A unidade no reino de Deus

Introdução

No meu entender, a Bíblia é enfática na questão da unidade. Esta ênfase tem duas razões de ser: a primeira é que, a missão que Jesus deu a igreja, só pode ser alcançada através da unidade; a segunda, como conseqüência da primeira, é que, no reino de Deus, não há espaço para o individualismo.

Pela necessidade de se alcançar a unidade, muita coisa tem sido pregada e ensinada nas igrejas, coisas estas que, nem sempre, refletem a unidade bíblica ensinada e pregada por Jesus. Estou falando, por exemplo, da unidade que se tenta alcançar através da uniformidade, situação que, no máximo, consegue distinguir quem tem o “uniforme” de quem não tem. Isto se torna muito mais um meio para a divisão do que para a unidade. Ou, então, podemos falar da “espiritualização” da unidade, que nos leva a entendê-la somente como algo que existe no “coração e na mente de Deus”, algo que ninguém vê, só Deus. A unidade, neste caso, seria metafísica, abstrata, utópica e esotérica.

Em João 17, o que está em jogo, para mim, não é a uniformidade sonhada por tantos e, muito menos, a espiritualização que nos descompromete com a unidade fraternal ensinada por Jesus. Em João 17, Jesus está falando de uma unidade visível, não limitadora ou opressora, que se manifesta através de ações prática de fraternidade, vivência objetiva de propósitos missionários e amor diaconal. Em João 17, o que está em jogo é a unidade que busca realizar os ideais e propósitos do reino de Deus, deixando que os meios para isso sejam alcançados mediante a vivência desta própria unidade.

O que desejo, nesta ocasião, é mostrar a todos que a unidade bíblica, como alvo para a igreja de Jesus Cristo, é algo visível, mensurável e sensível. Leia comigo os versículos 18-21: o mundo teria que ver esta unidade, a fim de que viesse a crer em Jesus.

O interessante é que o Novo Testamento afirma que o mundo não vê quase nada: “o homem natural não entende as coisas de Deus”, porque o príncipe deste mundo “cegou o entendimento dos incrédulos”. Todavia, Jesus afirma que a unidade da igreja, como povo de Deus, seria vista pelo mundo como fator determinante na conversão dos incrédulos. O mundo perdido, cegado pelo diabo, incapaz de perceber as coisas de Deus, será capaz de reconhecer, na unidade da igreja, o amor de Deus. Por esta afirmação, você já pode entender o que o diabo quer evitar na igreja, para tornar o testemunho de Jesus infrutífero.

Além do que já foi dito aqui, eu poderia apontar ainda algumas conseqüências negativas, que surgem quando a igreja não vive a unidade fraternal nos moldes bíblicos.

1 – Nega nossa fé na natureza do Deus Trino (vs. 21)

A unidade deve ser o resultado natural da compreensão da natureza de Deus. Quem aceita a trindade de Deus (Deus-Pai, Filho e Espírito Santo, como uma só pessoa), não terá problemas em aceitar que, em Cristo, ele e seu irmãos são um.

2 – Nega o valor da fé (vs. 19-21b)

Ora, os que crêem devem ser um. A fé que Jesus introduz no coração dos discípulos deveria ter, como resultado prático, a produção da unidade. Assim, podemos afirmar que a vivência da unidade faz parte de nossa profissão de fé. Esta unidade implica na convergência aos assuntos essenciais da fé.

3 – Nega o poder da obra de Jesus (vs. 19-21b)

Jesus morreu para nos santificar, a fim de sermos um com o Pai. Sendo um com o Pai, a conseqüência disto é que todos os que estão no Pai também serão um. Santidade e unidade andam juntas no pensamento de Jesus. Podemos afirmar, sem medo de errar, que uma das marcas da verdadeira unidade é a santidade.

4 – Nega o amor de Deus aos homens (vs. 23)

Podemos gritar aos quatro cantos que Deus ama os homens e que quer salvá-los mas, se este mesmo mundo não vir em nós o amor de Deus sendo encarnado, anunciando que este amor passa por nós e se derrama aos que estão a nossa volta, toda esta mensagem será anulada. Igreja que prega o amor de Deus e não vive em unidade está sofrendo de “verborragia”.

5 – Nega a prioridade da missão evangelizadora da igreja (vs. 21)

Se tenho paixão evangelística e oro, contribuo e estou até disposto a ir pelo mundo a pregar a Cristo, se quero ganhar as almas perdidas, mas, ao mesmo tempo, não sou capaz de viver em unidade com meu irmão que está aqui do meu lado, o qual Deus ama tanto quanto aquele que está longe de mim, na verdade sou um mentiroso, não tenho visão missionária nem paixão pelos perdidos, mas tenho somente paixão por mim mesmo.

6 – Nega o espírito da glória (vs. 22)

Quando a igreja não vive em unidade, não consegue conviver com as diferenças e nem administrar as diversidades. Então, quebra-se o espírito da glória de Jesus, que teve seu apogeu na cruz, como nos ensina Efésios. Lá na cruz, Cristo quebrou as barreiras da separação e de ambos fez um novo homem. Jesus nos transmitiu a glória para que fossemos um. Se não conseguimos viver em unidade, qual o valor dessa glória para nós ?

Conclusão

Uma igreja que não vivência a unidade se enfraquece a cada dia e logo deixará de ser igreja, não será nem sal e nem luz, sua ação no mundo estará comprometida porque a carnalidade tomou o lugar da unidade.

No entanto, a preservação da unidade é elemento fundamental na manutenção da saúde missionária do povo de Deus. Se quisermos realizar a missão que Jesus deixou à igreja, podemos começar por vivenciar, em todas as nossas relações fraternais, a unidade ensinada e pregada por Jesus. Amém !

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