O propósito de Deus para a nova criação em Cristo

Neste sermão meditaremos sobre o propósito de Deus para a nova criação em Cristo.

Texto: Efésios 2:10

Objetivo:

  • Fazer com que o leitor (ouvinte) compreenda outras implicações da nova criação em Cristo.
  • O que ela demanda dos salvos enquanto peregrinos na terra.

Introdução:

É comum vermos nos nossos púlpitos uma abordagem à respeito da salvação muito mais voltada para a perspectiva de ir para o céu do que a de
melhorar o mundo a nossa volta. Aqui eu quero compreender a salvação não apenas como algo relacionado com aspectos finais, mas com o seu percurso; já que não podemos compreender a salvação só na perspectiva do céu e inferno: do tipo eu pequei, Deus me salvou agora vou pro céu; mas na perspectiva do propósito.

E compreender a salvação só na perspectiva do céu e inferno é na verdade uma postura que não passa de uma tentativa de fugir da realidade
que nos cerca, e que clama pela nossa ação concreta e não apenas discursiva. Tenho a impressão de que o nosso “desejo egoísta” de ir para o Céu
tende a nos cegar, e de alguma forma a nos tornar impotentes para aquilo que Deus espera de nós, como aqueles que fazem parte do seu projeto na
nova criação em Cristo. O texto que lemos, nos ensina várias lições, principalmente porque vem depois de uma abordagem contundente à respeito da salvação pela graça e não pelas obra.

Transição:

Mas eu quero destacar do texto, 3 lições que podem nos ajudar a
compreender os aspetos práticos dos propósitos de Deus para a nova
criação em Cristo; ou para a salvação, se você preferir.

O primeiro é:

  • I – Compreender que somos feituras de Deus

A) A palavra feituras (do greg. poiēma) que por sinal aparece apenas duas vezes no N.T. (neste texto e em Romanos 1:20), significa
obras de arte criada de Deus. O termo feituras aqui, além de obras de arte de Deus, nos remete também à nossa identidade, ao nosso valor e ao nosso significado. Àquilo que somos em nossa integralidade. Àquilo que representa a nossa origem e a essência da nossa vida.

B) Podemos assim, compreender que não somos obras do acaso nem ironia do destino, somos feituras de Deus, o célebre artista. E
dentre os vários textos bíblicos que atestam esta verdade, eu quero citar o do relato da criação que está em: Gênesis 1:27 – Que diz que fomos criados à imagem de Deus – macho e fêmea…(não macho e “depois” fêmea como alguns tentam sustentar, como forma superiorizar o homem sobre a mulher).

C) Aqui, é possível compreendermos que temos uma origem, uma identidade, um significado e um valor que pode ser vivenciado à partir da compreensão do propósito e do relacionamento harmonioso com o Criador. Assim, é requerido de nós – obras de arte de Deus, o combate e se
possível o dissipar de toda e qualquer ação que atente contra o ser humano cuja a vida é alvo da graça e do amor de Deus, de quem somos feituras.

Aplicação:

Por isso, precisamos celebrar a vida como o bem mais precioso que recebemos de Deus o grande artista. Porque em nós, a vida de Deus é evidenciada tanto ao sermos criados, quanto ao sermos salvos.

Transição:

No entanto essa verdade só se efetiva em nossa existência à partir de uma nova proposta de Deus na pessoa Cristo. Por isso, Paulo continua no verso 10 dizendo: criados em Cristo. Que nos leva para o nosso segundo ponto que é:

  • II – Compreender que fomos criados em Cristo Jesus.

A) O verbo “criar” (do greg. “Ktízō”que tem a mesma conotação do hebraico “Bara’” de Gênesis 1.1) aqui, dá a ideia de fazer surgir à partir de algo totalmente novo. Ou criar do nada. O que nos ajuda a compreender que só Deus é capaz de tal feito, e que seus propósito na nova criação em Cristo é de trazer a existência um povo à partir de uma perspectiva de vida totalmente nova. E essa nova perspectiva é a de vivermos como Cristo viveu.

B) Paulo aqui, nos faz lembrar o fato de que, por termos falhado em nossa missão como criação de Deus (conf. Ef. 2:1-3), em Cristo, Deus dá inicio à uma nova forma de se viver a vida. E em Cristo essa capacidade (de viver) nos é dada de graça por Deus. (conf. Ef. 2:4-5). Não apenas para irmos para o céu ou enchermos os bancos do templo, mas para cumprirmos os propósitos de Deus – um dos quais é a prática de boas obras.

C) Portanto, precisamos nos lembrar que à parte de Cristo, não temos a possibilidade efetuarmos nada que de fato agrade à Deus. Por isso Paulo escrevendo aos 2 Corintios 5:17 assenta: Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! (NVI).

Aplicação:

Por essas e outras dádivas que recebemos de Deus em Cristo, devemos nos alegrar. Fomos feitos novos em Cristo. Mas, não podemos nos esquecer que toda esta bondade de Deus em Cristo, é tanto para nos trazer para junto dEle quanto para nos levar ao cumprimento de seus propósitos enquanto passamos por esta terra.

Transição:

Por isso, Paulo continua no versículo 10, do nosso texto base dizendo: para as boas obras; ou seja: Para um propósito, que nos leva para o terceiro ponto da nossa mensagem.

  • III –  Para um propósito: a boas obras.

A) O propósito é a razão pela qual alguma coisa é criada. E o adjectivo atributivo (boas obras – do greg. “agathos ergon”) além de apontar para as ações concretas (produzidas por Deus em nós), também nos chama para os desafios éticos e morais da vida prática diária. Vejamos o que Paulo escreve à respeito desses desafios (na carta à Tito 2:11-14):

11 Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os
homens,
12 educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões
mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e
piedosamente,
13 aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do
nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,
14 o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda
iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente
seu, zeloso de boas obras. (ARA).

B) Paulo compreendendo que a prática da fé cristã demanda dos seguidores de Cristo uma série de responsabilidades, não termina sua abordagem nestes 10 primeiros versículos do capítulo 2 da carta aos Efésios com a forma como a salvação é processada em nosso ser, mas, avança com aquilo que ela (a salvação) demanda de nós, os salvos. Charles H. Spurgeon dizia que: Temos sido claros em relação ao fato de que não somos salvos pelas boas obras, mas precisamos igualmente ser claros em relação ao fato de que as boas obras são frutos necessários da salvação.

C) Ou seja, as boas obras não são só evidências da salvação mas parte (importante – não condicionante) da salvação (como atesta Tiago 2:26): Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, fé sem obras é morta. (ARA). Por isso, somos aqui, chamados a viver a vida em todas suas dinâmicas e desafios tal como Jesus. É claro que se olharmos para a realidade a nossa volta, só veremos caos, mas a pergunta que devemos fazer é: vamos para o céu ou ainda dá tempo de fazermos alguma coisa?

Aplicação:

Precisamos entender que não será possível mudarmos ou  influenciarmos o mundo à nossa volta só com bons discursos. Precisamos refletir Cristo em toda nossa maneira de viver. E nos atentarmos para a orientação de Jesus que está em Mt. 5:16, que diz:

16 Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens (não apenas
diante de Deus), para que vejam (e não apenas ouçam sobre) as
vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.
(grifos meus).

Transição:

Somos feituras de Deus, criados em Cristo Jesus para (um propósito) as boas obra…Portanto, para que tal realidade seja um fato em nossas vidas, precisamos:

Conclusão:

A) Compreender que nossa identidade, nosso valor e nosso significado tanto como seres humanos quanto como Cristãos, devem estar fundamentados no fato de que somos obras de arte de Deus, o criador. E, que fomos criados em Cristo para vivermos de acordo com os propósitos de Deus, um dos quais é a prática de boas obras.

B) Aprender que não existe separação entre uma vida santa e secular; ou seja não podemos ter vida dupla – ser uma coisa na Igreja e outra em
casa, na escola ou no trabalho; aprender que é possível cumprirmos os propósitos de Deus em todos os lugar em todas as esferas em que estivermos inseridos: ao sermos bons funcionários, ao pararmos de mentir, de furtar, e de sermos falsos; ao respeitarmos as leis, ao sermos fiéis ao nosso conjuge, e etc…É nos pequenos detalhes onde o propósito começa a ser realizado.

C) Entender que todos nós, Cristãos somos chamados para servir a Deus no mundo; cuidando do próximo em suas necessidades, como recomendam as escrituras. Somos chamados para cuidar de toda a criação. E por ser difícil comunicarmos o evangelho de forma eficiente sem que isso passe pelo nosso estilo de vida, já que aquilo que as pessoas vêm tem muito mais poder de convencer do que aquilo que elas ouvem, precisamos praticar as boas obras…

Que Deus nos abençoe em tudo através de Jesus, o Cristo.

Amém!

Autor: Jerónimo Tchitota Francisco.

Jerônimo é aluno do Curso de Graduação em Teologia Presencial da FTSA.

Conheça a Faculdade Teológica Sul Americana em: http://ftsa.edu.br

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Sobre Antonio C. Barro

É professor da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina. Formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos. É o criador e editor do blog cristão: www.coisado.com.br

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