Adorando, Orando e Fazendo Votos a Deus

Introdução
Nesse final de ano e início de uma nova etapa, costumamos fazer uma avaliação de nossas vidas. É uma ocasião em que procuramos Deus, em adoração. É uma ocasião em que procuramos falar com Ele, pela oração. É a ocasião em que, com freqüência fazemos votos de mudança, alguma resolução. Fazemos resoluções, votos a Deus e a nossos familiares, ou, a nós próprios, sobre coisas que pretendemos mudar. Muitas caem no esquecimento, depois de alguns dias. Muitas trazem frustrações, por nossa displicência, ou incapacidade de cumpri-las.

É importante que tenhamos uma visão da verdadeira adoração. É importante que nos conscientizemos da importância da oração. É importante que tenhamos a resolução de querermos mudar nossa vida, de querermos conformá-la cada vez mais aos princípios de Deus. Mas é igualmente importante que não adoremos mecanicamente, que não oremos relaxadamente, que não venhamos a falar ou pensar precipitadamente. É necessário que não venhamos a dar mais importância aos votos, em si, do que à lealdade que já devemos a Deus.

Gostaríamos de ir até o livro de Eclesiastes – “O Pregador”. Atribuído a Salomão. Palavras de sabedoria sobre a futilidade da vida sem Deus. O autor critica os diversos aspectos da vida. Muitas vezes nos espantamos com o pessimismo de suas observações, mas o livro deve ser entendido em sua totalidade. Nos primeiros quatro capítulos ele foi só crítico. No capítulo 5 ele nos dá sua primeira exortação Ouçamos o que o Pregador tem a nos dizer sobre esses conceitos de adoração, oração e resolução (ler Ecl. 5.1-7).

Corpo do Sermão, verso a verso:

A. ADORAÇÃO

1. Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal.

Guardar o pé – costume oriental que denota respeito e reverência – referência física à retirada das sandálias, como sinal de respeito ao local que está sendo pisado. Na Bíblia, temos isso no incidente de Moisés perante a Sarça Ardente (Ex. 3.5) e quando Josué encontra o Anjo, no cerco de Jericó (Js 5.15). É verdade que Deus é onipresente. O mundo pertence a Deus. Nesse sentido, todo lugar é sagrado, mas Deus nos ensina, em sua palavra, que alguns lugares são mais simbólicos de sua presença – daí a necessidade de reverência em sua casa, na igreja. Não pelo prédio em si, mas pelo o que ele representa.

Ouvir [obedecer] é melhor do que a participação formal na oferenda de sacrifícios – o ensino é que a obediência sincera, de coração, a Deus, é superior à participação religiosa meramente cerimonial. O formalismo produz auto-justiça, resulta não em BEM, mas em MAL, para o praticante. Dá a impressão de que tudo está bem, perante Deus. Deus quer obediência (Dt 10.12) em sinceridade, dos seus fiéis verdadeiros. No meio de todo o formalismo e cerimonial do Antigo Testamento, esse é um ensinamento repetido (Sl 51:16,17; Pr 21:3; Jer 6:20; 7:21-23; Am 5:21-24).

B. ORAÇÃO:

2. Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras.

O cuidado de nossas palavras, perante Deus (que deve ser também perante todos: Tg 1.19 e 4.11) – Deus transcendente, ou Deus imanente? Este verso ensina a transcendência de Deus. A visão de um Deus só imanente leva ao panteísmo. É necessário que tenhamos uma visão correta de quem é Deus. A familiaridade excessiva é prejudicial ao nosso respeito e reverência. A advertência deve ser entendida com relação à oração e está em harmonia com o que Cristo ensinou na oração dominical, em Mt 6.9 (“Pai nosso, que estás no Céu…”). O aviso é também com relação a questionamentos indevidos a Deus, bem como a comprometimento, como ficará claro nos versos seguintes.

3. Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias.

O envolvimento excessivo (intenso) no trabalho, produz sonhos – situações e projeções que não são reais (isso é um provérbio da época). O envolvimento excessivo nas palavras, produz frases vazias – néscias, sem entendimento. Pensamento é repetido e expandido em 5.7. Na mesma oração dominical, temos “Quando orardes, não useis de vãs repetições…” – Mt 6.7. Terço Bizantino – “Salva a minha alma, Senhor Jesus…”. Os profetas falsos, de Baal, no confronto com Elias, falavam, repetiam, gritavam, se dilaceravam – tudo em vão.

RESOLUÇÃO:

4. Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes.

Cuidado com os comprometimentos perante Deus (Lei não comandava, mas regulava). Não é preciso um novo ano, para aferirmos os nossos votos. Em nossa vida, naturalmente, fazemos votos solenes. Em todas as áreas – membrezia (à igreja, ao seu governo e à sua doutrina), batismo (sobre nossos filhos), casamento (à esposa ou esposo). Pastores, declaram lealdade aos padrões confessionais. Com que facilidade esses votos são quebrados…

5. Melhor é que não votes do que votes e não cumpras.

A grande responsabilidade dos votos – Dt. 23.21-23. Não podem ser feitos com frivolidade. Temos consciência dos votos que temos feito perante Deus?

6. Não consintas que a tua boca te faça culpado, nem digas diante do mensageiro de Deus que foi inadvertência; por que razão se iraria Deus por causa da tua palavra, a ponto de destruir as obras das tuas mãos?

Não se colocar voluntariamente em uma situação de dificuldade – votos impensados. Quando prometemos, na igreja, o fazemos diante de Cristo e do pastor – mensageiros. Não utilizar desculpas falsas (“foi um engano…”; “foi um lapso…”).

7. Porque, como na multidão dos sonhos há vaidade, assim também, nas muitas palavras; tu, porém, teme a Deus.

A atitude comandada – não sejamos como os tolos. Não votemos apressadamente. Deus demanda seriedade incondicional. Temamos a Deus. Isso significa respeito, reverência, mas também observância de Sua Palavra, de Seus preceitos. Adoração verdadeira, oração consciente, resolução de obedecer.

Conclusão:

Nesse ano novo, não precisamos votar mais do que já nos comprometemos. Não é errado querermos modificar o que não está correto. Não é errado, querermos mudar nossas atitudes para com aqueles que nos rodeiam. Mas, essencialmente, temamos ao Senhor. Reverenciemos a Ele. Cumpramos os votos já assumidos. Voltemos nossos olhares para Ele em obediência aos seus ensinamentos. Supliquemos pela ação do Espírito Santo, em nossas vidas, para nos iluminar o entendimento e nos trazer para mais perto da sua Lei.

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