No tempo e no espaço virão te adorar!

No tempo e no espaço, virão te adorar! (Dt 12,13-19)

Uma das características mais impressionantes das igrejas que crescem é o louvor a Deus. Os cultos têm um tempo maior para a adoração através da música, usam-se canções com ritmos contemporâneos, há um cuidado especial com os instrumentos musicais e com a direção do povo, há intensa participação e ministração mútua. A renovação litúrgica que as igrejas brasileiras têm experimentado na última década certamente tem muitos valores, e nos convida à participação alegre e entusiasmada no louvor ao Senhor, mas também nos convida à reflexão teológica. Precisamos adorar a Deus com inteligência, além de fervor (I Co 14:15); em verdade, além de no Espírito (Jo 4:24). Por isso, quero compartilhar com você uma série de estudos bíblicos baseados em Deuteronômio, com a intenção de refletirmos juntos sobre o louvor a Deus, a fim de que nós O glorifiquemos cada vez mais fervorosa e inteligentemente.

Hoje, quero conversar sobre o espaço da adoração, baseando-me em Dt 12:13-19. Quando prestamos atenção a este texto, percebemos que ele nos apresenta dois tipos de espaço onde servimos a Deus. O primeiro é o espaço litúrgico (do serviço, do culto a Deus). Note bem os versos 13-14: “não oferecerás os teus holocaustos em qualquer lugar que vires, mas somente no lugar que tiver escolhido o Senhor teu Deus, em uma de tuas tribos, ali apresentarás os teus holocaustos e farás tudo que te ordeno”. O culto deve ser prestado a Deus somente no lugar que Ele escolhe. Qual é a lição desses versos para nós, que aprendemos com Jesus que Deus pode ser adorado em Jerusalém ou em Gerizim, ou em qualquer lugar, contanto que seja adorado em Espírito e em verdade? Aprendemos que o espaço litúrgico é o espaço da soberania de Deus. O que define o lugar da adoração não é a geografia, mas a submissão a Deus – o lugar onde adoramos a Deus é o lugar onde nos colocamos debaixo da Sua soberania, o lugar onde aprendemos a obedecer a Deus, o lugar onde Ele é agradado. Não é o lugar onde nós mandamos, onde nós fazemos o que queremos, onde nós nos sentimos bem, onde nós somos agradados. É o lugar onde Deus recebe o nosso louvor e a nossa submissão, porque somente Ele é o Rei de todo o universo.

No verso 18, o texto nos ensina que “somente na presença do Senhor teu Deus, no lugar que o Senhor teu Deus tiver escolhido, poderás comer, tu e teu filho e tua filha, teu escravo e tua escrava, e o levita que mora em teu meio, alegrando-te diante do Senhor teu Deus em tudo que puseres a tua mão.” O espaço da adoração a Deus é o espaço da presença de Deus, diante da qual apresentamos a nossa gratidão, através da oferta de nossos bens, de nossa vida, e da comunhão solidária com os membros do povo de Deus. Para o Deuteronômio, somente no lugar escolhido por Deus o povo poderia apresentar e comer os holocaustos, os dízimos, as ofertas (12:17). Nós não oferecemos mais a Deus sacrifícios de animais, mas o sacrifício de nossos lábios que, com honestidade, representam a oferta de tudo o que temos e tudo o que somos (I Pd 2:5-6). A lição mais importante deste verso do Deuteronômio para nós, porém, é a lição da solidariedade. A lei divina instrui o adorador que ele deve levar para a refeição cúltica a sua família, os escravos e os levitas – os filhos, os escravos e os levitas eram as pessoas que não tinham terra e bens, e por isso não poderiam oferecer dízimos e holocaustos. Mas nem por isso deveriam ser esquecidos no culto a Deus. O espaço litúrgico é o espaço da solidariedade, do amor ao próximo que necessita não só de nosso ombro e de nosso abraço, mas também de nossos bens e de nosso tempo. Culto a Deus é lugar de expressão de amor ao próximo, pois essa é a vontade do soberano Deus: “Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!” (I Jo 3:18).

O segundo tipo de espaço que encontramos em Dt 12:13-19 é o espaço cotidiano. O espaço da vida no dia-a-dia, é qualquer lugar, é o lugar onde não podem ser oferecidos a Deus os sacrifícios. Mas é um espaço sagrado também! Repare no verso 15, “mas, consoante o desejo de tua alma, poderás matar e comer carne em qualquer de teus portões, conforme a bênção que o Senhor teu Deus te tiver concedido.” O espaço cotidiano é o espaço da bênção de Deus! Por isso é sagrado. A diferença entre o espaço litúrgico e o espaço cotidiano é que no espaço litúrgico nós bendizemos a Deus com a adoração submissa e solidária. No espaço cotidiano Deus é quem nos abençoa com a salvação, a vida, o sustento através do trabalho de nossas mãos, a alegria da comunhão com os irmãos e familiares, os desafios da luta contra a carne, o mundo e o pecado. O desafio para nós, adoradores e adoradoras, é o de não criarmos abismos entre o espaço cotidiano e o litúrgico. Deus nos convida a mantermos sempre abertas as portas entre o espaço da vida cotidiana e o espaço do culto ao Senhor. Como podemos fazer isso? Vivendo a cada momento de nossas vidas em submissão ao Senhor, em gratidão ao Senhor e em solidariedade missionária. No espaço litúrgico servimos a Deus com nossos cânticos, orações, súplicas, comunhão e gratidão. No espaço cotidiano servimos a Deus com nosso trabalho, nossa obediência, nosso amor ao próximo, nosso ministério, nosso compromisso missionário! Esse é o culto racional de que Paulo nos fala em Rm 12:1-2 – a vida vivida em obediência a Deus e debaixo da Sua bênção. A ação missionária é a ponte entre o espaço litúrgico e o espaço cotidiano.

Renovação do culto começa no espaço litúrgico, mas não termina lá. A renovação do culto só fica completa quando atravessa a fronteira do espaço litúrgico e se torna parte do espaço cotidiano de nossas vidas. Aprender a coerência entre o culto litúrgico e o culto cotidiano é o grande desafio da renovação da igreja e da nossa vida. Adorar a Deus em Espírito e em verdade – no culto celebrativo da igreja, e no culto missionário da vida cotidiana. Como filhos e filhas da promessa, temos a mesma responsabilidade do pai da fé, Abraão:”abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. Em ti serão abençoadas todas as famílias da terra.” (Gn 12:3)

fonte:http://www.ftl.org.br

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