Um Natal sem palavras

Introdução

Em seu livro “Bar Don Juan” Antonio Callado, famoso escritor brasileiro, narra a história de homens que estavam preocupados com o futuro e os problemas do Brasil. Reuniam-se todos os dias num bar, denominado Don Juan. Depois de muita conversa acompanhada de bebidas e petiscos cada um voltava para casa e a vida continuava. Havia muita conversa para pouca ação. Assim também procede muita gente. Fala, fala, mas fazer que é bom é pouco. Outros criticam, criticam, mas dar boas idéias e agir para melhorar, nada. Esse tipo de gente Deus dispensa. Ele está interessado naquele que, caladamente, age de maneira fabulosa. No texto desta mensagem, registrado em Mateus 1.18-25, vemos a história de um homem fabuloso. Não há nenhum registro nos Evangelhos de uma palavra sua. No entanto, dentre os seres humanos, pecadores, foi o que mais alto falou nas Escrituras Sagradas através de sua vida. Seu nome é José, e sua mulher, Maria, e o seu filho adotivo: Jesus Cristo, Deus Bendito. Caminhemos neste texto e veremos como é que acontece

I – O SILÊNCIO DE JOSÉ NA GRAVIDEZ DE MARIA

“Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivesse antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente.”(Mt 1.18,19). Em primeiro lugar a Bíblia nos mostra a justiça de José. Embora estivesse desposado de Maria, o que exigia a lei judaica, no entanto não haviam coabitado, o que deveria acontecer um ano depois do compromisso, soube que a esposa estava grávida. Mateus nos diz que sendo justo não quer José lançar a mulher em ultraje, uma vez que o adultério se constituía em pena de morte por apedrejamento. Prefere ele assumir a situação fugindo e recaindo sobre ele a culpa. Diz o texto que: “Enquanto ponderava nestas cousas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.(Mt 1.20,21). José foi obediente à informação do anjo. Antes de sair e propalar a todo mundo ele “fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher.”(v.24).

II – O SILÊNCIO DE JOSÉ NA MANJEDOURA.

Vemos ainda José, silencioso perante a manjedoura. Lucas, no capítulo 2 nos fala de todos os acontecimentos ao redor do nascimento de Jesus. O coro dos anjos aos pastores, o testemunho dos mesmos a ele. O seu coração silencioso, guardava, como o da esposa todas as coisas referentes aos acontecimentos.

III – O SILÊNCIO DE JOSÉ NA PROTEÇÃO DO MENINO. (Mt 2.13-15; 19-23)

A chegada dos Magos, à procura de Jesus, acendeu a fúria de Herodes que procurou matar o menino Jesus. Sob as ordens de Deus José deixa o conforto de Belém e de sua terra, a Judéia, e foge com Maria e a criança para o Egito onde permanecem até a morte do rei, voltando depois para viver numa terra simples, chamada Nazaré. José, silenciosamente, se torna um instrumento ativo e obediente nas mãos de Deus dando todo amor, carinho e proteção do Eterno Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo.

IV- O SILÊNCIO DE JOSÉ NOS EVANGELHOS E O SEU GRANDE PRIVILÉGIO

A narrativa dos Evangelhos nos mostram de forma maravilhosamente silenciosa a vida de José. Ele surge no cenário da vida de Maria e Jesus. Oferece todo o respaldo necessário de proteção, abrigo, alimento para o Senhor Jesus. Permanece silencioso, falando alto apenas as suas atitudes e, misteriosamente, desaparece no cenário da História da Redenção. No entanto, ninguém teve maior privilégio do que ele. Protegeu e amparou o menino Jesus e o seu maior privilégio, como escreveu Max Lucado: “Ele teve o deleite de ensinar a Jesus, o Criador do mundo, como manusear um martelo.” É esse tipo de pessoas que Deus procura para o Seu Reino. Que trabalhem sem estardalhaço, sem preocupação com fama, sucesso ou poder. Que trabalhem e dêem tudo, como o fez o homem que achou o tesouro no campo (Mt 13.44) ou o que encontrou a pérola de grande valor (Mt 13.45,46). Dão tudo pelo Reino de Jesus Cristo.

Conclusão: Grande e Maravilhoso Natal poderá ser para nós, como o de José. No silêncio das palavras grandes atitudes

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