A fé que não salva

Exórdio: Uma história de 4 pessoas

Havia um importante trabalho a ser feito e TODO MUNDO tinha a certeza de que ALGUÉM o faria; QUALQUER UM poderia ter feito, mas NINGUÉM o fez. ALGUÉM zangou-se porque o trabalho era de TODO MUNDO. TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM poderia fazê-lo, mas, NINGUÉM imaginou que TODO MUNDO deixasse de fazê-lo. No final, ALGUÉM culpou TODO MUNDO, quando NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito.

Explicação: Texto difícil, de muitas divergências teológicas: Teólogos que afirmam uma contradição com o pensamento paulino (consciente). Entretanto, a maioria dos teólogos não vêem contradição entre o texto de Tiago e o texto de Paulo: afirmam que se trata de uma abordagem de diferente ângulo sobre a fé. Paulo fala de uma fé não meramente intelectual (Ef 2.10 “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas). Nesse texto, Paulo fala da salvação pela graça.

Tiago, por sua vez, coloca o mesmo termo fé, de uma maneira diferente. A fé somente, sozinha, puramente intelectual, que não é evidenciada em obras, é nula. Essa fé, que para Tiago não serve. Puramente mística: Se resume no querer: Fale ao monte… Também não é uma fé racional: Se resume no saber: eu sei e pronto. Os demônios também sabem. É mais do que querer e saber: é ser e fazer. O fazer também não se referem as obras da lei, mas aos frutos do espírito. Veremos que o fazer de Tiago está intimamente ligado à eles. É a chamada “Lei da liberdade”. A fé sozinha que se resume no saber ou no querer, não é válida; enquanto que evidenciada por obras é a verdadeira fé, aquela que nos transformou. Aquilo que você creu e mudou sua vida. Por isso deve ser acompanhada de obras, naturalmente. Se nossas atitudes contradizerem nossa crença, então estamos totalmente enganados. (2.12) Tudo indica, que, Tiago escreve este texto para combater, não a Paulo, mas a má interpretação que possivelmente na época se fez de seus ensinos: como hoje. Respaldados em uma equivocada interpretação paulina, muitos justificam os braços cruzados, dizendo que vivem sola graccia. Creio que o esforçado, lutador e aplicado Paulo sentiria vergonha de tais. Obras em Tiago se referem aos frutos do espírito de Paulo.

Tema: FÉ QUE NÃO SALVA

Transição: Como é essa fé na prática?

1 – FÉ INSENSÍVEL vv. 14-17
Hipócrita. A fé não vêm das obras, mas as obras são fruto da fé. O fazer se relaciona intimamente com o ser. (ICEBERG) Tiago aqui apenas repete as palavras de Jesus quando o mesmo conta a história do samaritano: (Sacerdote e Levita – fé insensível). A fé é o que nos torna bons. Não são as obras que nos torna bons. Pois se fosse obras, seríamos iguais a qualquer um ou entidade que realiza boas obras. Nesse caso, qual a nossa diferença? A fé. Enquanto a fé cristã diz que, em Cristo somos bons, pois fomos criados para as boas obras, os outros alegam que fazem boas obras para serem bons, e por isso não precisam de Cristo. Isso torna nulo as boas obras, fato que torna nulo também a fé que não é evidenciada. Cabe aí o seguinte silogismo: Se estou em Cristo, tenho fé, se tenho fé, logo evidencio boas obras, pois estou em Cristo, e isto está intrinsecamente ligado à sua pessoa, o fato de ser bom. (ilust. casamento = fidelidade)

2 – FÉ INCONFESSÁVEL vv. 18-20
Inoperante – reconhecer, atitude. A palavra confessar está ligada a uma atitude tomada. Quando confesso, é porque fiz. Não é só o ato do saber, é fazer. Senão os demônios também seriam salvos. Porque estes não são salvos? Porque apenas sabem; não são transformados. Por isso a verdadeira fé é aquela que gera transformação, e não estagnação. Esse diálogo em forma de diatribe em Tiago mostra a incoerência dessa fé inoperante, inconfessável. Jesus já fala dessa fé em Mt 7. 24,27 (quem ouve e pratica constrói na rocha… quem ouve e não pratica constrói na areia… a casa cai). A ruína de nossas igrejas se dá pela estagnação, conformação com o saber e não fazer. A fé precisa ser confessada diariamente por que somos criados para confessar de maneira prática o evangelho.

3 – FÉ INCONSEQÜENTE vv. 19-26 não tem resultados, não segue naturalmente. Tiago fala aqui de resultados. Para isso cita Abraão e Raabe. Imagine se Abraão falasse: Creio em Ti Senhor, mas não vou fazer o que me pedes. Se Raabe dissesse: Acredito no povo de vocês mas, não esconderei vocês. Se existe o Deus de vocês, pulem a janela, Ele há de salvá-los. A fé se consuma pelas obras (v.22). Senhor, eu creio que vou para o céu, mas não quero pagar o preço de ser cristão… Mc 8.34 (quem quiser pois vir após mim, a si mesmo se negue, tome sua cruz e siga-me). É a prática. Tomar a cruz para Jesus é prática. Ninguém toma a cruz se não estiver disposto a levantar-se do seu lugar, fazer força e andar. A fé precisa mostrar resultados, senão será um corpo sem espírito (26). Ilustr. invenções japonesas. Até muito bonito, mas todo mundo sabe que ali não há vida. Fé conseqüente, tem resultados naturais.

Conclusão
Fé não pode ser insensível, inconfessável e inconseqüente. Estas são evidências de uma falsa fé.
Fica mais fácil o nosso entendimento das palavras de Tiago quando nos reportamos às palavras de Jesus no evangelho de Jo 15 (videira e ramos) 5 “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer”. Sabemos que a fé procede de Deus pela graça, que é evidenciada pelas boas obras. Se estamos nele, logo daremos fruto…
Desafio à Igreja de hoje

Bibliografia:

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Ed. Nova Edição Revista . São Paulo : Ed. Paulinas , 1986.
BÍBLIA SAGRADA. Ed. Revista e atualizada no Brasil. Trad. João Ferreira de Almeida. Brasília-DF: CIA. Brasileira de Impressão e Propaganda, 1988.
BÍBLIA VIDA NOVA. Ed. Revista e atualizada no Brasil . Trad. João Ferreira de Almeida. 13a ed.São Paulo: Ed. Vida Nova & Sociedade Bíblica do Brasil, 1990.
MACKENZIE, L. John. Dicionário Bíblico, São Paulo: Ed. Paulinas, 1983.
TRADUÇÃO ECUMÊNICA DA BÍBLIA: T.E.B. Trad. Ecumênica. 2a ed. São Paulo: Ed. Loyola, 1994.
VV. AA.A Carta de Tiago: Coleção Cadernos Bíblicos. São Paulo: Ed. Paulinas, 1991.

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