Como organizar o povo de modo que todas assumam sua parte.O trato com inimigos de fora e da própria casa.

Neemias Capítulos 3 a 6

2.1 Introdução

No estudo anterior vimos como Neemias foi instrumentalizado pelo Espírito do Senhor para criar uma motivação no coração de um povo arruinado.
Com quebrantamento de coração, ele orou ao Senhor e este lhe abriu as portas para chegar à cidade de Jerusalém. Antes de começar a colocar em prática o projeto missionário da reconstrução da cidade ele organizou uma rede de apoios que providenciou os recursos materiais e as condições políticas para realizar a obra e tratou de conquistar o povo de sua cidade na certeza de que esta era a obra a ser realizada. Só então o trabalho começou.
No presente estudo vamos examinar quais foram os passos que ele seguiu para colocar em andamento o projeto que Deus revelou a ele, como fez a distribuição das responsabilidades e dos serviços numa arrancada definitiva para a mudança.
Vamos olhar também como ele lidou com os inimigos. Quais foram os inimigos de fora, quais as suas armas e como foram vencidos? Quais foram os inimigos da obra de Deus que estavam no meio do próprio povo? Quais foram as estratégias de Neemias para vencê-los?

2.2. A Organização da Comunidade

A pesquisa realizada por Neemias levou-o a um profundo conhecimento da realidade. Ele reuniu os líderes do povo sacerdotes, os nobres e os magistrados (Ne 2.16-18).
“Então eu lhes disse: Vejam a situação terrível em que estamos: Jerusalém está em ruínas, e suas portas foram destruídas pelo fogo. Venham e vamos reconstruir os muros de Jerusalém, para que não fiquemos mais nestas situação humilhante. Também lhe contei como Deus tinha sido bondoso comigo e o que o rei me tinha dito. Eles responderam; Sim, vamos começar a reconstrução. E se encheram de coragem para a realização deste bom projeto”.
Notamos aqui dois elementos importantes alcançados sob a liderança de Neemias.
Primeiro ele colocou diante do povo o que todos sentiam: sua situação humilhante e vulnerável porque os muros estavam caídos e os portões queimados. Ele teve a coragem de dizer o que todos sentiam.
Segundo: Ele conseguiu colocar a coisa de tal maneira que todos viram como sendo sua a responsabilidade pela mudança desta situação. “Sim, Nós vamos colocar mãos à obra”. Os líderes e o povo assumiram a obra num mutirão.
Neemias lhes assegurou que não trabalhariam sozinhos, mas que a “bondosa mão do Senhor estava com eles”. Também o rei apoiou a obra e colocou a disposição os recursos necessários para realizá-la. Portanto, Deus e o rei fizeram a sua parte disponibilizando apoio e recursos. O restante era com o povo.
Linthicum afirma que Neemias estava obedecendo a lei maior da capacitação da comunidade: “As pessoas mais capacitadas para tratar com os problemas são as pessoas afetadas pelos mesmos.
As pessoas que estão excluídas de uma participação plena na vida social, econômica ou política de sua cidade ou comunidade podem ser capacitadas a participar somente quando passam a agir coletivamente.”
Neemias, com o apoio do rei, a graça de Deus, os recursos materiais não entrou na cidade com os trabalhadores contratados para realizar a obra. Pelo contrário, ele motivou a liderança e o povo para assumir em conjunto o desafio da reconstrução da cidade.
O povo entendeu que a obra era sua. Ele se tornou sujeito da ação de reconstruir a cidade. A partir daí puderam dar o próximo passo: distribuir as tarefas de cada grupo.
O capítulo três mostra como aconteceu a organização do trabalho.
Cada núcleo tinha sua parte na obra e todos estavam motivados e desafiados para darem conta de sua parte, desde a maior autoridade até o cidadão mais simples do povo. Esta organização do plano de ação certamente custou muitas reuniões, discussão e oração.
Em nenhum lugar é dito que este foi o plano de Neemias. Ele foi quem estudou bem de perto a situação e motivou o povo a por mãos à obra. Mas foi o povo de Jerusalém que assumiu numa ação conjunta.
Esta experiência fez nascer neles um novo sentimento de comunidade. Isto se mostra na maneira como se dispõe a enfrentar os inimigos de fora.

2.3 –Como lidar com os inimigos e os conflitos. Os inimigos de fora. Onde Deus põe a mão o diabo se sente acuado.

Quando os empobrecidos e desprezados se organizaram e assumiram seu papel na cidade surgiram conflitos. Os poderosos sentiram-se ameaçados em seu poder de dominação. Por isso maquinaram estratégias paras impedir a realização da obra.
Primeiramente os governadores vizinhos e seus cumparsas sentem-se irritados quando ouviram a notícia da reconstrução da cidade ( Ne 2.10). Depois sua raiva aumenta e a reação é de fúria, ridicularizações e humilhações (Ne 4.1s) adiante planejam um ataque para destruir o que fora construído ( Ne 4.7-8).
Por que Sembalate, Tobias e os arábios se sentiram furiosos com a obra dos judeus? Por que eles eram os donos do comércio da região e exploravam a mão de obra dos judeus para seu enriquecimento. A organização dos pobres e arruinados de Jerusalém representava um possível prejuízo para os poderosos da região. Deste conflito o povo de Deus não pode e não deve fugir. A construção da paz da cidade implica necessariamente na derrota dos inimigos. A justiça de Deus é o único fundamento da paz social.
As armas do povo de Deus foram a fé, oração e unidade no propósito de alcançar condições dignas para viver como filhos de Deus. Esta foi a base suficiente para achar um meio de resistir aos inimigos. “Nós oramos ao Senhor e colocamos guardas dia e noite para nos proteger” (v.9).
Neemias não apenas organizou o povo para a obra mas também os ajudou para defenderem-se dos inimigos. O papel do líder foi encorajar o seu povo, orientá-lo e animá-lo com a palavra de Deus: “ Não tenham medo deles. Lembrem-se que o Senhor é grande e temível, e lutem por seus irmãos, por seus filhos e por suas filhas e por suas mulheres e por suas casas” ( v.14).
Os trabalhadores passaram por um período muito difícil quando a metade ficava de guarda e outra metade trabalhava( Ne 4.15 a 23). Mas o Senhor foi misericordioso com eles e lhes concedeu a vitória.
Os inimigos na própria casa.
Como o espírito do opressor habita a cabeça do oprimido (Ne 5.1-13).O povo de Deus teve que enfrentar mais outro tipo de inimigo: os da própria casa.
Entre os próprios irmãos judeus havia alguns com espírito de avareza que subjugavam os da família de Deus extorquindo-lhes o dinheiro e até reduzindo-os à escravidão ( Ne 5.1-5). Quem eram estes inimigos no meio do povo?
Foram os seus líderes maiores: os nobres e o magistrados ( v.7). Neemias levantou contra eles um grande ajuntamento popular ( v.7).
A melhor maneira de controlar o espírito opressor é levar seu pleito para apreciação da comunidade. É na assembléia que devem ser tratadas as grandes questões.
Neemias os censurou os maus líderes diante do povo reunido e encarregou os sacerdotes para que sob juramento restaurassem a prática da justiça (v.8-12). À luz da palavra de Deus foi restaurada de uma nova cultura política que trocou o espírito opressor pela solidariedade. Assim foi feito os opressores do povo restituíram o que tinham tomado dos mais pobres.
Neemias como líder e mais tarde governador deu ao povo um exemplo de como se vive uma vida justa e simples em partilha e hospitalidade ( Ne 5.14-19). Ele não tirou proveito pessoal do povo em função de seu cargo. Seu objetivo era sincero: lutar para o bem comum de seu povo e de sua cidade. Lamentavelmente os líderes da época de Neemias não tinham esta consciência, e a exemplo dos povos vizinhos, trataram de oprimir os seus irmãos.
A liderança de Neemias confrontou e desmascarou publicamente a pretensão avarenta dos líderes e os colocou sob o controle da comunidade. Desta maneira o projeto de Deus para Jerusalém prosperou e os inimigos da própria casa foram vencidos.
Conclusão: Na obra de Deus sempre haverá inimigos externos e internos. Não há como fugir deste conflito. O que importa é aprender como devem ser enfrentados. Quais as armas apropriados. Quais os controles para uma permanente vigilância.
Neemias traz um exemplo maravilhoso. Ele ajudou o povo para se organizar, deu-lhes o fundamento da palavra de Deus e colocou nas suas mãos o melhor meio para exercer o controle: a comunidade.
Para meditar: Haverá mudança na vida dos pobres não quando a igreja fizer projetos para eles, mas quando os pobres forem motivados a serem parceiros na construção de sua cidadania e do bem-estar.

2.4. Seguindo os passos de Neemias em nossa realidade. Para meditar e compartilhar.

Notamos que o sonho que Deus colocou no coração de Neemias era do tamanho da cidade de Jerusalém. Todas as suas ações visavam o bem estar de toda a cidade. A missão urbana precisa levar a sério a cidade toda, pois a comunidade de fé não é uma ilha em meio a cidade. A paz da cidade é a nossa paz, a violência da cidade coloca a nós todos na insegurança e medo, a miséria da cidade ofende e desafia nossa dignidade e senso de justiça.
A sua comunidade tem ou participa de algum projeto voltado para o bem-estar de toda cidade? Quem lidera este projeto?
O plano de Ação Missionária da IECLB(PAMI) afirma que “A comunidade é alvo e instrumento da missão”.
A sua comunidade está sendo organizada para a missão?
Veja o exemplo de Neemias no estudo acima. Ela descobriu as lideranças do povo e cada núcleo recebeu uma tarefa na reconstrução do muro da cidade. A prática foi resultado do planejamento. A sua comunidade tem um planejamento estratégico?
Quem são as pessoas que poderiam a ajudar para ampliar a visão de missão através da comunidade?
Como está a organização da comunidade para a missão? Para quais serviços (ministérios) há preparação de lideranças?
Todas as comunidades tem o seu presbitério. Este geralmente tem muito a fazer para reunir os recursos que carregam o pastoreio regular da comunidade ou paróquia.
Algumas comunidades criaram outros ministérios tais como: a solidariedade com os pobres; a oração pelos enfermos; a intercessão e apoio às famílias enlutadas; a pastoral da família; o treinamento de missionários, evangelistas e visitadores, etc. O objetivo da diversificação dos serviços é promover o engajamento de cada cristão na ação missionária afim de alcançar o maior número de pessoas possível. Todo trabalho novo encontra dificuldades.
Neemias encontrou obstáculos na obra do Senhor. Como vimos acima.

Conclusão
E a sua comunidade, quais são os obstáculos ou inimigos externos que impedem a mobilização missionária?
Quais são os inimigos internos ou fatores que impedem o desabrochar missionário de sua comunidade?

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