Conhecendo e sendo conhecido por Deus

INTRODUÇÃO: Uma vez eu comprei aquelas balas conhecidas como “Gotas de Pinho” e na embalagem veio uma frase que eu nunca mais esqueci, mas que agora começa a ter muito peso em meu coração. A frase era: O pouco que conheço de Deus foi o suficiente para mudar minha vida. O que hoje me impressiona é que o conhecimento de Deus e a transformação de vidas não andam necessariamente juntas. A frase não está errada, pois todo conhecimento de Deus deveria produzir necessariamente uma transformação de vida. O grande problema é que temos reduzido o conhecimento de Deus aos postulados Teológicos, aos chavões evangélicos, a terminologias sem fim, que acabam por não expressaram o conhecimento de Deus, expressam apenas a incapacidade humana de conhecer Deus, se ele não se revelar de modo íntimo, pessoal e num contexto de pura relação. O caso de Jô é típico de nossos dias e quanto temos demorado em chegar a conclusão de Jô: Eu te conheço só de ouvir falar. Mas o pior é quantos de nós já podemos gritar: agora meus olhos te vêem.

Meus irmãos houve uma época na Igreja onde o teólogo e o santo, o homem que anda com Deus, eram a mesma pessoa, pois todo conhecimento de Deus vinha de uma relação pessoal com ele. A autoridade do santo, ou do teólogo nesta época podia ser comparada à autoridade de Moisés que descia do monte com o rosto brilhando porque esteve com Deus, conheceu a Deus e recebeu uma mensagem de Deus. Hoje os teólogos existem aos montes, porém os santos se tornaram uma espécie extinta da qual a Igreja não percebe sua falta. Hoje eu estou aqui e não sei se meu rosto brilha, mas meu coração está aberto, e dentro dele a preocupação e o desejo que toda a área de ensino da Igreja produza pessoas mais santas, que conhecem Deus porque andam com Deus.

· O Salmo 139 é o Salmo de quem conhece a Deus, bem mais que os postulados que se afirmam a seu respeito.

· O Salmo 139 é o Salmo de quem contrapõe sobre a sua vida todo conhecimento de Deus.

· O Salmo 139 é o Salmo de quem olha para a própria vida sob a égide do conhecimento de Deus.

1-Conhecer a Deus é saber que sou totalmente conhecido por ele e viver à luz dessa verdade.

O Reverendo Ricardo Barbosa se questiona sobre como seria um relacionamento com quem nós não tenhamos nenhum segredo, mais ainda com alguém que consegue penetrar no nosso coração e conhecer as nossas motivações, alguém que não se impressiona com nossas propagandas de si mesmo, alguém que nós não enganamos com as situações fantasiosas criamos, alguém que conhece nossas feridas e afere a verdade da nossa vida. Relacionar-se com Deus é relacionar-se com alguém assim:

Vs1 e 2b- Tu me sondas e me conheces…penetras meus pensamentos.

Diante de Deus não há segredos, não há pensamentos, não há desejos ou atitudes que ele não prove. No original em hebraico a atitude de sondar é uma atitude constante, contínua, ininterrupta, Deus está constantemente passeando no meu ser, conhecendo meu raciocínio, provando minhas emoções, iluminando meus pensamentos. Posso dizer que estou rindo de felicidade, mas Deus sabe quando estou rindo para não chorar. Posso pedir perdão ao meu irmão dizendo que não tive intenção, mas Deus sabe as motivações que me levaram a feri-lo. Deus tem livre acesso às regiões da minha vida onde nem meus melhores amigos podem chegar. A partir dessa perspectiva Deus a as portas da transformação e da liberdade, pois nos conhecendo como somos permiti-nos que também nos mostremos aos outros como tal e quando assumimos o que somos ele transforma a nossa realidade. Deus está mais preocupado com o ator do que com o papel que representamos.

Vs2a e 3- O conhecimento que Deus tem a meu respeito se estende a todas as minúcias da minha vida. Ele sabe quando me assento ou me levanto, ele vê, quando distraído, faço as coisas mais banais que considero normais em minha vida. Deus está sempre sondando minha vida pública e íntima. Não há nada que eu possa esconder debaixo do tapete, ou no fundo do baú.

Vs5- não é apenas conhecimento que Deus tem a nosso respeito, mas cuidado também. Ele nos cerca por todos os lados, nos envolve como um manto, coloca sua mão sobre nós, nos abençoando e suprindo nossas necessidades.

Desconfio, baseado em mim mesmo, que muitos de nós vivemos algumas vezes como se nem mesmo Deus tivesse tal conhecimento a nosso respeito. E quando isto acontece abre-se espaço para a hipocrisia, a maior companheira de quem supõe conhecer a Deus, mas não anda com ele.

Oh! Senhor em nome de Jesus ajuda-me a viver sob a luz deste Salmo e a banir a hipocrisia da minha vida, ajuda-me a lembrar que mesmo no mais profundo do meu intimo eu não estou só, tu me sondas e me conheces, e sempre estás disposto a iluminar as regiões mais escuras de meu ser. Faça-me entender que tu não ages assim para ser meu carrasco e castigar em mim todo meu pecado, mas antes, pelo contrário, tu me sondas para restaurares em mim a tua imagem destruída no pecado.

2-Conhecer a Deus é relacionar-se com aquele cuja presença é inevitável.

O mesmo Ricardo Barbosa afirma em seu livro O Caminho do Coração, que “não há nada mais desejável, e ao mesmo tempo mais rejeitado, do que nos relacionarmos com alguém que nos conhece totalmente”. Temos o exemplo de Adão que se viu nu e teve medo; fez roupas para si, mas não confiou nelas e resolveu fugir da presença de Deus. E por um tempo Deus brinca de esconde-esconde com Ele. Hoje posso dizer que a vida cristã começa quando perdemos o medo de ficarmos nu na presença de Deus, deixamos de brincar de esconde-esconde, e deixamos Deus cobrir nossa nudez.

O salmista descobriu que de Deus ele não podia fugir. Como se deu esta descoberta. Será que foi através de algum ofício que Deus lhe enviou lhe informando da impossibilidade de fuga, ou será que o salmista tentou fugir de todas as maneiras e não conseguiu. Talvez ele tenha se imaginado passeando na Lua, viajando na Columbia, e tendo um momento de privacidade total nas estrelas, mas foi interrompido com a constatação de que os céus são a habitação de Deus e conseqüentemente Deus também está lá. Então ele decide imaginar como seria se ele tomasse a direção contrária e se vê no mais profundo abismo e descobre que até no inferno ele não pode fugir da presença de Deus. Ele toma uma saída pela tangente e vai para os confins dos mares, de onde só de vê água e céu, céu e água, e descobre que para chegar até lá foi guiado pela mão de Deus. Ele se volta para Deus e pergunta: Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?

Todos nós sonhamos com algum lugar, seja ele um abismo, quem sabe se para alguns o abismo depressivo de nossas nóias e paranóias, ou talvez seja este lugar o alto de uma montanha, e talvez para outros o cume de nosso sucesso pessoal, ou quem sabe ainda se buscamos esse lugar numa ilha, a ilha de nosso individualismo e solidão. O salmista também tentou se ocultar nas trevas e procurou na escuridão um pouco de privacidade, para muitos de nós as trevas têm sido os pecados prazerosos, os vícios camuflados e ocultos, a compulsividade da comida, das compras, do sexo. Acho que todos sabem do que estou falando, Ricardo Barbosa nos diz o seguinte em seu livro: Antigamente quando um cristão se encontrava triste e deprimido, procurava uma igreja, onde no silêncio do santuário buscava na contemplação do Cristo Crucificado, o alívio para suas dores e feridas. Hoje, quando esse mesmo cristão se encontra triste e deprimido, corre atrás do “shopping” mais perto e faz algumas compras para aliviar seu “strees” e depressão”.

O problema de Davi, e espero que seja o nosso, é que apesar da nossa inclinação natural para evitar e fugir de quem nos conhece, cedo ou tarde descobriremos que de Deus não se foge e só então a vida cristã começa a fazer algum sentido.

3-Conhecer a Deus é se render a sua ação e vontade.

O Salmo se iniciou com a afirmativa de que Deus sonda e conhece. Durante o salmo Davi tenta fugir de Deus e diante da impossibilidade da fuga, se abre, se rende e pede para Deus sonda-lo, e o convida a conhece-lo. Hoje eu percebo como é diferente o convite de Davi neste versículo 23 de todas as vezes que eu falei a Deus que me sondasse.

Conhecer a Deus é render-se diante daquele de quem não se esconde. E Deus, que a tudo conhece, respeita e espera esse convite para entrar e iniciar uma jornada de transformação e libertação em nossa vida.

Conhecer a Deus nesta perspectiva acaba por fazer de um modo mais suave e natural nossa conformidade com a vontade de Deus. Os versos 19 a 24 expressam isso. A obediência nasce de um relacionamento íntimo com Deus e não vice-versa. Quantas vezes tentei viver e ensinar a obediência desconectada do relacionamento como se a obediência fosse um fim em si mesma, não preciso nem dizer que a frustração foi inevitável. Mas andar com Deus, conhecer a Deus e se perceber conhecido por ele ajuda-nos a entender os “motivos” de Deus e a partir desse conhecimento fruto da intimidade a transformação é conseqüência natural.

Conclusão:

Conhecer a Deus ultrapassa a linha do que pode ser ensinado ou aprendido de forma didática. Conhecer a Deus é fruto de intimidade e relacionamento, de abertura e acolhimento. Conhecer a Deus e ser conhecido por ele é o único caminho para a mais completa e real experiência transformadora. Se Deus te chama para esta jornada põe-te a caminho e vai, a liberdade te espera.

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