Identidade sólida

Neste sermão vamos aprender sobre identidade sólida

João 10.30

1- introdução

Um dos fundamentos mais importantes do cristianismo é o chamado para fazer discípulos, o qual não se confunde com proselitismo. É a partir do discipulado que pequenos cristos surgirão, imitando o seu Divino mestre, em todas as eras da existência. Entretanto, não é possível imitar alguém, quando não sabemos quem realmente somos e quem objetivamente é Jesus. Firmeza de identidade é fundamental para a vida.

2- contextualizando o conteúdo

Antes de prosseguirmos, gostaria de explicar, sem muita enrolação, o conceito de identidade, afinal, precisamos salientar que, no ocidente, identidade migrou do coletivo para o indivíduo, causando grandes complicações existenciais. Antes da grande cisão: coletivo para indivíduo, ocorrida na era das luzes, o conceito de identidade era algo sólido, o qual trazia unidade para o corpo social. Na era pré-moderna a identidade coletiva era bem definida, trazendo segurança existencial, aceitação ou pertencimento, além da já mencionada unidade, tão importante na história humana, a qual os grandes imperadores enxergavam na identidade religiosa, a maneira mais certeira de proporcionar coesão civil. Na era moderna, com a proclamação da independência do indivíduo, em relação ao todo, representado nas tradições, o indivíduo ficou deslocado, tendo agora a responsabilidade de construir a si mesmo, usando de um mar de símbolos, o meio para desenvolver sua líquida identidade. Não é atoa que este indivíduo sofre constantemente de solidão, angústia existencial e depressão. Uma identidade nada sólida, pode trazer grandes conflitos emocionais. Após desta abordagem, podemos dizer que identidade nada mais que o conceito existencial o qual temos de nós mesmos, seja ela advinda do coletivo, ou daquilo que produzimos como indivíduo.

4- A identidade caída

Mas há um problema intrínseco a natureza humana, mesmo que as filosofias existencialistas deste século queiram negar: a finitude humana, como condição de existência, gera em nós uma real angústia de seres em busca daquilo que é eterno. Separados de Deus, daquele que é a fonte do bem maior, perdemos nossa imagem, vivendo agora em meio as trevas do desespero, com uma identidade distorcida, afinal, rompemos com a essência de tudo, e sem a essência de todas as coisas, quem poderíamos ser? Sofrimento, angústia e desespero fazem parte, agora, da condição humana e mesmo que pretensiosamente desejamos nos construir, como autônomos de nosso espírito, sem a eterna referência, de algo ou alguém que seja imutável de caráter, seremos apenas seres desconexos com a nossa própria natureza, maleáveis de espírito, sem concistencia enquanto ser.

5- A identidade sólida do Cristo

Por isso que o “eu” só pode ser construído pelo Cristo e através do espírito do Cristo, como referência eterna, manifestada na história, para redenção da humanidade, para iluminar as trevas de nosso desespero, para nos ensinar a sermos aquilo, enquanto seres existentes, que o Pai desejou que fossemos. O Cristo resgatando nossa verdadeira identidade humana. Jesus mesmo afirma sua identidade quando diz: Eu e o Pai somos um. Jesus era sólido em saber quem ele era: O filho eterno do Pai, em unidade com Ele. Ora, tamanha afirmação foi um choque para o povo judeu. Ao estudar o livro do Apóstolo João, vemos durante toda a leitura, como é afirmada a identidade do Cristo, como sendo mesma substância, mesma natureza, com aquele que é Eterno. Jesus é identificado como aquele que estava antes do início, como aquele que estava com Deus no ato de criar, como aquele que era o próprio Deus. Os primeiros capítulos deste evangelho são certeiros em não deixar dúvidas sobre a identidade daquele que era luz do mundo, mesmo não sendo recebido como tal. O sacerdote só rasga suas vestes, como ato de amargura ao escutar aquilo que para ele era uma infame blasfêmia, ao escutar da boca do Cristo sua identidade na afirmação: Eu sou!

Um encontro verdadeiro, alicerçado na fé, de que somente o Cristo pode restaurar nossa comunhão com o Pai, e que somente Ele pode recuperar nossa identidade devastada pela cegueira da queda, com Jesus é o que fundamenta nossa verdadeira essência. Em todos os momentos de sua existência histórica, Jesus jamais perdeu sua identidade, solidificada em sua unicidade com o Pai. Mesmo nascido sobre circunstâncias delicadas e fugido ao Egito, tendo de viver os primeiros anos de sua vida como refugiado, o ódio ou rancor para com o seu povo e seus governantes jamais despertou como influência em sua maneira de revelar o Reino de Deus. Sem jamais ter frequentado as grandes escolas judaicas, para aquisição do conhecimento da lei mosaica, Cristo nunca deixou-se abater por um espírito de inferioridade intelectual, ao ser confrontado pelos grandes mestres, pois sua sabedoria vinha de sua unidade com o próprio Espírito Santo. Cristo serviu, justamente porque sua identidade como o Rei sobre todas as coisas era firme suficiente para não permitir um orgulho opressor. Esta identidade sólida do Cristo é, como o próprio Jesus nos ensina, resultado de um nascer de novo, nos tornando também um com o Deus de nossa criação.

6 – Uma identidade que produz frutos

Em Cristo percebemos como a consciência de uma identidade fundamentada em Deus, passa a ser produtora de bons frutos, através do próprio Espírito Santo habitando em nós. Antes de prosseguirmos em nossa análise, precisamos deixar claro que não há, dentro do fruto do Espírito, qualquer incitação moral. O moralismo nasce da distorção do ser, da cegueira para com aquele que nos transcende, da ausência da santa referência em nossa natureza, a qual nos possibilitaria toda a integralidade de espírito. Não é possível uma lei moral, para seres íntegros de caráter, não há leis contra Deus, pois para Ele é impossível o pecado. Uma identidade sólida, a qual reconheça sua existência em Deus, torna-se evidentemente, semelhante e imagem do próprio Deus, sendo assim, as ações só podem resultar nas mesmas de nosso Criador. Só é possível o ato de amor, se de fato isso está em nosso caráter, como também o perdão, a misericórdia, a graça, além de outros. Quando são apenas conceitos, externos à alma humana, não sendo objetivas em nós, não podem de fato a serem produzidas, ficando apenas como sombras da teorização da moral. O bem do pode ser produzido, quando verdade intrínseca ao caráter humano, sendo apenas o Espírito habitando em nosso ser, a possibilidade de tal ocorrência.

7 – conclusão

Nossa identidade humana só é solidificada, nos tornando homens e mulheres inteiros, quando encontramos o Cristo e, a partir dele, somos moldados imagem e semelhança do filho eterno de Deus.

Autor: Rudolph A. Medeiros

Visite o site www.ejesus.com.br

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Comentários

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  1. Gilvan Almeida

    Encaminho novamente este comentário: Qual o motivo de Jesus Cristo ser chamado de “filho” e não Filho de Deus? Erro de grafia? Se for o caso, por favor corrijam. Também não entendi o comentário do autor quando diz: “Jesus é identificado como aquele que estava antes do início, como aquele que estava com Deus no ato de criar, como aquele que era o próprio Deus.” E noutro lugar o autor escreve: “Em todos os momentos de sua existência histórica, Jesus jamais perdeu sua identidade, solidificada em sua unicidade com o Pai.”

    Explico a divergência:
    1. Jesus é “Filho” com “F” maiúsculo por que é tão divino quanto o Pai e quanto o Espírito Santo. Três pessoas e um só Deus. (Mat. 28:19, Cor. 13:13).

    2. A intenção do autor ao escrever a frase “Jesus é identificado como aquele que estava antes do início, como aquele que estava com Deus no ato de criar, como aquele que era o próprio Deus.” pode ser boa mas o resultado é dúbio. Prefiro a clareza de Jo 1:1 No principio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Dizer como o autor que o Jesus era o próprio Deus dá a idéia de que Jesus, a 2ª pessoa da Divindade é a mesma pessoa do Pai. São duas pessoas distintas, apesar de ambas possuírem atributos divinos.

    3. Acho que a Palavra unicidade foi mal utilizada, não seria unidade?

    Grato,

    Gilvan Almeida

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