É de pequenino que se torce o pepino

(Reflexão sobre a formação cristã das crianças)

1. “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho não se desviará dele”. (Pr 22. 6)
Quem sabe ao ler ou ouvir o título deste estudo você pensou: “Que mau gosto Bispo, este ditado cheira violência”. Não é esta a nossa intenção, o que desejamos é sublinhar a responsabilidade da família e da Igreja na formação das crianças. Pois esta responsabilidade ainda que sabida, não acontece na prática, na medida que deveria ocorrer.
Na verdade, quem está formando o caráter e os valores das crianças são os diversos veículos da mídia, mais especialmente a televisão, e em alguns casos, os jogos eletrônicos e uso indiscriminado do computador.
Vamos provar isto de maneira prática. Por exemplo: Como se comemora o aniversário das vossas crianças, os 2 ou 3 anos, não são “Meninas super poderosas”, ou “a turma da Mônica”, ou mesmo o “Homem aranha”? Aniversários temáticos com temas bíblicos são raridade entre nós. Por favor, se eu estiver enganado me corrijam. O fato é que não temos o controle dos valores de nossas crianças, é verdade que aprendem nossas canções, as histórias bíblicas. Mas vamos medir quanto tempo elas têm contato com o ensino verdadeiramente cristão. Na igreja são no máximo 3 horas, isto calculando que eles estejam na escola dominical e no culto das crianças à noite. Sonhemos que em todas nossas famílias haja devocional familiar ou tempo específico com as crianças para ensino cristão na Palavra de mais 2 horas semanais. Qual o resultado? Teremos então 4 horas semanais de tempo para formação cristã, para ensinar a criança no caminho que ela deve andar. Seria isto suficiente? A resposta todos sabemos, é não, especialmente porque o tempo que ela tem debaixo de outras influências é massivamente maior. Vejamos isto.
Segundo projeções sobre o assunto a criança brasileira, passa em média diária 4 horas na escola, 1h30min em recreação com os colegas na rua, ou em lugares reservados a isto. No caso da classe média, passam aproximadamente 2 horas diante da televisão ou de jogos eletrônicos. O certo é que as crianças, hoje, recebem mais influência dos programas de televisão, dos jogos eletrônicos, dos colegas de escola do que dos pais ou da Igreja.
Em geral somos permissivos, entregamos a formação de nossas crianças a terceiros, os quais na sua maioria não têm temor de Deus. A cultura televisiva está sexualizando os relacionamentos infantis, e nós assistimos a isto sem esboçarmos maior reação. Precisamos urgentemente fazer algo.
Consideramos o processo do crescimento e formação cristã, para aliviarmos o quanto o temos implementado com nossas crianças, seja na Igreja ou na família.

2. Crescimento cristão: Cristo em vós, o verdadeiro alvo.

Formar a identidade de Cristo Jesus em cada ser humano é o alvo de desenvolvimento cristão. Ser como nosso salvador Jesus Cristo, passa ser a motivação da caminhada cristã, e isto precisa ser despertado em nós desde cedo, se conseguirmos criar esta motivação, e este alvo claro em nossas crianças, então estaremos formando uma geração capaz de mudar este mundo.
Este processo de crescimento supõe etapas permanentes com elementos básicos da vida humana visto numa dimensão bíblica cristã:
a) Alimentação.
Nossa vida carece de nutrição como um recém nascido, nossa natureza carece de Deus. A linguagem de Salmo 42.1-2 nos ajuda a ver isto: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?”. O apóstolo Pedro ilustra isto literalmente dizendo: “desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação”.(Pe 2.2) Esta alimentação no conhecimento da Bíblia, inclui a oração. Posso recordar o salmo 23 de cor desde quando era muito criança, era a oração que minha mãe fazia a beira da minha cama. Como necessitam de alimento para o corpo crescer e desenvolver, as crianças também necessitam de alimento espiritual. Apreender porções da Palavra e oração são valores decisivos para que haja o desenvolvimento cristão, e se comece a cultivar o interesse pelos elementos da fé cristã.

b) Amor, carinho e acolhimento cristão.
A criança precisa ser amada, ser acolhida, sentir-se parte de uma família. A maturidade emocional tem a ver, com relações de acolhimento amoroso e relacionamentos maduros desde o nascimento. Por isso, é decisivo que nossas crianças aprendam o caminho do amor de Deus, aprendam que: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”(Jo 3.16) e “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. (Rm 5.8) São textos que revelam a natureza de Deus, sim Deus é amor (1Jo 4.8), e isto precisa ser desenvolvido em cada criança, nada de jogos de guerra, nada de morte aos inimigos, mas de amar os inimigos, amar a todos sem restrição. O amor como ensinou Paulo, desenvolve em nós várias outras virtudes: “E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.”(Fl 1.9-11) Isto ajudará construir a relações comunitárias amorosas e sadias, uma nova comunidade.

c) Descanso e crescimento.
Assim como uma criança carece de alimentação e de amor e vida em comunhão, ela precisa também de descanso, repouso, de uma base de repouso e confiança.
Desde as épocas mais primitivas, o ser humano precisou de um lugar de refúgio e descanso. Nossas crianças precisam ter isto claro em algum momento da sua vida, ou seja, assim como os braços dos pais lhes servem de refúgio desde o nascimento, nossa fé em Deus é o nosso refúgio por toda a nossa vida, isto nos está assegurado na Palavra: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”. (Mt 11.28-30) e “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações”(Sl 46.1) . “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação”. (Sl 62.1)
Para ter esse refúgio a criança precisa ter um momento claro em que já podendo entender o Evangelho, seja levada com clareza a fazer sua decisão por Cristo “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.”(Rm 10.17) Alguns pais não tem nenhuma timidez em catequizar seus filhos para fazerem deles torcedor do Flamengo, Vasco ou outro clube qualquer, nem sempre vemos este zelo no sentido de levar a criança a uma decisão de aceitar a Cristo como Salvador pessoal, e de segui-lo como Senhor e Mestre. Esta é a mais importante decisão que um pai, mãe, avô ou avó pode levar a uma criança a tomar na sua vida, isto em nossa doutrina se chama Novo Nascimento. A idade? Você me pergunta, eu respondo: Não sei. Nossas crianças estão tão precoces que suponho que muitas delas com cerca de 8 anos, já estão em condições de tomar esta decisão pessoal, reconheço que isto pode variar bastante. Ideal é que, antes dos doze anos, seja ajudada a tomar esta decisão pessoal. Sendo preparada então, para a confirmação na Igreja.

d) Exercício e crescimento cristão.
Todo o crescimento supõe exercício, músculos se desenvolvem com exercício. A fé também se desenvolve com exercício, prática, experiência com Deus. Pois no campo da fé, o exercício é toda ação que fazemos em obediência a Palavra de Deus, e na dependência do Espírito Santo, visando a expansão do Reino de Deus. Aqui entram diversas áreas da caminhada cristã.

d.1) Dependência de Deus: (Jo 6. 68-69)
d.2) Aprender de Jesus: (Mt 11.29)
d.3) Permanecer em Jesus: (Jo 15.5)
d.4) Obedecer a Jesus: (Jo 14.21)
d.5) Testemunhar de Jesus: (At 1.8)

Concluo dizendo, que há um potencial evangelizador em nossas crianças, não há limites para elas, com sua inocência e espontaneidade, vão distribuindo folhetos e falando de Cristo com muito mais ousadia que a maioria dos adultos. Eu aprendi a importância de evangelizar. Quando criança, íamos à Vila Batista Xavier, em Porto Alegre, nos domingos à tarde distribuir folhetos. Eu e os demais meninos fazíamos com grande alegria este trabalho. Ali, surgiu depois uma igreja, isto com a cooperação das crianças. Afinal, delas é o Reino de Deus!

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