Bênçãos de conhecer a cristo

Existe uma frase popular que diz: “Vivendo e aprendendo”. Isto é uma grande verdade. A cada dia de nossa vida aprendemos algo novo. Isso ocorre através do contato com outras pessoas e também com experiências que passamos durante o dia.

Além destes tipos de aprendizagem, ainda existe aquele aplicado nas escolas. A criança desde cedo é matriculada no maternal, depois vem o infantil, o Pré I, Pré II, depois entra no Ensino Fundamental que é composto por oito anos de estudo, depois vem o Ensino Médio, composto de 03 anos, passando depois para o Ensino Superior, cursando faculdade em 4, 5 ou 6 anos de acordo com o curso escolhido. Depois disto vem as especializações, as pós-graduações, o mestrado, a seguir o doutorado além dos vários cursos de complementação que podemos fazer.

Portanto, vemos que o ser humano passa toda sua vida aprendendo, seja numa escola ou no aprendizado da vida. O homem vive numa busca constante de conhecimento.

No texto de I Pd 1.3-11 vemos que o autor dá grande destaque ao conhecimento. Os termos gregos gnwsiV e epignwsiV , que significam “conhecimento”, aparecem 5 vezes nestes onze versículos, e o conceito de conhecimento é um dos principais desta epístola.

Pedro escreve esta epístola porque está preocupado com o crescimento de um espírito de anarquia e de uma doutrina chamada antinomianismo que promove a idéia de que a lei moral não é obrigatória aos cristãos.

Além disso, o gnosticismo no seu primeiro estágio estava com seus representantes dentro da igreja cristã daquela época. O gnosticismo tem um sistema de doutrina confuso, obscuro, que dá muita atenção aos anjos e nega todos os direitos do corpo humano, até castigando-o com práticas ascéticas, que são: jejum, celibato, auto-flagelação, abstenção de alimentos e prazeres, reclusão e mendicância; assim causando um efeito positivo na alma, trazendo a purificação dos desejos carnais. Para os gnósticos o corpo é a sede do mal e a alma precisa se ver liberta dele para melhor progredir no caminho da salvação.

Detectando estas falsas doutrinas ensinadas na igreja de Jesus Cristo pelos falsos profetas, Pedro apela aos cristãos pela forma correta de se anular estas falsas doutrinas: a necessidade de se conhecer a Jesus Cristo (3.1-3). Então ele começa e termina a sua segunda epístola chamando a atenção para o crescimento no conhecimento de Deus.

Mas não é o simples conhecimento de saber que Deus nos ama e enviou Jesus Cristo para morrer em nosso lugar, mas um conhecimento mais completo, conhecimento mais profundo da Palavra de Deus. Pedro usa o termo grego ejpignwvsi” nos versos 2 e 8, que significa “conhecimento preciso e correto”, chamando a atenção para que o nosso conhecimento de Cristo seja assim, um conhecimento pleno, que é necessário para a edificação espiritual. E ainda no verso 5, usa o termo gnwsi”, que indica “um conhecimento adquirido através de estudo e da experiência”.

Ao vermos estas coisas acontecendo na igreja primitiva e a preocupação de Pedro em combatê-las, vemos que não acontece diferente em nossos dias. Talvez não seja o gnosticismo ou o antinomianismo que esta sendo pregado hoje, mas a Teologia da Libertação, da Prosperidade, a confusão dos dons espirituais, o Poder da Mente, o Misticismo, O G12 com suas doutrinas heréticas e outras coisas mais que tem ganhado terreno e até entrado em nossas igrejas cristãs de hoje.

Então nos voltamos para o ensino destes versículos e buscamos um despertamento para nos interessarmos mais ainda para um estudo profundo para conhecermos melhor a Jesus Cristo, porque isto é urgente em nossos dias.

Mas, quais as bênçãos que adquirimos através do conhecimento de Jesus Cristo?

I – O conhecimento de Jesus Cristo nos conduz à vida (v 3-4)

Quando temos o conhecimento de Cristo, através do divino poder da ação do Espírito Santo em nossas vidas e então cremos em Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador, passamos da condição de criaturas de Deus para filhos de Deus. Adquirimos com isso a vida eterna que só Deus pode dar. Sem esta operação do Espírito Santo este conhecimento torna-se vazio, uma simples filosofia de vida.

Passamos a conhecer as suas “preciosas e mui ricas promessas” e conhecendo-as e também quem as prometeu, temos vida e vida muito feliz como diz Jesus em João 10.10 “… Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Não é uma vida comum, mas uma vida transformada, uma vida nova (II Cor 5.17).

Passamos também a ser co-participantes da natureza divina, aguardando a vinda de Jesus Cristo, para ressuscitarmos ou sermos arrebatados, para estarmos com Deus nos céus, onde não haverá choro nem ranger de dentes. Enquanto isso não acontece vamos vivendo com amor, longanimidade, bondade, justiça.

Essa nova vida que Deus dá, não é uma vida comum porque é a fonte dessa vida e é realmente diferente da anterior que tínhamos antes de conhecermos a Cristo, como Pedro diz: “… Daquele que vos chamou das trevas para a maravilhosa luz”. (I Pd 2.9), uma vida iluminada pelo próprio autor da vida.

II – O conhecimento de Cristo nos conduz a uma prática diária (v. 5-8)

Ao conhecermos mais a Cristo, ao conhecermos as promessas, fica impossível que este conhecimento fique apenas no campo teórico, mas ele se transforma em vida prática.

A palavra grega traduzida por “inativos” é ajrgo”, que significa “desempregado, ocioso, preguiçoso, inútil”. Portanto, ao aumentar o nosso conhecimento, não podemos ficar desta forma, mas sim ativos.

Nos versículos 5 a 8, o conhecimento entra numa lista de propriedades do cristão onde, no meu ponto de vista, ele é o carro chefe, ou seja, o que puxa todas as outras fazendo com que o homem antes inativo e infrutuoso, se transforme num homem frutífero, tanto no testemunho como no serviço cristão.

Me chama a atenção a expressão usada pelo autor, no versículo 8: “… existindo em vós e em vós aumentando…”. A palavra usada para existindo indica “algo que fica debaixo como fundamento, como uma base”. O conhecimento faz parte desta base que alicerça a vida frutífera dos servos de Jesus Cristo, mas deve existir aumentando a cada dia, assim como a raiz de uma árvore, que vai crescendo por baixo da terra, e a árvore vai crescendo bonita à nossa vista. Este conhecimento vai aumentando através de um estudo meticuloso da Palavra de Deus e isto fará com que os frutos sejam cada vez maiores e mais abundantes.

Portanto queridos, este conhecimento que tem sido proposto aqui, deve ser usado para a edificação de outras pessoas, transmitido para que outros tenham um conhecimento cada vez maior e assim tenham cada vez mais vida em abundância que leva à prática.

III – O conhecimento de Cristo nos conduz por caminhos firmes (v. 9-11)

Como nós vimos anteriormente, o conhecimento de Deus é a base para termos uma vida cristã prática. Agora Pedro compara aquele que não tem um conhecimento de Cristo com um cego, que não tem uma visão espiritual perfeita.

Paulo, ao falar aos corintios, em sua primeira epístola (I Cor 3.1-2) diz que deu a eles o leite porque eram crianças em Cristo, isto é, não tiveram um crescimento espiritual, por isso, por falta de conhecerem a Cristo como deveriam havia criado entre eles ciúmes e contendas.

Aqueles que ainda são cegos, ou crianças espirituais, não conseguem enxergar as bênçãos de Deus, as promessas de Deus para as suas vidas, e por isso são cegos. Nos diz uma frase popular: “O pior cego é aquele que não quer ver”. Isto se aplica em nosso caso. Pedro dá então uma instrução aos cristãos “por isso irmãos, procurai com diligência…”.

A definição de diligência é “zelo, cuidado, investigação oficial, pesquisa”. Então irmãos, Pedro nos chama atenção para buscarmos assim um conhecimento, com carinho, esmero, para podermos caminhar firmes em nossa vida cristã, estando preparados para enfrentarmos as ciladas do diabo. No verso 10 Pedro diz “… porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum.” Em I Pd 5.8 ele diz: “… sede sóbrios e vigilantes…”, seremos sóbrios e vigilantes se buscarmos sinceramente um conhecimento pleno de Cristo.

Agora sim, buscando um conhecimento de Cristo podemos ter os nossos pés firmes no chão e caminharemos rumo ao crescimento cada vez maior e preparados para enfrentarmos de cara as falsas doutrinas que nos são propostas no dia a dia.

Portanto irmãos, busquemos cada vez mais conhecer a Deus, assim como buscamos o aprendizado normal no dia a dia, porque este conhecimento nos conduz à vida verdadeira que nos levará a prática e a caminhos firmes.

Que o Espírito Santo de Deus nos ilumine para que, cada dia mais, possamos conhecer mais a Cristo. Amém.

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