A promessa de Emanuel

No Natal nós lembramos de que Deus continua assegurando: “Eu garantirei a salvação; e ela estará disponível por meio de um filho, por meio do Emanuel; eu sou Deus contigo”.

Falar e ouvir são transitórios e fugazes […]. […] Ao contrário da escrita, o discurso em andamento é em geral incorrigível. Mortimer J. Adler. Como Falar, Como Ouvir, p., 16. 10 E continuou o SENHOR a falar com Acaz, dizendo: 11 Pede ao SENHOR, teu Deus, um sinal, quer seja embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas. 12 Acaz, porém, disse: Não o pedirei, nem tentarei ao SENHOR. 13 Então, disse o profeta: Ouvi, agora, ó casa de Davi: acaso, não vos basta fatigardes os homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus? 14 Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel. 15 Ele comerá manteiga e mel quando souber desprezar o mal e escolher o bem.
16 Na verdade, antes que este menino saiba desprezar o mal e escolher o bem, será desamparada a terra ante cujos dois reis tu tremes de medo.

Introdução

Quase oitocentos anos depois de Isaías profetizar, Mateus escreveu o seguinte em
seu Evangelho sobre José, então noivo de Maria:

20 Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. 22 Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). 24 Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. 25 Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus (Mt 1.20-25). 1.1 A profecia de Isaías 7.14 foi cumprida plenamente, por ocasião do nascimento de Jesus. 1.2 E José só compreendeu o milagre que Deus estava operando em Maria, depois de ser divinamente lembrado daquela profecia. 2 Daqui a pouco, ouviremos uma mensagem musical acerca deste Emanuel — Deus conosco. Aliás, este é o próprio nome de nosso coral adulto. Antes dos cânticos, porém, convido você a olhar para a profecia de Isaías.

Prestemos atenção neste texto e percebamos, em primeiro lugar, que…

Deus falou a um povo paralisado por incredulidade e medo 10 E continuou o SENHOR a falar com Acaz, dizendo: 11 Pede ao SENHOR, teu Deus, um sinal, Isaías | A promessa de Emanuel | p. 2 quer seja embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas. 12 Acaz, porém, disse: Não o pedirei, nem tentarei ao SENHOR. 13 Então, disse o profeta: Ouvi, agora, ó casa de Davi: Acaso, não vos basta fatigardes os homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus?

Originalmente, Isaías profetizou a um rei de Judá, chamado Acaz. Na ocasião, a nação estava sendo atacada, ao mesmo tempo, por Rezim, rei da Síria
e por Peca, rei do Israel do Norte, também chamado Efraim (Is 7.1). Esse levante é conhecido, na história de Judá, como “guerra sírio-efraimita”.1
Muita coisa estava em jogo.  O povo de Deus, apertado por dois opositores, temia ser riscado do mapa. Acaz era descendente de Davi. Se Judá fosse eliminado, cairia por terra a própria promessa da aliança, do envio de um Rei Eterno, da linhagem de Davi, como lemos em 2Samuel 7.16. E Acaz, tinha dificuldade de acreditar nas promessas de Deus (cf. a palavra de Isaías a Acaz, em Is 7.4). Nesse sentido, em Isaías 7.9, Deus desafia Acaz a crer: “[…] se o não crerdes, certamente, não permanecereis”.

Para confirmar a firmeza de sua intenção de proteger Judá, como lemos nos v. 10-11, “[…] continuou o SENHOR a falar com Acaz, dizendo: Pede ao SENHOR, teu Deus, um sinal, quer seja embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas”. Deus ordena a Acaz que peça por um sinal, que suplique por um milagre. E nessa súplica, Acaz reconheceria que o socorro de Judá viria de Deus. Acaz, por sua vez, não acata a palavra profética, como lemos no v. 12: “Acaz, porém, disse: Não o pedirei, nem tentarei ao SENHOR”. Esta resposta de Acaz a Isaías parece bem espiritual. Ele diz que não quer
“tentar ao Senhor”. Parece que ele está sendo zeloso da lei, aparentemente cumprindo.Deuteronômio 6.16: “Não tentarás o SENHOR, teu Deus […]”.
Na verdade, Acaz está usando a lei de Deus como escudo para sua incredulidade. Ele recebe o comando de Deus, pelo profeta, ordenando que ele suplique ao Senhor por um milagre, e ele desobedece ao comando de Deus, citando outro trecho da Palavra de Deus, a fim de acobertar sua falta de fé.
Resumindo, em Isaías 7.10-16, Deus está falando a seu povo, mas este está paralisado por incredulidade e medo.

 

Além disso, em segundo lugar…

II Deus prometeu ao seu povo um sinal de salvação 13 Então, disse o profeta: Ouvi, agora, ó casa de Davi: Acaso, não vos basta fatigardes os homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus? 14 Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá e dará à luz  a um filho e lhe chamará Emanuel. 15 Ele comerá manteiga e mel quando souber desprezar o mal e escolher o bem. 16 Na verdade, antes que este menino saiba desprezar o mal e escolher o bem, será desamparada a terra ante cujos dois reis tu tremes de medo. A palavra de Isaías, no v. 13, revela a indignação do próprio Deus, diante da incredulidade de Acaz: “Então, disse o profeta: Ouvi, agora, ó casa de Davi [uma palavra a Acaz e a todos os nobres de Judá]: Acaso, não vos basta fatigardes os homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus?”

Aleluia! Deus continua insistindo em seu plano redentor, apesar de nossa incredulidade!

Mesmo diante da relutância de Acaz em pedir um sinal, Deus diz que realizará um milagre, como lemos em seguida.
No v. 14, Deus afirma que o sinal será um menino, filho de uma jovem de Judá: 14 Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel. Isso se cumpre literalmente em Jesus Cristo, como eu disse antes, ao mencionar Mateus 1.20-25. Mas isso se cumpriu também na época do profeta Isaías, de uma maneira muito especial. Deus está prometendo que, naquele contexto de medo da morte, de destruição iminente, ele garantiria a vida. Como sinal disto, uma jovem teria um filho, e este filho representaria uma verdade profunda.
Esta verdade seria comunicada pelo nome do menino, que seria chamado “Emanuel” (que, como explica Mateus, quer dizer Deus conosco).
Entendamos que, no texto hebraico, a palavra traduzida como “virgem” (ʿǎl·mā(h)), pode também ser traduzida como “menina”, indicando uma “mulher jovem”. E o fato de não ser mencionado seu marido, configura este menino que nasceria no tempo de Isaías como um tipo de Jesus, que nasceria 800 anos depois.2

Duas coisas são ditas além disso:

Primeira:

Judá não apenas não será destruído, mas também, Deus sustentará seu povo com abundância (v. 15): “Ele comerá manteiga e mel [ou seja,
a criança será provida com abundância; um dos sofrimentos de uma nação subjugada pelos inimigos é a fome das crianças] quando souber desprezar o mal e escolher o bem” [para os judeus, isso acontece entre dois e três anos de idade; o menino comerá bem aos dois ou três anos de idade].

Segunda:

Esses dois reis, diante de quem Judá está tremendo de medo, serão destruídos antes mesmo dessa criança completar três anos de idade. É o que consta no v. 16: “Na verdade, antes que este menino saiba desprezar o mal e escolher o bem, será desamparada a terra ante cujos dois reis tu tremes de medo”. E a profecia se cumpriu literalmente. Menos de três anos depois, tanto a Síria, quanto Efraim, foram desarticulados — a ameaça contra Judá foi desfeita, mas lamentavelmente, por causa de sua incredulidade, Acaz e sua casa não seriam beneficiados com o desfrute das promessas de
salvação (cf. v. 17).

Repetindo, Isaías 7.10-16, Deus está falando a seu povo, mas este está paralisado por incredulidade e medo; mesmo assim, Deus promete ao seu povo um sinal de salvação. Mas o desfrute desta salvação exige fé. E quando entendemos isso, podemos concluir…

Concluindo…

Foi assim na época de Acaz. E foi assim na época de José, no primeiro século. Diferente de Acaz, oitocentos anos antes, José, também descendente de Davi, acreditou na Palavra de Deus sobre o Redentor que nasce da jovem. E na época de José, o sinal foi ainda maior, porque não apenas Jesus nasceu de uma jovem, mas Jesus nasceu de uma virgem. Ele foi concebido pelo Espírito Santo no ventre de Maria.  É assim hoje. Como os judeus na época de Acaz, olhamos em volta, e há muita coisa que nos faz ter medo. Deus continua insistindo conosco: “Aquieta-te, não temas, nem desanime o teu coração; esses obstáculos aparentemente enormes e poderosos, não passam de coisas pequenas diante de mim; não passam de tocos” (Is 7.4).
Deus continua insistindo: “Se não crerdes, não permanecereis” (Is 7.9).

E Deus continua insistindo: “Suplica por socorro” (Is 7.11).

E Deus continua assegurando: “Eu garantirei a salvação; e ela estará disponível por
meio de um filho, por meio do Emanuel; eu sou Deus contigo”.

Eu oro para que, diante desta revelação tão preciosa, de Deus conosco, o Espírito Santo
nos conceda a graça de crer em Jesus Cristo, protagonista e Senhor do Natal.

Amém.

 

Autor:  Pr. Misael Nascimento

Visite: http://www.ejesus.com.br

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Sobre Antonio C. Barro

É professor da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina. Formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos.

É o criador e editor do blog cristão: www.coisado.com.br

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