Igreja: dai aos pobres de comer

Introdução
Ninguem no Brasil pode afirmar que desconhece a dor dos pobres e miseráveis. Os jornais e revistas apresentam reportagens e fotografias da situação enfrentada pelos pobres, os telejornais colocam dentro dos lares a condição de extrema miséria em que se encotram crianças e idosos, principalmente, mas também jovens e adultos. As emissoras de rádio divulgam os números da miséria e, além disso, é possível encontrar estes seres humanos que vivem abaixo da linha de pobreza, andando pelas ruas, dormindo nas praças públicas, sob marquises de prédios, “morando” embaixo de viadutos e pontes, ou em barracos de favelas e cortiços. Isso tudo é comum nas cidades, principalmente nas grandes cidades. No campo, na zona rural, os pobres sobrevivem a duras penas, explorados, muitas vezes, por um sistema semi-escravagista ou neocolonial.
Os pobres estão em toda parte. São crianças de rua, mendigos, idosos desamparados, jovens e adultos sem lar, sem emprego, doentes sem alimentação. Completamente desassistidos em todas as áreas da vida humana. Qual a nossa responsabilidade diante desse quadro?
Sabemos que Deus não tolera a injustiça (Am 2:6) e também o que não socorre o necessitado (Mt 25:41-16). A recomendação expressa que Jesus nos faz é que tenhamos misericódia pelos que padecem, oferecendo-lhe assistência. Diante da grande multidão faminta, os discípulos (a igreja) preferiram enviá-los para suas casas a fim de que pudessem alimentar-se. A solução que encontraram eximia-lhes de qualquer responsabilidadade. A saída, entretanto, de Jesus é completamente diferente: “Dai-lhes vós de comer”(Mt 14:15,16).

Igreja: Comunidade Acolhedora e de Misericórdia
Como Jesus, a igreja deve ter compaixão para com os que sofrem, os que são marginalizados, os que são discriminados, os que perecem, procurando acolhê-los, concedendo-lhes esperança de uma vida melhor neste mundo e de plena felicidade na eternidade
A igreja de Cristo não pode e não deve estar comprometida com indivíduos ou entidades que oprimem os pobres, praticam a injustiça e não usam de misericórdia, mas, pelo contrário, contribuem para o aumento da miséria e do sofrimento humano.
A igreja deve tomar o partido dos que sofrem, dos humildes, dos oprimidos, procurando ser uma comunidade de amor e praticante da justiça. Do contrário, essa igreja estará se descaracterizando como comunidade cristã e fugindo do seu compromisso com Cristo. Em outras palavras, secularizando-se e deixando efetivamente de ser igreja. Leias os textos seguintes e neles medite: Isaías 1:16; Salmo 82:3,4; Jeremias 22:3.
Se a justiça dos cristãos e da igreja não ultrapassar a dos pecadores, de maneira nenhuma aqueles entrarão no reino dos céus – palavras do próprio Jesus (MT 5:20).
A igreja, de acordo com o viver de seu Mestre e Senhor, deve acolher os oprimidos, curar suas feridas e recuperá-los completamente. Esta mensagem de solidariedade é o grande ensinamento de Cristo na parábola do bom samaritano. Vale a pena lê-la por esta ótica (Lc 10:30-35).
Você e sua igreja, diante dos problemas de sua cidade e do Brasil, têm agido como o levvita e o sacerdote que passaram à distância do miserável ou têm agido como o samaritano acolhendo e recuperando por amor aqueles que sofrem?

Igreja: Comunidade do Amor e da Justiça Integral
A igreja fundada por Jesus Cristo tem como característica distintiva a prática do amor. Os membros dessa igreja serão reconhecidos como tal pelo amor que reina entre si (Jo 13:34,35).
O amor deve se evidenciar em todas as dimensões, como na ajuda aos pobres. Deus nos motiva oara esse trabalho, pois assim se manifestará a justiça integral de Deus. É imperioso a consideração dos seguintes textos, pois eles falam de nossa responsabilidade social para com os pobres: Deuteronômio 15:7; Salmos 41:7; Provérbios 19:17; 1João 3:17.
A igreja desse tempo difícil em que vivemos precisa, como a igreja de Jerusalém, cair na simpatia do povo. Por isso é imprescindível que ela seja efetivamente comunidade do amor, pregando e vivendo o evangelho todo a fim de que a justiça integral se estabeleça, tanto em sua prática como na ação de governantes e da sociedade em geral. Este é o sonho pelo qual devemos lutar, apesar de humanamente parecer impossível. Este é o desejo cristalino de Deus conforme já vimos em tantos textos bíblicos. Jesus Cristo proclama claramente isso em Mateus 25:31-46. No dia do juízo final, aqueles que, convertidos a Cristo e salvos por sua graça, agiram com amor em favor dos necessitados e oprimidos receberão o prêmio do convite especial para viverem eternamente com o Rei no lar celestial.
“A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é essa: Visitar os órfãos e as viúvas em suas aflições e guarda-se isento da corrupção do mundo”(Tg 1:27). Eis a síntese da vida cristã.

Igreja: Comunidade da Ação
Jesus Cristo veio ao mundo a trabalho. Em João 5:17 ele diz que seu Pai trabalha até então e Ele também. Em Marcos 6:30-34 registra-se o trabalho intenso de Jesus e seus discípulos a ponto de nem terem tempo para alimentar-se.
Em Lucas 7:18-22, Jesus responde aos discípulos de João, que desejavam certificar-se se ele era realmente o Cristo, como trabalho: “Naquela mesma hora curou a muitos de doenças, de moléstias e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos”(Lc 7:21).
Lucas ainda afirma em Atos 10:38 que Jesus “andou por toda a parte fazendo o bem”.
O exemplo dos cristãos e da igreja é Jesus Cristo e o seu exemplo é trabalho, ação. Logo, como não agiria sua igreja de igual forma ?
Pedro, João, Tiago, Paulo, outros apóstolos e discípulos e as igrejas primitivas trabalhavam com afinco para o crescimento do reino de Deus e a promoção da justiça. Onde a igreja chegava, ela alterava comportamentos e impunha, com amor, uma nova realidade.
A igreja hoje não deve restringir sua ação maior ao culto comunitário. A celebração do culto é uma atitude de adoração a Deus, de comunhão com os irmãos, mas também de capacitação espiritual e de desafio para o serviço cristão. Vida cristã é trabalho, ação, serviço.
É preciso agir hoje para cumprir a vontade de Deus. E há muito o que fazer. Sugerimos algumas atividades que poderão ser desenvolvidas individualmente ou pela igreja, sob a direção da união de adultos, em cooperação com o departamento de ação social da igreja. O objetivo é cooperar na promoção de pessoas necessitades, socorrendo e ensinando-lhes a “pescar o próprio preço” ou seja, capacitando a uma atividade de auto-sustento. azendo tudo em amor, oração e dependência de Deus, esta obar será maravilhosa de ser feita e não um peso ou algo estressante.
Caso não venhamos a praticar a Palavra de Deus, ficando apenas no estudo dessa matéria, cairemos no mesmo erro de um grupo de cristãos a quem uma mulher desabrigada pediu ajuda. Um membro do grupo prometeu orar por ela. Mas a ajuda concreta ele não ofereceu. Passado algum tempo desse episódio, ela escreveu o seguinte poema e o entregou a um dos membros daquele grupo da igreja: “Eu tive fome, e tu formaste um grupo humanitário para discutir minha fome. Estive preso e tu te retiraste discretamente e oraste por minha libertação. Estava nua e, na tua mente, questionaste a moralidade da minha aparência. Estive enferma e tu te ajoelhaste e agradeceste a Deus por tua saúde. Estava desabrigada e tu me falaste do abrigo espiritual do amor de Deus. Estava solitária e tu me deixaste sozinha a fim de orar por mim. Parecias tão santo, tão próximo de Deus! Mas eu ainda estou com fome… e sozinha e com frio” (STOTT, J., O Cristão numa sociedade não-cristã. Niterói, Vide, 1991).
Dai-lhes vós de comer é a ordem de Jesus que continua valendo. Até que tenhamos uma realidade social mais justa.

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