A Prática do evangelho como libertação da ansiedade

INTRODUÇÃO

A palavra ansiedade é definida nos dicionários como: angústia, grande inquietude, incerteza aflitiva, abatimento penoso em que se associam transtornos interiores, desejo ardente e impaciência.
Os médicos são unânimes em afirmar que esses sentimentos provocam uma série de enfermidades, tais como: depressão, gastrite, insônia, desequilíbrios emocionais, apego ou intensificação de vícios como álcool, fumo e outros.
A ansiedade, nos últimos tempos, é participante da vida diária de grande parte das pessoas no mundo. Ela é chamada de diversas maneiras e manifesta-se de muitas formas. Manifesta-se na forma de stress, de cansaço mental, de esgotamento emocional e espiritual.
O fato é que a ansiedade, nas suas mais variadas formas e motivos, envolve as pessoas em muitas preocupações, tirando delas a possibilidade de viverem uma vida tranqüila, de paz, de desprendimento e de alegria e as conseqüências são as mais variadas, refletindo-se na saúde, no trabalho, nos relacionamentos, na frustração de planos e projetos de vida.

A ORIGEM

O que pode dar origem à ansiedade ? Como e porque ela surge na vida das pessoas ?
Não existe uma resposta única para explicar como a ansiedade estende seus tentáculos sobre a vida das pessoas e as envolve, roubando-lhes a paz, a tranqüilidade, a confiança e a alegria de viver.
Os motivos por ser os mais variados, mas, na maioria das vezes estão relacionados com a nossa incapacidade de lidarmos com o mundo ao nosso redor.
A realização de nossos desejos, sonhos e planos na maioria das vezes dependem de fatores que não controlamos. Dependemos de pessoas, de circunstâncias, de tempo, de recursos, de muitas variáveis que não depende somente de nós, do que somos, do que temos ou do que podemos.

Quando os nossos desejos ou nosso sonhos não dependem apenas da nossa capacidade e o nosso destino fica na dependência de fatores que não controlamos tornamo-nos ansiosos e aflitos, vivemos em sobressaltos e angustiados, sempre na expectativa do que vai nos acontecer.
Existe no interior do homem a vontade de realizar todos os seus desejos, de controlar a sua própria vida, seu destino, seu futuro e seus sonhos.
Porém, ao se defrontar com as dificuldades diárias, provocadas pelas circunstâncias ou pelas pessoas, ou pela falta de recursos, ou pela nossa própria incapacidade, começamos a ficar ansiosos e entristecidos e permitimos que o desânimo se abata sobre nossas vidas. Muitos perdem o rumo e suas vidas se tornam vazias e sem sentido.

O mundo em que vivemos não nos ajuda muito nessa questão, ao contrário, pois o mundo ao derredor tem sido estimulador do sucesso a qualquer preço, onde o fracasso é punido com o desprezo e o isolamento, do consumo sem limites e sem culpa. De um lado o mundo valoriza e entroniza o “eu”, elevando aqueles que conseguiram atingir o sucesso na vida, sem se importar muito com os meios usados para se alcançar os fins, de outro lado , quando a pessoa não atinge os fins, o mundo a despreza e a condena, não lhe emprestando nenhum valor.
O desejo de ser reconhecimento pelo mundo acaba criando grande expectativa e ansiedade no coração do homem.
O mundo que nos cerca é também impregnado de um clima competitivo, onde muitos competem entre si pelas mesmas coisas e pelos mesmos objetivos. Não precisam sequer estar envolvidos nos mesmos problemas ou terem os mesmos objetivos.
Pode ser a nação, ou a associação a que pertence, ou ainda o parente, o colega de trabalho, o vizinho ou motorista ao lado no trânsito.
Existe no mundo um clima onde se pensa em ser o melhor, chegar primeiro, comprar mais, obter vantagens, ganhar mais, e assim por diante.

A vontade de acumular riquezas e bens no mundo também é algo que leva as pessoas a concentrar seus esforços e dedicação a fim de obtê-los.
Outras atividades importantes são deixadas de lado e descuidadas com a finalidade de se alcançar a prosperidade a qualquer preço.
A família, os amigos, os parentes e até mesmo Deus ficam para segundo plano quando o coração do homem está envolvido nesse objetivo.
A vontade de se obter riquezas cauteriza o coração do homem para os valores e pessoas que são verdadeiramente importantes na sua vida. Há uma distorção e substituição dos valores bons por outros valores, que criam facilidades para o crescimento dos bens e riquezas, as vezes até de maneira não muito correta, e o homem acaba vivendo em função desse objetivo.
O grande problema é que quanto mais o homem ganha, mais preocupado fica, pois vive na ansiedade de multiplicar aquilo que ganhou. Corre o risco de tornar-se escravo dos seus bens e riquezas.
Existe também o risco de perder aquilo que conseguiu juntar e isso torna-se motivo de preocupação diária. A pessoa fica o tempo todo acompanhando os indicadores da economia, o comportamento da industria e do comércio, a inflação, a oscilação da moeda, da Bolsa de valores, etc.
A ansiedade pela estabilização econômica acaba provocando o stress, a insônia, o nervosismo, a intolerância, etc.

Além dos motivos acima, outras situações podem ser geradoras de ansiedade no coração do homem: enfermidades, relacionamentos rompidos, problemas no trabalho, nos estudos, dificuldades financeiras diversas, decepções emocionais, perdas pessoais ou familiares, etc.

A ansiedade tem sido causador de grande infelicidade para o homem e é um mal que tem entrado na vida das pessoas, independente do seu nível sócio-econômico, cultural ou religioso.
Uma pessoa preocupada e ansiosa é até considerada normal nos dias de hoje, e os que não o são podem ser considerados anormais, acomodados ou ociosos.

O uso de medicamentos ou terapias recomendadas por médicos não tem restaurado a paz e a tranqüilidade na vida das pessoas, pois não conseguem alterar a raiz do problema que é o estado em que se encontra o coração (a alma) das pessoas por causa de objetivos errados que escolhem para si.
As mulheres possuem uma tendência maior à ansiedade, porque quando precisam se dedicar aos cuidados da família acham que não têm controle sobre a sua vida e futuro, e quando estão envolvidas numa atividade extra familiar, além dos problemas habituais de uma vida profissional, a ansiedade que ela traz num ambiente sempre competitivo, acaba também ficando ansiosa pela sua vida doméstica à qual ela precisou de certa maneira renunciar ou abandonar em parte.

DESVIO DE OBJETIVOS

A verdade é que as pessoas estão tão envolvidas com seus desejos, seus planos e seus sonhos que não percebem que há nas suas vidas um desvio de objetivos.
Na busca da felicidade, o homem emprega todas as suas forças e suas capacidades nas coisas terrenas e acaba esquecendo de voltar-se para Deus.
A inquietude da vida encontra resposta nas páginas da Bíblia, principalmente nos ensinamentos de Jesus. De maneira clara e objetiva ele nos mostra o quão improdutivo é para o homem a inquietação e a ansiedade pelas coisas terrenas.

Ele desenvolveu esse tema de forma específica e objetiva por saber o quanto esse mal nos atacaria e nos envolveria.
Hoje, mais do que nunca, o homem precisa encontrar-se com Deus para obter resposta para esse problema tão comum no mundo moderno e que tem tornado infeliz grande parte da humanidade.
A experiência da reconciliação do homem com Deus, através de Jesus Cristo, é o primeiro passo para a sua libertação de grande parte de suas preocupações relacionadas com suas necessidades físicas, materiais e emocionais.
Isso acontece porque o homem passa a conhecer e entender que ele não possui apenas um corpo e uma alma (psique) mas também um espírito, o qual é a fonte de equilíbrio para a sua vida.
Quando o homem descobre que foi criado para viver eternamente e que somente pode alcançar a vida eterna através da reconciliação com Deus, proporcionada pelo seu filho Jesus, os seus objetivos terrenos sofrem algumas alterações estruturais e a vida passa a ter um sentido diferente, mais amplo e significativo.
Antes disso, tudo se resumia em satisfazer as vontades de sua carne, de seu corpo, porém agora, as suas necessidades espirituais começam a aflorar e vemos que a vida não é só comida e bebida, mas existe a paz interior, a justiça e a alegria em Deus.

O homem descobre o “reino dos céus” como algo concreto e vívido. As suas prioridades podem agora mudar e suas preocupações encontram respostas que antes ele não conseguia enxergar.
As coisas que até então tendiam a dominar-nos e controlar-nos, e que nos escravizavam, trazendo consigo todo o pesos da ansiedade e da preocupação, perdem um pouco da importância que tinham antes e já não nos afligem com a mesma força.

Quando nos aproximamos de Cristo podemos ter os nosso fardos aliviados e encontramos paz em nosso interior para meditarmos nas coisas que verdadeiramente são importantes na vida.

FORTALECENDO O RELACIONAMENTO COM ELE.

Em primeiro lugar, o homem tem que entender que precisa de Deus, que sozinho não consegue alcançar a tão sonhada paz.
Quando nos entregamos a Jesus, passamos a gozar de sua presença, através do Espírito Santo de Deus, o qual não nos deixa só, não nos desampara nas horas difíceis e não nos abandona nas dificuldades.

Através da aproximação com Deus, temos contato com sua palavra, a Bíblia, então começamos a aprender coisas preciosas, as quais podemos aplicá-las na nossa vida diária, criando um ambiente novo ao nosso redor. Um ambiente onde o amor de Deus é manifestado e os conflitos interiores e exteriores podem ser resolvidos de maneira mais branda e mais eficaz.

A palavra de Deus nos ensina em Provérbios 4:23: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” e o Senhor Jesus nos fala através da sua palavra no livro de Mateus 6:19-21, que não devemos ajuntar para nós tesouros sobre a terra, mas que devemos ajuntar tesouros no céu, “porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.

Tesouros podem ser todas as coisas que nos são importantes, as quais dedicamos nossas vidas, nossas preocupações e ansiedades.
Jesus nos ensina em Mateus 6:25: “Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes? e novamente no verso 31: “Não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos ? Que beberemos ? ou: Com que nos vestiremos ?. E no verso 34 e finalmente afirma: “Portanto não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.”

A intenção de Cristo em afirmar mais de uma vez sobre não andarmos ansiosos tem o propósito de nos fazer entender que dividimos a nossa mente e preocupações em muitas questões e acabamos nos desviando da questão mais importante em nossa vida, que é o nosso relacionamento com Deus.

Para ensinar-nos sobre a vida Jesus usa como exemplo as aves do céu e as plantas no campo.
Sabemos que as aves para se alimentarem precisam voar e procurar ativamente seu alimento, elas não ficam empoleiradas o dia inteiro em galhos de árvores aguardando que o alimento caiam sobre elas.
Também sabemos como as plantas extraem seu alimento do solo através de suas raízes. E entendemos também que o homem deve “arar”a sua terra, plantar a semente, colher seu alimento e guardá-lo em celeiros, tudo isso com o suor de seu rosto.

O Senhor Jesus não estava ensinando que devemos permanecer acomodados em nossa vida, antes devemos trabalhar e nos dispor a buscar aquilo do qual temos necessidade.
Jesus, na verdade, está fazendo uma abordagem muito mais ampla no tocante a nossa vida. Sua declaração é mais abrangente, está relacionada com nossa existência diária no todo, nossa vida neste corpo, com todas as nossas necessidades, sejam interiores ou exteriores.
O Senhor insiste que jamais deveríamos ficar ansiosos acerca de nossas vidas ou a respeito de nosso corpos, no tocante ao que comeremos ou beberemos, entretanto, as palavras traduzidas do grego, envolvem um significado mais amplo e mais abrangente do que a comida, bebida e as vestes.
Envolve a totalidade da vida, da saúde, das nossas energias físicas, do resultado daquilo que fazemos diariamente em todos os seus aspectos.

CONHECENDO A DEUS E SEUS PROPÓSITOS

O que Jesus está realmente nos exortando a observar é o seguinte: Considerem a vossa vida, as vossas preocupações e a vossas ansiedades e lembrem-se do seguinte: Quem fez a vida ?
Aquele que fez a vida, porventura não sabe que tendes todas as necessidades para que estejam bem ?

O apóstolo Paulo afirma em sua carta aos cristãos de Filipos (Filipenses 4:6-7) para que “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça. E a paz de Deus, que excede todos o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus”.
Nessas palavras encontramos apoio e também uma advertência sobre a questão da ansiedade, sobre a nossa tendência à preocupação, que nos aflige que e torna a muitos infelizes.

Cristo tinha em mente a nossas dificuldades e incapacidade de entender como devemos viver, do ponto de vista de Deus, a nossa vida no mundo.
Essa é a nossa maior dificuldade com a qual nos defrontamos diariamente: Qual é o propósito de Deus para as nossa vidas ?

Quando vemos que o Senhor nos exorta a não andarmos ansiosos pelas coisas, podemos entender que ele tem um bom propósito na vida dos seus filhos e certamente Ele cumprirá totalmente esse propósito.
Deus não deixa obras inacabadas. Tudo que Ele inicia, certamente termina, Ele não deixa de cumprir aquilo que designou para nós.
Temos que compreender que Deus tem um plano para a vida de cada um, por isso nunca deveríamos andar ansiosos acerca da nossa vida, do nosso sustento e continuação da nossa existência.
Se passarmos por tempestades na vida, sabemos que Deus está no controle e que “todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus e que são chamadas segundo o seu propósito”(Rm 8:28). Devemos ficar firmes, esperando em Deus e na sua salvação.
Nessas circunstâncias, se vivemos em comunhão com Deus, não precisamos temer, nem nos abater, pois sabemos que a vontade do Senhor prevalecerá em nossas vidas. De maneira alguma, tendo o Senhor iniciado o processo da vida em nós, Ele providenciará para que a sua vontade seja cumprida integralmente.
E a sua vontade nos diz que os seus pensamentos sobre nós são pensamentos de paz e não de mal, para nos dar o fim que desejamos (Jeremias 29:11); isso se praticarmos a sua palavra e andarmos nos seus caminhos.

Portanto, podemos descansar no Senhor se com Ele tivermos comunhão diária, pois a nossa proximidade com Ele nos dá a certeza de que estamos sob os seus cuidados e a confiança de que Ele nunca nos deixará e jamais nos abandonará.
Então poderemos dizer como o profeta Habacuque (Hc3:17:19) “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco e nos currais não haja gado, todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação.
O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar sobre as minhas alturas”.

PASTOR VALDIR MARFIM
Igreja Batista da Restauração
São José Rio Preto – SP
[email protected]

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