Série: A essência do evangelho – A prova de Amor

Neste sermão aprenderemos sobre prova de amor.

 

João 3.16

“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.”

 

Recapitulando

Semana passada, nós demos início a uma série de mensagens neste que é um dos textos mais conhecidos de toda a Bíblia.

Não é difícil ver por que João 3.16 é um dos mais famosos, mais memorizados e mais queridos versos em toda a Palavra de Deus. Embrulhado nesse pequeno trecho sagrado estão as realidades mais importantes da existência; isto é: Deus, amor, fé e eternidade. Não pode haver outra coisa mais preciosa em toda a nossa vida! Não é verdade?

Pense um pouco. O que poderia ser tão ou mais importante que essas coisas? O que seria mais urgente e prioritário do que Deus, do que o amor, do que a fé e do que a eternidade? Há sim uma dezena de outras coisas importantes na vida, mas nada é mais importante do que Deus, amor, fé e eternidade.

É tudo tão inegociável que, todo dia e toda hora, nós vemos pessoas (e até nós mesmos) idolatrando alguma coisa ou alguém (deus); buscando o amor e a aprovação de outros (amor); ansiando por uma palavra de motivação e de esperança para viver (fé); também, é claro, debatendo com a realidade da morte e a vida além (eternidade).

Todos lidam com essas coisas. Deus, amor, fé e eternidade são os “top quatro” na escala de valores, por isso essa sequência de sermões em João 3.16 é tão importante para todos.

 

A essência do evangelho   

Estamos chamando essa série de mensagens de “A essência do evangelho”, pois João 3.16 não somente lida com as questões essenciais da vida (Deus, amor, fé e eternidade), como também apresenta um resumo maravilhoso do evangelho de Jesus Cristo.

João 3.16 é um extrato concentrado da mensagem da graça de Deus, um xarope que tonifica a alma, fortalecendo-nos para encarar e para viver as principais realidades da vida.

Jo 3.16| “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Dissemos na semana passada que estudaremos:

  • O risco de perecer
  • A prova de amor
  • A exigência de fé
  • A promessa de vida eterna

 

O risco de perecer

Na semana passada, aprendemos com João 3.16 que perecer significa, essencialmente, padecer eternamente sob a ira de Deus, com infindáveis e indescritíveis tormentos. Perecer é existir sem desfrutar de qualquer graça e amor divinos. É padecer sob a justa condenação de Deus.

O inferno é real e, ao se falar dele, não se busca assustar nem se impor medo ou terror. A motivação é o amor; é o desejo de alertar para o caminho da paz e da salvação na hora do medo, pois todos, naturalmente, de uma forma ou de outra, tememos a morte.

A prova de amor

Contra o risco de perecer sob a ira de Deus, há o projeto divino de nos salvar da morte ou do castigo eterno; isto é: o amor de Deus. Paulo entendia que esse amor é o único meio de alguém escapar do risco de perecer, tanto que ele declarou o seguinte:

Rm 5.9-10 | 9 Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda, por meio dele, seremos salvos da ira de Deus! 10 Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida.

O amor de Deus é a nossa única salvação. O amor de Deus nos salva da ira de Deus. Não é isto que está explícito em Romanos 5.9?

Pois bem, para compreendermos melhor a realidade e a qualidade desse amor divino nós focaremos nas insondáveis e profundas verdades que estão declaradas aqui em João 3.16.

 

1. Há um Deus

João 3.16 começa assim: “Porque Deus…”

Lemos a afirmação de que há um Deus. Deus existe.

Tudo o que o Senhor Jesus fez, a forma como ele viveu e as coisas que ele disse estavam absolutamente saturados com a consciência da existência e da presença de Deus. Jesus era “Deuscêntrico” (teocêntrico)!

Tudo começa com Deus. Não se apresse diante dessa verdade.

Pare, pense e proclame a si mesmo: “Há um Deus”. O mundo foi criado por esse Deus. Todas as coisas no universo dependem dele. Elas são preservadas e sustentadas por ele. Antes da matéria sempre houve Deus.

Nós, seres humanos, somos todos criados à imagem e conforme a semelhança de Deus criador e sustentador de todas as coisas. Temos consciência, senso de justiça, capacidade de apreender coisas espirituais, conseguimos nos comunicar, sentimos prazer, criamos, produzimos, amamos e muito mais… Tudo porque há um Deus e fomos todos criados por ele e para a glória dele (Is 43.7).

Há um Deus e o sentido da minha e da sua vida só se torna completo quando nós o conhecemos de todo coração e refletimos a sua glória com toda empolgação em tudo o que fazemos.

 

2. Deus tem um Filho

João 3.16 diz que “Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito…”

Esta é outra realidade impressionante. Jesus nos ensina que Deus tem um “Filho Unigênito”. Para os muçulmanos, por exemplo, isso soa como blasfêmia. Eles dizem que se é verdade, Deus deve ter tido relações sexuais com um anjo ou com uma mulher.

Realmente é surpreendente a afirmação de que Deus tem um Filho – o Primeiro e Único Filho (primogênito e unigênito do Pai). Pense sobre isso por um momento. Não passe voando sobre essa verdade, assumindo-a como um conceito já tão comum aos cristãos. Estamos diante de uma realidade maravilhosa e crucial para a nossa salvação da perdição eterna.

Jesus é o Filho Unigênito de Deus! Chamando-o assim, Deus o distingue de todos os outros que foram criados ou adotados como filhos. Por exemplo: os anjos são chamados de “filhos de Deus” (Jó 1.6) e os cristãos também (Rm 8.14-16). Anjos são chamados de “filhos de Deus” pelo fato de terem sido por ele criados; nós somos “filhos de Deus” por termos sido criados e adotados na família de Deus pelo Espírito e através de Jesus Cristo.

No entanto, o “Filho Unigênito” (o Único Filho gerado) não é filho por criação ou por adoção, mas por “geração”. Agora, cuidado! “Geração” não no sentido de “criação”, mas simplesmente como analogia de algo que está infinitamente além de nossa capacidade de compreensão. A expressão carrega uma verdade crucial e C. S. Lewis, como sempre, captou bem essa realidade ao dizer assim:

 

Coelhos geram coelhos; cavalos geram cavalos; seres humanos geram seres humanos, não estátuas ou retratos; e Deus gera Deus – não seres humanos nem anjos.

O “Filho Unigênito” de Deus é Deus; não um Deus, mas Deus.

Jo 1.1-2 | 1 No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. 2 Ele estava com Deus no princípio.

Cristo, o Filho Unigênito e Eterno de Deus, tornou-se carne e habitou entre nós, sem, contudo, deixar de ser Deus:

Jo 1.14 | Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.

Ele sempre existiu como Deus, encarnou-se, viveu entre nós, morreu e ressuscitou sem jamais deixar a sua gloriosa divindade.

Hb 1.3-4 | 3 O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas, 4 tornando-se tão superior aos anjos quanto o nome que herdou é superior ao deles.

Nunca houve um tempo em que o Filho não existisse; jamais houve um instante em que Deus Pai não tivesse “gerado” Deus Filho e não fossem ambos unidos em amor na personificação de Deus Espírito.

 

Mas, como pode ser?

Jonathan Edwards, em um tratado não publicado sobre a Trindade, nos ajuda a entender esse mistério, afirmando:

Esta, suponho eu, é a sagrada Trindade sobre a qual lemos nas santas Escrituras. O Pai é a divindade que subsiste na forma primá­ria, não originada e mais absoluta, ou seja, a divindade na sua existência direta. O Filho é a divindade gerada pelo entendimento de Deus, ou pelo conceito de Deus acerca de si mesmo, e subsiste nesse conceito. O Espírito Santo é a divindade que subsiste no ato, ou na essência divina fluindo e sendo soprada no amor infinito de Deus e no seu deleite em si mesmo. E creio que a essência divina como um todo subsiste verdadeira e distintamente tanto no conceito divino quanto no amor divino e que cada uma delas é uma pessoa propriamente distinta.

O Filho de Deus é a imagem ou o conceito eterno que Deus tem de si mesmo, e a imagem que ele tem de si mesmo é tão perfeita, completa e plena a ponto de ser a reprodução (ou geração) viva e pessoal de Deus, o Pai. Essa imagem viva e pessoal (resplendor ou ou forma de Deus) é Deus, ou seja, Deus, o Filho. Portanto, Deus, o Filho é coeterno com Deus, o Pai, e igual a ele em essência e glória. Entre o Filho e o Pai, surge eternamente uma comunhão de amor pessoal infinitamente santa. John Piper diz assim:

A própria essência divina flui e é como que soprada em amor e alegria. Portanto, Deus se revela em mais uma forma de subsistência, procedendo desta a terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo.

Em outras palavras, o Verbo eterno (a Palavra) é o “Filho Unigênito” e coeterno com o Pai, coexistindo em perfeito amor e deleite mútuo.

Há, portanto, um Deus e Deus tem um Filho Unigênito.

 

3. Deus ama

João 3.16 diz que “Deus tanto amou…”

Jesus revela que o Deus que existe ama. Pare e pense por um instante. Deixe o seu coração de molho nessa inigualável afirmação: Deus ama.

De todas as coisas que nós poderíamos dizer sobre Deus, que fique destacada essa verdade: Deus ama.

João, que escreveu João 3.16, também escreveu três cartas e o Apocalipse. Na primeira carta, ele diz que “Deus é amor” (1Jo 4.8). Sendo Deus, em essência, amor, podemos concluir que faz parte do seu DNA dar o que ele tem de melhor (que é a si mesmo) e servir em benefício do outro.

Deus ama. Deus é amor. Quem não ama dessa forma, quem não ama como Deus ama (doando-se e servindo ao próximo), não pode dizer que conhece a Deus!

1Jo 4.7-8 | 7 Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 8 Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.

De volta a João 3.16, nós podemos ver de forma mais específica o que significa esse amor e também como é amar desse jeito.

Jo 3.16 | Porque Deus tanto amou… que deu o seu Filho Unigênito…

O advérbio “tanto” não descreve quantidade de amor, mas a forma de amar. É tão verdade que a versão Almeida Revista e Atualizada da Bíblia traduz “tanto” como “de tal maneira”. João não está destacando o muito que Deus amou, mas o jeito como Deus amou. Como?

Deus amou dando o seu Filho Unigênito para morrer.

O amor de Deus é custoso, é doloroso, é poderoso e é operoso.

Deus ama. E é como Deus que nós devemos amar.

 

4. Deus ama o mundo

Há um Deus. Ele tem um Filho. Esse Deus ama o mundo dando o seu Filho Unigênito para morrer:

Jo 3.16 | Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito…

A forma desse amor não é percebida apenas no valor infinito daquilo que ele é capaz de entregar (o Filho Unigênito), mas também na rebeldia daqueles para quem se entrega tanto valor (o mundo).

Rm 5.7-8 | 7 Dificilmente haverá alguém que morra por um justo, embora pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. 8 Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores [obstinados em permanecer errando o alvo].

O contexto de João 3.16 agrava ainda mais o estado do mundo para o qual Cristo veio e morreu, descrevendo a rebelião do povo contra Deus no deserto (Jo 3.14-15).

 

Mas, o que eles fizeram de tão horrível? Está lá no livro de Números.

Nm 21.4-6 | 4 Partiram eles do monte Hor pelo caminho do mar Vermelho, para contornarem a terra de Edom. Mas o povo ficou impaciente no caminho 5 e falou contra Deus e contra Moisés, dizendo: “Por que vocês nos tiraram do Egito para morrermos no deserto? Não há pão! Não há água! E nós detestamos esta comida miserável!” 6 Então o Senhor enviou serpentes venenosas que morderam o povo, e muitos morreram.

Diante dessa tragédia, o povo se arrepende e, por intermédio de Moisés, clama a Deus pedindo socorro (Nm 21.7). Deus, então, age com graça e amor:

Nm 21.8 | O Senhor disse a Moisés: “Faça uma serpente e coloque-a no alto de um poste; quem for mordido e olhar para ela viverá”.

Da mesma forma, Deus ama o mundo e providencia um meio amoroso e todo gracioso de resgatá-lo da perdição eterna. Veja:

Jo 3.14-16 | 14 Da mesma forma como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do homem seja levantado, 15 para que todo o que nele crer tenha a vida eterna. 16 “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito…

Portanto, quando João 3.16 diz: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito…” isso significa que Deus deu o Filho para um mundo incrédulo, rebelde, ingrato, envenenado pelo pecado, morto em suas transgressões… caminhando rumo ao inferno.

Deus amou esse mundo. Ele amou a mim e a você.

 

5. Para que todo o que

Em João 3.16, nós vimos que:

1. Há um Deus

2. Deus tem um Filho

3. Deus ama

4. Deus ama o mundo

Tudo isso “para que todo o que”!

Jo 3.16 | “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Não há maior prova de amor!

 

A prova de amor

O objetivo do amor de Deus é “levantar” Jesus diante dos nossos olhos, é erguê-lo e exaltá-lo no meio deste mundo de pecadores, saturados de si mesmos, de todos os tipos de perversões e de vaidades, de todos os tipos horríveis de pecados, nos níveis mais baixos de depravação… da mesma forma que a serpente foi levantada “no alto de um poste” no deserto, para nos atrair para a salvação (Jo 12.32-34).

É verdade que, entre os que me ouvem, há aqueles que sabem que veem carregando o veneno da serpente do pecado em suas veias; alguns até já enxergam o seu fim, a sua morte eterna. É para esses a mensagem do evangelho nesta noite.

O evangelho é para pecadores que se reconhecem necessitados de perdão; é para doentes que reconhecem a necessidade de cura; é para os dependentes e os escravos (os obsessivos compulsivos do pecado) que reconhecem a necessidade de libertação.

Diante de tão grande prova de amor, o que fazer?

  • Não olhe para você, olhe para Jesus.
  • Não olhe para outros, olhe para o Filho Unigênito de Deus.
  • Não olhe para a religião, olhe para o amor do Pai.
  • Não olhe para este mundo, olhe para a promessa de que todo o que nele crer não perecerá, mas terá a vida eterna.
  • Guie-se, paute-se por essas verdades!

O amor de Deus revelado a nós em Jesus Cristo nos transformará para sempre. Dando-nos…

Salvação

Santificação

Satisfação

Rm 5.5 | (…) a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.

 

O que isso significa?

Significa que o mesmo amor que o Pai tem pelo Filho e que o Filho tem pelo Pai, através do Espírito Santo, também está no coração de todo o que crê em Jesus Cristo.

  • Tudo em nós é transformado.
  • Nossas alegrias passam a ser as do Pai pelo Filho e do Filho pelo Pai.
  • Nossos desejos, a mesma coisa.
  • Nosso amor, do mesmo jeito.
  • Conhecer o Pai e o Filho em amor será o nosso maior deleite.

Além de salvos da perdição eterna, além de salvos para a vida eterna, nós começaremos a ser capazes de amar como Deus tanto amou.

Prove do amor de Deus em Jesus Cristo.

Creia e a sua alma viverá.

Jo 3.16 | “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Não há maior prova de amor!

 

Autor: Pr. Leandro B. Peixoto

Visite: http://www.ejesus.com.br

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Sobre Antonio C. Barro

É professor da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina. Formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos. É o criador e editor do blog cristão: www.coisado.com.br

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