Jesus chorou

A doutrina da Trindade é o centro da Teologia. Dela deriva a nossa concepção de Deus. A doutrina das duas naturezas de Cristo é o centro da doutrina da Trindade. Isto é, Ele é divino e humano ao mesmo tempo.

Sempre que alguém quer negar uma das duas naturezas de Cristo, incorre em heresia. Essa foi sempre uma grande luta na história da igreja. Alguns queriam afirmar a sua divindade e negar a sua humanidade. Outros queriam afirmar a sua humanidade negando a sua divindade. A igreja resumiu dizendo que nele existem duas naturezas sem dividir a pessoa e sem confundir as naturezas.

O texto em que está inserido esta expressão que se consagrou na história da igreja, nos mostra como essas duas naturezas se encontram presentes na pessoa de Cristo.

Ele sabe que Lázaro morreu V. 14, sem que ninguém viesse comunicar-lhe a morte; Ele afirma que Lázaro vai ressuscitar V. 23; Ele Ressuscita a Lázaro.

Por outro lado, o texto nos diz que Ele se comove v. 33; chora v. 35; novamente fica comovido; v. 38.

Jesus, ao subir ao céu, não perdeu a sua natureza humana, Ele continua sendo homem. Assim como ao descer à terra e se encarnar Ele não perdeu a sua natureza divina, ao subir aos céus Ele não perdeu a sua natureza humana.

“Permanecendo o que era, tornou-se o que não era”.

A teologia, porém, não tem fins especulativos, mas, a revelação de Deus nas Escrituras, segundo Paulo: “é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

Com isso, nós queremos trazer algumas lições importantes para a nossa vida. Jesus nos ensinou que nesse mundo passaríamos por aflições. É um diagnóstico que chega afirmando um mal incurável. É um filho que se envolve com drogas. É um acidente trágico que ceifa vidas precocemente.

É a fome de afeto daqueles que vivem a solidão. É a morte de um filho, de um esposo, de um irmão. É a dívida que se avoluma e os recursos que escasseiam… Como, porém, nós que cremos em Cristo, podemos enfrentar o problema do sofrimento. A atitude de Jesus ao chorar nos diz muitas coisas importantes e quero me deter em algumas delas nesta ocasião.

1. Jesus é sensível a nossa dor.

Uma das dificuldades dos gregos com a sua filosofia, em relação ao cristianismo, era por causa da sua concepção de Deus. Para eles se Deus tivesse sentimentos nós o afetaríamos no seu ser e assim Ele não poderia ser Deus. Com isso, o deus deles, era um deus insensível, apático (não no sentido de não se mover), mas de não sentir. Mas, Jesus, não é insensível a nossa dor. Ele chorou a morte de Lázaro. Quando você está triste, Jesus não está no céu alheio e indiferente a sua dor. Ele conhece a suas emoções.

Quando você teve aquela grande desilusão amorosa e você pensou que nunca mais iria amar alguém, que o mundo havia se acabado, que não havia mais sonhos, que a partir daquele momento você não queria mais saber dessas coisas do coração, Jesus não foi indiferente. Quando você perdeu alguém que tanto amava e as torrentes de lágrimas inundavam os seus olhos e você queria entender porquê; quando cada lugar e cada objeto, eram instrumentos de lembrança e alimentavam a saudade, Jesus não foi indiferente. Isto não passou despercebido a ele.

Quando você se desesperou com a doença de alguém que você tanto amava e a sua angústia quase que o levava a loucura, Jesus não foi insensível a sua agonia, mas Ele entendia e compreendia a sua aflição. Ele chorou por sua causa. Hebreus 2:17 Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo.

Hebreus 4:15 Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.

2. Jesus traduz a nossa aflição diante do Pai.

Deus o Pai, embora não seja apático na concepção dos gregos, pode se compadecer de nós, mas não sabe o que sentimos de forma plena. Os anjos de Deus também não sabem o que é o sofrimento humano. Mas, Jesus sabe.

Jesus experimentou a fome; Jesus experimentou a sede; Jesus experimentou o calor do deserto; Jesus experimentou o cansaço; Jesus experimentou o sono. Jesus viveu a agonia da expectativa da morte. Ele suou gotas de sangue. Ele experimentou a dor dos espinhos, dos cravos, da morte na cruz. Ele experimentou o desprezo, a ironia, o ódio, a traição, a negação, o abandono, a solidão. O profeta Isaías, expressando essa realidade profetizou: “homem de dores e que sabe o que é padecer”. Is. 53.3.

“É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.

Jesus é o nosso advogado diante do Pai, é o intérprete das nossas agonias.

O fato de Jesus ter experimentado todas as sensações humanas de dor e sofrimento, de tentação, embora sem pecar. Faz com que ele as possa expressar diante do Pai. Por isso, cada vez que você se sentir sozinho. Não pense que Deus não entende a sua solidão. Ele entende e se compadece. Cada vez que você se sentir triste, Deus entende a sua tristeza. Ele entende e se compadece. Cada vez que você se sentir aflito e a sua alma estiver em profunda agonia, Jesus traduz diante do Pai a sua angústia e Ele se compadece de você.

3. Jesus é o nosso socorro em meio à dor.

Hebreus 2.18 Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.

O texto de Hebreus nos fala que Jesus é poderoso para socorrer aos que são tentados. Mas, por extensão

Ele também é poderoso para nos socorrer em meio à dor. Jesus, não é apenas sensível e solidário à nossa dor. Ele não apenas traduz a nossa aflição diante do Pai. Ele é poderoso para nos socorrer em meio às nossas lutas. Ele é o mesmo ontem, hoje e para todo o sempre. O seu poder não mudou. Ele é quem repreende os ventos; Ele é quem cessa a tempestade do mar; que transforma água em vinho; que dá vista aos cegos; que dá voz aos mudos; audição aos surdos; que faz com que a mulher estéril seja mãe de filhos; que cura a lepra, a aids, o câncer; que ressuscita os mortos; que dá livramentos e vitórias ao seu povo. Ele é poderoso para nos socorrer.

O Jesus que chorou, ressuscitou a Lázaro. Jesus chorou quando os aviões se chocaram com as torres do World Trade Center. Jesus chorou quando viu os edifícios em chamas. Jesus chorou quando viu as pessoas em desespero procurando fugir daquele horror. Jesus chorou quando viu os corpos em combustão. Jesus chorou quando viu homens e mulheres se atirando em desespero. Jesus chorou quando viu os corpos despedaçados. Jesus chorou quando viu as lágrimas dos filhos que nunca mais veriam os seus pais; dos pais que nunca mais veriam os seus filhos; dos esposos que nunca mais veriam suas esposas e nem das esposas que nunca mais veriam os seus esposos. Jesus chorou quando viu as lágrimas dos amigos que nunca mais veriam pessoas que amavam.

Jesus chorou quando viu os terroristas partindo para um vôo cego e insano que os conduziria a morte e ao inferno. Jesus chorou por aqueles que morriam por um paraíso que não existe, por um deus que não é deus, por uma palavra que não é verdadeira. Jesus estava agindo naquele dia, fazendo com que carros não pegassem, despertadores não tocassem, que pessoas fossem por outro caminho; que pessoas adoecessem, que pessoas se atrasassem, que pessoas corressem, que pessoas faltassem. No mistério das duas naturezas Jesus é o homem que chora e o Deus que age.

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