Em busca do melhor de Deus.

1.“Ora, ao começarem estas coisas a sucederem…”

Os começos de Deus são maravilhosos. No livro de Gênesis, há o início de tudo. Ali, a Terra era sem forma e vazia. Deus, no começo, disse “haja luz” porque não havia luz. E, como Deus disse, aconteceu: houve luz! E assim o universo todo foi mudando, cada dia havia uma mudança. Sempre para melhor, porque Deus as fazia.
Deus não tem princípio, nem fim, mas começa coisas novas todos os dias. Afinal, Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. Queremos começar algo novo, comecemos com Deus; queremos terminar algo difícil, Ele é quem termina tudo bem. Quem quis começar algo novo e melhor na vida sabe que é Deus quem começa as coisas melhores.
Por exemplo, quando a humanidade já não sabia que rumo tomar, o povo de Israel vivia sob cativeiro; os autores especializados dizem da Palestina do século I: “Herodes, o Grande (37-34 a.C.), tinha implantado um regime de terror fiscal. No ano 6 depois de Jesus Cristo, quando seu filho Arquelau foi deposto, o Judaísmo da Palestina apenas trocou um poder opressor por outro. O primeiro ato da nova administração foi ordenar um recenseamento geral de pessoas e bens. Extremistas, conduzidos por Judas da Galiléia, fomentaram uma revolta de curta duração. A maioria da população não participou, atendendo a pedidos do sumo sacerdote.
A administração fiscal dos romanos se revelou de grande criatividade para descobrir novos objetivos sujeitos a taxas regulares e extraordinárias. Um século depois da queda de Jerusalém (ano 70), Pescennius Niger declarou a certos palestinenses chorosos: ‘Em verdade, se dependesse só de mim, eu cobraria imposto do ar que vocês respiram.’ (Baron). Segundo um historiador moderno, ‘Roma era uma colossal aglomeração de parasitas que viviam às custas das províncias. Na Palestina, os impostos romanos não eram mais pesados que em outros lugares, mas eram particularmente irritantes para os judeus’”[1].
Sobre esse tema, diz um jovem apóstolo chamado João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1).
Esse apóstolo João escreveu: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada)” (1Jo 1.1-2). Esta é uma descrição de começo. Mas ele, escrevendo a Palavra de Jesus à igreja em Éfeso, diz: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor” (Ap 2.4). Ou seja, retorne ao princípio de tudo. Afinal: “Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho” (Ap 21.6-7).
Somos convidados a voltar à comunhão do Deus vivo a cada manhã. Cada dia é um novo começo, algo novo pode acontecer, mas somente na companhia daquele que faz novas todas as coisas. Mudança e recomeço para melhor é a especialidade do teu Deus. Não tente fazer por você mesmo; deixe Deus fazer, Ele faz sempre melhor. Não faça nada sem ter a certeza interior do testemunho do Espírito (Rm 8.16).

2.“Exultai.”

Quando Deus começa a fazer novas todas as coisas na nossa vida, a surpreender a cada um de nós, não nos cabe outra coisa senão: “[Cântico de romagem] Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles. Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegre” (Sl 126.1-3).
Quando queremos verdadeira alegria, podemos dizer: “[Cântico de romagem. De Davi] Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR” (Sl 122.1). Na linguagem do salmista, ir à casa do Senhor é uma disposição nova, é mais do que uma orientação direcional. É voltar-se para Deus; Ele é a fonte de toda a alegria.
Paulo, escrevendo à igreja de Filipos, diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.” (Fp 4.4). Esta é chamada a carta da alegria, pois, nela, Paulo usa expressões de alegria. E isso num tempo de prisão, de restrição da liberdade, mas nada, absolutamente nada, podia lhe tirar a alegria: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.38-39). Por isso, com Deus, há júbilo, alegria; assim sentia Davi, e o salmo expressa isso: “Alegrem-se os céus, e a terra exulte; ruja o mar e a sua plenitude. Folgue o campo e tudo o que nele há; regozijem-se todas as árvores do bosque, na presença do SENHOR, porque vem, vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, consoante a sua fidelidade” (Sl 96.11-13); “[Salmo de ações de graças] Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras. Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico” (Sl 100.1-2).

3.“Erguei as vossas cabeças.”

Sim, quando Deus começa a mudar a nossa vida, há muita alegria pelo começo de Deus. Mas algo precisa ser feito por nós, além de buscar a Deus e deixá-lo fazer o novo em nós, e ter alegria nisso, precisamos: “Erguer a cabeça”.
Quando andamos pelas ruas das nossas cidades, a realidade é assustadora. Olhamos para os lados, há desolação e tristeza em nossos rostos e em muitos corações. O verso 24 do mesmo capítulo 21 de Lucas, onde Jesus está descrevendo o que antecede a vinda do Filho do Homem, Ele diz: “…haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados. Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória” (Lc 21.26-27). A descrição do verso 26 corresponde ao quadro que vemos hoje. Com a crise mundial, muitos empresários perderam quase tudo, outros se mataram; porque haviam começado sem Deus, estavam terminando sem Deus.
A todos, há um convite: levante a cabeça! Deus fez isto com Abraão, que estava absolutamente desolado e depressivo com a separação de seu sobrinho Ló: “Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre” (Gn 13.14-15). Depois, diante de situação mais difícil ainda, diante de guerras (Gn 14.1-11), mas também da prisão de seu sobrinho Ló (Gn 14.12-16), Deus se revela a Abraão: “Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gn 15.5-6).
Sim, quando olhamos para cima, enxergamos mais longe; mas, quando nossos olhos estão voltados tão-somente para o nosso cotidiano, há, com frequência, uma visão desoladora, tudo nos parece escuro e desanimador, não há perspectiva de futuro. Quando erguemos os olhos, enxergamos mais longe e vislumbramos as possibilidades de Deus, que são sem limites. Adquirimos dupla visão, enxergamos o que nos intimida, mas também, como Davi, vemos além do gigante Golias: “Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens contra mim com espada e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado” (1Sm 17.45). E acolhemos no nosso coração a instrução do apóstolo Paulo: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2Co 4.17-18); “Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.25).
E, deste modo, daremos conta de que a nossa redenção se aproxima, está chegando o melhor de Deus. Amém, Amém e Amém.

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