As chaves do reino de Deus

1. Jamais encontramos Jesus ensinando qualquer princípio de vida que Ele mesmo não tivesse praticado. Quando, por exemplo, instruiu seus seguidores virarem a outra face, quando recebessem um tapa numa delas, foi algo claramente praticado por Ele em sua vida terrena nos momentos finais de seu sofrimento rumo à cruz.

a) Mt 26.67-68, “67 Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo: 68 Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te bateu!”

b) Lc 23.33-34, “33 Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda. 34 Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes”.

2. Quando Jesus proferiu o Sermão do Monte transmitiu, aparentemente, princípios inatingíveis aos olhos e conceitos humanos. Porém, tudo o que Ele ensinou, sem dúvida, praticou e viveu. Tais princípios também devem ser praticados por nós como filhos de Deus, Tg 1.22, “Tornai-vos praticantes da Palavra de Deus e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”.

3. As “Bem Aventuranças”, fizeram parte inicial do Sermão do Monte. Elas nos apresentam chaves com as quais abrimos caminho para entrada e possessão do Reino de Deus. Nesta noite queremos analisar as:

“TRÊS PRIMEIRAS QUALIDADES QUE PRECISAMOS TER, PARA SERMOS PARTICIPANTES DO REINO DE DEUS”.

I – PARA SERMOS PARTICIPANTES DO REINO DE DEUS PRECISAMOS NOS TORNAR HUMILDES DE ESPÍRITO

Vs. 3, “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.

Definição Técnica da expressão “humildes de espírito”:

Humildes – “ptwcov” – ptochos – “desamparado”, “impotente”, “destituído de influência, poder, honra, posição”, “incapacitado”, “necessitado”.

Espírito – “pneuma” – pneuma, que pode designar tanto o “Espírito de Deus”, como também o “espírito do homem.

“A palavra grega, aqui traduzida como ‘humilde’, vem de uma raiz que significa abaixar-se ou encolher-se. Ela se refere não simplesmente àqueles para quem a vida é uma luta, mas aos homens que são constrangidos à mais abjeta mendicância porque eles não têm absolutamente nada, Lc 16.20-21. Aqui ela é aplicada à pecaminosa vacuidade de uma falência espiritual absoluta, na qual uma pessoa é compelida a implorar por aquilo que ela é impotente para obter, Jr 10.23, e ao que ela não tem nenhum direito, Lc 15.18-19; 18.13, mas sem o que ela não pode viver. Mendigar é duro para os homens, Lc 16.3, especialmente os orgulhosos e confiantes em si mesmos, mas isto é onde nossos caminhos pecaminosos nos têm levado e não veremos o reino do céu até que encaremos esta realidade com humilde simplicidade”(1).

1. Jesus não está se referindo aqui aos pobres de bens materiais, pois em seus dias havia muitos pobres, filhos de seu povo, que estava sobre o domínio romano em regime de escravidão. Não era aos pobres de seu povo que Jesus garantia o Reino dos céus. Se assim fosse, todos os pobres seriam salvos, não importando sua condição pecaminosa diante de Deus. É verdade que os pobres têm uma sensibilidade maior para com a Palavra de Deus, do que os ricos, Mt 19.24-25, “24 E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. 25 Os seus discípulos, ouvindo isto, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá pois salvar-se?”, mas para tal eles precisam ser “humildes de espírito”. Porém o fato de ser “pobre”, não é credencial absoluta para a posse do Reino.

2. Os “humildes de espírito” aqui tanto podem se pobres materialmente falando, como pessoas riquíssimas. Mas uma coisa é certa: Eles possuem uma atitude de coração, onde há reconhecimento da grandeza de Deus e da insignificância humana.

3. São também pessoas relativamente humildes e que no trato com outras pessoas expressam de forma clara esta virtude, Pv 16.19, “Melhor é ser humilde de espírito com os mansos, do que repartir o despojo com os soberbos”.

4. A Palavra de Deus exalta esta qualidade naqueles que verdadeiramente a possuem:

a) O humilde de Espírito obterá honra, Pv 29.23, “A soberba do homem o abaterá, mas a honra sustentará o humilde de espírito”.

b) Deus se relaciona com ele, Is 57.15, “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos”.

c. Ele é comparado a uma criança, Mt 18.4, “Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus”.

5. Somente os humildes de espírito poderão entrar no Reino dos Céus. É preciso quebrar seu orgulho, sua frieza, sua petulância, sua arrogância. A porta é apertada e não dá para você passar com esta carga toda. Esvazie-se.

II – PARA SERMOS PARTICIPANTES DO REINO DE DEUS PRECISAMOS APRENDER A CHORAR

Vs. 4, “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”.

Definição Técnica da palavra Choro: Temos nos original a palavra “penyew” – pentheo – “lamentar”, “chorar ruidosamente”.

1. Não queremos dizer que o simples fato de alguém chorar o capacita a ter direito ao Reino dos Céus. Esaú, embora chorasse amargamente, foi rejeitado pelo Senhor, Hb 12.16-17, “16 E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura. 17 Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou”.

2. A Palavra de Deus fala aqui de um choro objetivo, com fins específicos para conquistar o Reino. Como é este choro? Vejamos alguns exemplos dentro da Palavra de Deus:

a) A tristeza (choro) segundo Deus opera arrependimento para salvação, mas a tristeza do mundo opera a morte, 2 Co 7.10, “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte”.

b. Normalmente, a tristeza em função do Reino de Deus é sempre seguida de alegria:

– Jo 16.20, “Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria”.

– Sl 30.5, “Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”.

3. Muitas pessoas tem chorado por coisas fúteis, sem valor, que não levam a lugar algum. Porém quando nosso choro é movido, motivado pelo Reino de Deus, certamente receberemos o melhor para a vida eterna. Este choro é o choro segundo Deus, em que nosso coração é tocado pelo Espírito Santo. Este choro, que nos leva a tristezas profundas, receberá o consolo nesta vida do Espírito Santo de Deus e nossas lágrimas serão enxugadas na glória pelo Senhor, Ap 21.4, “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”.

III – PARA SERMOS PARTICIPANTES DO REINO DE DEUS PRECISAMOS NOS TORNAR MANSOS

Vs. 5, “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”.

Definição Técnica da palavra manso: Grego “prauv” – praus – “bondade de espírito”.

“Bondade ou mansidão é o oposto a ego-positividade e egoísmo. Origina-se da confiança na bondade de Deus e controle em cima da situação. A pessoa suave não está ocupada com o ego em nada. Este é um trabalho do Espírito Santo, não da vontade humana, Gl 5.23″(2).

1. Os mansos aqui são pessoas que padecem sobre o mal, sem se deixarem contaminar pelo espírito de amargura, mas com paciência, buscam qualidade aprovadas por Deus.

2. Os mansos não apenas são aqueles que não revidam agressões, sejam elas físicas ou verbais, mas são aqueles que a despeito das circunstâncias desfavoráveis, se deleitam na abundância da paz, Sl 37.11, “Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz”.

3. A mansidão traz idéia de rendição, mas não uma rendição a outros ou à circunstâncias da vida, mas uma rendição a Deus. O verdadeiro significado da palavra manso no hebraico é ser “moldado”, Sl 37.1-5, “1 Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniqüidade. 2 Porque cedo serão ceifados como a erva, e murcharão como a verdura. 3 Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. 4 Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração. 5 Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará”.

4. É o oposto de ira, irritação, “pavio curto”. Pessoas que possuem estas “qualidades” precisam ser tratadas por Deus de maneira profunda. Um exemplo de uma pessoa que foi tratada pelo Senhor é Moisés:

a) A ação dele contra o egípcio quando castigava o hebreu, Êx 2.11-12, “11 E aconteceu naqueles dias que, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos, e atentou para as suas cargas; e viu que um egípcio feria a um hebreu, homem de seus irmãos. 12 E olhou a um e a outro lado e, vendo que não havia ninguém ali, matou ao egípcio, e escondeu-o na areia”.

b. Sua Ação durante seu ministério muitos anos mais tarde, Nm 12.1-3, “1 E falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cusita, com quem casara; porquanto tinha casado com uma mulher cusita. 2 E disseram: Porventura falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós? E o Senhor o ouviu. 3 E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra”.

c) Mesmo assim, Moisés teve uma recaída e não entrou na Terra Prometida, Nm 20.1-13, “1 Chegando os filhos de Israel, toda a congregação, ao deserto de Zim, no mês primeiro, o povo ficou em Cades; e Miriã morreu ali, e ali foi sepultada. 2 E não havia água para a congregação; então se reuniram contra Moisés e contra Arão. 3 E o povo contendeu com Moisés, dizendo: Quem dera tivéssemos perecido quando pereceram nossos irmãos perante o Senhor! 4 E por que trouxestes a congregação do Senhor a este deserto, para que morramos aqui, nós e os nossos animais? 5 E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este lugar mau? lugar onde não há semente, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem tem água para beber. 6 Então Moisés e Arão se foram de diante do povo à porta da tenda da congregação, e se lançaram sobre os seus rostos; e a glória do Senhor lhes apareceu. 7 E o Senhor falou a Moisés dizendo: 8 Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. 9 Então Moisés tomou a vara de diante do Senhor, como lhe tinha ordenado. 10 E Moisés e Arão reuniram a congregação diante da rocha, e Moisés disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes, porventura tiraremos água desta rocha para vós? 11 Então Moisés levantou a sua mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu muita água; e bebeu a congregação e os seus animais. 12 E o Senhor disse a Moisés e a Arão: Porquanto não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado. 13 Estas são as águas de Meribá, porque os filhos de Israel contenderam com o Senhor; e se santificou neles”.

CONCLUSÃO

1. Vimos algumas chaves para se entrar no Reino de Deus:

a. Ser humilde de espírito,

b. Chorar,

c. Ser manso,

2. Somente pessoas que estão aptas para pagar o preço poderão ser credenciadas como cidadãos do Reino.

3. Crentes que passaram pelo novo nascimento devem ter estas credenciais em evidência, como prova de que realmente foram transformados, regenerados pelo Espírito Santo de Deus.

Notas:

(1) Allan, Denis, “O Sermão da Montanha”, Paul Earnhart, São Paulo-SP, 1997, pg. 5.

(2) Bíblia Online, SSB.

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