Deus é o Senhor da (nossa) história

Quando lemos a Bíblia, ficamos um pouco entediados quando nos deparamos com genealogias. Há muitas na Palavra de Deus, inclusive nos Evangelhos. O primeiro dos relatos biográficos de Jesus Cristo principia com uma genealogia. Como nos demais casos, esta não está aqui por acaso e nem é para ser pulada. É para ser lida e vivida.
Lendo a genealogia de Jesus Cristo aprendemos muito. Tudo na Bíblia tem um significado. Até mesmo uma genealogia (e esta não é a única) nos inspira.

1. DEUS SE MOSTRA NA HISTÓRIA.
Quando escreve a história de Jesus, Mateus põe suas raízes na história. Por isto, faz um estudo genealógico.
Mateus quer que seus leitores compreendam que Jesus é uma pessoa histórica real, que hoje nem os céticos mais agudos negam. O evangelista não faz como seus contemporâneos ou antecessores, dados a repetir fantasias, sem pesquisar.
Este cuidado nos oferece duas reflexões:

1.1. Este tipo de preocupação nos mostra que os relatos sobre Jesus nos Evangelhos são confiáveis. Devem evidentemente ser lidos à luz da historiografia disponível. A história é interpretada teologicamente, mas toda história o é; a diferença é que Mateus deixa claro qual é sua teologia: Jesus é o Messias, isto é, o enviado de Deus para a salvação da humanidade. Esta resposta ecoa pelas páginas da Bíblia e deve encontrar eco em cada coração.

1.2. Somos chamados a viver na história; não fora dela. Somos chamados a transformar a história, mesmo sabendo das dificuldades deste empenho. Um cristianismo desinteressado dos destinos da comunidade/sociedade é uma negação do cristianismo.

2. DEUS CONDUZ A HISTÓRIA
Entendemos melhor esta genealogia, aprendendo um pouco sobre Ciro.
Ciro foi um governante persa (logo, não judeu), que participou da história da reconstrução da cidade de Jerusalém. Deus o chama de “meu pastor” e “ungido” (isto é, Messias — cf. Isaías 45.1): “Ele é meu pastor, e realizará tudo o que me agrada; ele dirá acerca de Jerusalém: ‘Seja reconstruída’, e do templo: ‘Sejam lançados os seus alicerces” (Isaías 44.28).
Ainda hoje há Ciros fora dos muros das igrejas.
Ainda hoje Deus chama Ciros dentro dos muros das igrejas, para transformar este mundo.
Podemos ser usados por Deus, se o temos como o nosso Senhor.

3. DEUS AMA PESSOAS REAIS.
Quando revemos as histórias dos homens (37) e mulheres (cinco), ficamos assustados com Deus. Até compreendemos que muitos contemporâneos de Jesus o tenham rejeitado: seus antepassados não o recomendavam e seu presente (ao conviver com pessoas da margem da sociedade) não o credenciavam.
Entre os homens, há pessoas sem qualquer registro de seus feitos. Assim mesmo fazem parte da história de Jesus. Há assassinos e idolatras. Assim mesmo fazem parte da história de Jesus. Há adúlteros e mentirosos. Assim mesmo fazem parte da história de Jesus. Há santos e ímpios. Assim mesmo fazem parte da história de Jesus.

No caso das mulheres, parecem que foram escolhidas a dedo por suas faltas de virtude. Nenhuma delas teve boa reputação. Na verdade, à luz da história e da cultura do seu povo, todas as mulheres da lista são mulheres desprezíveis.
Tamar foi uma prostituta eventual, mas prostituta. Raabe era uma estrangeira, que entrou na história dos hebreus, e era prostituta. Rute era também uma estrangeira (moabita! não podia ser pior) e se casou com um hebreu (Boaz).
Bate-Seba, que não precisava ser mencionada, era uma adúltera. O autor faz questão de colocar Bate-Seba na história, embora sem mencionar o seu nome, com destaque para o seu feito.
Maria, aos olhos do povo, era uma adúltera. O nascimento virginal do seu primeiro filho não foi aceito inicialmente nem pelo seu noivo, José.

Aprendemos com as menções a estes nomes outras duas verdades.

3.1. Nós estamos aquém dos estereótipos, mas Deus está além deles.
Para nós, os ricos são bonitos e fortes. Nós lhes toleramos as faltas. Há alguns anos, um empresário paulista ocupou as páginas com adjetivos terríveis, em que o mais suave era o de ladrão. Hoje é o dono de um luxuoso edifício comercial, que leva seu nome.
Gostamos de revistas que falam de famosos. Lemos fascinados reportagens sobre um príncipe britânico que serviu anonimamente numa guerra.

Para nós, um presidiário não tem recuperação. Para Deus, tem.
Para nós, todo político é corrupto. Para Deus, há políticos honestos.
Para nós, como se a vida fosse uma telenovela, a história é dividida entre vilões e heróis. Na vida real, podemos ser vilões e heróis ao mesmo tempo. Devemos estar atentos que nós sonmos capazes de atos heróicos e, algum tempo depois, de atos sórdidos. Nosso pedido a Deus é que Ele molde o nosso caráter; o material bom de que fomos feitos acabou corrompido pelo pecado. Como é duro admiti-lo. O melhor, no entanto, é saber que Deus nos redime. Para isto mandou o seu Messias, para, morrendo na cruz por nós, permitir que sejamos transformados em novas criações.

Nós não colocaríamos alguns dos homens e mulheres que Mateus menciona, mas Deus não é preconceituoso.

3.2. Somos amados por Deus.
Deus ama pessoas de carne osso, como elas são. Como nós somos.
Não importam quem são nossos antepassados. Pode ser um Manassés (que sacrificou o próprio filho a um deus qualquer), que Deus nos ama. Somos responsáveis por nossas escolhas; não somos condenados pelas escolhas dos nossos pais, embora possam nos atingir em suas conseqüências.
Não importa como estejamos vivendo. Quem sabe tentando ficar em pé segundo os padrões de Deus mas caindo na idolatria, no vício, na prostituição, na mentira, na preguiça. Deus levanta. Ele é especialista em levantar os caídos. Ele ama os caídos. Jesus andava com os caídos, para levantá-los.
Não importa o material. Deus transforma. Não importa como estamos. Deus nos transforma. Não importa a nossa condição. Somos amados por Deus. Não há condição em que estejamos que não sejamos amados. Deus nunca nos rejeita.
Para pessoa reais, Ele envia o seu Messias. O oferecimento continua. A genealogia de Mateus nos mostra que Jesus é o Messias prometido por Deus. Por isto, Ele é apresentado como filho de Abraão e de Davi. O Messias foi prometido quando disse a Abraão que faria de sua descendência uma bênção; o povo judeu foi uma bênção, porque de saiu o Messias, o Salvador do mundo.

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