Auto-Retrato

1 Paulo tinha um conceito adequado dos seus irmãos (Rm 15.14-17, 30-33; 16.1-17).

PAULO
1. Ele via valores em seus irmãos, não apenas defeitos (Rm 15.14).
2. Ele valorizava a comunidade (Rm 15.15). Uma evidência disso é sua preocupação com o efeito de sua carta, porque não gostaria que provocasse alguma amargura, especialmente quando precisou falar com franqueza. Uma prova deste respeito é o seu reconhecimento que nada realizava sozinho, como o demonstra sua admirável lista de 26 cooperadores, boa parte dela de mulheres (Rm 16.1-27); o ministério apostólico de Paulo era um ministério de equipe. Uma forma de participação que apreciava em seu ministério era a intercessão dos seus irmãos (Rm 15.30-32).
3. Ele admitia que há influências positivas e negativas, mesmo dentro da comunidade de fé. Ele sabia da força sua própria influência (Rm 15.17).
4. Ele desejava paz aos outros (Rm 15.33).

NÓS
1. Como Paulo, precisamos valorizar as pessoas, destacando suas qualidades, não apenas seus defeitos. Aprendamos a elogiar. Há pessoas que, mesmo quando têm que elogiar, incluem uma crítica, do tipo: “essa comida está ótima, apesar de um pouco salgada”.
2. Como Paulo, precisamos valorizar a comunidade, o encontro das pessoas. Fico pensando na dificuldade de alguns quando chegarem aos céus: vão ter que estar sempre juntos uns com os outros. Valorizar a comunidade significa que reconhecemos que nada realizamos sozinhos. Por isto, afirmo e reafirmo que o meu ministério é o nosso ministério. Valorizar a comunidade implica em compartilhar nossas necessidades de oração. Jesus compartilhava com os discípulos suas necessidades de oração.
3. Como Paulo, precisamos reconhecer que influenciamos uns aos outros. Nossa influência pode ser positiva ou negativa ou positiva e negativa. Devemos tomar cuidado com as influências negativas.
4. Como Paulo, precisamos abençoar os outros, com “paz”, “graça e paz”, “Deus abençoe você” e outras saudações, bíblicas ou não.

2 Paulo se envolvia na salvação dos perdidos (Rm 15.16-21).

PAULO
A glória (isto é: a alegria de Paulo; seu currículo; sua razão de ser) era a pregação do Evangelho (Rm 15.17).
Paulo se recusa a contar vantagens (e teria muito para enumerar), porque tudo o que fizera foi pelo poder de Deus e para a glória de Deus (isto é: que Deus fosse reconhecido como Deus). Paulo nos diz: é o Deus do Evangelho que é poderoso, não eu.

NÓS
Como Paulo, precisamos nos envolver na salvação dos perdidos.
Cremos que há “perdidos” ou esta é uma palavra ultrapassada e um conceito superado?
Qual é a razão de ser de nossas vidas?
De que falamos? Do carro que compramos?
Como gostamos de contar vantagens.
Os pastores, por exemplo, têm, alguns, a mania da comparação: a igreja antes dele era uma, mas agora, com a graça de Deus, está assim. Qualquer pessoa que realize um ministério da igreja corre o mesmo risco. Gosto de dizer que todos são humildes até começarem a falar…

3 Paulo cria que a vida não se esgota no humano (Rm 15.22; 16.20).

PAULO
Ele sabia que, embora muito quisesse avançar no seu projeto missionário, ele foi impedido. Ele não diz o que ou Quem o impediu. Pode ter sido Satanás, mas ele também sabia que em breve Satanás seria esmagado (Rm 16.20).

NÓS
1. A vida não é apenas o que vemos, compreendemos ou fazemos. Há muito mais. Há um Deus. Há forças naturais e há forças sobrenaturais. Muito do que recebemos advém diretamente de nossos atos. Algo do que recebemos advém diretamente de forças sobrenaturais, como a graça, positivamente, e a tentação, negativamente.
2. Precisamos viver na perspectiva da eternidade, não apenas da temporalidade. Não preciamos nos apegar demasiadamente à nossa vida, ao nosso presente; nossa vida é apenas a nossa vida, a vida que podemos viver, mas é pouco; é apenas uma duração, um instante (mesmo que dure 90 anos: que são 90 anos no compasso da eternidade?) Isto implica em reconhecer a nossa fragilidade, que percorre a nossa força muscular ou intelectual. Isto implica em pôr valor no que tem valor e não pôr valor no que não tem valor.
3. Precisamos viver na perspectiva da esperança. Nós não derrotaremos Satanás; é Deus quem o derrotará. E nós o veremos. Pode parecer que, em sua vida, Deus esteja perdendo, mas Ele nunca perde, mesmo que não vejamos o seu triunfo.

4 Paulo fazia projetos para a sua vida (Rm 15.23-29).

PAULO
Paulo queria ir a Roma, a capital do império. Queria pregar lá. Na Grécia, tinha plantado igrejas, que plantaria outras igrejas na Espanha, mas no caminho estava Roma. Roma comandava o mundo; era a maior cidade do mundo. Roma ditava a moda. Roma dita a filosofia. Roma ditava a ética. Roma ditava a religião. Paulo queria ir a Roma para, a partir de Roma, contribuir para o alcance do mundo. Não pretendia ficar lá, porque não fundara a igreja ali, mas queria conhecer os irmãos ali e ser ajudado a chegar a Espanha, onde ninguém tinha ido.
Antes havia outro projeto: ir a Jerusalém. Paulo era um homem orientado por projetos. Queria ir a Roma quando fosse a Espanha, mas antes iria a Jerusalém para outro projeto: levar pessoalmente a oferta que seus irmãos levantaram para seus irmãos na primeira igreja cristã (Jerusalém). Quando estava realizando um projeto, visualizava outro. Ele era um pioneiro: ele queria ir onde ninguém tinha ido. Ele queria fazer do modo que não fora ainda feito.
Em todos, tinha um objetivo: abençoar os outros.
No entanto, Paulo não era um fanático. Quando chegasse em Roma (e isto não se realizou, porque chegou preso), iria descansar um pouco, encontrando refrigério entre seus irmãos (Rm 15.33).

NÓS
Como Paulo, precisamos ter projetos, orientando nossas vidas por alvos (que são gerais) metas (que são específicas). Precisamos de um projeto-Jerusalém, de um projeto-Roma e de um projeto-Espanha. Jerusalém não é propriamente um projeto; é um encargo que recebemos e executamos com prazer; é um compromisso que assumimos, em função da necessidade e fazer executar. Roma é o projeto do outro, que vamos apoiar. Espanha é o nosso projeto, para o qual precisamos apoio. Não podemos nos contentar e abrir mão da Espanha, por causa de Roma ou de Jerusalém.
Quantos anos provavelmente teremos de vida? E o que vamos fazer até la? Que faremos ao nos aposentar? Muitos aposentados desperdiçam suas vidas.
Entre os nossos projetos, deve estar o de descansar, passear com a família, conhecer outras pessoas e novos lugares. Quando e de quantos dias serão suas próximas férias?

Como Paulo, precisamos fazer projetos que abençoem outras pessoas. Se nossos projetos alcançam apenas a nós mesmos, ainda não são projetos nascidos no coração de Deus.

Como Paulo, precisamos saber que, por vezes, teremos que adiar um projeto, talvez o projeto de nossa vida. Antes de ir à Espanha, seu grande projeto, tinha que ir a Jerusalém e a Roma. Precisamos aprender a lição da flexibilidade.

Como Paulo, precisamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para realizar os nossos projetos. Quando nos firmamos em nossos projetos, Deus se junta a nós para nos ajudar a realizá-los.

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