Seja Grato: uma atitude cristã

Texto bíblico: Colossenses 3: 15-17

1. Introdução

Já foi dito que a gratidão é o melhor antídoto contra o desânimo. Uma lenda conta que um homem encontrou um armazém onde Satanás guardava as sementes que ele possuía, prontas para semear no coração humano e, descobrindo que a semente de desânimo abundava mais do que as outras, ele inteirou que esta semente poderia crescer em quase todos os lugares. Quando ele perguntou a Satanás, ele relutantemente admitiu que havia um lugar onde ela não podia crescer. – Onde é? – ele perguntou. Ao que Satanás respondeu tristemente – No coração de uma pessoa agradecida. (503 Illustrations, Baptist Publications House, p. 108).

Sempre me pareceu que a grande maioria dos mandamentos do Novo Testamento são escritos sob a forma de imperativos, por isso não é estranho que nos digam: “Faça tudo sem murmurar … ame um ao outro … fuja da fornicação … seja santo porque eu sou santo … comporte-se viril ou seja cheio do Espírito ”, para citar alguns.

Mas entre estes imperativos, o de “ser grato”, poderia ser o mais fácil de se cumprir, e ainda assim é o que mais esquecemos. Minha conclusão quando penso sobre este imperativo bíblico, é que, quando sou grato não escondo nada como se o que eu vivo e o que possuo é exclusivamente meu, mas reconheço que outros contribuíram para o meu próprio bem-estar.

A gratidão me liberta do pecado do egoísmo, do orgulho e da arrogância. As pessoas autossuficientes pensam que não devem nada a ninguém e nem mesmo a Deus e, portanto, não são movidas a agradecer. No entanto, o filho de Deus tem muitas razões para agradecer. O presente texto de Colossenses 3: 15-17 revela enormes razões para sermos gratos. Vamos vê-los.

  1. SOU GRATO PELA PAZ DE DEUS

a. A paz que põe fim a guerra interna.

Todas as pessoas, antes de conhecer o Senhor, vivem uma guerra, porque há muitos inimigos que atacam sua vida. Um deles é pecado que o escraviza e o mantém fazendo os desejos da carne, que é a maneira como o pecado é consumado em todas as suas manifestações.

Mas sem dúvida que a maior batalha é a que ele tem com Satanás, porque a Bíblia afirma que ele exerce domínio sobre todos os cegos, para que a luz de Cristo não brilhe (2 Coríntios 4: 4). Desta maneira, a primeira coisa que o Senhor faz quando alcança nossos corações é pôr fim a esta guerra, dando-nos a paz de Deus.

Não estamos falando da paz oferecida pelos túmulos, ou da ausência de guerra, que seria o que o homem oferece. Antes, estamos falando sobre a verdadeira paz que o homem pode experimentar. Jesus disse que esta paz não é como a paz que o mundo oferece. A paz que o mundo dá é aquela que é obtida pela guerra, sob o domínio de um pelo outro.

Quando esta paz for alcançada, todos deverão estar preparados para uma guerra que se aproxima. Mas a paz de Deus é aquela que o Senhor trouxe ao endemoninhado de Gadara, o qual depois de estar nu e correndo, agora está sentado, vestido e em seu perfeito juízo.

b. A paz que governa o coração.

Foi corretamente dito que uma coisa é paz com Deus e outra é a paz de Deus. Na primeira parte, é saber que houve um tempo em que éramos inimigos de Deus, mas que, pela morte de Cristo, fomos reconciliados com Deus. A outra parte tem a ver com esta afirmação: “A paz de Deus”. Qual é a diferença?

Bem, muitos alcançaram a paz com Deus, mas nem sempre têm a paz de Deus em suas vidas como uma experiência contínua. É o fato de você saber que foi salvo, que seus pecados foram perdoados, mas você vive angustiado, estressado, ansioso. Observe que o texto fala sobre o local de trabalho e o que a paz faz: governa o coração.

O coração é a parte de nossas vidas do qual muitas coisas querem ser as donas. De fato, se não é a paz de Deus que nos governa, o coração tem outros donos. Gosto do que Filipenses 4:7 diz quando fala da paz como um soldado que guarda um tesouro; que o guarda e o protege. Meus irmãos, ninguém mais pode proporcionar sossego e tranquilidade ao coração, que muitas vezes fica desamparado, como o pode a paz de Deus. Certifique-se de ter a paz de Deus.

c. A paz que é estendida para o corpo.

O apóstolo Paulo havia descoberto alguns focos de divisão em uma das igrejas que ele tanto elogiava, que era a igreja dos filipenses. Por alguma razão, ele lhes disse que se comportassem como ele era digno do evangelho (1:27). Que eles não fizessem nada por contenda ou por orgulho (2: 3). Faça tudo sem murmurar e contender (2:14), e às irmãs Evodia e Syntique também recomendou que elas tivessem o mesmo sentimento no Senhor (4: 2).

O ponto é que Paulo percebeu alguma divisão imprudente na igreja, e é por isso que ele os adverte na carta. O fato que ele agora enfatize a paz de Deus governando seus corações, é para ser manifestado no corpo de Cristo.

A paz de Deus é muito necessária para os relacionamentos interpessoais. O espírito de paz nem sempre governa as igrejas. Quando Paulo falou aos irmãos de Éfeso, pediu que eles se mostrassem solícitos em guardar a unidade do Espírito e, por isso, invocou a importância da manutenção da paz. Este ato de preservar a unidade através da paz no corpo de Cristo é uma poderosa razão para agradecer. Que a paz sempre prevaleça no corpo.

II. EU SOU GRATO PELA PALAVRA DE CRISTO

a. Por ser abundante.

Esta é a primeira vez que esta declaração da “palavra de Cristo” aparece na Bíblia. Em toda a Bíblia, somos informados da palavra de Deus. Portanto, Paulo mencioná-la aqui, de uma maneira solitária, tem um significado profundo.

É a palavra de Cristo, não a do pastor, de seus anciãos ou de outros líderes. Não é a palavra de um bom livro ou de um consultor moderno para que vivamos bem. É a palavra de Cristo, a que encontramos na história dos evangelhos.

É a palavra que Cristo falou; aquela que seus próprios inimigos reconheceram que nenhum homem jamais havia falado assim. O ponto é que, se esta palavra está em nós, a ordem é habitar abundantemente em nossos corações.

Foi dito que o homem deve estar cheio de alguma coisa, daí que o que está em seu coração disso falará sua boca. Jesus já havia expressado isto, pois do coração sai o bem ou o mal (Mateus 15: 18-19). Nada faz tão bem à vida do crente do que ser um homem ou uma mulher cheios da palavra de Cristo. Esta palavra torna sábios aos símplices (Salmo 19: 7-14).

b. Pelo que ela faz em nossas vidas.

Por um lado, a palavra de Cristo tem a missão de nos ensinar. Ela nos ensina sobre Deus, sua origem, seu trabalho e seu amor. Ela nos ensina tudo o que o pecado fez e como arrasou a humanidade até hoje. Mas, acima de tudo, ela nos ensina o plano de salvação através de Cristo, profetizado nela até o dia de sua aparição e sua segunda vinda.

Que não seja apenas uma palavra que o encha de conhecimento, mas que ela mesma lhe permita viver sabiamente. E nisto, de viver sabiamente, a palavra nos exorta toda vez que a lemos ou ouvimos.

Devemos ser gratos porque a palavra nos repreende em nossa caminhada diária. Revela nossa condição espiritual para prosseguirmos em um processo contínuo de maturidade. E o resultado de seus ensinamentos e sua exortação, assim como sua abundância em nós, é que ela coloca em nossos corações um louvor que expressamos através de nossos lábios com salmos, hinos e cânticos espirituais. Oh, meus amados, a palavra de Deus quando está em nossos corações nos enche, como faz o Espírito Santo. Observe o mesmo efeito que produz (Efésios 5: 18-19).

III. SOU GRATO PELO NOME DO SENHOR JESUS

a. O nome glorioso de Cristo.

Paulo não colocou casualmente neste texto o “nome de Cristo”. Quando procuro as razões para agradecer a Deus, o nome de Cristo se torna o centro do que sou e do que faço. A Bíblia diz que o nome é glorioso porque, desde os tempos antigos, os profetas falavam desse nome, que significa o Messias prometido.

Por mais de quatrocentos anos a chegada daquele Messias foi aguardada e, afinal, ele veio; não como os outros esperavam, mas ele veio como um bebê. Ele veio como Emanuel, ou seja, Deus conosco. Ele veio do céu deixando seu trono de glória e se humilhando ao fazer-se homem. As profecias foram cumpridas todas quando ele chegou.

A este nome de Cristo foi adicionado o de Jesus, para tornar realidade que ele salvaria seu povo do pecado. Por certo a palavra não diz que o Messias viria para salvar Israel dos romanos, mas de seus pecados. E não há domínio pior que o do pecado, e Jesus veio para nos libertar desta escravidão. Mas a grande coisa sobre esse nome foi que, depois que Cristo morreu, Deus deu a ele um novo nome para que, ao seu nome todos os joelhos se dobrassem. Nada supera o nome dele agora.

b. Faça tudo pensando em seu nome.

Não sei de onde surgiu a ideia de dividir o homem em uma vida secular e uma vida sagrada. Esse conceito criou uma dicotomia no crente, porque ele pensa que uma coisa é o domingo na igreja, e outra muito diferente é a segunda-feira em seu trabalho. Que, enquanto estou na comunhão dos santos, estou envolvido em uma aura de santidade vista em minhas palavras ou em minhas ações, mas quando chego à minha vida “secular” na semana, meu comportamento é diferente.

Observe o que o texto diz. “Tudo o que fizeres, seja em palavras ou ações …” Portanto, não há separação entre meu trabalho, estudos e minha vida sagrada. Em todo caso tudo é sagrado. Isso levanta o desafio de saber que as palavras que falo devem ser para a glória de Deus, e que tudo que faço também deve ser como para o Senhor e não para os homens.

Alguém disse que o crente deve ver o mundo, não como um lugar dominado pelo pecado e por Satanás; mas sim como um grande templo onde, por meio de suas ações, ele continua a dar glória a seu Deus. Quantas vezes dizemos que o que fazemos é para a glória de Deus, mas as nossas ações negam a verdade do que dizemos.

c. Dando graças a Deus por meio dele.

Esta é a ênfase final de Paulo. O canal de ação de graças é através de Cristo. Pelo nome do Senhor Jesus eu venho e me apresento diante do Pai. Toda ação de graças deve ser dirigida a Deus Pai por quê? Porque Deus é a fonte de todas as bênçãos para nossas vidas. Quando a Bíblia nos diz que ele fez tudo formoso em seu tempo (Eclesiastes 3:11), ele fez pensando em nós.

Ele fez todas as coisas de maneira que possamos viver adequadamente. Ele não colocou menos ar na atmosfera para morrermos devido à falta de oxigênio. Mas ele também não colocou muito ar para morrer por isso.

Ele não pôs o sol tão longe para a terra congelar, mas tampouco o pôs tão perto para encolhermos. E o meio pelo qual Deus fez tudo foi Cristo, porque ele era a palavra criadora, e também porque dele, por ele e para ele são todas as coisas (Romanos 11:36). Sim, meus amados, é através do nome do Senhor que nos aproximamos do bom Pai em profunda gratidão.

CONCLUSÃO:

Portanto, agradeço a Deus pela paz que tenho agora porque, sendo inimigo fui reconciliado com Deus; porque em outro tempo vivi vazio de Deus, agora a palavra de Deus habita em abundância no meu coração.

Mas, acima de tudo, porque uma vez vivi para mundo e seus prazeres, agora tudo o que faço “seja por obras ou por palavras”, faço-o para glorificar o nome do Senhor Jesus agradecendo ao Pai.

Todas estas razões me levam a aceitar o convite do salmista, que reconhecendo Deus em todo o seu poder e senhorio, também nos deixa este imperativo: “Entrai pelas portas dele com louvor e em seus átrios, com hinos; louvai-o e bendizei o seu nome. Por que o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade estende-se de geração em geração”(Salmo 100.4-5)

Julio Ruiz

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