Os Verdadeiros Convidados

Neste sermão vamos aprender sobre os verdadeiros convidados na Parábola da grande festa.

Texto bíblico:  Lucas 14.15-24 – Parábola da Grande Festa.

 INTRODUÇÃO

A Bíblia Sagrada, em todo antigo testamento, narra a promessa da vinda do Messias para a salvação do povo escolhido de Deus, que é o povo hebreu ou judeu.

No novo testamento ela trata já da consumação da promessa de Deus com a vinda do Messias Jesus Cristo de Nazaré. Nela podemos tomar conhecimento do nascimento, vida, ensinamentos, feitos, morte, ressurreição e a promessa de seu retorno para resgate da sua igreja para a vida eterna com a efetivação do Reino de Deus. Além de sua vida e obra aprendemos para quem ele veio: Para o povo de Deus! Essa afirmação nos trás alguns questionamentos: quem é verdadeiramente esse povo? Como esse povo o recebeu? O que fizeram com Ele? Serão mesmo só os judeus o povo de Deus?

Nessa parábola que estamos estudando, narrada por Jesus e descrita em Lucas 14,15-24 nos responde a esses questionamentos associando o Reino de Deus a uma grande festa. Essa é uma parábola que fala sobre a salvação de Deus através de Jesus, seu executor. Salvação para quem?

Vamos tentar aqui elucidar esses questionamentos e desvendar, através dessa parábola, o que Jesus nos fala a respeito dos verdadeiros convidados ou salvos.

Para melhor compreensão da parábola dividi esse estudo em três pontos, tendo como pano de fundo um assunto que agrada a todos, que é FESTA, quem aqui não gosta de uma festa?

  • O primeiro ponto apresenta Jesus para o seu povo que eram os judeus;
  • o segundo ponto sua rejeição por alguns do seu povo, principalmente os fariseus e os doutores da lei;
  • o terceiro ponto apresenta a graça de Deus sendo manifesta através de Jesus como os verdadeiros convidados para esta grande festa.

( Transição) Então para iniciar vamos ver que…..

1 – JESUS VEIO PARA OS JUDEUS

Todos sabemos, pelo Antigo Testamento, que o povo escolhido de Deus era o Judeu. Esse povo recebeu todas as chances possíveis, até impossíveis para se redimir e ser um povo vencedor. Mas durante toda a história bíblica, vemos um povo ingrato, rebelde e infiel, que buscou apenas as bênçãos de Deus e não o Deus das bênçãos. Um povo que teve o privilégio, a honra de receber a atenção e a misericórdia de Deus tentando coloca-lo no caminho certo para que através dele viesse Jesus o Cristo para salvá-lo em cumprimento à Sua palavra.

Em Mateus 15.24 Jesus conversa com uma mulher cananéia, em algumas versões diz mulher estrangeira, naquele contexto um judeu não falava com impuros, muito menos com uma mulher que nem era contada, quem dirá uma mulher estrangeira, Ele declara: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Desde o início vemos Deus trabalhando com eles, livrando-os, perdoando-os, restaurando-os e cuidado deles com amor arrebatador, mas imerecido e desprezado. Desde o princípio esse povo duvida de Deus, quer viver pelo seu próprio entendimento, até Abraão, amigo de Deus, exemplo de fé, chamado de “o Pai da Fé”, em que Deus prometeu que dele nasceria uma grande nação, não acreditou que teria um filho na sua velhice. Jacó, em quem Deus nomeou o seu povo como Israel, que quer dizer “o que luta com Deus” ou em outra tradução possível “Deus luta”, levou muito tempo até tomar o rumo certo, seus filhos então, só por Deus, sem falar de Davi, um dos que entendeu e levou uma vida digna foi José.

Tantos episódios de perdão e livramento, tantas lutas e tantas intervenções de Deus para que esse povo de “dura servis” chegasse a ser a nação prometida e hoje um país poderoso que é, não foram suficientes para que se dobrasse e adorasse única e exclusivamente o seu Deus. Deus na sua imensa misericórdia estabeleceu leis através de Moisés, chamadas “leis mosaicas”, para ajudar esse povo a caminhar, conviver, ter saúde, se multiplicar e encher a terra, porém essas leis adquiriram tamanha importância para esse povo que ficaram maiores que as pessoas, as quais ela deveria proteger e mais tarde maiores que o próprio Deus. Todos os meios eram válidos para proteger a lei, independente das pessoas, doa a quem doer, acabaram por cometer idolatria à lei tornando-se legalistas, hipócritas, soberbos, cruéis, materialistas, tudo ao contrário do que pregavam os profetas.

Nessa parábola vemos Jesus, certa vez, durante uma refeição em casa de um fariseu ensinando seus seguidores através de parábolas (ler 16 e 17). Além do convite que já tinha sido feito com uma certa antecedência, o anfitrião, como era o costume da época, ainda manda seu empregado ir e lembrar a cada uma dos convidados que a festa já estava armada.

O Buffet Planalto já havia preparado os comes e bebes, os docinhos, o salão já estava todo ornamentado e florido, a banda já estava pronta pra começar a tocar e tudo especialmente preparado para a ocasião, só estavam faltando os convidados chegar para a festa começar.

 (Transição) Mas o que aconteceu? Os convidados não compareceram e vimos então……

2 – JESUS REJEITADO PELOS JUDEUS

Apesar de todo esmero e cuidado do anfitrião no preparo da festa e escolher cuidadosamente quem ele queria que participasse dessa grande festa, esses convidados eram pessoas importantes e influentes, a elite, a nata da sociedade e eles simplesmente declinaram do convite com as desculpas mais esfarrapadas para justificarem suas ausências, numa clara evidência que o que eles queriam mesmo era atingir o anfitrião, com descaso e grosseria, dizendo, não cremos e não aceitamos esse Messias.

Agora, pensem comigo, Que investidor ou agropecuarista compraria uma fazenda sem vê-la antes de comprar? Quem, de bom senso, compraria um animal para o trabalho sem saber antecipadamente se ele é propício para o serviço?

Conheci um pastor que dizia que não orava mais para as pessoas adquirirem fazendas, pois depois que conseguiam, se afastavam da igreja, pois tinham que aproveitar os finais de semana para cuidar da fazenda, arrumar a cerca, vacinar gado,  e não lhes sobrava tempo.

Uma historinha só para descontrair, pois não é de culto que estamos falando e sim de algo muito mais importante, os convidados para participar do Reino de Deus, do qual Jesus é o seu consumador e governador e que aqui Ele compara esse Reino a uma grande festa.

Na verdade esse povo, o qual é chamado na Bíblia de o povo de Deus, se perdeu no seu caminhar, não entendeu nada a respeito dos propósitos de Deus. Menosprezaram, ofenderam e entristeceram seu “coração”. Por sua dureza de coração, legalismo e falta de sabedoria perderam o que seria a maior dádiva de Deus para sua vida, perder essa festa.

Eu diria que, é a mesma coisa que em um último jogo da final de um campeonato, no último minuto da prorrogação você vai bater um pênalti que decidirá a partida e o título de campeão e ainda sem goleiro e você chutar para fora.

Deus com toda sua graça, misericórdia e paciência enviou seu filho unigênito o Messias, com a missão salvar seu povo e instaurar seu Reino aqui na terra e disse que este Reino não era físico, eles não entenderam, Jesus declarou que destruiria o templo e em três dias o reconstruiria, novamente não o entenderam e o crucificaram.

Apesar dos ensinamentos, dos prodígios e maravilhas, das curas, das demonstrações de poder, de autoridade, de conhecimento da palavra de Deus, que não foram poucas, estavam cegos em seus delitos e pecados, como uma trave nos olhos, apoiados na lei mosaica, se achavam tão importantes e superiores que tinham certeza que essa festa não se realizaria sem eles. Jesus nos mostra que devido a isso muitos dos que foram convidados para a festa do Reino de Deus não estarão presentes. No contexto a referência é sobre os judeus que não aceitaram Jesus, pois há os que o aceitaram e levam sua palavra até os confins da terra.

(Transição) Assim aprendemos que Jesus veio para os seus, mas os seus o rejeitaram, então descobrimos que…

3 – JESUS VEIO PARA OS JUDEUS E PARA OS NÃO JUDEUS

Com a recusa de muitos dos primeiros convidados, que se achavam acima da lei, inatingíveis, assim, num ato de desprezo ao anfitrião não aceitaram o convite, então esse convite se estendeu, para os judeus desprezados pelos próprios judeus, ou por não pertencerem a nenhuma linhagem pura dos filhos de Abraão, ou por estarem marcados pela lei mosaica, pois traziam consigo consequências de pecados, crimes, impurezas, por executarem trabalhos ditos “indignos”, como coletor de impostos, coveiros, açougueiros, possuir uma enfermidade ou deficiência física, ou pelo simples fato de saberem, pela tradição, que pobres nunca são convidados a participar de festas.

Esses judeus desprezados são os segundos convidados e são chamados de proscritos (que quer dizer banido, exilado, desterrado, excluído, expulso), que acreditavam que não eram merecedores do convite, mas faziam parte da comunidade judaica.

E volta o servo e diz ao anfitrião que a festa ainda não estava completa, pela ira, o anfitrião, que insultado publicamente teve uma reação surpreendente de graça e misericórdia ordenando ao seu servo que saia dos limites da comunidade e alcance os fora da cidade, os do caminho, os gentios, assim, eu, você, nossos ascendentes e descendentes recebemos o direito de participarmos dessa grande festa (ler 21-23).

Kenneth Bailey, conferencista e escritor norte americano, analista na área do Novo Testamento, chama esta atitude do anfitrião de “demonstração visível inesperada de amor na humilhação”.

Isaías, 740 anos a.C. já havia falado sobre o Messias aos judeus, no capítulo 52.13-15 e 53.1-12, numa descrição tão impressionante e detalhada que nos choca e nos comprova o plano de Deus desde o princípio, comparando com o que conhecemos de Jesus podemos comprovar essa semelhança. Deus tem preparado essa grande festa deste o princípio, como Jesus está com Ele também desde o princípio e em sua onisciência sabia, de antemão, que nós os gentios (no Antigo Testamento: estrangeiros), herdaríamos o Reino através de Jesus.

Em Isaías 49.6b o Senhor diz: “Também te dei (Jesus) como luz para os gentios, para seres a minha salvação até a extremidade da terra”.   

Essa parábola da grande festa, na nossa cronologia, ainda não terminou, a ordem continua ativa e atribuída a todos nós, proscritos e gentios salvos, como herdeiros atendermos ao “ide” de Jesus, alcançando os desviados dos caminhos do Senhor, os gentios não alcançados, os desvalidos, os pobres e todo aquele que não enxergou ainda que a graça salvífica de Deus através da vida, morte e ressurreição de Jesus também é para ele.

CONCLUSÃO

“Felizes os convidados para a ceia do Senhor, de adentrarmos e permanecermos na Sua presença”, embora usada em outro contexto, a referência é verdadeira, felizes são os que participarão do Reino de Deus. Esta palavra nos ensina que somos os vencedores e mais que vencedores em Cristo Jesus, pois por sua graça adquirimos o direito de adentrarmos aos Santos dos Santos quando o véu que separava rasgou de cima a baixo no momento de sua morte na cruz do calvário. Através de sua morte e ressurreição adquirimos o direito de fazermos parte também dos “verdadeiros convidados” para a sua grande festa, de sermos livres dos pecados, livres das trevas e adentrarmos para o reino da luz e vivermos com Jesus a vida eterna. Aqui, não só os judeus proscritos, para os quais Jesus veio, mas também os gentios que foram adotados de última hora.

Creio que as indagações do início da pregação: quem é esse povo? Como esse povo o recebeu? O que fizeram com Ele? Serão mesmo só os judeus o povo de Deus? Para quem é a salvação? Foram respondidas, pois o povo de Deus somos todos que recebemos Jesus como nosso único e suficiente salvador e lutamos em pôr em prática a sua palavra. A conclusão obvia é que a salvação não é mais somente para o povo judeu, a graça foi estendida aos gentios, da qual me incluo, até a extremidade da terra, com lemos em (Isaías 49.6b).

Com vistas neste estudo, gostaria de animar a igreja de cristo e a todos que se sentiram alcançados a terem essa certeza, que fomos alcançados pela graça de Deus e que somos salvos em Cristo Jesus, verdadeiros convidados a participar de sua grande festa, assim, devido a essa graça, imerecida diga-se de passagem, devemos ser reflexo dos ensinamentos de Jesus, fortalecidos pelo Espirito Santo, no amor a Deus sobre todas as coisas.

Também no amor ao próximo como a nós mesmos, através do nosso comportamento, das nossas atitudes, no atendimento aos necessitados, na atenção ao excluídos, numa vida reta e digna, sendo honestos e diligentes em nossos negócios, pois a medida que fomos chamados para sermos luz no mundo e sal da terra, nos tornamos modelos, mesmo contra nossa vontade, para os não salvos que esperam ver em nós esse reflexo. Assim Deus nos capacita e nos envia.

Sejamos então luz e sal em todos os lugares onde formos colocados por Deus, em nossa casa, na nossa parentela, no nosso grupo de amigos, na comunidade cristã em que congregamos, no nosso bairro e assim por diante até os confins da terra.

Autor: José Maria Russo Vasco

Visite: www.ejesus.com.br

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Sobre Antonio C. Barro

É professor da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina. Formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos. É o criador e editor do blog cristão: www.coisado.com.br

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