Conquistando através do medo

Ninguém conseguia entender como ele casou e vivia tão bem com aquela mulher. Mulher de inúmeras qualidades, mas com um defeito imperdoável. “Faladeira”.
Seus amigos tanto insistiram que “Mane” apelido carinhoso desde criança para Manegildes Ferreira, resolveu em uma tarde fria de Outono contar como ele conseguiu domá-lá.
O casamento foi simples, mas muito concorrido. Todos queriam ver como Quincolhonilda da Silva conseguiu casar, apesar de sua respeitável e imbatível fama de “faladeira”.
Após a festa tradicional naquela região, nosso herói “ Mané “ coloca sua esposa “ Quincolhonilda “ no lombo de seu burrinho e começa a longa jornada da cidade até seu rancho. Devidamente limpo, arrumado e podemos dizer até confortável que passaria a ser o lar do mais recente casal do município de Xiririca da Serra.
Longe da cidade e em meio ao sinuoso trajeto eis que, derrepente, o burrinho tropeça. Mané, com uma calma que sempre lhe foi peculiar, aproxima – se do olho do burrinho, aponta-lhe um dedo e fala:
– Um. Sem entender nada Quincolhonilda não falou nada. A jornada continua e o burrinho tropeça novamente. Mané, com muita calma se aproxima do olho do “ Bandido” nome do burrinho, aponta dois dedos e fala:
– Dois. Quincolhonilda surpreendentemente não fala nada, pois até agora ela não tinha entendido nada.
Quando ao retornar a jornada pela terceira vez “ Bandido “ tropeça. Mané, sempre calmo pára, tira Quincolhonilda de cima do Bandido saca de sua arma, apetrecho que nunca se separa, e desfere sem pensar três tiros no Bandido que morreu sem fazer ruído algum. Nesse exato momento Quincolhonilda começa a falar:
– Mané, você não podia ter feito isso. O Bandido era nosso amigo, nosso transporte, nossa criação, ele estaria sempre presente no começo da nossa nova vida, iria nos acompanhar em todas as vezes que fizéssemos compras, em todas as vezes que fossemos no banco, quando fossemos visitar amigos e parentes. As defesas ao Bandido eram intermináveis, mas, Mané demonstrando muita calma aproxima-se de Quincolhonilda aponta seu dedo indicativo junto ao seu olho direito, pois o esquerdo não era muito bom e firme, alto e em bom tom fala:
– Um.   
E viveram felizes para sempre.

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