Roteiro de um Insensato

Esta mensagem é a segunda de uma série de sete mensagens neste texto. Conhecemos bem a história. É uma história triste e lamentável. A história de alguém que da fartura desce ao chiqueiro. E podemos estabelecer uma coisa desde já: Ela tem um sentido particular, é a história de qualquer um de nós!

…. É que muitas vezes pensamos em pródigo como excluído, não é! Pródigo significa dissipador, dilapidador, desperdiçar, esbanjar, é o que gasta muito, assim como alguns políticos deste País… Portanto Pródigo: alguém que dissipou a sua riqueza. E Pródigos hoje podem ser pobres: Pobres que estão dissipando a vida, a inteligência, os talentos, estão dissipando em futilidade.

Há um pregador luterano alemão, Helmuth Thielik, que tem uma série de sermões nas parábolas de Jesus, tem dois sermões nesta parábola. Ele começa contando que, quando era criança, seu filho, com dois anos, viu a imagem refletida no espelho e achou muito interessante que tudo o que ele fazia a outra criança fazia também e então começou a fazer os gestos para ver como a outra criança a imitava até que teve o discernimento, entendeu que aquele lá no espelho era ele e não outro e aí, diz Helmuth, é a mesma sensação que vem sobre nós quando lemos a história do Filho Pródigo.

Lemos esta história e começamos a pensar: espera um pouco! Este aí sou e não outro, esta é a minha história! Esta é a história do homem e da mulher que caminham sem Deus, sem compromisso com ele, estão perdendo, não a sua fortuna, porque podem até ser pobres economicamente, mas sua vida, sua inteligência, sua saúde, suas emoções, seus dons, todo o sentido da existência naquilo que não edifica.

Quero analisar o texto hoje por este ângulo, O ROTEIRO DE UM INSENSATO: o moço não tem juízo nenhum, o seu roteiro, descendente, cada vez mais ladeira abaixo, é um roteiro que muitas pessoas tem também estabelecido para si.
Um roteiro de quatro passos. Primeiro Passo: ELE JULGOU QUE LONGE DO PAI VIVERIA MELHOR. Este moço fora criado numa fazenda e agora se cansou da rotina, Fazenda não é um bom lugar para um moço porque não acontece nada de novo, é a mesma coisa todos os dias. E ele gostava de aventuras.

Outra coisa, ele tinha um pai, ele era o mais novo, ainda tinha um mais velho, … é bom ter irmãos, sempre tem alguém para dizer alguma coisa. Então ele tinha o pai e o irmão mais velho, a vida era rotineira, ele gostaria não só de dirigí-la, mas também de passar por experiências próprias dele. Ele julga que pode dispensar a ajuda do pai.

E esta atitude, quanto colocada em nível espiritual é uma das maiores demonstrações de insensatez, é a pessoa que julga poder dispensar a ajuda do pai celestial: “Gostaria de viver longe dele, afinal há tantas regrinhas nesse negócio de igreja. Afinal há tantas coisas para fazer, para não fazer. “Gostaria de ter o direito de viver a própria vida, sem regras, sem ninguém para me dizer o que fazer, quero fazer o que me der na telha. Não quero que ninguém se meta na minha vida”. Ou seja, Esta é a filosofia da pós-modernidade: cada um na sua! (talvez seja por isso que temos tanta dificuldade em montarmos nossos grupos familiares…)

Você vive na tua eu vivo na minha, ninguém se mete com o outro, e assim vamos muito bem. Esta é a vida boa. Não tenho que dar satisfação do que digo, do que penso, do que faço para ninguém. E com certeza na casa deste jovem tinha muitas regrinhas: havia um irmão mais velho e pelo que se vê na história, nós vamos ver, o irmão mais velho é um chato.

Havia um pai, havia o trabalho rotineiro, havia aquela vida doméstica, … mas havia pão, havia segurança, havia estabilidade. Ele se sentiu atraído por valores que julgava superiores aquilo que tinha em casa. Depois, como um insensato foi descobrir aquilo que muitas pessoas descobrem, algumas um pouco tarde: é que não há realização pessoal longe do pai celestial. Não há realização longe de casa.

Este é o Roteiro de um insensato: julgar que longe de Deus se vive bem. Não há futuro sem Deus e longe dele a pessoa não encontra segurança, nos momentos de crise não tem onde se agarrar, no momento de desespero não tem onde por a mão, não tem rumo, não tem direção.
Se há uma palavra que serve para alguém nesta noite é esta: não te afastes de Deus, não fique sem ele, é insensatez julgar que nós, criados à imagem e semelhança de Deus com um vazio dentro de nós, como disse Agostinho, que só pode ser preenchido por Deus, podemos viver bem preenchendo o lugar dele com sensações, com festas, com curtição, com drogas com tantas outras coisas.

Este moço foi insensato porque julgou que a realização da vida estava em fazer os seus próprios padrões, em não se sujeitar a regras, em viver longe da tutela paterna, em estabelecer o seu próprio caminho e tudo o que conseguiu foi uma vida dissipada que terminou num chiqueiro. Este é o primeiro passo no roteiro de um insensato: Julgar que longe do Pai viveria melhor.

O segundo passo no roteiro de um insensato: VIVER SEM PENSAR NO DIA DO AMANHÃ. Muito tinha, muito gastou, e o texto diz isso. Depois saiu de casa o texto na Versão Almeida diz assim: “lá dissipou todos os seus bens vivendo dissolutamente”. – Não dissipou uma parte e aplicou a outra, dissipou todos os seus bens. Tudo o que tinha foi embora, ficou sem nada.

Sabe qual é a atitude que está por detrás dessa atitude? É a atitude de muitas pessoas que diz: o amanhã não existe! Vou curtir o dia de hoje, não estou preocupado com a alma, com a eternidade, estou preocupado com outras coisas, o que me importa é o aqui e o agora.

O que me importa é viver sensações intensas, o que me importe é este momento, não me preocupo com mais nada. Eu? Religião? Deus e eternidade? Isso é para quando eu ficar velho, quando eu estiver com o pé na cova eu penso nisso, mas por enquanto não. Por enquanto eu quero é viver este momento.

Só que os bens do moço não duraram muito e aí diz o texto: sobreveio sobre aquele país uma grande fome, veio o imprevisto: agora ele é pobre numa terra com crise econômica. Imagine você pobre vivendo na Argentina hoje. “Rico em terra com crise econômica se safa, mas pobre não”. Não tinha mais nada e agora? …..
É muito fácil viver sem pensar no dia de amanhã, só estou interessado no agora, mas de repente surge uma grande fome, surge uma crise, surge um imprevisto e aí esta pessoa que não tem estrutura espiritual, que não tem valores, que não solidificou a sua vida sobre uma rocha, sobre alicerces sólidos, descobre que agora, como diz o texto, começou a passar necessidades.

Descobre que amizades da pesada são incapazes de encher o coração de significado, descobre que curtir um som, que drogas, que isto e aquilo podem produzir um êxtase no momento, mas aquela profunda necessidade de significado na vida, de sentido para a existência, de realização pessoal, ele não tem, a vida é vazia, é frustrante.

Viver em função de instintos, de coisas é, como diz o texto, passar necessidades. E o pior tipo de necessidades, espiritual e existencial, é a falta de significado. É algo que as pessoas hoje não entenderam: as coisas não têm capacidade de encher a nossa vida de sentido. Os bens não têm capacidade de encher a nossa existência de significado.

A Revista Veja, trouxe há algum tempo que uma socialite, Vera, comemorou o aniversário de sua cadelinha e deu um pingente de ouro em forma de osso para cada uma das quarenta cadelinhas iguais a ela, que participaram da festa….

Cachorro não conta o seu aniversário, não sabe que dia é hoje, mas nós pensamos no dia de amanhã, contamos tempo, pensamos em eternidade e descobrimos que a vida é muito mais do que roupa, comida e cartão de crédito. Existe alguma coisa lá dentro que não pode ser saciada. Então, para evitar ser insensato é necessário pensar no dia de amanhã!

Um ancião de 84 anos que foi batizado em uma igreja de um colega, que o instruiu bem sobre o batismo , seu significado, e quando terminou o batismo aquele ancião teve uma crise de choro. O pastor disse: mas era para o Senhor estar alegre. O senhor está chorando no dia do seu batismo. O que aconteceu? O homem disse: pastor, eu tenho 84 anos, gastei a minha vida toda longe de Deus. Quanto tempo eu tenho para servir a Deus agora, o que vou fazer para Deus agora? Eu tive uma vida interia desperdiçada…
Este é o roteiro do insensato. Se você vive sem pensar no amanhã, na sua alma, na eternidade, em comparecer diante de Deus, você é um insensato.

Terceiro passo no roteiro de um insensato: NA AFLIÇÃO BUSCOU A ESTRANHOS E NÃO O PAI. O texto é bem claro, “depois de ter gasto tudo, houve uma grande fome em toda aquela região, e ele começou a passar necessidade. Por isso foi empregar-se comum dos cidadãos daquela região..”.

Ele tinha um pai rico, amoroso que o aceitou, ele estava em terra estranha, em vez de procurar o pai, ele procurou um cidadão daquele país, foi procurar um estranho que tinha um senso de humor sarcástico: mandou-o cuidar de porcos.

Este Jovem era judeu, o porco é um animal imundo, religiosamente imundo. A última coisa que um judeu faria seria isto. Era o ponto mais baixo que alguém poderia chegar na sociedade judaica. E este moço não procura o socorro do pai, mas procura socorro num estranho.

Quanta gente insensata que em vez de bater na porta de Deus vai bater na porta de estranhos. Procura resolver suas coisas e consertar a sua vida não com Deus, mas com entidades espirituais, no demonismo, no ocultismo, julgando que lá vai encontrar misericórdia E o que encontra é sarcasmo, maldade, é espezinhado, e o seu problema não é resolvido, … porque o do moço não foi resolvido.

Pessoas que em vez de voltarem para o pai celestial insistem em permanecer em terra estranha e se encostam em pessoas que nunca usarão de bondade para com elas, quanta gente batendo em porta errada.

Onde é que você vai numa época de crise? Onde é que você vai buscar alívio? Quantas pessoas confiam a sua vida em entidades espirituais, a ídolos que não podem fazer nada por elas em vez de acertar as suas contas com seu pai celestial? Se há uma exortação aqui é esta: não coloque a sua confiança em estranhos. Você tem um pai celestial que te ama, que te aceita e que restaura, como vimos domingo passado.
Quarto e último passo no roteiro de um insensato: A PERDA DO SENSO DE DIGNIDADE PESSOAL. Moço rico, criado com fartura e diz dele o texto: “ali desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada”. Na linguagem de hoje: quem tinha banquete em casa, estrogonofe, crepe suzete, agora o seu prato desejado é lavagem de porcos.

Quem era servido por empregados agora disputa comida com porcos: Perda da Dignidade! Que humilhação, que perda de noção de valor, e quantas pessoas hoje vivem num chiqueiro, perderam a noção de dignidade pessoal.

Não é a questão de viverem em lugar pobre e carente, não é isto, é a perda de sua noção pessoal, de sua dignidade, dominada pelo álcool, vencida por ele, caída sobre o próprio vômito, vitimado pelas drogas, alguém que escravo do fumo…

…Alguém que não consegue livrar-se do seu mau gênio, que não consegue se livrar de algo que o escraviza, que o machuca, que arruína a sua própria vida: ali está alguém criado à imagem e semelhança de Deus e que perdeu a dignidade.

Será que a sua vida reflete a dignidade que teu Deus te deu? Imagem e semelhança de Deus? Coroa da criação? … Que tristeza! O texto diz que este Jovem desejava fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada, agora ele era um mendigo, não era nem um trabalhador porque ninguém lhe dava nada e há uma lição aqui: na medida em que nós nos afastamos de Deus e vivemos na confusão de valores deste mundo estamos vivendo como insensatos.

….. Entretanto nem tudo é tão trágico. Há um momento de lucidez, e neste momento o jovem reordena a vida e faz o caminha de volta. Ele descobre algumas coisas: primeiro, errou, reconhece isto. Segundo, ele reconhece que longe do pai a vida não tem sentido. Terceiro, ele está perdendo a vida, ela está passando. Quarto, o pai pode aceitá-lo. Então ele resolve voltar e pedir perdão, e o pai ministra isso na vida dele!

Pai, pequei. – É curioso a mudança das palavras, porque quando ele saiu de casa a palavra que marcou o início da história é uma palavra impiedosa e autoritária: “dá-me a parte dos bens que me pertence”. E ele na verdade não tinha bem nenhum. Primeiro porque não tinha herança, pelo menos na sociedade judaica com o pai ainda vivo não. E o pai não tinha morrido, como ele queria a herança?

Segundo porque pela sociedade judaica o irmão mais velho é que ficaria com 50% e o restante seria dividido pelos outros e o mais velho é que deveria pedir, e o mais velho ficou trabalhando em casa, ele é que foi gastar a fortuna.

Mas agora a outra palavra, a palavra de volta para casa: “Pai Pequei”. Aqui uma palavra de humildade, de quebrantamento. E isto retrata os dois início: arrogância, auto-suficiência, a pessoa que pode viver muito bem sem Deus e depois a pessoa que descobre: “Eu preciso do meu pai celestial”.

Finalizando, quero desafiar você a olhar a sua vida, a ver como está andando, administrando o seu tempo, a sua mocidade, seus bens, sua saúde, sua inteligência, seus talentos, seus dons. Todas as coisas boas que Deus tem confiado a você!

E responda esta pergunta só para você, lá no fundo do teu coração: Se vier uma crise, se lhe puxarem o tapete, se a situação ficar difícil, se o desespero bater: o que é que você vai fazer? Onde você vai se encostar: em Deus ou em estranhos?

Qual é a fonte da sua confiança? Você esta vivendo na plenitude de vida? Com sentido de vida? Ou vivendo uma vida de fome espiritual? Lição de hoje: Desfaça o roteiro do insensato e refaça o roteiro do homem sensato.

Cântico: “Renova-me…”

Na próxima quarta-feira, refletiremos sobre o tema: “Caindo porém em si”.

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