O Cristo vitorioso escreve a sua igreja em esmirna para confortá-la.

Este texto que acabamos de ler é a segunda carta das sete enviadas às igrejas na Ásia Menor. Todas as cartas é o próprio Senhor Jesus Cristo que escreve através do seu apóstolo João. Ele é aquele que está andando no meio dos candeeiros, que são as igrejas. Ele é o dono delas. E por isso, Ele pode, tanto exortar como advertir, animar como ameaçar.
Esta segunda carta foi dirigida à igreja em Esmirna. Esmirna era uma bela cidade. Ela era rival da cidade de Éfeso. Ela reivindicava o direito de ser a “primeira Cidade da Ásia em beleza”. Já que Éfeso ocupava este posto. Esmirna era uma cidade gloriosa. Ela com seus lindos edifícios públicos situados no alto da colina Pagos, formavam o que se chamava “a coroa de Esmirna”. A brisa ocidental vinda do mar soprava por toda cidade. Que mesmo durante o verão era uma cidade com um clima agradável. Desde o começo da ascensão do império romano, mesmo antes do seus dias de grandeza, Esmirna era sua aliada e reconhecida como tal por Roma.
Com toda probabilidade a igreja de Esmirna foi fundada por Paulo durante a sua terceira viagem missionária (At 19.10), entre 53 e 56 d. C. É possível que Policarpo fosse bispo da igreja de Esmirna naquela época. Ele foi discípulo de João. Fiel até à morte, este venerando líder foi queimado vivo num poste. E esta igreja é uma das duas igrejas que o Senhor Jesus Cristo não critica e nem ameaça. A outra igreja é a de Filadélfia. Ela sendo fiel e sem motivo de ameaça, o Senhor se dirigi de uma maneira a fortalecer ainda mais aquela igreja a permanecer firme. Ele se apresenta assim: “Ao anjo da Igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver”. Ele se apresenta a sua igreja amada como o Cristo vitorioso. Isto nos leva ao seguinte tema desta pregação:

1. Conhecendo o Seu Sofrimento (vs. 8-9).

Irmãos, a semelhança da carta a igreja em Éfeso, Jesus Cristo também faz sua auto-apresentação a igreja em Esmirna. Na igreja de Éfeso, Ele se apresenta da seguinte maneira: “Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro”. Ele se apresenta como aquele que estar andando no meio da igreja. Para mostra que Ele conhece o que estar acontecendo dentro da igreja. Ele conhece a vida de cada membro. Por isso, Ele pôde ver que aquela igreja tinha deixado o seu primeiro amor. O seu amor havia esfriado em servi-lo.
Mas agora Ele se apresenta a Igreja em Esmirna desta maneira: “Ao anjo da Igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver”. Por que Jesus Cristo se apresenta desta maneira? Porque tem haver com a mensagem que Ele tem para aquela igreja. Ele se apresenta aqui como o conquistador. Mas não como qualquer conquistador. Ele é o primeiro e o último. Ele é o ser eterno. Que sempre existiu com o Pai. Quando se encarnou a nossa semelhança e baixou a amarga cruz em nosso lugar, Ele foi morto e sepultado. A morte tentou vencê-Lo, mas não conseguiu vencer. Ele é aquele que mesmo quando estava morto, vivia. Porque Ele é o ser eterno. Ele é o conquistador da morte. Ele venceu a morte que veio sobre ele com toda sua força. Porém, ele se levantou dentre os mortos. Ele agora tem domínio sobre a morte. Ele está qualificado para ser nosso Mediador e Salvador. Porque a morte não tem poder sobre os filhos de Deus. Por isso, Ele se apresenta desta maneira a igreja em Esmirna. Ele quer deixar bem claro que Ele é o conquistador da morte. E por isso ele pode dizer a igreja de Esmirna: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. Ele tem a vida em suas mãos e a dar a quem Ele quiser.
Jesus Cristo, como o conquistador da morte pode dizer aquela igreja fiel: “Conheço a tua tribulação, a tua pobreza mas és rico e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás”. O Senhor quer encorajar aqueles irmãos em Esmirna. O Senhor conhecia o sofrimento daqueles amados. Eles sofriam muito por causa do nome de Cristo. Jesus Cristo diz que conhece tanto as tribulações como a sua pobreza extrema. Como pessoas convertidas naquela época eram perseguidos. Por servir a Cristo eram despedidos de seus empregos constantemente. Além disso, eles eram pobres, materialmente falando, e fazer-se CRISTÃO era, do ponto de vista terreno, um verdadeiro sacrifício, ou seja: pobreza, fome, aprisionamento, com freqüência a morte por meio de feras ou de estacas do martírio. Ser cristão naquela época era bem difícil. Porque uma hora você poderia está livre mas em outra hora poderia está preso e preste a ser lançado para alimentar as feras ou ser queimado vivo como espetáculo para o público. Diferente da nossa época, que gozamos de liberdade para servir a Deus. Podemos vir a igreja sem medo. Sem correr o risco de ser preso por servir a Jesus Cristo. Mas, mesmo assim muitas vezes colocamos obstáculos para servir a Jesus Cristo com toda a nossa força e vontade. Que possamos seguir o exemplo dos irmãos em Esmirna. Que apesar de toda perseguição e pobreza, não abandonaram a sua fé. Antes permaneceram firme.
Por isso, o Senhor quer exortar aqueles fiéis a não sentir pena de si mesmos. Pelo contrário, deveriam se alegrar. Eles podem ser pobres materialmente falando. Mas o Senhor Jesus disse: “mas tu és rico”! Por que eles eram ricos? Porque o seu tesouro não está aqui na terra, mas no céu. Eles seguiram o que Jesus Cristo tinha ensinado em Mateus 6.20: “Ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam”. O coração daqueles irmãos estava no céu. Estava ligado a Cristo que é o conquistador da morte e do seu poder. Por isso eles são ricos. Porque eles têm Cristo em suas vidas. Eles não precisam ser ricos materialmente. Apenas espiritualmente. Esta é a maior de todas as riquezas que uma pessoa pode ter na vida. A riqueza que vem dos céus. Que transforma sua vida e o torna fiel a Cristo, seu Senhor e Salvador.
Eles também não deveriam temer a “blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás”. Os judeus difamavam o Messias e negavam a sua vinda. Esses judeus desprezaram com toda sua força o Cristo. Eles alimentavam um ódio maligno contra os cristãos. Eles arrastavam os cristãos diante dos tribunais e os acusavam injustamente. Como lemos em Atos 13.50: “Mas os judeus instigavam as mulheres piedosas de alta posição e os principais da cidade e levantam perseguição contra Paulo e Barnabé, expulsando-os do seu território”. Também Atos 14. 2, 5 e 19 (ler).
Esses judeus se achavam que eram a “sinagoga de Deus”. Eles falavam de Deus, mas não viviam para Deus. Antes, praticavam as cosias do diabo. O Senhor os chama de “Sinagoga de Satanás”. São casas de Satanás. Praticam as mesmas coisas que seu pai pratica. Satanás é o principal acusador dos irmãos. É ele que acusa os fiéis. E os judeus estão fazendo as mesmas coisas. Eles levantam falsas acusações contra os cristãos. Mentem perante os tribunais e contratam homens malignos para testemunharem falsamente. E assim lançam os cristãos na prisão e conseqüentemente serem mortos. Tudo isto eles fazem com muito entusiasmo, empolgação. Eles têm prazer em praticar o mau. Eles se alegram em matar os cristãos. Assim eles também estão rejeitando Jesus Cristo. Por isso eles são chamados de sinagogas de Satanás. Casa de maldade e iniqüidade. Porque são incrédulos. São descrentes. Não crêem em Deus, mesmo que falem e digam que estão adorando a Deus. Na verdade estão adorando Satanás com seus atos. Eles estão lutando contra Deus e seu domínio. Porque todos eles são filhos do diabo.
Porém, o Senhor sabe sobre essas falsas calúnias. O Senhor sabe o que aqueles crentes de Esmirna estão sofrendo. Ele diz no inicio do verso 9: “Conheço a tua tribulação, a tua pobreza”, quer dizer, Ele sabe o que cada crente passa. Se sofre ou se está feliz. Ele encoraja os fiéis dizendo que Ele não se afastou do seu povo. Pelo contrário, Ele está do nosso lado, nos ensinando a andar. Nos ensinando a confiar e a esperar inteiramente nEle. Irmãos, dar ou não dar um conforto para nós, em saber que Cristo conhece a nossa vida e está disposto a nos confortar? Na vida ou na morte o nosso conforto é o Senhor Jesus Cristo em nossas vidas. Não existe conforto maior do que este na vida de um cristão.

2. Exortando a Permanecer Fiel (v. 10).

Irmãos, o Senhor Jesus Cristo conhece nosso sofrimento. Ele sabe o que cada um passa e sofre. Mas, devemos estar consolado no Senhor Jesus. Porque Ele disse que não nos deixaria órfãos. Ele prometeu sempre estar do nosso lado. Por isso, quando Ele subiu ao céu, para reinar de lá tudo em nome do Seu Pai, a primeira providência dEle foi enviar o seu Espírito Santo. O Espírito Consolador. Enquanto Ele está preparando um lugar no céu para nós, Ele manda seu Espírito para nos consolar. Assim, Ele cumpre a sua promessa de não nos deixar órfãos. Dessa maneira, Jesus Cristo sempre está perto de nós. Isso Ele deixou bem claro para a igreja de Esmirna. E também quer deixar bem claro para nós. Ele está do nosso lado. Ele não se afastou de nós. Nós é que muitas vezes nos afastamos dele. Mas, Ele sempre esteve e estará conosco.
Por isso, Ele no versículo 10 do texto do sermão diz: “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulações de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. Os romanos perseguiam os cristãos constantemente. Eles eram acusados de traição e rebeldia. De estarem tramando a queda do império. Mas os judeus estavam incitando a praticarem também esses atos cruéis. Eles também acusavam os cristãos perante os tribunais. Eles eram instrumentos de Satanás para destruir os cristãos. O texto diz que “o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova”. Satanás ia fazer com que muitos cristãos fosse lançados na prisão. Os cristãos iriam ser forçados a negar a Jesus. Porque ser preso significa a morte se não negasse a Cristo em público. Então, seria uma tentação muito grande para aqueles fiéis. Em meio ao sofrimento, terem que decidir em quem deveria confiar. Em Cristo ou negá-Lo para ter sua vida aqui na terra?
A vida do cristão não é nada fácil. Veja o que o apóstolo Paulo diz em 2 Timóteo 3.12: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. Se você quer servir a Cristo fielmente, você tem que sofrer. Não há outra maneira. Não existe outro caminho. O único modo de permanecer e viver fiel a Jesus Cristo, é através do sofrimento pelo seu nome. Cristianismo é sinônimo de sofrimento, angústia, aflição, tentação e perseguição. Se você não sofre nada disso, significa que você precisa olhar no que está errando. Se você quer viver piedosamente em Cristo Jesus, você será perseguido.
O Senhor disse aqueles irmãos de Esmirna, que eles só iriam sofrer por dez dias. Isso significa um tempo definido. Eles deveriam guardar sua fé pura. Porque através daquele sofrimento, o Senhor estaria também provando aqueles crentes. Purificando e aumentando a fé daqueles fiéis. O Senhor diz: “Não temas as coisas que tens de sofrer… Sê fiel até à morte. Como Jesus tinha dito a seus discípulos em Mateus 10:28: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a lama; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”. O homem só pode fazer perecer nosso corpo e não a nossa alma. Por isso Jesus disse: “Sê fiel até à morte”. Isto não significa meramente “ser leal até morrer”, mas “ser fiel ainda que isto lhe custe a vida”. Mesmo que o mundo inteiro venha sobre mim, eu como cristão, vou manter minha fé em direção do Senhor. Vou permanecer firme, mesmo que o mundo me mate. Mesmo que custe a minha vida. Esta é a convicção de um cristão genuinamente cristão em Cristo.
E você irmão, está disposto a servir a Cristo mesmo que isto custe a sua vida? Se está disposto a se sacrificar, a morrer por amor ao Senhor Jesus, a você é prometido a coroa da vida, ou seja, a vida de glória no céu. Mas, aos covardes e traidores são reservados o lago de fogo.
Irmãos, a igreja de Esmirna não foi criticada pelo Senhor e isto deve chamar nossa atenção. Por que não foi criticada? Porque eles se empenhavam em tudo para servir a Cristo com fidelidade. Em nada eles deixavam de fazer para Cristo. Eles não negavam seu amor a Cristo. Que é o seu dono. Eles amaram ao Senhor Jesus Cristo acima de sua própria vida. Eles preferiam morrer do que negar ao Senhor Jesus Cristo.
Irmãos, e se o Senhor Jesus Cristo escrevesse uma carta direcionada a Igreja Reformada de São José da Coroa Grande, seríamos criticados? Ou será que não receberíamos criticas como a igreja de Esmirna? Pense um pouco sobre isso.
Eu falei na introdução do sermão sobre Policarpo que era bispo da igreja de Esmirna. Vocês sabem por quê e como ele morreu? Eu vou dizer a vocês o por quê e como ele morreu.
Ele foi discípulo de João. Fiel até à morte, este venerando líder foi queimado vivo num poste, cerca de 155 d. C. Foi-lhe exigido que dissesse: “César é Senhor”, mas recusou. Levado ao estádio, o governador lhe instou, dizendo: “Jura, nega a Cristo, e eu te porei em liberdade”. Policarpo respondeu: “Oitenta e seis anos O tenho servido, e Ele nunca me fez qualquer injúria: Como posso eu, pois, blasfemar contra o meu Rei e meu Salvador?”. Quando outra vez o governador o pressionou, o ancião respondeu: “Posto que vãmente insistes que eu jure pela felicidade de César, e pretendes ignorar quem e o que sou, ouve-me declarar com toda intrepidez: Eu sou um cristão…”. Pouco mais tarde o governador respondeu: “Tenho feras ao meu alcance, a elas te lançarei, a não ser que te arrependas. Eu farei que sejas consumido pelo fogo, já que deprecias as feras, caso não te arrependas”. Mas Policarpo disse: “Tu me ameaças com fogo que queima por uma hora, mas depois se apaga; não obstante ignoras o fogo do juízo vindouro e da punição eterna, reservado para os maus. Por que te demoras? Faze o que queres”. Pouco depois as pessoas começaram a trazer a lenha; os judeus, especialmente, segundo o seu costume, assistiram com entusiasmo. Assim Policarpo foi queimado num poste.
Isto é ser fiel até a morte. Mesmo que venha a morrer, não negar a sua fé em Cristo.

3. Confirmando a Vitória Sobre a Segunda Morte (v. 11).

O que é a segunda morte? A segunda morte é o dia do juízo final. Naquele dia Cristo julgará a todos e condenará os que se rebelaram contra Ele. Em Apocalipse 21. 8 descreve quem são essas pessoas. Vamos irmãos ler este versículo.
Naquele dia os incrédulos que rejeitaram o Senhor, serão lançados no lago de fogo. Serão atormentados por toda eternidade. Quem não tiver seu nome inscrito no livro da vida, sofrerá eternamente. No juízo final haverá choro e ranger de dentes para aqueles que não se submeteram a autoridade de Cristo. Todo que não se converteram ao Senhor. Todos que fingiram ser fiéis a Ele. Todos que negaram sua fé pelos prazeres do mundo. Naquele dia não haverá mais esperança para se converter e nem se arrepender. Porque tiveram toda sua vida para se arrependerem. Para essas pessoas só resta o lago de fogo, que é a segunda morte.
Mas, e para os que permanecerem fiéis? O verso 11 diz: “O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte”. Irmãos, no verso 8 Jesus se apresenta como “o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver”. Ele se apresenta como o Vencedor. Ele é o Cristo Vitorioso. Ele venceu a morte. A morte não teve poder sobre Ele. Mas Ele é que tem o poder sobre a morte. Ele decide quem vai ou não morrer. E para aqueles que guardaram sua fé, Ele diz: “Você não sofrerá no juízo final. Eu venci a morte. Eu venci por você. Para que você no juízo final tenha a vida eterna. Você irá reinar comigo para sempre. A segunda morte não te ameaçará mais. Porque eu decidi te dar a vida eterna”.
Isso é um consolo para nós em saber que Jesus tem o poder sobre a morte. Isto nos dar conforto para vivermos fiéis. Esmirna foi leal ao seu chamado para ser portadora de luz. O testemunho de Policarpo, apresentado na presença de judeus e pagãos, foi imitados por outros. Que possamos imitar a lealdade daquela igreja e sermos crentes vivos. Crentes que não se envergonham do evangelho. E tendo a certeza que Cristo nos dará a coroa da vida.
Amém.

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