O leopardo que ficava triste





Certo leopardo vivia bem na floresta. Era considerado inteligente e muito preocupado com todos, ajudando os bichos com muito gosto, aconselhando, cuidando, de modo que era muito procurado e trabalhava demais. No entanto, ao olhar os outros bichos esquecia-se de olhar para si mesmo. Por vezes, corria horas e horas pelos caminhos da floresta para exercitar sua força muscular, e quando o fazia gostava muito. Era o que se dava a si mesmo. E os dias passavam rápidos.

Ocorre que de uns tempos para cá, sentia-se triste e não sabia o porquê. Nada ocorrera para que tal tristeza aparecesse, mas ela se impunha. Num final de tarde, quando essa tristeza mais o abatia, espantou-se consigo quando se perguntou, em voz alta, sobre sua própria vida. Jamais se questionara tão fundo e firme. Afinal, o que fizera? O que queria? O que poderia pretender de agora em diante, já que não mais tinha 20 anos e o tempo passava?!

Um papagaio que pulava de galho em galho ouviu as palavras tristes do leopardo:

– Leopardo, como podes perguntar tais coisas? Não são próprias à natureza de um leopardo!

– Assim é, papagaio. Não sei qual a natureza dos leopardos, mas a minha está triste.

– Por que, leopardo? Sentes que nada fizeste?

– Oh, fiz muita coisa, e farei mais… entretanto, parece que algo me falta, um ânimo mais forte, talvez…

– Hum…já sei…

– O que sabes, papagaio? Como podes saber algo sobre um leopardo?

– Bom, é uma opinião. Tu deves escrever um livro, plantar uma árvore e amar alguém.

– Ora, papagaio, eu já escrevi um livro e já plantei uma árvore. Amar? Amo todas as pessoas, quero dizer, os bichos todos!

– Não é isso leopardo, não é isso. É que amar a todos mexe com certa parte do teu cérebro e tu precisas mover uma outra partezinha, ali, bem escondida na nuca…

– Papagaio, desde quando tu sabes sobre o cérebro de leopardos? Voa, voa e me deixa em paz.

E o leopardo seguiu seu caminho, não sem antes considerar que, realmente, havia uma certa partezinha….e que nada sabia ou queria fazer com ela.

Moral da História: Cada um por si não é virtude, mas cada um para todos também não.

R.Gazolla

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