A importância do que se crê

Gelão, tirano de Siracusa, era um soberano cioso de seu poder e cuidadoso em sufocar insurreições e rebeliões que vez por outra eclodiam na ilha devido a forma severa com que conduzia a gestão da cidade-estado da antiguidade.
Certo dia, distraía-se em palácio com seus ministros e cortesões, no grande salão do trono, quando ocorreu-lhe uma idéia e anunciou em voz alta:
– Darei quinze florins de ouro a quem me apresentar um plano infalível para descobrir conspiradores!
Atiçados pela cobiça e pelo desejo de cair no agrado do ditador, vários dos presentes ensaiaram fórmulas e meios para descobrir e frustrar os movimentos de insurreição em seu nascedouro. Mas nenhum dos planos e palpites convencia o rei.
Quando já estava para mudar de assunto, um palaciano apagado mas muito astuto levantou a mão e exclamou:
– Eu tenho, Majestade, um plano infalível para descobrir conspiradores.
– Diga lá – retrucou o tirano, meio cético.
– Perdão, Majestade – fez o interlocutor com gesto enigmático – o plano que vos trago é tão engenhoso e seguro que não convém que seja do domínio público. Se me permitis, passá-lo-ei aos vossos ouvidos.
Curioso, Gelão consentiu e, sob os olhares atentos de todos os presentes, ele se aproximou calmamente do trono, fez as mesuras de praxe. subiu os degraus e chegou-se bem junto ao ouvido direito do mandatário e cochichou:
Vossa Majestade deve mandar pagar-me os quinze florins de ouro. Assim, todos vão acreditar que estais realmente de posse de uma fórmula infalível para descobrir conspiradores e ninguém se animará a promover rebeliões.
Faiscando os olhos miúdos e esboçando um daqueles seus conhecidos sorrisos sarcásticos, o rei mandou pagar o prometido. E reinou até o fim de seus dias.
Muitas vezes, para nós, vale mais o que cremos que a verdade em si. Daí porque compreendemos a necessidade de zelar mui cuidadosamente pela nossa mente e concepções de valores.

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