O extraordinário amor de Deus

Neste sermão vamos aprender sobre o extraordinário amor de Deus.

 

Texto: João 3.16-21

Celebrando o amor de Deus

 

É quase Natal! Estamos a exatos sete dias da véspera da queridíssima festa cristã.

 

Todo mundo costuma gostar desta época do ano: as pessoas parecem ficar mais generosas; as decorações deixam os ambientes mais bonitos e aconchegantes; as músicas tocadas evocam bons sentimentos, recheados de boas lembranças; o 13o salário traz um pouco de alívio financeiro; as confraternizações dão trégua para a rotina pesada do dia a dia de trabalho; mensagens e presentes alegram o coração de quem reparte e de quem recebe…

Enfim, Natal é uma época especial do ano, tanto para cristãos como para quem não tem fé nenhuma. Afinal, Natal é o único “dia santo” cristão que também representa um feriado secular importante, especialmente para o comércio. Certamente que, pelo tamanho das cifras movimentadas no final de cada ano, o Natal haverá de perdurar.

 

O que se celebra no Natal?

Cristãos afirmarão, corretamente, que no Natal nós celebramos o nascimento de Jesus. O próprio nome revela isto: “Natal”, do latim Natalis, tem sentido de nascer.

Há, porém, quem veja nesta ocasião um problema, pois a verdadeira data do nascimento de Cristo é desconhecida. Alguns dirão que foi em março (final do inverno e início da primavera em Israel), enquanto outros dirão que foi no início do outono (naquela região vai de setembro a dezembro; o inverno vai de dezembro a março).

Março? Setembro? Outubro? Novembro? Quando nasceu Jesus? A bem da verdade, não existe uma estimativa que historicamente possa responder a esta questão, para alguns, intrigante. Nossa única certeza é que o dia 25 de dezembro é uma data meramente simbólica e ilustrativa, mas de um acontecimento absolutamente real e fundamental.

Se vejo, então, problema em celebrarmos no dia 25 de dezembro o nascimento de Jesus? De forma nenhuma! Jesus nasceu de verdade e este fato precisa sim ser celebrado em algum momento de cada ano, até que ele volte para buscar sua igreja gloriosa.

Por que Jesus nasceu?

Jesus nasceu, conforme lemos no texto de João (3.16), porque Deus amou o mundo. Logo, celebra-se o amor de Deus pelo mundo com o nascimento de Jesus.

O extraordinário amor de Deus

O Natal é a festa do extraordinário amor de Deus. Hoje, portanto, convido você para mergulhar comigo no texto de João, que lemos logo no início, em busca da correta compreensão do que de fato significa ou representa o amor de Deus pelo mundo.

Fala-se tanto em amor; prega-se tanto o amor; até Simone, em 1995, gravando uma versão de uma música de John Lennon (Happy X-Mas — War is over!), definiu o Natal como sendo a festa do amor:

 

Então é Natal e o que você fez?

 

O ano termina, e nasce outra vez

 

Então é Natal, a festa Cristã

 

Do velho e do novo, do amor como um todo […]

 

Amor como um todo? Como assim?

 

O que é amor? O que significa amar? O que se celebra do amor na festa do Natal? O que significa dizer que Deus nos ama? De que forma Deus nos amou? Quão extraordinário é o amor de Deus? O que o amor de Deus produz nas pessoas?

Debruce-se comigo sobre o nosso texto e vejamos quatro verdades sobre o extraordinário amor de Deus. Veremos que o extraordinário amor de Deus… 1se revela na forma de Deus amar (v. 16); 2se reforça pela iniciativa de Deus ao amar (vv. 17-18); 3se retém daqueles que têm outras coisas para amar (vv. 19-20); e 4se repercute através daqueles que ele escolheu amar (v. 21).

  1. O extraordinário amor de Deus se revela na forma de Deus amar (v. 16)

 

“Falar em amor é fácil, difícil é amar!”, não é assim que nós costumamos dizer? Tudo bem que Deus nos amou, mas de que forma Deus nos amou?

 

Jo 3.16| Porque Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.

É possível que a maioria não saiba, mas existe um debate sobre exatamente onde as palavras de Jesus para Nicodemos terminam e os comentários de João começam neste parágrafo (Jo 3.1-21). Se você tem uma Bíblia na qual as palavras de Jesus estão em vermelho, é quase certo que o nosso texto para hoje (Jo 3.16-21) esteja em vermelho; ou seja, é provável que ele esteja registrado como palavras de Jesus a Nicodemos.

A verdade, porém, é que os versículos 16 a 21 sejam prováveis comentários de João sobre as palavras de Jesus que terminaram no versículo 15. Por que se afirma isto?

Primeiro, conforme Leon Morris argumenta, em João 3.16, a cruz parece já estar no passado; isto é, João escreveu como quem já provou da entrega do Filho eterno de Deus pelo pecador na cruz.

Segundo, D. A. Carson explica que Jesus muitas vezes faz referência de si mesmo como “o Filho do Homem” (Jo 3.13), mas nunca como “o Filho unigênito” de Deus, que é a forma de João se referir a Jesus (Jo 1.14 e 18; 1Jo 4.9). Além disso, Jesus normalmente não se refere a Deus como “o Deus”, mas sim como “o Pai”.

Parece-nos, portanto, que o que temos em João 3.16-21 não são as palavras do próprio Jesus, mas o comentário inspirado de João sobre o amor de Deus a nós revelado em Jesus Cristo. Saiba, porém, que mesmo que estas sejam palavras de João e não de Jesus, elas são, ainda assim, inspiradas pelo Espírito Santo de Deus. O apóstolo está nos explicando por que Deus enviou seu “Filho unigênito” a este mundo.

Note a conjunção coordenativa “Porque” no início deste versículo. A propósito, jamais deixe de observar essas conjunções, pois elas têm como função juntar duas orações coordenadas, sendo que numa delas, geralmente a segunda oração do texto, explica-se ou se justifica a afirmação feita na outra. Observe o texto de João. A segunda oração (Jo 3.16) explica a razão ou o motivo da primeira oração (Jo 3.14-15).

Jo 3.14-16 | 14E, como Moisés, no deserto, levantou a serpente de bronze numa estaca, também é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todo o que nele crer tenha a vida eterna. 16Porque Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.

João 3.16 está explicando porque Deus levantou Jesus na cruz (vv. 14-15): foi amor. Deus amou o mundo, e de tão extraordinário que é esse amor, chega a ser chocante.

Amar quem é igual a você, carne da sua carne, sangue do seu sangue, gente que é como você, pensa como você, elogia e complementa você… é fácil, é normal. Difícil e chocante é amar quem é totalmente diferente de você, muito pior que você, que feriu e vive ferindo você… não é verdade? Quem nós costumamos amar? Quem é fácil de amar. Amar o que é amável é normal. Amar o que é não é amável é chocante.

Papai Noel, por exemplo, ama quem é amável. Tanto é assim que ele só presenteia os bons meninos e as boas meninas. Sim, eu sei, Papai Noel não existe. No entanto, ele representa todos aqueles que só conseguem amar o que é amável. Papai Noel é sem graça!

Deus, porém, é gracioso; ele ama quem não é amável e por isso o amor de Deus é extraordinariamente chocante. Deus amou o mundo. Quem é o mundo que Deus amou? É o mundo que o odeia. Conversando com seus irmãos, que ainda não criam nele, Jesus fez uma revelação chocante sobre o mundo que Deus amou. Disse o seguinte o nosso Salvador: “O mundo não pode odiá-los, mas a mim ele odeia, pois eu o acuso de fazer o mal” (Jo 7.7).

Deus amou o mundo que o odeia (Jo 7.7), não o “reconheceu” (Jo 1.10) e não recebe de forma nenhuma “o Espírito da verdade, […] pois não o vê e não o conhece” (Jo 14.17).

Você amaria e continuaria amando alguém que te odeia, não confia em você, rejeita suas palavras, não te nota nem faz questão de te conhecer? Aliás, como nós costumamos nos sentir quando vemos alguém amando tanto assim outrem que despreza ou odeia tal pessoa? Ficamos chocados. Dizemos: “Fulano é muito bobo! É um burro por continuar amando!” Não é verdade? Não é isso que costumamos dizer dos que amam quem não é amável?

O amor extraordinário de Deus, no entanto, se revela na forma de Deus amar. Ele ama quem não é amável. Ele ama o pecador. Ele ama o mundo. É tão extraordinariamente chocante essa forma de Deus amar, que Paulo nunca deixou de se admirar:

Rm 5.8 | Mas Deus nos prova seu grande amor ao enviar Cristo para morrer por nós quando ainda éramos pecadores.

Muito cuidado neste ponto, pois na cultura tão orientada pela idolatria da autoestima na qual estamos inseridos, é muito fácil alguém pensar assim: “Uau! Que bom! Muito obrigado por me lembrar do quanto eu sou amável, a ponto de Deus enviar Jesus para morrer por mim!” Cuidado, pois a ênfase está no amor de Deus, na qualidade do amor de Deus, e não na qualidade daqueles que o amor de Deus alcançou. Ouça Paulo, mais uma vez:

Rm 5.8 | Mas Deus nos prova seu grande amor ao enviar Cristo para morrer por nós quando ainda éramos pecadores [i.e., nada o atraia!].

O apóstolo tinha tanta consciência de que a ênfase estava no amor de Deus, na forma de Deus amar, e não na qualidade daqueles que Deus amou, que, testemunhando a Timóteo sobre sua conversão a Cristo, ele escreveu assim:

1Tm 1.15-17 | 15Esta é uma afirmação digna de confiança, e todos devem aceitá-la: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores”, e eu sou o pior de todos. 16Mas foi por isso que eu, o pior dos pecadores, recebi misericórdia, para que assim Cristo Jesus mostrasse quanto é paciente. Desse modo, sirvo de exemplo a todos que vierem a crer nele para a vida eterna. 17Honra e glória a Deus para todo o sempre! […]

Portanto, eu lhe pergunto, onde está o extraordinário: 1na qualidade de quem foi amado, posto que é “amável” ou 2na forma como Deus amou aqueles que não são nenhum pouco amáveis? Claro que extraordinário é o fato de Deus amar, da forma como amou, o mundo nada amável, pecadores como eu e você.

O extraordinário amor de Deus se revela na forma de Deus amar:

 

Deus amou quem não é amável (o mundo, pecadores como eu e você);

amando o mundo nem um pouco amável, Deus não entregou um touro, uma pomba nem um cordeiro ou cabra como sacrifício pelo pecado; uma vez que o salário do pecado é a morte (Rm 6.23), Deus entregou o Filho; ele não poupou o próprio Filho, mas o entregou como sacrifício no lugar do pecador (Rm 8.32);

a forma como Deus amou é extraordinária, pois abre a porta da vida eterna para aqueles que, sem Cristo, já estão condenados sob a ira de Deus (João 3.18 e 36) — todo mundo, incluindo eu e você;

a forma como Deus amou é extraordinária, pois o modo de se experimentar a vida eterna é simplesmente crendo no Filho, não é pelas obras feitas para o Filho.

O extraordinário amor de Deus se revela na forma de Deus amar.

 

  1. O extraordinário amor de Deus se reforça pela incitava de Deus ao amar (v. 17-18)

 

Tendo revelado o extraordinário amor de Deus na forma de Deus amar, João passa a reforçar o extraordinário amor de Deus na iniciativa de Deus ao amar.

 

Jo 3.17-18 | 17Deus enviou seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para salvá-lo por meio dele. 18“Não há condenação alguma para quem crê nele. Mas quem não crê nele já está condenado por não crer no Filho único de Deus.

 

Cristo não veio para condenar, mas para salvar (v. 17); afinal, o mundo já está condenado (v. 18). Mais uma vez esse extraordinário amor de Deus se revela de uma forma chocante. Afinal, como nós nos sentiríamos se soubéssemos que algum condenado a prisão perpétua sairá da cadeia (um desses criminosos repugnantes que ninguém desejaria ver solto pelas ruas), pois um inocente se propôs a ficar na prisão em seu lugar? Imagine! De tão absurdamente chocante, nossas leis nem permitem que seja assim. Criminosos devem pagar pelos seus crimes. Condenados devem cumprir suas sentenças. A justiça precisa ser aplicada sobre o condenado para que o bem comum não seja afetado.

 

Deus, no entanto, tendo amado o mundo condenado pelo pecado e não podendo deixar de ser justo, pois o salário do pecado é a morte (Rm 6.23), aplicou sobre o próprio Filho a pena pelo pecado (Jo 3.14-16). Veja mais uma vez:

Jo 3.17-18 | 17Deus enviou seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para salvá-lo por meio dele. 18“Não há condenação alguma para quem crê nele. Mas quem não crê nele já está condenado por não crer no Filho único de Deus.

Deus tomou a iniciativa de amar, provendo uma forma de salvar todos aqueles condenados que cressem “no Filho único de Deus” (Jo 3.18). Por que ele fez isso? Para revelar graça e verdade (Jo 1.14); para ser justo (condenando o pecador) e justificador (salvando o pecador) — (Rm 3.26); para glorificar seu nome na justa condenação do pecador obstinado e incrédulo, e na graciosa salvação do pecador arrependido e crente em Jesus.

João, portanto, reforça o amor de Deus ao nos mostrá-lo tomando a iniciativa para salvar quem já estava condenado por não querer de forma nenhuma se voltar para Deus com arrependimento e com fé. Observe que nós só podemos conhecer essa medida do amor de Deus quando ela é provada em contraste com a aplicação da merecida justiça condenatória do justo Juiz do céu e da terra.

Em outras palavras, Paulo vai nos dizer que o que salva o pecador da justiça de Deus é o amor de Deus a ponto de enviar Jesus. O apóstolo escreveu assim:

Rm 5.8-9 | 8Mas Deus nos prova seu grande amor ao enviar Cristo para morrer por nós quando ainda éramos pecadores. 9E, uma vez que fomos declarados justos por seu sangue [pelo seu amor ao entregar seu Filho na cruz], certamente seremos salvos da ira de Deus por meio dele.

Portanto, não queira “resguardar” o amor de Deus (enviando Jesus), “anulando” ou “amenizando” a sua justiça (condenando o pecador), pois o amor de Deus se destaca de forma mais gloriosamente bela quando posto em contraste com a sua justiça.

Deus não enviou seu Filho a um mundo neutro, resultando em que algumas pessoas deixaram a neutralidade para serem anti-Jesus, enquanto outras deixaram a neutralidade para serem pró-Jesus. Ninguém era neutro. E ninguém é neutro. Todos nós pecamos. Todos somos culpados. Todos estamos perecendo. Portanto, todos estamos sob a justa condenação de Deus. E já estamos condenados.

O extraordinário amor de Deus, no entanto, se reforça pela incitava de Deus ao amar este mundo já condenado por causa do (nosso) pecado.

 

  1. O extraordinário amor de Deus se retém daqueles que têm outras coisas para amar (vv. 19-20)

 

Quando se fala do amor de Deus, algumas coisas precisam ficar bem claras.

Primeiro, o que salva o pecador não é amor, mas Cristo que foi enviado como prova de amor; salvação dos pecados não é fruto de algum sentimento subjetivo per si, que simplesmente faz Deus ignorar o pecado; não, não; salvação é fruto de uma obra objetiva: a morte de Jesus na cruz, no tempo e no espaço, cerca de 2017 anos passados, no lugar do pecador; João não nos disse que “Deus amou tanto o mundo que nos perdoou”; João disse que “Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único [no lugar do pecador que nele crer]”; Jesus morreu de forma que sua morte seria suficiente para salvar a todos — e Cristo extende o convite a todos, chamando-os para a salvação, mas a salvação é eficiente para salvar apenas aqueles que creem (as ovelhas de Jesus Cristo, os eleitos de Deus Pai).

Segundo, nem todos serão salvos da ira de Deus, mas apenas os que crerem em Cristo, os que receberem Jesus Cristo em seus corações com arrependimento e fé; ou seja: religião e boa intenção não levará ninguém para o céu (p.ex., vide a história de Nicodemos, estudada na semana passada — Jo 3.1-15).

Dizer, portanto, que a salvação está em Cristo, é combater a ideia universalista equivocada de que, no final, todos serão salvos. Isto não é verdade. Serão salvos apenas aqueles que estiverem em Cristo. Cristo é o caminho e a verdade e a vida e ninguém vai ao Pai senão por Jesus Cristo.

Dizer que a salvação é recebida pela fé em Cristo, é combater a ideia inclusivista de que a fé de todo mundo poderá levá-los a Deus. Isto também não é verdade. Serão salvos apenas aqueles que receberam Jesus, crendo no seu nome.

Se de um lado o universalismo dispensa o sacrifício de Jesus Cristo na cruz (anulando a justiça em nome do amor), o inclusivismo descarta a necessidade de fé exclusiva no Cristo que é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (abandonando o novo nascimento em detrimento de religiosidade; abraçando religião no lugar de regeneração). Vejamos, portanto, mais uma vez, o que de fato salva e o que no final condena o pecador:

Jo 3.16-18 | 16“Porque Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Deus enviou seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para salvá-lo por meio dele. 18“Não há condenação alguma para quem crê nele. Mas quem não crê nele já está condenado por não crer no Filho único de Deus.

Neste ponto, alguns poderão apresentar objeções, dizendo que isso não é justo da parte de Deus. Afinal, dizem esses, como condenar quem nunca teve, por exemplo a chance, de ouvir de Cristo; como condenar quem vive tão piedosamente com outro tipo de fé, espiritualidade ou religiosidade? Bem, aqui se faz necessário ouvir do próprio Deus a fundamentação para a aplicação da sentença condenatório sobre o pecador.

Jo 3.19-20 | 19E a condenação se baseia nisto: a luz de Deus veio ao mundo, mas as pessoas amaram mais a escuridão que a luz, porque seus atos eram maus. 20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima dela, pois teme que seus pecados sejam expostos.

Ou seja: o extraordinário amor de Deus se retém daqueles que têm outras coisas para amar — outros deuses, seus próprios desejos, suas conquistas, suas coisas, suas realizações, justiça própria, amor próprio, amor ao dinheiro, amor pelo oculto etc.

Deus não condena por capricho, mas quem escolhe viver amando as obras da escuridão; isto é, tudo o que não é Cristo ou não vem de Cristo, que é a luz do mundo.

Quem nunca ouviu de Jesus viverá até o final de sua vida amando as obras das trevas sem ao menos desejar conhecer realmente o Criador e muito menos o Filho eterno de Deus. Esses, seguirão adorando a criatura ou as coisas criadas no lugar do Criador. Jamais desejarão conhecer Deus Pai e receber Deus Filho com arrependimento e fé em suas vidas, a menos que Deus escolha salvá-los. Como nós podemos afirmar isso?

Quando Deus intencionava destruir Sodoma e Gomorra por causa de seus atos de injustiça, Abraão travou um diálogo ousado com Deus. Aquela conversa nos revela como o senso de justiça e de amor de Deus nunca são por ele mesmo suprimidos. Ouça:

Gn 18.25-26 | 25Claro que não farias tal coisa: destruir o justo com o perverso. Afinal, estarias tratando o justo e o perverso da mesma maneira! Certamente não farias isso! Acaso o Juiz de toda a terra não faria o que é certo?”. 26O SENHOR respondeu: “Se eu encontrar cinquenta justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por causa deles”.

Como as duas cidades foram destruídas, a conclusão a que podemos chegar é que não havia um único justo sequer naqueles lugares. Todos lá amavam mais a escuridão que a luz e, portanto, foram consumidos pelo fogo da ira de Deus. Deus foi glorificado tanto na aplicação de sua justiça sobre as cidades, como na graça soberana ao retirar de lá Ló e sua família. Deus é cheio de graça e verdade; ele é justo e justificador.

Sobre os que são bem-intencionados, religiosos, espiritualmente orientados, mas vivem com fé que não seja em Cristo, esses também continuam condenados. Por quê? Porque não nasceram de novo. Não nasceram da água e do Espírito. Não tiveram seus pecados perdoados nem seus corações transformados. Não foram lavados pelo sangue de Jesus (seus pecados não foram pagos) nem foram revividos pelo Espírito (suas almas continuam mortas). As pessoas precisam de regeneração e não de reparos ou religião.

É Deus injusto? De forma nenhuma! O convite se estende a todos. Todo aquele que crê em Jesus não perece, mas tem a vida eterna. E quem não crê já está condenado. Seus próprios amores os condenam; aquilo do que e para o que eles vivem, não apenas os escraviza, como também os condena. Eles odeiam a luz. Odeiam a Cristo. Fogem de Jesus, pois temem que suas obras más sejam descobertas e delas eles morrem de vergonha.

Jo 3.19-20 | 19E a condenação se baseia nisto: a luz de Deus veio ao mundo, mas as pessoas amaram mais a escuridão que a luz, porque seus atos eram maus. 20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima dela, pois teme que seus pecados sejam expostos.

O extraordinário amor de Deus se retém daqueles que têm outras coisas para amar.

 

  1. O extraordinário amor de Deus se repercute através daqueles que Deus escolheu amar (v. 21)

 

Não fosse pela iniciativa do amor de Deus, enviando Jesus (Jo 3.16) e levando a ele ovelhas com fé e arrependimento (Jo 3.8 e 6.65), todos nós continuaríamos amando as obras das trevas, odiando Jesus, escondendo os nossos pecados na escuridão do nosso coração e seguindo o caminho da justa condenação de Deus, pois nossas obras seriam más. Sem Jesus, permaneceríamos todos já condenados.

Graças a Deus, porém, que em Jesus Cristo nós fomos salvos da ira de Deus, e passamos a viver para a sua glória, para repercutirmos o extraordinário amor de Deus.

Jo 3.21| Mas quem pratica a verdade se aproxima da luz, para que outros vejam que ele faz a vontade de Deus.

Jesus nos salva com a verdade para nos fazer praticar a verdade; Jesus nos leva para a luz para nos fazer andar na luz; Jesus nos salva para nos fazer repercutir sua verdade, sua luz e o amor de Deus Pai, para que outros nos vejam vivendo para a glória de Deus e assim também desejem viver.

Todos nós temos um anseio de viver para algo maior do que nós: nossos desejos, nossos sonhos, nossos planos, nosso trabalho… enfim, nossos amores e nossas atitude nos comprovam essa realidade. Todos nós queremos algo que nos dê sentido e significado para viver. Jesus nos dá tudo isso. Ele nos salva com a verdade para nos fazer viver pela e para a verdade; ele nos leva para a luz para nos fazer andar na luz e irradiar a luz; ele transforma a nossa vida em espelho que reflete a glória de Deus.

O extraordinário amor de Deus se repercute através daqueles que Deus escolheu amar. A esses, ele concede salvação, significado e satisfação para viver hoje e eternamente.

 

O extraordinário amor de Deus

Natal é a festa cristã que celebra o amor de Deus,

enviando-nos Jesus para ser o substituto no lugar do pecador;

salvando-nos da justa condenação de Deus;

trazendo-nos luz para revelar quais são os nossos amores;

dando-nos salvação, significado e satisfação para viver.

É isto, portanto, que nós celebramos no Natal: o extraordinário amor de Deus — que envia Jesus, salva o pecador, traz a luz da verdade e da vida, e nos dá sentido para viver.

Você já provou deste amor? Já recebeu Jesus com arrependimento e fé?

Arrependa-se e creia em Jesus. Você receberá salvação e será transformado radicalmente — amará da forma como Deus nos amou (Jo 3.16); levará outros ao conhecimento da graça e da verdade de Jesus Cristo (Jo 3.17-18); amará a luz e não as obras das trevas (Jo 3.19-20); viverá para a glória de Deus e não a dos homens (Jo 3.21). O extraordinário amor de Deus, i.e., a vida e a obra de Jesus, nos salva e nos transforma radicalmente.

 

Arrependa-se e creia em Jesus. Saia daqui celebrando o extraordinário amor de Deus.

Esse, afinal, é o real sentido do Natal.

 

Feliz Natal!

Autor: Pr. Leandro B. Peixoto

Visite: http://www.ejesus.com.br

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Sobre Antonio C. Barro

É professor da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina. Formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos.

É o criador e editor do blog cristão: www.coisado.com.br

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