Missão cristã.

Amados irmãos/ãs no século XVI Martinho Lutero enfrentou alguns posicionamentos errôneos da Igreja Católica e aconteceu o que conhecemos como Reforma Protestante, ou seja, o rompimento com a tradição Católico-romana e o nascimento de várias outras denominações, gerando assim, um momento novo na história do cristianismo. Algumas das acusações de Lutero foram: Venda das indulgências, infalibilidade Papal, divisão entre povo e o sacerdote, entre outras críticas. Naquele momento muitos sacerdotes exploravam a fé do povo para o próprio benefício. [Ao dizer isso, não entendam que eu esteja acusando todos os católicos romanos. Não estou incitando ira contra nossos irmãos e irmãs]. Estou apenas relatando um fato que aconteceu na história. Mas é fato que aquele momento foi o ápice da decadência da história da igreja.
Assistindo alguns programas evangélicos, não vi nenhuma diferença do discurso atual com o que fora confrontado no passado. Hoje muitas dessas igrejas que se dizem evangélicas, também, de certa forma, vendem suas indulgências, exploram a fé, motivam o povo a ter medo do inferno e não amor a Deus. Muitas pregações ensinam o povo fazer trocas com Deus, ensinam a exigir de Deus como se ele fosse nosso servo, nosso escravo. Líderes que pensam em seu próprio prazer, em seus próprios interesses conduzem o povo ao egocentrismo e distanciam da missão. Com isso podemos dizer que estamos vivendo momentos semelhantes ao de Lutero. É um tempo de decadência, tempo em que o evangelho está sendo barateado, está sendo vendido. Diante desse fato, eu pergunto a vocês: Podemos dizer que estas igrejas estão sendo testemunhas do Evangelho do Reino? Essas são características de uma igreja cristôcentrica? É característica de uma comunidade a serviço do povo? É uma comunidade que testemunha o amor, a graça e a misericórdia de Deus?
Diante disso se faz necessário que voltemos nossos olhos para a bíblia, para os ensinamentos cristãos, para vida de Jesus que é o padrão para toda nossa vida. E O texto que vamos refletir hoje nos ensinará alguns princípios da missão de Jesus, ou seja, da missão de Deus, que também é nossa missão.
Como bem nos falou o pastor Rafael em outro sermão, a ênfase do evangelho de Mateus está nos ensinamentos de Jesus. Portanto, ao relatar qualquer história de Jesus, este relato não é um fim em si mesmo, antes, tem uma intenção pedagógica. Ao estudar essa passagem, descobri que a igreja primitiva, a comunidade de Mateus, usava histórias como essa para instruir o povo na obra missionária.
Nessa noite desejo que fique claro “Que o Objetivo de Sermos Cristãos é cumprir a Missão de Deus”.
E é nesse sentido que o texto de São Mateus vai nos instruir.
O texto nos apresenta 3 princípios que nos ajudarão a compreender quais sãos as preocupações de Jesus. E como Ele agiu diante delas, sendo, portanto, parâmetro para nossa vida cristã.

1. Primeiro Princípio: Ver a multidão. vs. 36.(5:20).

“Ao ver a multidão teve compaixão dela porque estava cansada e abatida (andavam desgarrados e errantes) como ovelhas sem pastor”.
O escritor português José Saramago, inicia seu romance “Ensaio Sobre a Cegueira” dizendo: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. Isso porque existe diferença entre ver e olhar.
O olhar é apenas uma ação mecânica, é o que fazemos a todo instante para nos direcionar, sem objetivo de desvendar ou analisar qualquer realidade. É atitude comum que os corpos se utilizam para se locomoverem e não esbarrar em outros corpos, ou apenas olhar alguma imagem sem nenhuma intenção.
o ver, por sua vez, é algo além! Passa pelo objetivo de estabelecer uma relação de conhecimento por meio da visão, somente quando vemos com objetivo especifico é que conseguimos reparar. Somente quando temos objetivo é que conseguimos ver os detalhes, as especificidades das coisas e das situações.
E é por isso que ao descrever a ação de Jesus, Mateus escolhe o verbo VER e não olhar, porque Jesus não olha seu povo de forma rotineira. Jesus VIU a multidão, Ele analisou o estado em que estavam. Ao VER o povo Jesus reparou como eles se encontravam. Reparou o que eles necessitavam em suas almas e também em seus corpos. E o texto diz que Jesus teve compaixão – Assim como Jesus viu e vê você! Ele não simplesmente olha para você, não olha para seus problemas, ele não apenas admira sua vida. Ele te Vê, Ele analisa sua realidade e tem compaixão de você.
Jesus tem compaixão do povo porque observa que eles estão como ovelhas sem pastor. Essa é a conclusão que Jesus chega ao ver o povo, essa também foi a conclusão que Jesus teve quando nos viu, quando ainda estávamos sem sua presença.
Assim é o povo sem conhecer Deus e seu evangelho. Estão como “Ovelhas sem pastor” isso significa estar perdido, com fome, com sede, sem direção, entregue a sorte Significa também: Estar perambulando pelas ruas, nas esquinas bebendo, procurando o suicídio, não ver sentido na vida, viver depressivo.
Embora tivessem o judaísmo como religião oficial, ela não tinha ação alguma no meio do povo, não promovia mudança na vida das pessoas. Era a religião dos ricos, dos donos da cidade; Era também como uma religião de manutenção. Onde alguns participavam dos ritos simplesmente para obedecer à religião, outros para receber a proteção de Deus, outros para mostrar que eram religiosos.
Existe alguma diferença com nossos dias???? Como temos nos mostrado como igreja? Como a igreja evangélica, ou a igreja católica tem se portado diante da multidão que estão como ovelhas sem pastor? Como você e eu temos nos portado diante dessa multidão? Aqui está a diferença entre ser e não ser igreja de Cristo. Quando ouvimos algumas pregações, algumas promessas… “Deus faz isso aqui! Venha para nossa igreja!!!”; “Aqui você vai ser curado!!!”; “Deus vai te abençoar!!!”; “Aqui temos a oração de poder!!!”; “Aqui você sente o Espírito Santo agir!!!” quando nos rendemos a esse discurso significa que no fundo somos egoístas!
(falar das igrejas proselitistas)
Jesus viu a multidão, reconheceu suas necessidades, teve compaixão porque eles estavam como ovelhas sem pastor. Quantas ovelhas sem pastor temos nessa cidade? Quantas ovelhas sem pastor temos em nossas ruas? Quantos de nossos vizinhos são como essas ovelhas perdidas? Eu pergunto – Temos olhado para essas ovelhas perdidas, ou temos visto essas ovelhas? Vemos e reconhecemos suas necessidades e buscamos um meio para agir, assim como Jesus fez? Se levamos o nome de cristãos, devemos cumprir a missão de cristãos.
Portanto meus irmãos e irmãs, devemos nos posicionar diante do evangelho de Jesus Cristo, somos de fato, uma igreja que o representa? Ou mais um grupo egoísta que quer apenas a benção de Deus?

2. Segundo Princípio: Ir onde o povo está. V. 35.(5:40).

“Jesus Percorria todas as cidades e povoados (aldeias) ensinando em suas sinagogas e pregando o Evangelho do Reino, enquanto curava toda sorte de doenças e enfermidades”
missão do caminho.
Lembro-me de uma música sertaneja que dizia: “O artista vai onde o povo está, por isso cantamos a qualquer hora e qualquer lugar”.
Muitas vezes não temos coragem, ou jeito para abordar as pessoas nas ruas para aconselhar, ou para evangelizar, então a convidamos para que venham à igreja. Ouvi inúmeras vezes pastores exortar a igreja por não levar nenhum convidado ao culto. E com isso acaba-se ensinando que o papel do cristão é apenas trazer as pessoas para a igreja. E a conseqüência é nos fecharmos, fazendo nosso “reduto de santos” enquanto o “mundo pecador” morre lá fora. Pensamos que todas nossas ações cristãs acontecem tão somente aqui dentro. E criamos a falsa idéia de que a igreja é o templo, e nós meros freqüentadores.
Esses grupos que oferecem “Jesus mais barato” têm essa compreensão. Por isso que ficam disputando com outras igrejas, ficam correndo atrás de membros já convertidos, ou pelo menos, acreditamos que são convertidos, mas essa não é a questão.
Mas Mateus nos informa que Jesus percorria todas as cidades e aldeias cumprindo sua missão. Que missão foi essa? A missão de servir. Cidades e aldeias significam que não importava a Jesus se era pobre ou rico, urbano ou camponês, muita gente ou pouca gente. Essas não eram suas preocupações. Antes, a ação de Jesus nos ensina que a missão se cumpre no caminho. O “ide, e fezei discípulos” no original grego significa “indo, e fazei discípulos”. Nossa missão se faz no caminho, no indo e vindo de nossas vidas. No dia-a-dia de nossas atividades. Mas também podemos compreender que devemos, como comunidade, ir até as pessoas, assim como “o artista vai cantar onde o povo está”, devemos nós também, ir aonde o povo está! E Servir, assim como Jesus serviu.
Jesus ensina.
Uma questão muito importante que podemos extrair desse versículo é que Jesus Ensina nas sinagogas. A sinagoga era o local de ensino da LEI. E para os judeus, a LEI é tanto a palavra de Deus, quanto os direitos e deveres do povo. Ou seja, a Lei moral, Lei civil, e Lei política. Com isso podemos aprender que as crises em nossa política, as eleições que irão acontecer nesse ano, os deveres morais e cívicos podem e devem acontecer em comunidade. E entender que isso também participa da espiritualidade do povo de Deus. Devemos usar o templo e nosso tempo para ensinar e aprender sobre política, problemas da cidade, e como podemos contribuir para a melhoria desses problemas.
(exemplo da época da ditadura)
Evangelho do Reino.
Outra questão é que Jesus em cada um desses lugares pregava o Evangelho do Reino. Mostra também a necessidade de sermos testemunhas do amor de Deus, de sua Graça e sua Justiça. Devemos ampliar um pouco o termo Evangelho e/ou evangelização.
Evangelho significa “Boas Novas”. Reino de Deus significa “Seja feito a sua vontade assim na Terra como no céu”. Portanto evangelizar é anunciar as Boas Novas da vontade de Deus e não apenas fazer a todo custo que as pessoas se convertam. Mas falar do amor de Deus, de sua Graça, de seu perdão, como também é lutar por justiça, por igualdade e o bem-estar de todos. Ser luz e sal para todos aqueles que nos rodeia.
Jesus cura toda sorte de doenças.
O texto nos informa que Jesus Ensinava e Pregava o Evangelho ENQUANTO curava toda sorte de doenças e enfermidades. As doenças para os judeus era significação de pecado e impureza, portanto, essas pessoas eram excluídas e rejeitadas, mas é com esses que Jesus se preocupa. Enquanto a sociedade está rejeitando, Cristo está acolhendo e proporcionando conforto emocional e físico e espiritual para todo aquele que está perdido.
Lembrando o versículo anterior, era Jesus que ia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia ensinando, pregando e curando. Jesus estava no caminho fazendo todas essas obras, não ficava parado em um trono, ou uma igreja, esperando que os doentes aparecessem para curá-los.

3. Exortação de Jesus: v. 37-38.

“A seara é grande, mas poucos os ceifeiros! Pedi, pois, ao Senhor da seara, que envie ceifeiros para a sua colheita”.
Nos dois pontos anteriores, Mateus informa a relação que Jesus tinha com a multidão, e sua atividade. Como ele se portou diante dos fatos.
A partir do verso 37 o foco muda. Agora Mateus apresenta o diálogo de Jesus com seus discípulos. Antes era Jesus e a Multidão. Agora é Jesus e os discípulos, podemos dizer então que é o diálogo de Jesus e sua igreja.
É muito interessante que a exortação de Jesus acontece depois que ele repara a situação da multidão.
Jesus usa a metáfora da colheita de cereais para chamar a atenção dos discípulos. Diz ele: “A seara é grande, mas poucos os ceifeiros”. – o corte de cana.
Isso significa dizer que existe muito trabalho, temos muito o que fazer. Assim como poucos ceifeiros não dão conta de toda a colheita, ou poucos cortadores de cana também não dão conta de todo o corte. Poucos crentes não dão conta de toda a atividade missionária da igreja.
Jesus nos chama a atenção para dois pontos fundamentais que precisamos prestar muita atenção.
A unidade.
A grandiosidade da missão. (evangelização/serviço)
Jesus exorta aos discípulos: “Pedi, pois, ao Senhor da Seara que envie ceifeiros/trabalhados para colheita” mostra que existem dois tipos de pessoas:
A multidão.
Os discípulos.

Conclusão:

Esse texto nos ensinou como Jesus via a multidão, quais foram suas atividades. Ao compreender que a pessoas estavam como ovelhas sem pastor teve compaixão dela. Jesus ia onde o povo estava para lhes ensinar, pregar o evangelho e curar. Quando vemos a multidão com os olhos de Jesus percebemos que grande é nosso trabalho e não podemos ficar aqui dentro esperando que as pessoas venham. Mas como igreja de Cristo e seus representantes, devemos sair e servir ao mundo, ou seja, o nosso próximo.
Somente assim podemos ser uma igreja cristocêntrica. Andar como Jesus andou, praticar o que Jesus praticou e amar como Jesus amou.
“O cristão deve ser Cristo para seu próximo”Lutero.

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