Princípios bíblicos para uma vida feliz

A carta aos filipenses é considerada por muitos teólogos como a “Epístola da Alegria”. Isso pelo fato dessa carta que contém apenas quatro curtos capítulos apresentar a palavra “alegria” (sendo em forma de verbo ou substantivo) não menos que dez vezes. Portanto podemos considerar a “alegria” um assunto chave dessa epístola. No entanto, a circunstância que Paulo se encontrava no momento que ele escreveu essa carta não dava motivo para ele estar alegre. Há quatro anos Paulo tinha sido preso, e injustamente, por conta de acusações falsas feitas pelos judeus, que não aceitavam o fato dele testemunhar sobre Jesus. Eles se propuseram a não comer e beber enquanto Paulo não fosse morto (At 23:12), o que não ocorreu por Paulo ser cidadão romano e Cláudio Lísias tê-lo tirado das mãos dos judeus transferindo-o para Cesaréia afirmando que não encontrou nele nada que o condenasse a morte ou a prisão (At 23:25-29). Paulo somente não foi solto por ter apelado a César (At 26:31-32).

Com isso ele parte para a Roma, onde sofreu a humilhação de estar acorrentado ao soldado romano que lhe servia de guarda. Como se não fosse suficiente, ainda havia “crentes” em Roma que caluniavam o

apóstolo, e aspiravam à liderança na comunidade cristã. Essas pessoas não pregavam o evangelho com sinceridade, mas por inveja e porfia, causando contenda, julgando assim acrescentar sofrimento as suas prisões (Fp 1:15-17).  Ainda mais, Paulo deveria sentir-se  frustrado, pois as igrejas que ele fundara estavam sem os seus cuidados pastorais; os seus planos para uma vasta campanha missionária que o levaria até a Espanha estavam parados.

E, além de tudo, Paulo estava na véspera de comparecer perante Nero, o imperador, e, embora inocente, bem poderia ser condenado à morte. Diante de tudo isso, Paulo encontrava motivos que o mantinha feliz, mesmo diante de circunstâncias extremamente negativas. Vejamos alguns desses motivos que podemos aplicar as nossas vidas para obtermos uma vida feliz.

-> Ler Texto: Filipenses 4:10-13

1) A GRATIDÃO DE PAULO (v.10):

Nesse momento da carta, Paulo demonstra sua gratidão pelos donativos materiais enviados pelos cristãos da igreja de Filipos através de Epafrodito. É importante se atentar ao fato que esse foi o motivo imediato que levou a formulação da carta, porém é somente no final da carta que Paulo fala concretamente sobre a dádiva material. Antes ele se sentiu impelido a falar de assuntos muito mais preeminentes. A gratidão de Paulo não está centrada na soma dos donativos materiais, mas sim no cuidado e carinho que a igreja de Filipos teve para com ele. Paulo também não se demonstra nem um pouco remoído pela demora. Pelo contrário, se mostra compreensivo em saber que eles se preocupavam com ele, mas ainda não tinham tido a oportunidade de demonstrar essa preocupação, mas quando surgiu à oportunidade eles aproveitaram.

A gratidão é algo que nos gera felicidade. Isso me lembra do filme infantil “Robôs”: toda vez que Rodney Lataria (personagem principal) crescia e tinha que trocar suas peças, seu pai sempre dava peças de segunda, não por ser mesquinho, mas por que ele realmente não tinha condições de dar algo melhor. Mas no final do filme, quando ele conseguiu realizar o sonho dele de trabalhar com o Grande Soldador e se realizar profissionalmente, ele abraça seu pai e o agradece dizendo: “eu sei que você sempre se preocupava pelo fato de não poder dar peças de primeira pra mim, mas você me deu o melhor, que foi acreditar em mim”. Eu creio que isso ilustra bem o sentimento de gratidão de Paulo para com os filipenses. A alegria de saber que mesmo na situação que ele se encontrava, tinha pessoas que se importavam e acreditavam nele. Elas não tinham condições de libertá-lo da prisão, mas tinham como demonstrar seu apoio, o que foi feito através dos donativos. O coração grato traz à sensibilidade de se atentar as coisas boas, mesmo diante de momentos ruins. A GRATIDÃO TORNA O QUE É RUIM ALGO PERIFÉRICO, LOGO CENTRALIZA O QUE É BOM.

2) A SIMPLICIDADE DE PAULO (v.11-12):

Paulo, apesar de estar preso, não se considera necessitado, ele se contentava com aquilo que tinha, mesmo em situação de miséria. Paulo, por diversas vezes passou por situações desse tipo, como perseguição, fome, sede, frio, padecimentos físicos, tortura mental, etc. (At 14:19; 16:22-25; 17:13; 18:12; 20:3; capítulos 21-27; II Co 4:11; 6:4-5; 11:27-33).

No entanto, também conhecia o outro lado da moeda. Antes da sua conversão, Paulo era um fariseu importante com um futuro promissor. Ele possuía abundância, e isto de várias maneiras. Porém, mesmo depois de convertido teve momentos de refrigério, conhecendo, em certo sentido, o que era abundância. (At 16:15-40; 16:33-34; 20:11; 28:2; Fp 4:15-18).

Todavia ele não permitiu que a situação material que se encontrava definir seu pensar e seu agir.

Como ele conseguiu isso? Paulo diz expressamente que ele APRENDEU a viver contente em qualquer situação. Essa expressão verbal, empregada unicamente aqui em todo o Novo Testamento, está relacionada com o tema mistério. Ou seja, Paulo está dizendo que ele aprendeu o segredo de se contentar em qualquer situação. E isso através das experiências que ele obteve ao decorrer de sua vivência. Paulo identifica-se muito com Cristo, que aprendeu a obediência através do sofrimento (Hb 5:8) e que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus (Fp 2:5-6). Paulo não chegou a idealizar a pobreza e nem se deixou ofuscar pelo brilho sedutor da riqueza. Por outro lado, soube ser pobre sem sentir-se vítima e souber viver possuindo recursos materiais de boa consciência. A SIMPLICIDADE NÃO TEM HAVER COM CONDIÇÃO FINANCEIRA, MAS SIM COM O SE CONTENTAR COM O QUE SE TEM NO MOMENTO.

3) A SUFICÊNCIA DE PAULO EM CRISTO (v.13):

Aparentemente parece que Paulo cometeu um equívoco nesse verso.

Quando Paulo afirma no verso 11 que ele aprendeu a se dar por satisfeito com aquilo que se encontra, a tradução literal para “satisfeito” é “ser auto-suficiente. Com o tópico “auto-suficiência”, Paulo apresentou um conceito central da doutrina de vida cínico-estóica. Não se pode ter certeza absoluta se Paulo tinha consciência disto, uma vez que essa palavra, no mais, era de uso bastante frequente, constituindo um dos ideais da época. O aspecto especial do enunciado paulino, entretanto, somente se evidencia plenamente sobre o pano de fundo da ideia estóica da auto-suficiência.

Também o ideal do estóico é ser auto-suficiente, independente, livre, sem deixar-se atingir pelas circunstâncias e situações do destino. Assim a auto-suficiência é para ele (o auto-suficiente) algo em direção a que ele se educa a si mesmo. A serenidade frente às circunstâncias é uma questão da sua vontade. Seria tolo pedi-la de uma divindade. Somente o trabalhar em si mesmo é que torna o estóico livre e, com isto, feliz.

Paulo diz outra coisa. Seu “tudo posso” sem dúvida lembra o “ser auto-suficiente em tudo”. A continuação, porém, é completamente estranha ao estóico: “por intermédio dAquele que me dá força”. Não é a força e a autodisciplina de Paulo que o faz superior, mas é Cristo que o segura. Por isso ele não tem necessidade de dissimular sua própria fraqueza e humanidade, não precisa transforma-se em algo especial ou mesmo num super-homem. Justamente em sua fraqueza é que se evidencia o poder de Cristo (II Co 12:9). Tudo quanto Paulo possa fazer, ele o faz em Cristo (Fp 3:9), pela presença do Espírito Santo que nele habita e pela ação do mesmo Espírito mediante a fé, em vital união e íntima comunhão com seu Senhor e Salvador. A graça de Cristo lhe é suficiente e Seu poder repousa sobre ele (II Co 12:9). Para Paulo, o Senhor é a fonte de sabedoria, de encorajamento e de energia, realmente infundindo nele força para toda necessidade. É por essa razão que o Apóstolo pode dizer: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando sou fraco, então é que sou forte.” (II Co 12:10). SE NOSSA SUFICIÊNCIA NÃO ESTIVER EM CRISTO, NOSSA FELICIDADE ESTARÁ SOMENTE EM MOMENTOS PASSAGEIROS, E QUE FACILMENTE SERÃO SUFOCADOS PELOS MAUS DIAS.

CONCLUSÃO

É maravilhoso de ver como o apóstolo Paulo, que passou por tantos momentos de extrema escassez, por não colocar sua miséria num pódio, mas focar no que era bom e no que realmente importava, desenvolveu um coração grato. Também permaneceu simples, tanto na pobreza quanto na abundância, pois aprendeu o segredo de se contentar com o que tinha em cada um desses momentos. E tudo isso porque Cristo era a fonte que o mantinha forte, mesmo nos momentos que ele se sentia fraco. Ser feliz não significa que não haverá momentos de tristeza, momentos de extrema melancolia. Ser feliz é ter a paz que o mundo não conhece, a paz que vem de Deus, e que leva a pessoa a agir que nem Paulo agiu.

Foi essa paz que levou muitos mártires cristãos a cantarem louvores a Deus diante de mortes horrendas, deixando o imperador romano confuso e enfurecido e todo coliseu perplexo. A mentalidade que muitas vezes é difundida na igreja de que “Deus vai dar um basta no seu sofrimento”, tem feito muitos crentes se iludirem e se frustrarem. Ao contrário disso, Jesus diz: “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham bom ânimo! Eu venci o mundo”. (Jo 16:33). As dificuldades serão constantes em nossas vidas. Mesmo diante delas devemos aprender assim dia a dia a demonstrar a gratidão, viver de maneira simples e manter a comunhão com Cristo, pois da mesma maneira que Cristo superou toda a adversidade, ao ponto de manter firme mesmo diante de uma das mortes mais horrendas, que é a cruz, carregando os pecados da humanidade, Ele também nos dará forças para vencermos nossas adversidades. É isso nos trará paz e condições de viver uma vida verdadeiramente feliz.

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