Avaliar para mudar, do bom para o ótimo.

1. Mudança sim, mas de que tipo?

Quando eu era menino dos meus 9 a 10 anos de idade, minha mãe, de vez em quando, dizia a mim e a minhas irmãs: “Vamos fazer umas mudanças nesta casa, me ajudem a mover estes móveis.” Isto significava que o sofá mudava de lugar, o armário ia para outro lado, a mesa da sala saía do centro para um canto, enfim, era uma “revolução” na disposição dos móveis. Ainda hoje, de vez em quando, as famílias fazem isso. Mas nós sabemos que isso não é mudança, pois a vida dos membros da família segue do mesmo modo, não muda a vida de ninguém, os problemas de relacionamento continuam, os segredos e pecados que enfermam continuam lá, nada mudou.
Nossa avaliação, a começar na igreja local, não pode ser: trocar coordenadores de ministério, mudar a data das campanhas de terça para quinta. Precisamos de uma avaliação, onde o Espírito Santo presida sobre nós e mostre o que há em nosso interior. “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Sl 139.23-24).
Como demonstra a Palavra, e Deus pelo seu Espírito Santo, que nos tira de nossa comodidade, e de velhas e novas práticas infrutíferas, e nos põe nos caminhos da benção e aprovação de Deus, sair do que nos parece bom, para o que é ótimo, porque vem do coração de Deus. Vejamos como isso acontece na vida do discípulo(a), e da igreja.

2.Do quebrantamento – arrependimento à vida abençoada e frutífera.

O pastor James Mac Donald reparte uma experiência pessoal na qual diz: “Em determinada época da minha vida, tive um sonho que Deus usou para falar comigo. Eu estava passando por um período muito árido espiritualmente. Começava a orar por algo e logo mais parecia estar mendigando do que orando. Tome muito cuidado com mendigar a Deus por coisas, porque passa a idéia de que precisa mais daquela coisa do que dele. É como se estivesse dizendo: “Tu não és suficiente para mim, Senhor, preciso daquilo.”
Irmãos e irmãs, em primeiro lugar, nós precisamos é de Deus: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6.33). “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente.” (Sl 16.11). Consideremos os passos para alcançar no processo de avaliação um resultado que dê início a um crescimento abundante, frutífero, digno do nosso Deus. Os passos seguintes são motivados e adaptados de um artigo do Pr. J. Mac Donald.
Deus no trono: um quadro de santidade e poder. “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” (Is 6.1-3).
Sempre que falo sobre este texto, recordo que aí está o início do ministério profético de Isaías, pois ali estão três coisas decisivas: 1) Estar perante o trono e face de Deus. 2) Confessar-lhe nosso pecado.

3.Receber de Deus um chamado e atendê-lo.

Nós todos precisamos ter uma visão de Deus elevado e exaltado, pois ela nos impacta, nos confronta, nos atrai. Moisés sentiu-se atraído, Abraão, ao ouvir Deus, deixou tudo para atendê-lo. Deus é glória e poder. É fogo consumidor (cf. Hb 12.29). Deus é Santo! É isto que os anjos declaravam: “Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos…” Não podemos perder a visão deste Deus, vivo, santo e poderoso.” Esta visão nos faz tementes a Deus, nos dá direção e poder. Sem a visão, somos como o vale de ossos secos, perdemos a sua presença, seu fogo consumidor. “Deus está no seu santo trono, Deus reina sobre as nações.”
(Sl 47.8). Precisamos voltar a ver Deus no trono, em oração e comunhão.
Pecado no espelho: um quadro de quebrantamento.
Na igreja, hoje, vemos pecado em vários irmãos e irmãs, vemos também nos jornais, na família, na vizinhança, menos no espelho, quando estamos olhando para nós mesmos. A maioria dos cristãos é muito deficiente quando se trata de enxergar seus próprios pecados. Muitos carregam consigo os mesmos pecados por anos. São doentes espiritualmente e doentes fisicamente. Porque o pecado adoece. “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.” (Sl 32.3-4).
No discipulado, no grupo pequeno, o Espírito vai nos tornando “um só coração, uma só alma”, mostra nossos pecados, ali, somos amparados, nossa visão de Deus é renovada, e traçamos alvos de vitória sobre o pecado, com vista a uma vida santa.
O nosso ego na lama: buscando o arrependimento.
Todos queremos ser reconhecidos em nossos dons, nas nossas realizações. Quase todos os conflitos na vida da igreja são egos colidindo uns com os outros, é vaidade, orgulho, e a necessidade determinada pelo diabo e o mundo de estar por cima de nossos irmãos. Devemos reconhecer que esta realidade está mais presente na Igreja do que desejaríamos.
É preciso restabelecer a lição de Jesus Cristo (Fp 2.5-8). Quantos estamos dispostos a descer, a nos humilhar, diante de Deus, diante da igreja? Por isso nossa celebração é muita festa, muita euforia, e pouco choro e lamento pelo pecado. Nossos apelos aos pecadores são destituídos de convicção e poder, por isso não há tantas conversões como na igreja primitiva, ou nos tempos de Wesley. Até quanto temos sido quebrantados, humildes e servos uns dos outros? Jesus Cristo na cruz: um quadro de graça.
A graça só é impressionante quando é vista como o remédio para um problema reconhecido para uma doença mortal chamada pecado. Mas, irmãos e irmãs, quando você vê o seu pecado no espelho e o ego na lama, sua vida sendo corroída e condenada pelo pecado, a graça se torna incrivelmente maravilhosa.
Saímos da comunhão com o pecado para a comunhão com Deus, por sua maravilhosa graça: “Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas, onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.” (Rm 5.20-21). Dietrich Bonhoeffer diz com outras palavras a mesma coisa que Paulo: “Quando, por intermédio do Seu servo, Martinho Lutero, na Reforma, Deus avivou uma vez mais o evangelho da graça pura e preciosa, Ele fez com que Lutero passasse primeiro pelo convento. Lutero foi frade. Abandonara tudo e desejava seguir a Cristo em perfeita obediência. Renunciou ao mundo e dedicou-se à obra cristã. Aprendeu a obediência a Cristo e Sua Igreja, pois sabia que só o obediente é que pode crer. A vocação conventual custou a Lutero toda a consagração da sua vida. No seu caminho, Lutero chocou-se com o próprio Deus, que lhe mostrou através das Escrituras que o discipulado de Jesus não era a meritória realização de alguns, mas, sim, um mandamento divino para todos os cristãos. O trabalho humilde do discipulado convertera-se, no monasticismo, numa realização meritória dos santos. A auto-renúncia do discípulo revelou-se nele como a derradeira presunção espiritual dos justos. Foi assim que o mundo penetrou no seio da vida monástica e se mostrou novamente ativo, de forma extremamente perigosa. Na pretensa fuga do mundo, descortinava-se, afinal, o mais refinado amor desse mesmo mundo. Nesse despedaçar da última possibilidade de uma vida piedosa, Lutero compreendeu a graça. Viu no colapso do mundo monástico a mão salvadora de Deus estendida em Cristo. A ela se agarrou, certo de que “os nossos esforços são baldados, mesmo na mais santa vida.”Foi a graça preciosa, essa que lhe foi dada, e que lhe despedaçou toda a existência. Teve de largar uma vez mais as suas redes e seguir o Mestre. Da primeira vez, quando fora para o convento, abandonara tudo – mas não a si próprio nem ao seu piedoso “eu.” Desta vez, até isso lhe foi tirado. Não seguiu o Mestre por mérito próprio, mas, sim, pela graça de Deus.”
Não esqueçamos: não há graça fora de Jesus.
O Espírito no controle: uma experiência de poder.
Quando penso na restauração da graça e do Espírito da Graça: o Espírito Santo. Primeiro não há acesso a ele sem quebrantamento, humildade e apropriação da graça do perdão e da nova vida em Cristo.
A ilustração bíblica mais forte sobre o poder avassalador do fogo e poder do Espírito, encontro na visão e experiência de Ezequiel com o vale dos ossos secos. O Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo, hoje, são este vale de ossos secos. Quem vai profetizar conforme Deus mandou a Ezequiel: “Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR. Então, profetizei segundo me fora ordenado; enquanto eu profetizava, houve um ruído, um barulho de ossos que batiam contra ossos e se ajuntavam, cada osso ao seu osso” (Ez 37.4,7). Ou, como Deus, através de Jesus, mandou a nós. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado. Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.” (Mc 16.15-18).
O que vai acontecer a nossa volta? Oséias ensina com sua profecia: “Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque Ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” (Os 6.1-3).
Queremos ver graça, poder e frutos, atendei hoje ao que o Senhor nos fala. Amém, Amém, Amém.

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