:
O rei da parábola contada por Jesus é o Senhor Deus. Os servos com que Ele deseja acertar contas somos nós, conhecedores de sua palavra. Nossa dívida era muito alta, pois “o salário do pecado é a morte” conforme Romanos 6.23. Deus cancelou nossa dívida livrando-nos da prisão eterna enviando Seu Filho para morrer na cruz. O valor da dívida era realmente muito alto. Custou o sangue de um inocente conforme I Pedro 1.18-19.
Os conservos são aquelas pessoas que nos ofendem, que nos caluniam e nos perseguem, e desejam a nossa derrota, produzindo assim uma dívida para conosco. São situações em que nossa reação deve ser, sem dúvida, de perdoar e de amar estas pessoas.
Analisando o caráter do servo da parábola
Analisando o caráter daquele servo, podemos observar a falta de várias qualidades importantíssimas para uma vivencia cristã, como:
Falta de reconhecimento – não soube reconhecer o quanto foi perdoado pelo seu senhor. A dívida do servo era de 10.000 talentos e do conservo era de 100 denários. Numa linguagem de hoje, mesmo sem nos preocupar com a exatidão do valor dos talentos e dos denários, seria como se o servo devesse 1.000.000 de reis, e o conservo devesse 100 reais. Quando não conseguimos enxergar como foi grande o perdão de Deus em nossa vida, podemos cair nesse mesmo erro e não perdoar as falhas mais insignificantes que são cometidas contra nós.
Falta de humanidade – O servo parece ter tido uma memória bastante curta. Ele esqueceu que não estava preso porque seu senhor usou de muita misericórdia para com ele. Isto também é um perigo quando esquecemos quem éramos e que se hoje somos alguma coisa é pela graça infinita de Deus.
Não vive o perdão – Para vivermos o perdão é necessário perdoar. O servo mesmo sendo perdoado não conseguiu fazer o mesmo com seu conservo, preferiu condená-lo. Muitas pessoas não conseguem desfrutar do perdão, e deixam que o ódio e a sede de vingança dominem o seu coração. Certa vez uma pessoa me disse: “Agora que estou em um nível importante, todos os que me humilharam vão me pagar”. Ela não viveu a benção de ter sido promovida, mas encheu-se de amargura. Se o servo tivesse perdoado o conservo ele viveria o maravilhoso perdão dado pelo seu senhor, mas, condenando seu conservo, ele condenou a si próprio. Pois quando não perdoamos os outros, condenamos a nós mesmos.

1.O que causa a falta de perdão.

A falta de perdão causa terríveis danos tanto no campo espiritual como no campo físico. No campo físico, doenças como úlcera nervosa, rigidez muscular, distúrbios emocionais, tristezas constantes. E no campo espiritual os danos são maiores ainda. Vejamos alguns principais.
Condenação – Quando o servo condenou seu conservo ele também se condenou (Mateus 18.35). Jesus trata diretamente conosco: “Assim também lhes fará meu Pai Celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração o irmão”.
Oração não respondida – Em Marcos 11.24 Jesus disse assim: “Tudo o que pedires em oração crendo que já receberam assim lhes sucederá”. Quando lemos este texto logo pensamos que basta apenas orar e imediatamente receberemos o que pedimos. Para melhor compreendermos esse texto devemos analisar também os versículos 25 e 26. “Quando estiverdes orando perdoai se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai que está no céu vos perdoe; mas se vocês não perdoarem, vosso Pai que esta no céu não perdoará vocês também”. Agora que analisamos o texto por completo podemos afirmar que se não perdoarmos as nossas oração não serão ouvidas por Deus.
O perdão de Deus de certa forma, depende de nosso – Ao afirmar que o perdão de Deus, de certa forma depende do nosso, não estou cometendo nenhuma heresia. Na conhecida oração do Pai Nosso em Mt. 6.9-15, o próprio Senhor Jesus declara no verso 12 o seguinte: “Perdoa nossas dívidas, assim como nós temos perdoado nossos devedores”. Ao dizer isto Jesus nos ensina que seremos perdoados o quanto perdoamos. Ou seja, na mesma medida que usamos para com o outro, é que obteremos ou não o perdão. Muitas pessoas conhecedoras da Palavra não exercem o perdão, achando que Deus está contente com elas. Estas pessoas poderão ter uma surpresa desagradável no juízo final e serem condenadas. Pois quem não perdoa, não será perdoado.

2.O perdão não tem limites.

Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Quantas vezes deverei perdoar ao meu irmão quando ele pecar contra mim?Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Eu lhes digo: não até sete, mas até setenta vezes sete!” (Mt 8.21-22). A pergunta que o apóstolo Pedro faz a Jesus não nos é estranha, pois constantemente perguntamos: “Até quando vou perdoar esta pessoa? Até quando ela vai abusar de minha paciência? Já estou no limitei!” Mas o que precisamos entender é que perdão não tem limites.
Alguns aspectos do perdão:
O perdão é imerecido. A pessoa que te ofende não merece seu perdão, mas você deve perdoá-la, pois, da mesma forma, nós também não merecemos o perdão de Deus, mas mesmo assim Ele nos perdoa. Alguém já disse: “O perdão tem a enlouquecedora qualidade de ser injusto e sem mérito”.
O perdão é de graça para quem recebe, mas muito dispendioso para quem dá. O perdão exige muita humildade e muito amor. Vemos claramente no perdão que Deus nos dá: para nós foi de graça, mas para Ele custou preço de sangue.

3.O perdão tem memória.

A conhecida frase “quem perdoa esquece”, está equivocada, pois quando perdoamos não, necessariamente, esquecemos ou precisamos esquecer. Por exemplo, quando alguém faz um grande mau a uma pessoa, a parte ofendida pode liberar perdão, porém ela dificilmente ira esquecer o episódio, a menos que está bata a cabeça e perca a memória. Pelo contrário, quando perdoamos estas lembranças produzem uma grande alegria, paz e sentimento de Deus dentro de nós: “como foi maravilhoso ter perdoado aquela ofensa.” Ademais, quando o perdão não é liberado, as lembranças do episódio trazem ao indivíduo muito sofrimento.
Perdoe!
Nesta lição que acabamos de estudar, aprendemos como é perigoso não perdoar e para onde isto poderá nos levar. Entendemos que o perdão é uma necessidade. Você pode dizer: “É muito difícil perdoar”, mas abra o seu coração, deixe o Espírito Santo entrar e tire todo orgulho e vaidade para que você possa viver a maravilhosa graça de perdoar e ser perdoado.
Jesus nos orienta que não sejamos apenas ouvintes, mas praticantes da Palavra, (Tiago 1.22). Agora que você já sabe que o perdão é fundamental para a vida cristã, peça e libere perdão e sinta seu tremendo pode reconciliador.
Só para perdoar é que devemos pensar nas pessoas que nos fazem sofrer. Tenhamos certeza de que Deus serve-se delas para nos exercitar a humildade e a paciência. Um dia veremos como foram úteis os que nos maltrataram.



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