Vícios, Ídolos e Escravidão; Uma estreita relação?

Neste sermão vamos aprender sobre vícios Ídolos e Escravidão; uma estreita relação?

Texto: Isaias 44:15-21

Introdução

O ferreiro apanha uma ferramenta e trabalha com ela nas brasas; modela um ídolo com martelos, forja-o com a força do braço. Ele sente fome e perde a força; passa sede e desfalece. O carpinteiro mede a madeira com uma linha e faz um esboço com um traçador; ele o modela toscamente com formões e o marca com compassos. Ele o faz na forma de homem, de um homem em toda a sua beleza, para que habite num santuário.

Ele derruba cedros, talvez apanhe um cipreste, ou ainda um carvalho. Ele o deixou crescer entre as árvores da floresta, ou plantou um pinheiro, e a chuva o fez crescer. É combustível usado para queimar; um pouco disso ele apanha e se aquece, acende um fogo e assa um pão. Mas também modela um deus e o adora; faz uma imagem e se curva diante dela. Metade da madeira ele queima no fogo; sobre ela ele prepara sua refeição, assa a carne e come sua porção. Ele também se aquece e diz: “Ah! Estou aquecido; estou vendo o fogo”. Do restante ele faz um deus, seu ídolo; inclina-se diante dele e o adora. Ora a ele e diz: “Salva-me; tu és o meu deus”.

Eles nada sabem, nada entendem; seus olhos estão tapados, não conseguem ver, e suas mentes estão fechadas, não conseguem entender. Para pensar ninguém para, ninguém tem o conhecimento ou o entendimento para dizer: “Metade dela usei como combustível; até mesmo assei pão sobre suas brasas, assei carne e comi. Faria eu algo repugnante com o que sobrou? Iria eu ajoelhar-me diante de um pedaço de madeira?” Ele se alimenta de cinzas, um coração iludido o desvia; ele é incapaz de salvar a si mesmo ou de dizer: “Esta coisa na minha mão direita não é uma mentira?” (Isaías 44:12-20 NVI)

Na pós modernidade convivemos com pelo menos três grandes tendências dominantes e influentes, três forças capazes de ditar o ritmo e a direção da vida, hábitos, costumes, moda, o perfil do homem atual, e até o modelo de família, assim como regras e formas de influência, três deuses extremamente venerados, cultuados e adorados,  que exercem domínio escravisador,  uma força destruidora e silenciosa, como esses ídolos exercem tanto poder? Eles dominam por causa da presença silenciosa, mas poderosa que se esconde por traz de todo ídolo: o próprio Satanás.

  • Consumismo:

A dinâmica do consumismo, e aquela que diz que para você ser alguém ou algo você precisa ter, nesta ótica somos aquilo que temos, aquilo que consumimos, preços, grifes, nomes e marcas, réplicas, e afins, cada vez mais este mercado que destruiu muitas vidas continua sendo cultuado é adorado, ostentação  e a palavra de ordem, é possível você encontrar réplicas de cantores de rappers, com correntes penduradas no pescoço, o colorido das roupas, a forma de falar, gesticular e  até o jeito de andar, se não pode se pagar o preço, fazemos algo similar. Por viver essa dinâmica  de consumismo sem racionalidade muitas vão se endividando, perdendo sua identidade e seu significado original, já não somos a pessoa que o RG diz, mas aquela que o mercado dita. Muitos vivem em depressão por não poder adquirir, ou por não poder pagar, cada vez mais o que denominamos de capitalismo selvagem se alimenta das vidas e energias de seus adoradores fiéis.

  • Hedonismo:

Um dos casos mais recentes por exemplo de Hedonismo: é Andressa Urach, a aplicação de hidrogel, com a finalidade de buscar perfeição corporal…o que a deixou muito perto da morte,  mas este é apenas mais um caso em um universo amplamente difundido é cultuado pela geracional atual, outra grande tendência é o roubo de imagens feitas em smartfones particulares, onde fotos íntimas (…) ou selfies  com ares de sedução, a erotização exagerada,  e provocação tem seduzido e arrastado centenas de milhares de jovens para esta maneira de ser,  inclusive algumas e alguns tendo um fim trágico como o suicídio, jovens que depois de serem filmadas em situações íntimas, tem seus vídeos ou imagens espalhados pela mídia, transtornando sua vida e a de seus familiares…, a busca por corpos perfeitos, a intensa busca do  prazer imediato, curtição, adoração ao deus ego..

  • Materialismo:

Que é o vício  em atividades, trabalhos, é a  escravidão a uma atividade ou estado mental que controla e torna-se o centro da vida, que opõem a verdade de tal maneira que até mesmo as más consequências não trazem arrependimento, conduzindo a um distanciamento cada vez maior de Deus. (Welch, Edward T. 2001)

O amor ao dinheiro, o vicio no trabalho, a ganância, o apego excessivo aos bens materiais e as coisas, a busca incessante e desesperadora por status, a dominação e a busca desenfreada por realizar coisas que nos exaltem e nos glorifique. Nos entregamos a pessoas e coisas para obtermos o que queremos e desejamos, dificilmente este sentimento tem a finalidade de glorificar a Deus, mas unicamente de satisfazer seus desejos próprios, quer sejam Liberdade, alivio, realização, vingança e muitas outras coisas.

Transcrição literal:

“Minha esposa, me disse que eu tinha que fazer uma escolha, a cocaína ou ela. Antes que ela terminasse a frase, eu sabia o que estava por vir e pedi que ela pensasse bem no que iria dizer. Estava claro para mim que não havia uma escolha. Amo minha esposa, mas eu não escolheria colocar nada acima da cocaína. É doentio, mas esse foi o desfecho da situação. Nada é ninguém se colocam entre eu e a minha cocaína”

Esta frase aconteceu em um encontro do tipo A A, grupos de auto ajuda para aqueles que desejam vencer o vício, mas gostaria de levá-los a usar qualquer outra palavra no lugar de cocaína, podemos usar por exemplo, trabalho, sexo, bebida, carreira profissional, sonhos pessoais do tipo que não incluem a família, ministério?, enfim…tantos outros vícios e ídolos pessoais.

Quero falar com você, sobre a força do vício, que é capaz de nos fazer  escravos, e tornar nossas pretensas necessidades em ídolos pessoais, capazes de levar qualquer indivíduo responsável ao descontrole total de sua vida, espiritual, emocional, psicológica,  afetiva e material,  que tem afetado até aqueles que embora conheçam a Deus, adoram e veneram deuses alheios à ele, no escrutino de seus corações, A idolatria Ocidental raramente constroem deuses visíveis, Edward Welch em seu livro vícios um banquete na sepultura afirma que para se detectar estes ídolos precisamos começar pela compreensão de que ídolos no Antigo Testamento eram expressões concretas e físicas de lealdades e compromissos novos que foram estabelecidos no coração humano (Ez 14:3).

Em recente pesquisa realizada pela MTV 2008 entitulado “o Dossiê Universo Jovem” realizadas com jovens de 14 a 30 anos com margem de erro de 2 pontos percentuais pra amais e para menos, a beleza se tornou de uma vez por todas um valor assumido, 37% definiram como principal característica de sua geração: “ser vaidoso, preocupado demais com a aparência”; 8% declararam que :”certamente estariam dispostos a ser 25%menos inteligentes se pudessem ser 25% mais bonitos”, e outros 7%

Declararam que: provavelmente abririam mão de 25% de sua inteligência em troca da mesma porcentagem em beleza”, uma definição no mínimo curiosa deve ser compartilhada por partir do próprio grupo pesquisado e não de algum profissional em psicologia (O jovem brasileiro é: válidos, consumista, individualista, acomodado e impaciente)

1.Tudo começa com uma necessidade legítima, mas correspondida de forma ilegítima:

(vs 15-17)

“A partir desta perspectiva, a natureza verdadeira dos vícios, é que escolhemos sair dos limites do reino de Deus e procurar bênçãos na terra dos ídolos, ao nos voltarmos aos ídolos, estamos dizendo que desejamos algo da criação mais do que desejamos o Criador “ Welch, Edward T. Vícios:um Banqueta no Túmulo, encontrando esperança no Poder de Deus.

I – O que deveríamos, mas não nos atentamos:

Deus como supremo provedor de nossas vidas está atenta a cada detalhe de nosso viver (vs 1-4), Neste momento Deus está afirmando a seu povo seu cuidado, sua provisão e sua atenção aos detalhes mais ínfimos e íntimos das necessidades de seu povo, algumas palavras que devem nortear nosso pensar sobre este assunto:

* Eu sou o que formou

* Eu sou o que te criou

* Eu sou o que te ajudo

II – O que devemos refletir:

– Que buscar respostas e realizações que não sejam em Deus significa, de forma geral que pensamos não poder confiar  plenamente em Deus para recebermos o que precisamos, então vamos em busca das bênçãos de outros deuses.

– Caminhos mais curtos e fáceis para alcançarmos a satisfação de nossos desejos, ainda que estas práticas nos escravizem, deixando-nos a sua mercê através dos vícios que vão se estabelecendo e nos dominando silenciosamente dia após dia.

– Que o domínio próprio sobre nossos desejos físicos ou psíquicos é um exercício de fé em Deus, e que dura a vida toda.( Gál. 5:23) inclusive uma das características da ação do Espirito de Deus sobre nossas vidas.

III – E provavelmente o resultado disto se tornará em vício:

– O fato é que não queremos crer na verdade que já conhecemos, mesmo quando conhecemos a verdade, nem sempre queremos que ela oriente nossa vida, ao conhecer a verdade precisamos desejar realmente que ela oriente nossa vida. Amados vício aqui não se define apenas por elementos tóxicos, mas comportamentos e atitudes até estilos de viver podem também se enquadrar nesta definição de vício. Incrivelmente já há especialistas em terapias relacionadas à tecnologia,  nesta categoria encontramos as que se relacionam a smartfones e mídias sociais. E que tem despertado muita atenção pelos danos que vem causando, danos cognitivos e diminuindo a capacidade de interatividade do indivíduo.

2.E na satisfação ilegítima o homem constrói e constitui seus ídolos.

(vs 12-14)

Ídolos do coração: Ezequiel 14:3 NVI

“Filho do homem, estes homens ergueram ídolos em seus corações e puseram tropeços ímpios diante de si. Devo deixar que me consultem?

As escrituras nos permitem ampliar a definição de idolatria de forma que inclua qualquer coisas na qual depósitos nossa afeição a ponto de nos entregarmos com um apego excessivo e pecaminoso, abarca qualquer coisas que adoremos: a cobiça por prazer, respeito, amor, poder, controle, trabalho, carreira profissional, dinheiro, sexo, atenção demasiada,  as opiniões alheias, opiniões dos outros, adoramos pessoas, colegas, alimentos, bem estar, enfim a lista é grande muito grande.

IV – É quando tornamos a bênção em maldição, isto usamos de um direito legítimo, porém a forma como o realizamos, ou objetivo final, não tem nada a haver com o direito em si…e como resultado nos traz uma satisfação rápida, ou gera um prazer imediato uma resposta rápida, certamente o indivíduo voltará a fazê-lo novamente, e de novo e de novo e a situação acab se tornando uma prática viciosa e escravisadora.

V – É quando não conseguimos imaginar, ou alcançar seja o que for pelas vias normais, pela prática normal, pela forma correta e humana, ou seja, a rapidez da resposta mais o alto grau de satisfação e prazer que aquilo gera levará o indivíduo a insistir de forma contumaz, e quando ele se torna a presa e escravo de sua própria ambição.

VI – Porque isso acontece? Por que muitos conhecem muitas coisas sobre Deus e sua Lei, mas facilmente suprimimos as verdades quando elas interferem em nossos anseios e desejos, e como se praticássemos duas religiões diferentes, cremos em uma coisas, mas, na realidade praticamos outra, um conjunto de crenças nos ensina que Jesus é o filho de Deus, e ressuscitou, outro conjunto de crenças diz que preferimos certo grau de independência em nossas vidas.(Rom. 1:18-23) Conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus…trocaram a sua imagem…”

Aplicação: Amados, qualquer coisa, ideia, conceito, pensamento, projeto, estilo de vida, que se encontre entre nós e Deus, se constitui em um empecimento para nossa relação é comunhão, qualquer coisa que produza maior prazer mesmo que momentânea, e nos leva a desejar cada vez mais, e mais de forma que aquilo domine nosso pensamento e determine nosso comportamento e limite nossas opções e escolhas isto se tornou em um ídolo e está no lugar de Deus, e precisa ser retirado o mais rápido possível.

3.E o resultado é que o homem se torna escravo do ídolo que ele mesmo construiu e constituiu 

(17-20)

Em Ezequiel 14:5 “… Se apartaram de mim para seguirem os seus ídolos”

Idéias como “no momento em que eu quiser eu paro” ou “Eu tenho o controle da situação” ainda “Eles estão errados, eu estou certo” demonstra um sistema alternativo que já exerce autoridade sobre a vida do indivíduo.

Quando algo deixar o indivíduo desesperadamente sedente e faminto, sem forças para largar, que o faz apegar-se cada vez mais mesmo que este comportamento lhe traga pouco prazer e muita dor, este indivíduo se tornou um escravo de seu próprio vício, e seu vício se tornou seu deus. Satanás deseja subverter a ordem divina e fazer com que os desejos naturais e fiscos controlem a pessoa, ao invés da comida, sexo ou o descanso serem tratados como prazeres dados por Deus, eles são exaltados para ser tornarem desejos controladores que escravizam. (Welch, Edward T. 2001)

I. Cegou seu entendimento: 17-18

Sempre haverá uma justificativa, algo no mínimo razoável que suavize sua consciência em relação a atitude idolatra que agora ele nutre em relação ao ídolo do seu coração, uma visão humanística no sentido de relativizar todas as coisas inclusive a palavra de Deus, o Home se torna escravo de seu próprio desejo… A analogia tríplice e como uma sátira a ignorância do povo em dar tamanho devoção a algo que teria o objetivo de satisfazer uma necessidade, e nada mais, algo que Deus criou para o Homem, ao ser mau utilizado, ao ser descaracterizado se torna em seu próprio mau.

II.Sua capacidade de discernimento: 19

Em 1Cor.6:13 “Os alimentos são para o estômago, e o estômago para os alimentos…” No verso anterior 12, o Apóstolo fala sobre dominação, e aquilo que nós é lícito, assim como também a forma como nos beneficiamos daquilo que é de direito, sem porém permitir que o nosso direito seja a regra…ou a nossa fraqueza. Entendamos que Deus criou o mundo para o homem é não o homem para o mundo. Pare e pense qual é o pensamento, Idéia ou desejo mais dominante em seu coração e mente? O que ocupa mais tempo e lugar em seu coração? Não podemos amar o prazer ou nossos desejos acima de qualquer coisas, inclusive do próprio Deus.

III.O efeito da satisfação tem a duração de uma nuvem de fumaça: 20

Essas idolatrias são capazes de proporcionar prazer físico, aliviar tensões e amenizar desejos físicos, mas seu prazer e passageiro é ilusório, e na melhor das hipóteses sua duração e apenas o tempo de um”barato” e então eu preciso de mais, e de mais, é preciso que vc saiba que Satanaz entra nesta historia, pois tem um interesse especial e m se aproveitar das necessidades e desejos naturais do corpo.

Aplicando e concluindo:

Deus nos criou com necessidades e desejos que quando mantidos dentro dos limites apropriados por um coração que deposita sua fé em seu Criador, podem nos levar ao prazer realmente satisfatório e duradouro, na verdade o evangelho de Cristo liberta, “Se o filho vos libertar verdadeiramente sereis livres, mas preciso desejar esta libertação total em minha vida, mente e coração, e não somente ser liberto, mas viver essa libertação, me esforçando para não me tornar escravo de novo, ou seja não podemos ser como a porca, que uma vez limpa volta lama novamente, em Efésios 1:7,8 Paulo afirma que Nele Jesus, temos a redenção por meio do seu sangue, e o perdão pelos nossos pecados, de acordo com a riqueza de sua graça..

Autor: (Pr não identificado da Igreja Batista de São Paulo)

http://www.ejesus.com.br

 

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Sobre Antonio C. Barro

É professor da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina. Formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos. É o criador e editor do blog cristão: www.coisado.com.br

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