A Igreja e os desafios modernos

Elias foi profeta do Reino do Norte, tendo vivido no auge da corrupção de seu país, no século IX a.C. Seu ministério foi marcado pelo sobrenatural de Deus. Ele foi uma pessoa presente na história de Israel, isto é, encontrava-se envolvido com os problemas, os conflitos e as aflições de seu povo. Suas virtudes e atitudes que provocaram mudanças na vida político-religiosa de Israel são, ainda, válidas em nossos dias.

Um pouco antes desse profeta se destacar em Israel, o que se via no cenário político era um bipartidarismo radical. Nesse período dominavam os maus governos. O rei Onri, por exemplo, foi considerado “pior do que todos quantos foram antes dele”, 1 Rs 16: 25-26. Depois de sua morte, Acabe, seu filho, reinou em seu lugar e fez ainda pior, multiplicando a tragédia e a iniqüidade em Israel, 1 Rs 16: 31-33. Seu casamento com Jezabel foi uma união política que contribuiu muito para engrossar ainda mais o caos dessa nação.

Depois de provar com fogo aos 450 profetas de Baal que só o Senhor é Deus, 1Rs 18: 38. Elias vê-se diante de um de novo desafio, isto é, não chovia em Israel há muito tempo, 17: 1, agora ele manda dizer ao rei Acabe que se preparasse, porque haveria de descer sobre Israel uma forte chuva. No entanto, o que fez o profeta para que a sua palavra se cumprisse mais uma vez? Quais foram as suas atitudes? Analisando o texto de 1Rs18: 41-46, aprendemos com Elias qual deve ser a sua postura frente aos desafios do presente século.

Fé sobrenatural

Baal era tido como o deus do sol e responsável pela germinação e crescimento da lavoura, o aumento dos rebanhos e a fecundidade das famílias. Não chovia há três anos e meio nesse país. Deus reteve a chuva, que gerou uma crise de fome nessa nação. E esse foi o momento para Elias provar mais uma vez que de Deus não se zomba, Gl 6: 7.

Apesar de não possuir nenhum tipo de informação do serviço de meteorologia, Elias manda um recado ao rei Acabe: “Sobe, come e bebe, porque ruído há de uma grande chuva”, v. 41. Ele sabia o que estava fazendo porque acreditava no sobrenatural de Deus. O cristão não anda por vista, mas por fé, 1 Co 5: 7 e Hb 11: 1.

Sair do natural para o sobrenatural, do teórico para prático é o grande desafio da igreja nestes dias. Mas à igreja compete a ousadia na Palavra e nos dons espirituais, para que milagres e maravilhas aconteçam em nosso meio. As promessas de Deus são os indícios que temos para sairmos da mesmice e tomar posse do sobrenatural.

Intercessão audaciosa

Elias não chegou à presença de Deus de maneira convencional, ou seja, ele não se ajoelhou com o auxílio de uma cadeira ou de algo semelhante. Ele ajoelhou-se e colocou o rosto entre as pernas, v 42. Essa é uma maneira atípica à oração, isto é, trata-se de um costume da mulher hebréia no momento em daria à luz ao filho. Essa posição facilitava o nascimento da criança. E Elias se comportou dessa maneira.

Jesus disse que a criança é a recompensa do momento de dor e de aflição de uma mulher durante o nascimento do filho: “A mulher quando está para dar a luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora, mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo”, Jo 16: 21.

Elias era um homem de oração: “Orou com fervor para que não chovesse, e durante três anos e seis meses não choveu sobre a terra”, Tg 5: 17. Sua intercessão foi audaciosa porque acreditava na intervenção divina. Cremos que a oração remove montanhas. Prega-se por aí o conceito da fatalidade, quer dizer, tudo que fazemos e que nos acontece está, de antemão, fixado imutavelmente, ou muito tempo antes de sua ocorrência.

Este princípio contraria os ensinamentos bíblicos, porque leva a pessoa a crer que tanto o bem quanto o mal são absolutamente pré-determinados e inalteráveis. A Bíblia não ensina assim. Estamos numa guerra espiritual, Ef 6. À igreja compete buscar ao Senhor e interceder, 1 Ts 5: 17.

Perseverança determinada

Uma coisa é ser perseverante, outra bem diferente é a perseverança determinada. Empreender um projeto e preestabelecer o tempo da perseverança é fator muito importante. Elias fez isso. Ele disse ao seu moço. “Sobe agora e olha para a banda do mar (Sul). E subiu, e olhou, e disse: Não há nada. Então, disse ele: torna lá sete vezes”, v 43.

Elias estava dizendo: Vá lá sete vezes. Não desista, continue porque a minha oração está subindo ao trono de Deus e a resposta está chegando. Daqui a pouco o Senhor vai se manifestar. É questão de tempo. E eu só vou parar de buscar ao Senhor depois que começar a chover. Elias foi um cristão perseverante.

Esta deve ser a marca da igreja. A perseverança é um dos fatores determinantes para o seu progresso. Como resultado da perseverança, após a sétima vez, o mordomo disse ao profeta: “eis aqui uma pequena nuvem, como a mão de um homem, subindo do mar”, v. 45. Todo projeto nasce pequeno. Uma pequena nuvem como a mão de um homem foi crescendo, crescendo até se tornar em algo grande.

Tenhamos a certeza de que a perseverança é elemento-chave para se alcançar grandes alvos. Ela marca determina o tempo e dá sustentação a qualquer tipo de projeto, Lc 18: 1.

Autenticação divina

Gosto desta expressão: “E a mão do Senhor estava sobre Elias”, v. 46. Isso tem um significado profundo para a igreja. Elias recebeu poder de Deus para correr na frente do carro de Acabe do Monte Carmelo a Jezreel (uma distância de cerca de 40 km). Elias foi fortalecido pelo Espírito para realizar um fato milagroso.

A mão do Senhor é uma referência indireta ao Espírito Santo. Ela é usada seis vezes por Ezequiel, para expressar como o Espírito de Deus veio a ele em revelação: “Veio expressamente a Palavra do Senhor a Ezequiel […] junto ao rio Quedar, e ali esteve sobre ele a mão do Senhor”, 1: 3.

Neste caso, o Espírito Santo simboliza a mão de Deus sobre a Igreja na terra. Jesus disse que quando o Espírito viesse, autenticaria a missão da Igreja: “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade”, Jo 16: 13. Após sua ressurreição, disse aos discípulos: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que a de vir sobre vós, e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra”, At. 1: 8 e At 2: 1-13.

É preciso saber que não há como realizar a obra de Deus sem a autenticação do Espírito Santo. Qualquer tipo de estratégia, método, técnica, ou proposta de trabalho bíblico que tenha por objetivo promover o crescimento da igreja deve ser usado. Mas tudo se torna em vão sem a aprovação (carimbo) da mão de Deus.

Finalizo, dizendo que Elias, embora fosse sujeito às mesmas paixões que nós (Tg 5: 17) foi um homem de visão, de fé e de coragem. Quero crer que há barulho de uma grande chuva de avivamento sobre esta nação. Uma vida de oração, fé, perseverança e comprometida com Deus é o caminho para que esse derramar venha já sobre a Igreja brasileira.

Jornal Aleluia – Julho /2005 – pág. 02

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