As Marcas de uma Reforma Protestante

Tem-se dito entre nós, brasileiros, que somos um povo com a memória curta. Eu não creio que esta é uma marca somente dos brasileiros. Todos nós, temos a capacidade de selecionarmos aquilo que queremos guardar na memória e aquilo que queremos ignorar ou esquecer.
O esquecimento dos fatos mais marcantes na história do cristianismo se dá em razão do esfacelamento e as milhares de divisões encontradas no meio evangélico. Perdemos a nossa identidade histórica, a nossas raízes estão vivas somente na cabeça de uns poucos.
Como podemos encarar o futuro sem fundamento histórico?

Ler: Romanos-1.0-16:17

Transição:
Queremos recordar um pouco da nossa história, história comum a todos as denominações, aprender um pouco com estes heróis do passado, mas também queremos encontrar um desafio para a hora presente, no contexto em que estamos vivendo.

1. Recordemos a História
A- O cristianismo começou com um pequeno grupo de pessoas na Palestina que contra a cultura religiosa do seu tempo (judaísmo) e contra o poder do império romano, proclamava ser o Cristo, o verdadeiro Messias e afirmava ser ele o verdadeiro Deus, o único César a quem deveria ser prestado culto.
B- A igreja caminhou na marginalidade do poder até o ano de 313 quando Constantino proclamou a tolerância para os cristãos. Ele ofereceu a proteção que a igreja precisava, mas exigiu também o apoio da igreja para a sua política de governo.
C- A partir deste momento a história da igreja e os interesses do estado fundem-se até o ponto que no final do Século 15, estar debaixo da coroa portuguesa ou espanhola era estar salvo, pois ambos os reinos estavam debaixo do papado romano.
D- Quando olhamos para esta igreja no início dos anos de 1500, vamos encontrar:
i. Estados e culturas nacionais fortalecidos e instituindo suas próprias igrejas.
ii. Ordens e seitas procuravam um caminho por onde pudessem sair da apatia clerical para um cristianismo depurado.
iii. O clero estava ligado aos interesses mundanos.
iv. No dizer do historiador Veit Valentin, “O mundo inteiro havia duzentos anos que reclamava a reforma da igreja Romana”.
E- É neste momento, que entra em cena um homem conhecido como Martinho Lutero.
i. Lutero nasceu no ano de 1483, filho de camponeses na Alemanha. “Eu sou filho de camponeses” dizia ele, “meu pai, o meu avô e os meus ancestrais eram genuinamente camponeses”.
ii. Sofreu muito na sua infância, tendo que cantar hinos religiosos nas portas das casas para ganhar um pedaço de pão. Sua juventude foi tumultuada e tinha um profundo pavor de Deus, que por causa da sua ira fatalmente o mataria durante uma grande tempestade de neve. Foi neste momento que Lutero prometeu a Santa Anne, que se salvo, entraria para o convento. Entrou assim para o Convento da Ordem de Agostinho.
iii. No convento, ele fazia os serviços mais pesados e duros para encontrar algum descanso para a sua alma. Dizia: “Se um monge chegar aos céus através da vida e prática de monge, eu resolvo que entrarei no céu”. Passava dias sem comer e sem falar com outras pessoas.
iv. Passagens do Apóstolo Paulo eram com fantasmas perseguindo a sua alma. Somente a música conseguia acalmar o terro que sentia Lutero.
v. Até que chegou o dia em que leu a passagem de Romanos 1.16-17. “O justo viverá pela fé”. Ao ler os comentários de Santo Agostinho sobre a passagem e então finalmente encontrou a paz que a sua alma tanto buscava. Aprendeu que a justiça de Deus é também a sua misericórdia, misericórdia que nos justifica. “Então”, disse ele, “eu reconcilie justiça com justificação, e me senti seguro sabendo que eu estava na verdadeira fé”.
F- O início da Reforma:
i. Anos mais tarde, já em Wittenberg, faz uma viagem a Roma. Percorre todas as etapas que qualquer peregrino que ia Roma percorria. Enquanto subia ajoelhado a Scala Santa a fim de receber as indulgências advindas com a dor, ouve uma voz reprovadora dentro do seu coração: “O justo viverá pela fé”.
ii. Foi neste período que surge na Alemanha os vendedores das indulgências. Eram as remissões de punições temporais, ou penalidades aplicadas pela igreja, para a remissão de pecados. Estas penas eram eliminadas com o pagamento de uma soma em dinheiro.
iii. Johannes Tetzel, de Pirna, estava especialmente entusiasmado sobre a coleta de fundos para a Basílica de São Pedro em Roma. De um simples sacerdote Dominicano ele veio a se tornar o Comissário Papal das Indulgências. Com a vendas das indulgências a luta interior entre o fardo e o pecado tornou-se sem sentido; pois tudo o que alguém tinha que fazer era comprar algumas indulgências e tudo estava resolvido. Arrependimento deixou de ser um sinal de remorso. Lutero, como teólogo, não podia mais ficar em silêncio e por isso escreveu as suas 95 teses. Ele tinha 34 anos na época.
iv. Assim, no dia 31 de Outubro de 1517 ele afixa as suas 95 teses nas portas do Castelo Wittemberg. Sua idéia era gerar uma discussão acadêmica sobre o assunto. Não pretendia ele rebelar contra a igreja, pois era fiel a ela. Faltando habilidade política por parte da igreja, Lutero desencadeia um movimento como nunca tinha havido igual na Alemanha.
G- Os três pilares da Reforma
i. A supremacia da fé sobre as obras.
ii. A supremacia das Escrituras sobre a tradição.
iii. A supremacia da graça sobre a lei.
H- Outros Reformadores: Zwinglio na Alemanha Suíça e João Calvino na França.

2. Aprendamos com História
A- Coragem
i. Em 1520 Martinho Lutero, queima a cópia da bula papal que o ameaçava de excomunhão, os escritos de seus oponentes, bem como os manuais da igreja. Com esta ação, ele faz uma ruptura definitiva com a igreja Romana.
ii. Na Dieta de Worms em 1521 Lutero comparece diante do Imperador Carlos V, ele afirma que deixara os seus postulados se convencido pelas Escrituras. Afirma: “Aqui eu me levanto. Eu não posso fazer diferente. Deus me ajude. Amém”
iii. O Imperador decidiu contra Lutero.
B- Convicção
i. Historiador Veit Valentin: “O reformador brandia só a espada da palavra, mas como a brandia!”
ii. Castelo Forte é nosso Deus.
C- Sacrifício
i. “O sofrimento fazia parte da essência de Lutero”
ii. “O criar neste homem era dar a vida com risco da própria, era quase o aniquilamento de si próprio. Sangrava sempre e morria um pouco nesses momentos…”

3. Assumamos o nosso compromisso com a nossa História
A- Como encontramos a igreja hoje. Em alguns pontos bem melhor do que a igreja nos tempos de Lutero. Uma igreja mais participativa quanto ao lugar do povo e uma igreja mais alegre e dinâmica.
B- Mas, debaixo de uma avaliação honesta, a igreja evangélica brasileira é uma igreja multi-facetada. Atingida com todas as sortes de crendices e superstições.
i. Ramos de arruda, Sete semanas de corrente de oração, copo com água em cima da televisão, sal grosso sobre o dízimo, quebra de maldições, etc.
ii. Por outro lado, uma igreja dominada pela tradição. A mulher não encontra do seu espaço dentro da igreja.
iii. Uma igreja, na maioria das vezes, alienada do seu contexto social e histórico.
C- É preciso que cada cristão assuma um compromisso de fidelidade total para com o Senhor da Igreja. Ele exige de cada um nós obediência e cumprimento da nossa vocação.
i. Coragem
ii. Convicção
iii. Sacrifício
D- Sem estas marcas, a igreja de hoje não passará de uma caricatura da igreja que ela herdou dos nossos pais.

Conclusão:
O que fazemos para Cristo pode influenciar não somente a nossa história, mas a história da humanidade.
No dia 24 de Maio de 1738, adentra a uma pequena igreja na Inglaterra um jovem que também procurava o significado de sua vida. Naquele dia, o diácono que não sabia pregar, resolve ler o prefácio que Lutero escreveu sobre a carta aos Romanos. Foi ouvindo esta leitura que João Wesley entrega a sua vida a Deus e vem a ser tonar o grande avivalista da história e fundador do Metodismo.
O que eu e você fazemos, quando feito para Cristo e sua Glória, tem repercussões por toda a
eternidade.
Você tem esta consciência? Tomara a Deus que sim!

Antonio Carlos Barro

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