Transformação da mente no século XXI

Neste Sermão vamos aprender sobre a transformação da mente no século XXI.

Texto : Romanos 12:1-8

Objetivo do sermão: explicar sobre a importância da transformação da mente e suas implicações.

Introdução

O texto que se encontra em Romanos 12 é bastante conhecido quando se fala de renovar a mente para mudar o comportamento, seguir os padrões de Deus, ser um verdadeiro cristão e assim por diante. Ao olharmos para a fé cristã no Brasil atualmente, encontramos vários traços teológicos herdados de outros países. É importante relembrar a influência Ocidental europeia e posteriormente norte-americana sobre nossa teologia e cultura.

Quando os europeus chegaram ao Brasil e se depararam com os nativos sem vestimentas, com costumes diferentes, incriminaram aquele modo de viver como descivilizado e fora dos padrões bíblicos. Assim, foi ensinado inicialmente que tudo o que se referia à cultura nativa ou cultura dos povos africanos por exemplo, era algo ruim.

Entretanto, em um passado não muito distante, o entendimento teológico começou a mudar e um momento importante para tal foi o Pacto de Lausanne de 1974, no qual encontramos a seguinte afirmação:

“O evangelho não pressupõe superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas.”

E no livro “Igreja tô fora!”, Ricardo Agreste acrescenta: “Por um lado, na cultura podemos encontrar flashes da imagem e semelhança de Deus nos seres humanos. Por outro lado, nela também podemos encontrar valores e hábitos que refletem a desconexão entre eles e o Criador.” p. 40

Pensando nisso, é importante identificar os aspectos positivos e negativos que encontramos em nossa cultura brasileira no século XXI. Por exemplo: muitas pessoas, principalmente estrangeiras, destacam a hospitalidade que encontram no Brasil. Sem dúvidas, ser hospitaleiro condiz com o Evangelho. Por outro lado, vivemos em uma sociedade consumista e egoísta, na qual, ter é mais importante do que ser e tudo é válido para alcançar seu objetivo, inclusive passar por cima de outras pessoas.

Os aspectos positivos podemos e devemos absorver, já os negativos, não podemos nos conformar a eles. É justamente essa ideia que podemos encontrar no trecho de Romanos. Quando o apóstolo usa a palavra “mundo” (aiōn – αἰών) traz a ideia de era, período de tempo, cultura. Então não devemos nos amoldar aos aspectos negativos, mas precisamos passar por uma transformação da nossa mente.

 

  • A renovação das nossas mentes acontece quando reconhecemos nossas limitações e nos oferecemos completamente a Deus

(v. 1-2)

Vamos ser sinceros, por mais que a gente tente, arduamente, a gente não consegue ser exatamente da forma que nós queremos. Seja no trabalho, entre amigos ou familiares. Nunca conseguimos ser tão bons quanto gostaríamos.

Já ouvi sobre alguns métodos radicais para conseguir atingir metas, como por exemplo, punições pesadas, perdas significativas. Isso na intenção de forçar a si mesmo a não desistir ou não perder.

Isso é o ser humano tentando ser perfeito. Sabemos que isso vai ser falho. Por isso é importante reconhecermos nossas limitações, reconhecermos que somos dependentes de Deus.

Quando nossa mente é renovada, temos implicações, consequências. A primeira delas é experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

  • Experimentar a boa, perfeita, agradável vontade de Deus (v. 2).

Falar de boa, perfeita, agradável vontade de Deus é falar sobre uma vida em abudância. É experimentar a salvação em todos os aspectos da vida: espiritual, emocional, pessoal, relacional. A vontade de Deus é que todos alcancemos a salvação (1 Timóteo 2:3-4).

Esse conceito de vontade de Deus é um pouco mais amplo do que a ideia da vontade de Deus em nossa vida como uma linha. E às vezes em vez de linha reta, nossa vida parece um crochê, dá várias voltas, caminhos que não entendemos e nem imaginamos. Claro que existem momentos que temos a certeza de que deveria ter acontecido aquilo e é porque foi um propósito de Deus, mas nem sempre é assim.

Por isso que o entendimento da vontade de Deus como salvação em todos os aspectos da vida parece ser mais adequado.

Uma das perguntas que mais inquietam a humanidade é “quem eu sou?” e uma mente renovada ajuda nesse aspecto da vida pessoal. Portanto, essa é a segunda consequência, mente renovada gera auto-conhecimento.

  • Reconhecer quem somos sem arrogância ou menosprezo (v. 3)

O problema da crise de identidade é algo que parece bastante comum atualmente. Principalmente quando pensamos na juventude. Somos bombardeados por informações sobre quem devemos ser e por vezes isso confunde sem percebermos. Porém, o apóstolo exorta que cada um deve ter conceito equilibrado sobre si mesmo (verso 3).

Uma forma de compreendermos melhor quem nós somos e o sentido da vida, além de saber o que as Escrituras dizem sobre o propósito de Deus para a humanidade, é importante convivermos em comunidade. Como diz Ricardo Agreste: “O exercício da espiritualidade no contexto comunitário nos protege de sermos consumidos pelo orgulho ou nos afundarmos na baixo auto-estima”.

Conviver em comunidade é um desafio, porque nos deparamos com outras pessoas imperfeitas como nós. Por outro lado, essa imperfeição nos ajuda a ver a graça de Deus com todas as pessoas. E justamente por causa da graça de Deus, chegamos a terceira implicação: quando temos uma mente renovada, nos engajamos com outras pessoas.

  • Engajamento com outras pessoas (v. 4-8)

Ainda lembrando do que escreve Ricardo Agreste: “O propósito principal de Deus, através da igreja, não é criar um grupo de pessoas que propaguem e divulguem suas virtudes enquanto indivíduos, mas sim, as virtudes de Deus em amá-las, perdoá-las e restaurá-las através da obra de Jesus Cristo.” Isso é muito intrigante no Evangelho, existe redenção e restauração para todos.

Em meio a uma sociedade na qual as pessoas são condenadas e rotuladas para sempre, em Jesus temos nova vida. Como Igreja, somos responsáveis de envolvermos com outras pessoas e levar essa mensagem de amor por meio dos dons dados por Deus. Sejam eles quais forem: ensino, contribuição, encorajamento, etc. Engajar-se por meio dos dons significa cumprir com a Missio Dei, propagar a reconciliação em Jesus.

Conclusão

No século XXI, vivemos em uma cultura que possui aspectos que demonstram flashes a respeito do Criador. Ao mesmo tempo em que vemos reflexo da desconexão do ser humano com Ele, que levam a morte, destruição, egoísmo. Desses aspectos precisamos ter uma mente renovada. A renovação acontece quando nos oferecemos completamente a Deus e reconhecemos nossas limitações. Como consequência dessa renovação, experimentamos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus; conhecemos melhor a nós mesmos; e nos engajamos com outras pessoas cumprindo com a Missio Dei.

Autor: Felipe Nakamura. Egresso de Teologia da Graduação Presencial da FTSA.

Acesse: http://www.ejesus.com.br

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Sobre Antonio C. Barro

É professor da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina. Formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos. É o criador e editor do blog cristão: www.coisado.com.br

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