O sal e luz

RELEITURA DO TEXTO

Este texto encontra-se no conhecido Sermão da Montanha. Nele os discípulos são comparados ao sal e à luz. Duas figuras tão distintas e, ao mesmo tempo, servindo conjuntamente para definir o que é um discípulo.
O que aproxima as duas figuras é a impossibilidade de serem algo diferente do que são. O sal serve apenas para salgar, a luz para iluminar, só um louco a colocaria debaixo da mesa.

EXPLICAÇÃO

O Sermão da Montanha traz uma série de instruções para os discípulos. O nosso texto encontra-se na primeira parte, logo após as bem-aventuranças, como uma espécie de introdução ao sermão. Assim, o texto que estamos a abordar é a exortação de abertura deste sermão.(5,13-16) Pode-se perceber a importância que este texto tem para a pregação de Jesus neste momento.

Para entender melhor o texto devemos observar algumas das suas peculiaridades. A primeira é com relação ao sal. O sal constituía-se como elemento fundamental para a vida do mundo antigo. A função de dar sabor era a menor delas. O seu papel principal era o de conservar os alimentos, tanto para o consumo doméstico como para o comércio, permitindo que fosse vendido, principalmente, o peixe. Além de ser elemento fundamental no quotidiano do mundo antigo, outro detalhe que devemos destacar é que o sal não se estraga. É um elemento da natureza que não perde a sua característica fundamental.
Desta maneira percebemos os desafios que surgem a partir da compreensão do significado do sal. Ele é essencial para a manutenção da vida e nunca perde as suas características. Os ouvintes destas palavras entenderam a lição que estava a ser apresentada. O sal não se estraga, portanto o verdadeiro discípulo não pode perder as suas características e o seu papel de preservar a vida no mundo.

A segunda peculiaridade é com relação à luz. Ela está associada à impossibilidade de ser escondida e ao lugar que deve ocupar, no teto da casa e não em baixo da mesa.
Nesta referência à luz também temos as contradições que aparecem no sal. É uma loucura construir uma cidade no alto de uma colina e querer escondê-la. É impossível, já que não é este o objectivo. Também é loucura esconder a luz. Se acendemos a luz é com o objectivo de iluminar. Acender a candeia para colocá-la num lugar onde não alumia, não será loucura?
Os desafios que surgem a partir da compreensão do significado da luz são vários. O papel do discípulo é iluminar o caminho do Reino. Assim sendo, ele não se pode omitir da sua tarefa. Fazer isso seria loucura?

TRNSPOSIÇÃO

É comum nos nossos dias ouvirmos comentários a respeito de pessoas que se envergonham de serem cristãs. Também encontramos aquelas que são muito “discretas” na prática do cristianismo. Existem algumas pessoas que compõem um verdadeiro exército de “agentes secretos” de Jesus. É necessário um esforço muito grande para descobrir que são cristãs.
Não é de estranhar, portanto, que este texto seja a primeira exortação do Sermão da Montanha. Ser cristão é ser agente da missão. Ser cristão é praticar, apontar, anunciar o caminho do Reino de Deus.
Por isso o cristão deve ser uma cidade edificada sobre o monte. A sua luz é vista de longe. É loucura querer esconder a luz; é loucura querer esconder que se é cristão.
O cristão é sal da terra. Do mesmo modo que este, não perde as suas características. Não existe um cristianismo que não seja a verdadeira prática dos princípios do Reino, presentes na vida e ensinamentos de Jesus. O verdadeiro discípulo precisa de reflectir os valores do Reino de Deus no seu constante viver.

QUESTÕES

1. Comente no seu grupo sobre as interpretações que cada participante conhece a respeito deste texto.
2. De que modo estas interpretações complementam ou contradizem o estudo feito aqui?
3. Comente sobre o que é ser cristão no mundo em que vivemos.
4. O que é ser sal e luz para o seu grupo, à luz do que se levantou na questão anterior?
5. Terá este estudo ajudado o seu grupo a entender a necessidade de viver e praticar o evangelho do Reino; e o que pode ser feito para transformar o quadro, se for negativo?

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