Se Cristo não tivesse ressuscitado . . .

A historia do nosso calendário é um estudo muito interessante. Os Romanos criaram um calendário no século 7 antes de Cristo com somente 10 meses e 304 dias e que começava com março. Quando descobriram que não dava certo, acresentaram janeiro e févereiro, mas ainda assim precisavam intercalar um décimo-terceiro mês de dois em dois anos. Em 45 a.c. Júlio Cesar optou por um calendário exclusivamente solar. Este calendário, chamado o calendário juliano, fixou o ano em 365 dias, e incluiu um ano bissexto de 4 em 4 anos, porque de fato o ano solar tem 365 dias, 5 horas, 48 min. e 45.5 segundos. Júlio César, sendo um homem humilde e modesto como os outros imperadores romanos (?!) mudou o nome do mês Quintilis para “Júlio” (julho). Outro imperador chamado Augusto féz o mesmo com o mês Sextilis. Pode advinhar qual foi o novo nome?

Infélizmente o calendário juliano ficou 11 min. e 14 segundos mais comprido que o ano solar. Esta divergência acumulou através dos anos até que, em 1582, houve uma diférença de 10 dias entre o calendário e a posição atual do sol. Assim sendo, as féstas religiosas como Páscoa e Natal occorreram em épocas erradas. O papa Gregorio XIII féz um decreto eliminando 10 dias do calendário! O calendário dele, chamado o calendário gregoriano, foi adotado aos poucos na Europa. Mas quando finalmento foi oficializado na Inglaterra em 1752, precisava-se de mais um ajuste de 11 dias. Naquele ano, o dia depois do dia 2 de setembro foi o dia 14!

É interessante saber como o nosso calendário tem sido influenciado através dos séculos por pessoas e eventos. Mas talvez a pessoa mais influente em toda a história do nosso calendário encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. O nascimento dele mudou a contagem dos anos: Para nos, é 2004 d.c. “depois de Cristo” ou A.D. (ano Domini, ano do nosso Senhor).

Jesus Cristo tambem mudou o nosso calendário na sua morte e ressurreição. Se Cristo não tivesse ressuscitado, nosso calendário seria muito diferente. Além das féstas religiosas que celebramos, como Natal, Páscoa, Corpus Cristi e outros, os próprios dias da semana refletem a importância da sua ressurreição. Não mais o sábado, mas o domingo, o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição, um dia diferente, separado, é o dia reservado para cultuar a Deus. Celebramos a Páscoa, e celebramos cada domingo, porque a ressurreição de Cristo é o ALICERCE da nossa fé. O primeiro dia, o Dia do Senhor, é uma lembrança de novidade de vida, de esperança, do fato que agora sou uma nova criatura, que tenho vida verdadeira.

CONTEXTO: Foi esse fato que levou o apóstolo Paulo a corrigir alguns erros finais da Primeira Igreja Problemática de Corinto. Na passagem famosa que trata da ressurreição de Cristo, 1 Cor. 15, Paulo explora o que seria “Se”—Jesus não tivesse ressucitado. “Se” Cristo não ressuscitou . . . entãao o que…?

O texto se divide em 3 partes:

I. 7 Resultados da Não Ressurreição de Cristo (12-19)

II. 4 Argumentos pela Ressurreição de Cristo (20-50)

III. 3 Implicações Práticas para nossas vidas (51-58)

Aparentemente, algumas pessoas estavam negando a possibilidade da ressurreição dos mortos. Talvez foi a influência de Platão e seu dualismo entre material e espiritual, que considerava tudo que era material como podre, ruim. Por isso, alguns não tinham interesse na ressurreição do corpo. Alguns acreditavam em aniquilação da alma. Outros numa absorção no espírito eterno. Ainda outros, em reencarnação. Todos negaram a doutrina fundamental da fé cristã na ressurreição dos mortos.

I. 7 Resultados Se NÃO há Ressurreição . . . (12-19)

Consideremos a proposição, “Se Cristo não ressuscitou . . .” Se Cristo não tivesse ressuscitado dos mortos, não é somente o calendário que seria muito diferente. As nossas proprias vidas seriam eternamente afetadas. Voce já pensou nisto? Como a minha vida e a sua vida seriam diferentes se Cristo não tivesse ressuscitado, se os mortos não ressuscitam? Ler 12-19

1. Cristo não Ressuscitou (12,13)

Não faz sentido afirmar que o corpo é ruim, que não é possível voltar a viver num corpo humano, e ao mesmo tempo dizer que Cristo não ressuscitou. Embora um corpo claramente diferente, Cristo teve um novo corpo—comia, bebia, podia ser tocado. Não era fantasma!

2. Pregação é Fútil (Vã, Boba, Ridícula) (14)

Uma perda de tempo! Como dirá mais tarde, se não há ressurreição, “comamos, bebamos, pois amanhã morreremos”! (32). Pregação de um Messias morto não faz sentido.

3. Fé é Vazia (14, 17)

Também não faz sentido crer num Cristo morto. O que adianta? O que um defunto pode fazer por nós?

4. Somos Mentirosos (15,16)

Pior que o fato de que enganamos a nós mesmos, é o problema de enganar a outros. Seria um crime dos piores, dar esperança falsa de que um dia as pessoas veriam seus queridos antepassados, se de fato nunca mais os encontrariam. Seria o auge de crueldade enganar essas pessoas. Dizemos que “a esperança é a última a morrer”, mas quando morre, é terrível. Sem ressurreição, não há mais esperança!

5. Permanecemos em Nossos Pecados: Condenados! (17)

Uma das piores consequencias é simplesmente isso. Sem a ressurreição de Cristo, não ha certeza de perdão de pecado. Por que? Cristo morreu pelos nossos pecados; somos salvos pelo sangue derramado na cruz. Mas um problema: Como saber se foi suficiente? Como ter certeza que Deus foi satisféito? Que realmente fomos perdoados? Que TODOS os pecados foram cobertos? Pela ressurreição! (15:3,4) Parte central do evangelho: Cristo morreu pelos nossos pecados, e ressuscitou.

Quantos cordeiros você se lembra no VT que voltaram a viver uma vez que foram sacrificados? Ressuscitaram? Nunca? Por que não? Se tivessem ressuscitado implicaria que não precisariam de mais sacrificio pelos pecados. De fato, o sacrifício foi repetido continuamente!

A importancia da ressurreição é que é uma prova, uma garantia, uma segurança, de que TODOS os pecados foram pagos. Cristo carregou sobre si os nossos pecados. Se tivesse sobrado só um, teria ficado morto, porque o salário do pecado é a morte! Mas ressuscitou. Deus acabou com nossos pecados! Pagou o meu débito! Estou livre!

Sl. 103:3a, 10-12 “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões”

Nosso Cristo não ficou na cruz! A ênfase em algumas religiões está num Cristo MORTO, ainda na cruz. É uma maneira sútil de controlar, manipular o povo–com incerteza, insegurança; a necessidade de mais e mais obras. Purgatório traz as mesmas implicações. Representa um pagamento continuo que ainda precisa ser feito.

Nada disso é mais necessário. Cristo pagou tudo, e a ressurreição é a prova mais segura deste fato. Não ha mais pagamento ou sacrificio pelos pecados!

6. Os Antepassados são Perdidos (18)

Este segundo resultado e uma consequência do primeiro. Se permanecemos nos nossos pecados, então precisamos morrer. E quando morremos, realmente perecemos. Foi isso que Paulo disse em Romanos: “Porque o salário do pecado é a morte.”

Pense nas implicações: Quando esta vida terminar, só nos resta o castigo eterno pelos pecados. Nunca mais veremos a luz do sol, ouviremos a melodia de canto, sentiremos o cheiro de sal e agua nem ouviremos o ritmo das ondas batendo no mar. Não há esperança de outra vida. Somos perdidos! Eternamente separados de tudo que é bom.

Nunca mais encontraremos com os antepassados. A esposa que perdeu seu marido depois de tantos anos de casamento nunca mais encontrará com ele. Os pais cujo filho foi acidentado não têm esperança de uma reunião futura. O filho que já perdeu a mãe para câncer nunca mais a verá.

Mas há esperança, sim. Todos os instintos naturais do homem lhe ensinam de que há uma vida depois desta. I Ts. 4:13-18 “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim tambem Deus mediante Jesus trará juntamente em sua companhia os que dormem . . . seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros, com estas palavras.”

7. Somos Tolos (Perdemos a Razão de Viver (19, cf. 32)

Vs. 19 é um resumo dos outros argumentos negativos se Cristo não ressuscitou. Se permanecemos nos pecados (não há perdão), se perecemos quando morremos (não ha esperanca), então o que adianta? Por que continuar? Qual o propósito? Qual o valor?

Existe um poster com um homem fazendo Cooper, escrito: “Estou fazendo tudo para prolongar a minha vida, na esperança de que, algum dia, vou descobrir porque.”

Por que? Se nada tem valor permanente! Se tudo é transitório. Somos nada mais de animais! (Essa é a conclusão lógica a que a teoria da evolução chega). O que importa! Todos morrem, nada será lembrado. Não há nenhuma garantia que todos as coisas cooperarão para o bem. Não há justica. O que resta é sobrevivência dos mais fortes. Nenhuma garantia. A vida é um absurdo, sem propósito, objetivo ou alvo. É cada um por si.

Só existes dois tipos de vidas coerentes, lógicas: Cristão totalmente comprometido, ou pagão totalmente voltado para prazer. Somos BOBOS por estarmos na igreja, se Cristo não ressuscitou! Vamos para a praia, comamos, bebamos, adulteremos, matemos, se amanhã morreremos, se não haverá uma ressurreição! Vamos sugar tudo que nos resta nesta vida miserável! (32)

II. 4 Argumentos pela Esperança Cristã (Cristo Ressuscitou, Sim 20-50)

Depois de mostrar as implicações lógicas de não-ressurreição, Paulo traça 4 argumentos pela esperança do cristão na ressurreição. São argumentos teológicos, escatológicos, lógicos, e naturais.

A. Argumento Teológico (20-22)

O primeiro argumento é que nós também temos esperança de ressurreição, porque pela fé somos identificados com Cristo em sua ressurreição, assim como fomos identificados com Adão em sua morte. A chave está na frase “em Cristo” e “em Adão.” Todos nós fomos incluídos, presentes, em Adão, quando ele pecou. Todos nós morremos junto com ele. Da mesma forma, “todos” que estiverem “em Cristo” poderão gozar da Sua ressurreição. Jesus é as “primícias” de ressurreição, pois Ele foi o primeiro a morrer e ressuscitar (sem morrer outra vez)! Quando nós nos agarramos nEle, como nossa única esperança de vida eterna, somos cobertos da justiça e da vida dele. A morte dEle, nossa morte para pecado e seu castigo. A vida dEle, nossa nova vida. Enquanto identificados com Ele, teremos a vida dEle.

B. Argumento Escatológico (23-28) (Da ordem final das coisas)

Paulo explica alguns dos últimos eventos para esclarecer dúvidas sobre os detalhes de ressurreição. Em termos da ordem dos últimos eventos, temos:

1) Cristo ressurreto (primícias, uma garantia)

2) Ressurreição dos santos do período do NT, na volta dEle (quando nossos corpos serão reunidos com nosso espírito, no arrebatamento)

3) O final do Reino Milenar, quando Cristo entregará tudo ao Seu Pai.

Todos esses eventos finais dependem de ressurreição, para pôr justiça no universo! Caso contrário, nunca haverá justiça.

C. Argumentos Lógicos (29-34) (Bom senso!)

1. Batismo não faz sentido! (29)

(Alguém já calculou que há pelo menos 39 interpretações desse versículo!) Mas quando consideramos seu significado mais claro e simples, no contexto, não parece tão difícil. Batismo significa identificação. No batismo nós nos identificamos com Cristo em sua morte e ressurreição. Também nos identificamos com a família da fé, a igreja, multidões de pessoas que também se identificaram com Jesus em sua morte e ressurreição. Mas espere—não faz sentido ser batizado, identificado com Cristo em sua morte, e ainda sair das águas. Se Cristo só morreu, fique debaixo da água! Se você está seguindo o exemplo de homens e mulheres da fé que já morreram, mas nunca mais viverão, o que adianta? Não faz sentido! O batismo se torna um ritual ridículo. Neste sentido, quem se batiza “por causa dos mortos” (identificação com Cristo e outros na família da fé que já morreram) sem a possibilidade de ressurreição cometem uma loucura. Mas Cristo ressuscitou, sim, e por isso saímos das águas batismais!

2. Sofrer por Cristo não faz sentido (30-32).

Se não há esperança de recompensa, se não há outra vida, se o Evangelho é oco, por que sofrer como Paulo sofreu? Que falso proféta, charlatano, sofreria tanto por uma mentira? Não faz sentido, especialmente para os fundadores de uma religião. A única filosofia de vida que faz sentido é hedonismo—viver para hoje, pois amanhã morreremos. Mas o cristão pode comer e beber com sentido, na certeza de que tudo vale a pena!

3. Parêntese: Exortação (Vida relaxada não faz sentido) (33,34)

Nesse momento Paulo abre um parêntese, para fazer uma exortação.

Se nós temos uma razão de viver, vamos viver com razão! Somos cercados por pessoas que não conhecem a Cristo, que vão morrer eternamente. Temos que acordar, e viver uma vida que vale a pena ser vivieda, à luz da eternidade!

D. Argumentos Naturais: A Natureza de Corpos Diferentes (35-50)

Finalmente, Paulo oferece alguns argumentos da natureza. Respondem às perguntas sobre a POSSIBILIDADE de ressurreição. Ele passa do mundo natural para o mundo espiritual.

1. Sementes (36-38). Nova vida somente segue a “morte” no mundo vegetal.

2. Corpos físicos (39). Existem diferentes tipos de carne, corpo, entre homens, animais, pássaros e peixes. O fato de existir um corpo espiritual não deve nos supreender. Faz parte do tecido do universo.

3. Corpos celestiais (40-41). Existem diferenças até nos corpos celestiais: o sol, a lua, as estrelas, os planetas, todos exemplificam a vasta criatividade divina. Se Deus pode fazer distinção entre corpos celestiais, certamente poderá fazer diferenças no corpo humano.

4. Conclusão (42-50). No final, ele aplica essas ilustrações para o corpo humano. Haverá continuidade e descontinuidade. Será nosso corpo, mas será muito diferente.

*Corrupção para incorrupção *Desonra para glória

*Fraqueza para poder *Natural para espiritual

III. 3 Implicações Práticas da Ressurreição de Cristo

Como bom pregador, Paulo termina com aplicações bem práticas para os leitores. A ressurreição de Cristo faz uma diferença enorme em nossas vidas! Veja as implicações:

A. Transformação Instantânea (esperança!) (51-53)

Um dia, nossa luta há de terminar. Alguns serão ressurretos. Outros, nem morrerão! Acontecerá sem nenhum aviso prévio. Um momento, terrestre, o outro, celestial, imortal. Longe de nós a dor, o cansaço, o sofrimento, as lágrimas, as discussões, o stress, o desânimo e depressão.

B. Triunfo Final (sobre pecado e morte) (54-47)

Melhor ainda, finalmente experimentaremos o que Cristo fez por nós na cruz. A morte, para nós, morrerá! Será engolida. Será derrotada, uma vez para sempre. Não mais ficaremos debaixo da sombra da morte, do medo que produz, do seu sofrimento. Nós que estamos “em Cristo” seremos libertos do pecado e da morte para todo sempre. Só vida. Vida eterna. Vida com Jesus. Jesus absorveu o golpe de Satanás, a farpa ficou nEle, e não em nós!

C. Trabalho Compensador (58)

Por isso, temos razão de viver! Temos uma vida com propósito. Comamos, e bebamos, pois amanhã viveremos! Vida faz sentido. A vida tem sentido. Nosso serviço por Cristo será eternamente lembrado. Nós não morreremos. É um investimento que ninguém pode roubar! Trabalhemos por Cristo, firmes, inabaláveis, abundantes no serviço dEle.

Celebremos porque Cristo ressuscitou! Cada domingo! Jesus mudou o calendário, e deve mudar as nossas vidas. Temos perdão dos pecados; Temos esperança de vida eterna e reunião com os antepassados em Cristo; temos propósito para nossas vidas. Esta é causa para celebrar!

A ressurreição de Cristo é a nossa Razão de Viver

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