Atitudes do Cristão para Anunciar a Salvação

Neste sermão vamos aprender sobre as atitudes do cristão para anunciar a salvação.

Texto: Lucas 15:8-10

INTRODUÇÃO

Há autores que consideram o capitulo quinze como composição de uma parábola tripla ou dupla, porque Jesus conta três respectivas parábolas que se assemelham muito. E para entender o sentido das parábolas é necessário conhecer o contexto em que Jesus se encontrava quando comia junto aos publicanos e pecadores (Lc 15:1-2).

Convidar alguém para sentar-se à mesa é uma honra, é você estar aberto a um relacionamento onde você compartilha coisas a respeito de sua vida, confia, oferta a paz, perdão para com o outro. O significado de convidar alguém para sentar-se à mesa, hoje, não é diferente. Jesus, ao sentar-se à mesa com os publicanos e pecadores é uma expressão da missão e da mensagem que está em Marcos 2:17

“Tendo Jesus ouvido isso, respondeu-lhes: os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar os justos e sim pecadores.”

Jesus quebra os paradigmas presentes em que “sentar-se à mesa com pecadores” era um ato que acarretaria má fama a ele. Entretanto, o Mestre traz o sentido da inclusão na comunidade da salvação, porque junto à mesa ele expressava significativamente a mensagem redentora de Deus por meio das parábolas.

É importante também entender que Jesus, ao receber publicanos e pecadores para uma refeição, era totalmente um ato de reprovação cultural e religioso para os fariseus. Esse episódio é de extrema importância para darmos sentido às parábolas do capítulo 15 do Evangelho de Lucas, quando Jesus faz sua defesa frente aos seus opositores.

Aqui vamos analisar especificamente a segunda parábola em que Jesus ensina sobre a dracma perdida. Para que possamos entender com clareza a parábola da dracma perdida, identificaremos os personagens e a quem cada um deles se refere no contexto histórico-literário.

Os personagens são:

a mulher, as mulheres e vizinha, anjos de Deus.

Desses três, quero enfatizar a ação da mulher. Comecemos, então, perguntando quem é a mulher à qual Jesus se refere? E por que Jesus usou uma mulher?

Hendriksen afirma uma posição trinitária através das representações para essa parábola, a saber:

a) que a mulher simboliza o Espírito santo – uma vez que o Filho foi representado na Parábola da Ovelha Perdida, e o Pai foi representado na Parábola do Filho Pródigo

b) que a candeia (lâmpada) representa o Evangelho

c) que a vassoura representa a Lei

Jesus usa a mulher como exemplo para quebrar mais uma vez paradigmas de que a mulher era inferior ao homem, assim como o pastor era descriminado e tratado como uma profissão impura, Jesus então os coloca em um mesmo patamar de igualdade social.

A mulher também pode ser reconhecida como o povo (guiado pelo Espírito Santo) redimido de Israel. O povo de Deus é a igreja hoje:

“Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da Igreja, sendo Ele próprio o Salvador do Corpo… vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:23, 25).

Seguindo essa linha de raciocínio por meio das comparações, a dracma perdida representa os pecadores. Logo a igreja está em busca do pecador perdido que se arrepende.

Agora já apresentado o contexto histórico-literário em que se encontrava Jesus e o que representa a mulher e a dracma na parábola vamos caminhar sobre o texto. O fato da mulher ter perdido uma moeda isso se torna algo muito mais triste levando em consideração a escassez de dinheiro que provavelmente ela se encontrava. Em uma comunidade de camponeses cujo estilo é o de ser autossuficiente, isto é: plantar o próprio alimento e confeccionar a própria roupa, o uso do dinheiro se torna ainda mais raro.

Uma dracma era o pagamento equivalente a um dia de trabalho. Vamos imaginar que nos dias atuais um trabalhador ganhe um salário mínimo de R$ 678,00 reias, dividido em 30 dias resulta no valor de R$ 22,60 por dia. A princípio, uma dracma ou R$ 22,60 aparenta ser pouco, mas para quem ganha é muito significativo (pode ser o dinheiro do pão, leite, transporte para o trabalho). Ao perder essa quantia em sua residência, você procuraria esse valor porque muita falta ele faria em seu orçamento – É semelhante à mulher que perdeu a dracma.

Transição

Minha intenção é explorar duas atitudes necessárias para o cristão anunciar a salvação.

I – A ATITUDE DE PROCURAR O PERDIDO

Geralmente quando perdemos algum objeto sem importância, nossa atitude é de inteiro esquecimento ou de descaso. Ignoramos naturalmente aquilo que não depositamos valor.

Em nossa parábola, a mulher é consciente de que havia perdido algo de muito valor: uma dracma. Se a dracma representa o objeto perdido, logo, a atitude do cristão é de ir ao perdido para anunciar a salvação. Para procurar a dracma, a mulher precisou de dois objetos: a candeia e a vassoura. Vamos explorar esses dois objetos.

A candeia produz luz e a vassoura limpa a sujeira

Diante do fato da perda de uma moeda/dracma estar em um lugar escuro, foi necessário trazer luz àquele ambiente. Naquela época, as casas eram pequenas e não tinham grandes janelas, o que dificultava a entrada de luz solar na casa, por esse motivo é necessário que a mulher acendesse a candeia. Estando em um lugar escuro como podemos enxergar um palmo à frente sequer? Não conseguimos. Nossas vidas estando em uma escuridão contínua quem pode nos fornecer luz?

A luz para nossas vidas quem nos dá é Jesus, a partir do momento em que trazemos a luz de Jesus para nossas vidas não podemos continuar desorientados, como se estivéssemos no escuro. Em um ambiente iluminado fica muito mais propício procurarmos algo. Se assim estivéssemos todos nós no escuro nesse lugar e somente minha voz ecoando nas caixas de som, todos saberiam que eu estaria aqui, mas não poderiam precisar onde estou. A luz permite que nós possamos realizar as tarefas com êxito.

Então, ao acender a candeia, a mulher pega sua vassoura e varre sua casa procurando a moeda. Bailey nos diz o seguinte a respeito desse episódio:

“A liberdade de movimento das mulheres nas aldeias era e é extremamente limitada, é claro que essa mulher sabia que a moeda estava na casa. Ela não havia estado fora. A sua persistência foi motivada pela certeza de que poderia ser achada se ela continuasse a procurar.”

Essa mulher sentiu a falta de sua moeda e por isso fez tanto esforço para encontrar, nem mesmo o fato dela ter ainda outras nove moedas a fez parar de procurar.

Uma vez que já sabemos que precisamos da luz para procurar algo, convido vocês a varrerem seus corações, suas vidas em busca de alguma ferida que ainda está aberta e que precisa ser encontrada igual à moeda dessa mulher. Ao encontrar, precisamos de um arrependimento que nos leve a tomar uma atitude de mudança. Talvez em seu coração existam moedas perdidas, pecados que precisam ser trazidos diante de Deus para que haja arrependimento.

Vemos que procurar uma simples moeda exige de nós um processo que aparentemente simples, mas que ao mesmo tempo se torna uma tarefa de persistência. Deve-se procurar diligentemente, ou seja, com muito zelo, foi isso que essa mulher fez, pois ela sabia da importância em que essa moeda tinha para ela. Penso que procurar com zelo é dar atenção merecida à restauração com Cristo Jesus. É você se importar com aquele em que nos convida ao arrependimento.

II – A ATITUDE DE REGOZIJAR-SE COM O ARREPENDIDO

Quando falamos de arrependimento, logo cremos que as práticas pecaminosas não condizem mais com a nova mentalidade de quem se arrependeu. Penso que o cristão não se arrepende uma vez, mas vive dia após dia em arrependimento. A atitude de se alegrar com o arrependimento é semelhante à alegria da mulher que se alegra quando encontra a sua moeda que estava perdida. Ela procurou diligentemente, isto é, com zelo. Então ao encontrar sua dracma perdida ela chama suas vizinhas e diz:

“Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido.”

Chamar suas vizinhas representa uma comunhão com a comunidade, na qual uns se preocupam com os outros, e aonde a sua alegria é a nossa também. E um tipo de celebração em comunidade, a comunidade dos que festejam com o arrependimento de alguém.

III – A IGREJA E A ANTI-POSTURA CRISTÃ DE SALVOS

Hoje vejo uma igreja apática a este ensinamento, uma igreja que não se esforça muito em procurar o perdido para que a salvação seja anunciada. Vivemos acomodados: achamos que sair à procura de uma moeda requeresse muito trabalho, tempo e disposição mental. Na parábola da ovelha perdida, uma ovelha se perde e seu pastor vai atrás: há investimento de tempo, há dedicação de aventurar-se em busca de uma que havia se perdido no caminho, conquanto noventa e nove ficaram no aprisco.

E quando a encontra, acontece festa entre os vizinhos pela alegria de um membro do corpo. Na parábola da dracma perdida a mulher, acende a luz, varre e procura sua moeda até encontra-la. E encontrando-a, ela reúne as amigas com regozijo e se alegra. Quando a igreja de Cristo se posiciona em busca de um pecador que se arrepende, os anjos do Senhor se enchem de júbilo, pois nosso Deus veio para os doentes, veio para anunciar as boas novas àqueles que precisavam e não para os sãos.

Quando caminhamos em direção do perdido e colhemos o arrependimento existe alegria entre os anjos do Senhor, pois seu desejo não é vê-lo cair em um abismo, mas sim vê-lo transformado.

10 Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

Conclusão

Concluo com uma frase do Ed René que diz:

“Não é possível a gente saber tudo que sabemos e viver como se não soubéssemos.”

Parafraseando: “Não é possível vivermos na luz de Cristo e viver como vivíamos na escuridão”.

Frente à luz do Senhor convido você a varrer sua casa, e ir em busca da moeda que está perdida, proclamando a mensagem da salvação que te alcançou um dia. Encorajo a igreja para que não tomemos nossos assentos como lugares de luxo no Reino de Deus. Mas que possamos à procura dos pecadores como nós, que precisam de uma direção para não mais viver debaixo do jugo do pecado, mas redimidos pelo sangue e pela graça do Senhor Jesus.

Esta parábola ensina três verdades ainda a serem defendidas:

1. Deus continua oferecendo o seu grande amor aos pecadores através do anúncio de salvação revelada em seu Filho, o nosso Senhor Jesus Cristo,

2. O trabalho de anúncio continua sendo feito por meio da sua igreja;

3. Há festa nos céus por um pecador que se arrepende. Portanto, devemos sair à procura dos perdidos

Autor: Thiago Aquino Cantanti

Visite: http://www.ejesus.com.br

Comentários

comments

Sobre Antonio C. Barro

É professor da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina. Formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos. É o criador e editor do blog cristão: www.coisado.com.br

Contribua com sua opinião